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O que pode ser feito para prevenir o delirium

No documento Manual - Cuidador da Pessoa Idosa (páginas 124-128)

Tão importante quanto saber quais as doenças crônicas que a pessoa idosa tem é saber como é seu estado funcional. Por exemplo, se a pessoa idosa é capaz de tomar conta de sua própria vida, lidar com dinheiro, sair de casa sozinho e tomar uma condução, fazer pequenas tarefas domésticas ou prepa-rar pequenas refeições. Além disso, se a pessoa idosa é capaz de cuidar de si mesma, tomar banho sozinha, caminhar dentro de casa, ir ao banheiro sem ajuda, alimentar-se com as próprias mãos. A perda da funcionalidade é muitas vezes negligenciada e considerada como resultado do próprio envelhecimento (“da idade”), tanto por familiares quanto por profissionais de saúde e consti-tui-se num grave erro.

É muito comum que as primeiras manifestações de uma doença aguda ou a descompensação de uma doença crônica sejam, justamente, a diminuição ou perda da capacidade funcional da pessoa idosa, antecedendo, às vezes a ocorrência do delirium. Dar importância às alterações da condição funcional e reportar essas alterações à equipe de saúde. É, portanto, de extrema relevância para o diagnóstico precoce, tratamento adequado e recuperação do compro-metimento funcional da pessoa idosa, o que evita o aumento de sua vulnerabi-lidade e diminui o risco para ocorrência do delirium.

Os estudos de prevenção do delirium foram desenvolvidos, principal-mente, durante o período de hospitalização de pessoas idosas, entretanto, as medidas também se aplicam para outros ambientes, como o domicílio e as instituições de longa permanência. As medidas de prevenção são muito seme-lhantes àquelas usadas para o tratamento e devem ser aplicadas para todas as pessoas idosas, principalmente para as mais frágeis – aquelas com várias doen-ças crônicas, com demência, com dificuldade de andar ou de se comunicar, que usam vários medicamentos e aquelas com idade mais avançada. Os fatores de risco para a ocorrência de delirium e as respectivas medidas de prevenção são apresentados no quadro a seguir.

Quadro – Fatores de risco para delirium e medidas de prevenção

Fatores de risco Medidas de prevenção

Privação do sono Abordagem do sono sem uso de medicamento, estratégia para redução de ruídos. Adequação dos horários de medicação e outros procedimentos (p. ex., banho) para possibilitar um período ininterrupto de sono

Desidratação Identificação precoce e reposição de líquidos, de acordo com a orientação médica

Deficiências visual e auditiva

Manter óculos e próteses auditivas com o idoso, e que ele possa usá-los

Imobilização Mobilização precoce (caminhada com auxílio ou exercícios à beira do leito)

Evitar o uso de dispositivos imobilizadores (acesso venoso, sondas, coletores)

Qualquer forma de contenção física não deve ser usada Medicamentos

sedativos ou psicoativos

Restringir o uso de medicamentos sedativos-hipnóticos ou

psicoativos. Usar a menor dose possível, diminuir ou descontinuar a medicação não imprescindível, conforme a orientação médica.

FONTE: Adaptado de Freitas MPD & Menezes AL. Grandes Síndromes Geriátricas – Delirium: Diagnóstico e Tratamento.

In: Moraes EN (org.). Princípios Básicos de Geriatria e Gerontologia. Belo Horizonte: Coopmed; 2008. P. 351-58.

O delirium quando acontece uma vez, tem grande chance de se repetir, principalmente se ocorrer um evento semelhante ao que o desencadeou. Por isso, é muito importante que as medidas de prevenção sejam instituídas, por exemplo, no momento de uma hospitalização, ou logo que a pessoa idosa comece a ter alguma alteração do estado de saúde, como uma infecção uri-nária ou pulmonar.

Os sintomas do delirium tendem a desaparecer assim que a doença que o desencadeou é tratada. Alguns sintomas podem permanecer por mais tempo, mas com melhora dia após dia. Ter tido um episódio de delirium não significa que a pessoa idosa está ou ficará demente. A maioria melhora em algumas semanas. Entretanto, no caso de persistirem alguns sintomas por mais de três meses, principalmente de esquecimento para fatores recentes e alterações do comportamento, o idoso deverá ser reavaliado por um médico, pois poderá se tratar de um quadro inicial de demência.

Importante lembrar

1. Delirium é uma doença grave que se manifesta de uma hora para outra, provocando mudanças temporárias no cérebro da pessoa.

2. A pessoa com delirium mostra-se confusa, ora agitada, ora sonolenta, podendo trocar o dia pela noite.

3. A pessoa com delirium costuma ter melhoras e pioras ao longo do dia.

As pioras geralmente são à noite, no entardecer e ao despertar.

4. Há causas predisponentes, isto é o estado geral da pessoa idosa e causas precipitantes como infecções (do trato urinário, pneumonia); descontrole de doenças crônicas, uso de novos remédios, mudanças de ambiente, falta de dormir, desidratação e desnutrição.

5. O delirium pode manifestar-se de três formas: hipoativo, quando a pessoa fica quieta e desatenta, sonolenta e com a fala lenta e pausada;

hiperativo quando a pessoa fica agitada e agressiva, podendo recusar tomar banho, alimentar-se e tomar remédios; misto, quando a pessoa fica ora agitada e agressiva, ora quieta e desatenta.

6. É preciso prestar muita atenção na forma hipoativa que muitas vezes não chama a atenção de cuidadores e familiares.

7. O cuidador não deve dar remédio para a pessoa idosa sem orientação médica, a não ser aqueles que já estava tomando.

8. A pessoa idosa não deve ser confrontada quando se mostra confusa.

9. Caso a pessoa idosa esteja hospitalizada, deve-se evitar trocar acom-panhantes com freqüência.

10. Deve-se proibir a contenção física da pessoa com delirium.

11. Oferecer líquidos, mesmo que a pessoa idosa não peça, a fim de evitar a desidratação.

12. O delirium quando acontece uma vez, pode voltar a se repetir. Por isso, é importante adotar as medidas de prevenção que estão indica-das neste capítulo.

Sugestões para leituras:

Fabbri RMA. Delirium. In: Freitas EV et al. (editores). Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A.; 2002. P. 168-75.

Freitas MPD & Menezes AL. Grandes Síndromes Geriátricas – Delirium: Diagnós-tico e Tratamento. In: Moraes EN (org.). Princípios Básicos de Geriatria e Geron-tologia. Belo Horizonte: Coopmed; 2008. P. 351-58.

Saldanha AL. As Síndromes Geriátricas: Incapacidade Cognitiva. In: Saldanha AL & Caldas CP (org.). Saúde do Idoso: a Arte de Curar. 2ª ed. Rio de Janeiro:

Interciência; 2004. P. 170-74.

Depressão

Luciana Lílian Louzada

No documento Manual - Cuidador da Pessoa Idosa (páginas 124-128)