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Aprender o que fazer para se sentir bem

No documento Manual - Cuidador da Pessoa Idosa (páginas 91-96)

Cuidando de quem cuida

4. Aprender o que fazer para se sentir bem

Os sentimentos que temos quando cuidamos de uma pessoa idosa são diversos, podendo ser tanto positivos como negativos em relação à pessoa que estamos cuidando e em relação a nós mesmos. Os sentimentos positivos favo-recem nossa sensação de bem-estar e os negativos podem ter efeitos prejudi-ciais. O desejável não é não ter sentimentos negativos, pois é lógico e natural que apareçam, mas ter consciência de que existem, reconhecê-los e, por fim, saber controlá-los.

Os cuidadores familiares que reconhecem que é normal ter pensamentos e emoções negativas em relação à situação em que se encontram e em relação à pessoa idosa, são justamente aqueles que não se sentem culpados por isso.

Ao reconhecer e aceitar estes sentimentos negativos, fica mais fácil expressá-los. Dessa forma, não guardam ou reprimem as emoções, mas as expressam de forma saudável, em algumas ocasiões e as compartilham com amigos, familia-res e outros cuidadofamilia-res.

Como o reconhecimento de nossos sentimentos é o primeiro passo para ter controle sobre eles, vamos ver quais são os mais freqüentes entre os cuidadores familiares, por que motivo eles aparecem e, depois ver o que pode

ser feito para controlá-los. Os sentimentos mais comuns entre as pessoas que cuidam de uma pessoa idosa da família são: aborrecimento, tristeza e senti-mentos de culpa.

Controlar o aborrecimento e a irritabilidade – Os cuidadores familiares podem sentir aborrecimento ou irritação por diversos motivos: certos compor-tamentos da pessoa idosa, a falta de colaboração de outros familiares, a sensa-ção de estar preso à situasensa-ção de cuidar. São reações normais, facilmente com-preensíveis por qualquer pessoa, pois em algumas situações, a maioria de nós tem dificuldade para manter a calma. Para lidar com esses sentimentos, seguem abaixo algumas sugestões.

Como agir quando se sentir aborrecido

• Pense que os comportamentos irritantes ou perturbadores da pessoa idosa podem ser uma conseqüência da sua enfermidade e não tem intenção de aborrecê-lo. Não interprete imediatamente que sua inten-ção é de ofendê-lo.

• Pense que o que o aborrece não é a pessoa em si, mas apenas seu com-portamento num determinado momento.

• Ponha em prática procedimentos para conseguir que os comportamen-tos da pessoa idosa deixem de ser irritantes.

• Comente sua experiência com outras pessoas que tenham problemas semelhantes. Você se sentirá melhor.

• Fique consciente de que está aborrecido e reconheça seu direito de estar assim.

• Expresse suas frustrações, temores, ressentimentos ou mal-estar sem perder o controle. As explosões de raiva são a conseqüência de senti-mentos negativos acumulados durante muito tempo.

Aliviar a tristeza e a depressão – É possível que você sinta tristeza diante do declínio das capacidades físicas e psicológicas da pessoa idosa, pela perda da sua companhia ou do apoio que recebia dele ou dela e pela diferença entre sua vida antes e depois. São sentimentos lógicos e naturais. Além disso, outras circunstâncias da sua vida (cansaço, conflitos familiais, ou com seu cônjuge, falta de contato com outras pessoas) podem contribuir para aumentar seus

sentimentos de desânimo. Se você tem esses sentimentos com freqüência as sugestões no quadro seguinte podem ajudá-lo.

Se tiver sentimentos de tristeza ou desânimo, experimente esta forma de agir.

• Identifique em quais situações ou momentos se sente triste ou depri-mido.

• Se possível, evite estas situações e se não for possível, tente mudá-las.

• Continue fazendo atividades que lhe dão prazer (ler, conversar com amigos, passear, escutar música, dedicar-se a passatempos, etc.) A ativi-dade é inimiga natural da depressão.

• Não queira fazer mais do que é humanamente possível. Não marque metas excessivas. Evite dizer a si mesmo frases que comecem por deveria.

• Não pretenda resolver todos os seus problemas de uma vez. Aborde um problema de cada vez e, se for complicado, divida-o em partes peque-nas para resolvê-lo.

