As novas tecnologias e principalmente a Internet, como vimos anteriormente, aproximaram os indivíduos e trouxeram possibilidades de mudança pedagógica. Desta forma, a aprendizagem colaborativa12 surge como um caminho natural para as iniciativas em EaD.
Num mundo globalizado, que derruba barreiras de tempo e espaço, o acesso à tecnologia exige atitude crítica e inovadora, possibilitando o relacionamento com a sociedade como um todo. Uma nova ação docente passa a ser um desafio, porque exige dos professores e alunos a participação em um processo conjunto para aprender de forma criativa, dinâmica, e que tenha como base o diálogo e a descoberta.
Para Behrens (2000) o desafio imposto aos docentes é mudar o eixo do ensinar para optar pelos caminhos que levem ao aprender. Na realidade, torna-se essencial que professores e alunos estejam num permanente processo de aprender a aprender.
Behrens nos traz ainda outros aspectos interessantes sobre a aprendizagem colaborativa, como uma nova categoria do conhecimento, denominada digital que segundo Lévy (1993), o conhecimento poderia ser apresentado de três formas: a linguagem oral e a linguagem escrita (que acompanharam o processo pedagógico histórico de ensinar e aprender) e a linguagem digital, como uma nova forma de categorizar o conhecimento. Neste processo é necessário propor novas formas de aprender e de saber se apropriar criticamente de novas tecnologias, buscando recursos e meios para facilitar a aprendizagem.
As proposições pedagógicas se ampliam, pois como Kenski (l998) nos alerta:
A tecnologia digital rompe com a narrativa contínua e sequencial das imagens e textos escritos e se aprensenta como um fenômeno descontínuo. Sua temporalidade e espacialidade, expressas em imagens e textos nas telas, estão diretamente relacionadas ao
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Alguns utilizam os termos colaborar e cooperar como sinônimos. Nesta dissertação, estamos restringindo o uso da palavra cooperar ao sentido decorrente de sua etimologia – cooperare, operar simultaneamente.
momento de sua apresentação. Verticais, descontínuos, móveis e imediatos, as imagens e os textos digitalizados a partir da conversão das informações em bytes têm o seu próprio tempo, seu próprio espaço fenomênico da exposição. Eles representam portanto um outro tempo, um outro momento revolucionário, na maneira de pensar e de compreender (p. 64).
Como possibilidade de integrar os alunos na educação a distância, Behrens (2000) nos apresenta os quatro pilares da aprendizagem colaborativa, tomando como base o Relatório Delors (1999), no qual aponta como principal conseqüência da sociedade do conhecimento a necessidade de uma educação continuada, ao longo de toda a vida assentada em quatro pilares: aprender a conhecer (relacionado ao prazer em descobrir, ter curiosidade); aprender a fazer (aprender com criticidade e autonomia) aprender a viver juntos (aprender a compreender o outro) e aprender a ser (desenvolvimento total da pessoa).
Segundo ainda as idéias de Behrens (2000), para que se trabalhe de maneira colaborativa com os alunos, é preciso que se tenha como referência uma prática embasada no paradigma emergente, numa aliança entre a visão holística que busca a superação da fragmentação do conhecimento e o resgate do ser humano em sua totalidade, a abordagem progressista que tem como pressuposto central a transformação social e do ensino como pesquisa, onde professores e alunos produzem seus conhecimentos com criticidade, aliando a tudo isso, a tecnologia inovadora, como um recurso auxiliar para aprendizagem.
Quadro 3 – Novos Modelos de Aprendizagem
Modelo antigo Modelo novo Implicação para os alunos Centrado no professor Centrado no aluno Os alunos são investidos do poder de aprendizes ativos Absorção passiva Participação do aluno A motivação do aluno é
aprimorada
Trabalho individual Equipe de aprendizagem
A equipe constrói habilidades que são
desenvolvidas; o aprendizado é aprimorado
pelo compartilhamento.
O professor como
especialista O professor como guia
A estrutura da aprendizagem é mais
adaptável às rápidas mudanças no mundo.
Estático Dinâmico
Os recursos de aprendizagem (livros-texto,
base de conhecimentos existente) são substituídos
por um link on line ao mundo real. Os recursos podem ser adaptados às necessidades imediatas da
aprendizagem Aprendizado
predeterminado Aprender a aprender
Desenvolvimento de habilidades para a era da
informação Fonte: Adaptado de Heide e Stilborne (2000)
Os cursos de educação a distância, ao aderirem como referência a aprendizagem colaborativa, poderão atender na prática, às exigências da educação para o século XXI.
Para fazer frente a este desafio precisamos pensar na inovação pedagógica que se impõe diante de novas demandas sociais. Como podemos desenvolver um trabalho educativo orientado pela pedagogia de Paulo Freire, tendo como ponto de partida a realidade do público com quem pretendemos dialogar para ensinar e aprender? Trindade (2007) propõe uma discussão sobre: como planejaríamos nosso trabalho reconhecendo o educando como sujeito do processo tanto quanto nós professores? Como prepararíamos o currículo de nosso curso, com as diversas abordagens dos diversos temas, levando em consideração as realidades dos nossos diversos e imprevisíveis e “espalhados” (geograficamente) estudantes? Como prepararíamos nossos textos de leitura e estudo de tal forma que estes não
fossem simples comunicação de nossas visões – transformando os estudantes em
“pacientes de nossos comunicados” (FREIRE, 2002, p. 67) – e sim
desencadeadores de reelaborações e re-significações?
Trindade (2007) sinaliza ainda que a possibilidade de oferecer respostas a estas questões é ampla considerando as amplas possibilidades que hoje temos de viabilizar ações pedagógicas a distância. Essa pesquisa converge justamente para esta análise quando buscamos entender como se dá a formação docente à distância, considerando as concepções de educação que tratam dos aspectos filosófico, político, teórico e prático que envolvem a prática educativa enquanto práticas educativas e as teorias pedagógicas que tratam das questões relativas ao desenvolvimento da cognição humana, norteadas pelo PPI e pela Proposta Pedagógica do Curso desenvolvido na modalidade EaD.
2.7 BREVE HISTÓRICO SOBRE A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NA