• Busque o lado positivo das coisas que acontecem a sua volta.

• Mantenha o senso de humor.

• Faça exercício físico, se possível, ao ar livre. Obterá benefícios físicos e psicológicos.

Afastar os sentimentos de culpa –Como outras pessoas na mesma situa-ção, é possível que de vez em quando você tenha sentimentos de culpa. Diversos motivos podem facilmente provocar esses sentimentos. Por exemplo, quando um cuidador é demasiado exigente consigo mesmo, freqüentemente acaba experimentando sentimentos de culpa. Se um cuidador familiar pensa que tem que atender a todas as necessidades e desejos da pessoa idosa, é bem provável que não possa cumprir todas e, finalmente, sinta-se culpado por isso. Nestes casos, o cuidador familiar está pensando que deveria (deveria ser capaz de fazer..., deveria atender mais..., deveria ter mais paciência, etc.). Além disso, existem outras razões freqüentes por que o cuidador familiar sente-se culpado, como veremos no quadro seguinte.

Por que os cuidadores familiares têm sentimentos de culpa

• Sentimentos, atitudes e comportamentos ocorridos com a pessoa que atualmente está sendo cuidada.

• Pensar que é responsável pela doença da pessoa idosa.

• Desejar que a pessoa idosa morra (para que deixe de sofrer ou para liberar o cuidador familiar).

• Manifestar aborrecimento ou desgosto diante dos comportamentos irri-tantes da pessoa idosa (por exemplo, por que repete as mesmas per-guntas ou se comporta agressivamente).

• Discussões ou brigas com outros familiares que não colaboram no cui-dado. Descuidar outras obrigações familiares ou pessoais.

• Sugerir a internação da pessoa idosa numa ILPI, pensando que isto signi-fica sacrisigni-ficar o bem-estar da pessoa idosa em favor do seu bem-estar.

• Agir de forma contrária a nossos valores. Em geral se espera que não sejamos egoístas. Por este motivo, quando os cuidadores familiares gastam seu tempo para encontrar com amigos, com passatempo, etc, podem sentir-se culpados.

Mesmo que seja difícil fazer desaparecer totalmente os sentimentos de culpa, é sempre possível tentar diminui-los.

Como afastar os sentimentos de culpa

• Procure verificar se sente-se culpado em algumas ocasiões por algo rela-cionado com a pessoa idosa e em que situação isso ocorre.

• Aceite-os como algo normal e pense que são compreensíveis.

• Expresse estes sentimentos. Fale com outras pessoas (familiares, amigos, outros cuidadores) sobre eles.

• Procure as razões destes sentimentos. Pode ser útil analisá-los com outras pessoas.

• Admita as suas limitações para satisfazer todas as necessidades do seu idoso.

Uma última forma de prevenir os sentimentos de culpa consiste em equi-librar as obrigações e os direitos dos cuidadores familiares. Pense que você também tem seus direitos.

Os direitos dos cuidadores familiares

• O direito de ter tempo para mim mesmo e dedicar-me a atividades em meu próprio benefício, sem sentimentos de culpa.

• O direito de ter sentimentos negativos por ver um ente querido enfermo ou por ver que vai perdê-lo.

• O direito de resolver por mim mesmo aquilo que tenho capacidade de resolver e o direito de pedir informações sobre aquilo que não compre-endo.

• O direito de buscar soluções razoavelmente adequadas para as minhas necessidades e para os meus entes queridos.

• O direito de ser tratado com respeito pelas pessoas a quem solicito con-selho e ajuda.

• O direito de cometer erros e de ser desculpado.

• O direito de ser reconhecido como membro importante e indispensável da minha família, inclusive quando meus pontos de vista não coincidem com os dos outros.

• O direito de querer bem a mim mesmo e admitir que faço o que é huma-namente possível.

• O direito de aprender e de ter tempo necessário para aprender.

• O direito de admitir e de expressar sentimentos, tanto positivos, como negativos.

• O direito de dizer não quando as exigências são excessivas, inapropria-das ou pouco realistas.

• O direito de ter a minha própria vida.

Aprenda e pratique relaxamento – Leia o exercício descrito a seguir e procure praticá-lo diariamente

No documento Manual - Cuidador da Pessoa Idosa (páginas 91-96)