2.2 Surdez, Libras e Aprendizagem Significativa
2.2.3 Aprendizagem significativa e o conhecimento
Entender a aprendizagem como um processo de armazenamento de informação é uma das características do aspecto cognitivista. Desse modo, a aprendizagem acarreta na organização e na integração do material em estudo, na estrutura cognitiva de um indivíduo. Para ele, novas ideias e informações podem ser aprendidas e retidas na medida em que conceitos que possuem relevância estejam disponíveis na rede estruturada da cognição, funcionando dessa forma, como alicerce para novas ideias e novos conceitos. (MOREIRA E MANSINI, 1982).
A ideia fundamental de Ausubel et al.(1980) é de que a aprendizagem possa ocorrer quando uma nova informação se relaciona com um aspecto relevante da estrutura de conhecimento do aprendiz, ou seja, quando essa nova informação se ancora em conceitos ou proposições relevantes preexistentes na estrutura cognitiva de um indivíduo.
Em seus estudos, esse pesquisador faz uma diferenciação entre aprendizagem significativa e aprendizagem mecânica. A aprendizagem mecânica atua simplesmente na memorização da informação, sem ênfase em um possível relacionamento entre os conceitos aprendidos. Em contrapartida, a aprendizagem
significativa resulta da ancoragem de novas informações em conceitos relevantes preexistentes na estrutura cognitiva do indivíduo. (CARVALHO, apud NOVAK, 2002).
Quando um novo conceito é adquirido, ele poderá gerar influência na estrutura dos conceitos já aprendidos, promovendo significantes modificações nas características da estrutura cognitiva já existente. Assim, a aprendizagem vai se ampliando, gerando uma verdadeira rede de informações e conceitos totalmente integrados, conforme demonstrado na Figura 04.
Figura 04 - Representação da estrutura cognitiva de conceitos.
Fonte: Elaboração do autor, 2012.
Quando um novo conceito entra na rede cognitiva do indivíduo com uma estrutura lógica bem definida e este, interage com outros conceitos já estruturados, acontece então, a consolidação da aprendizagem que, neste caso, se torna significativa por ser capaz de promover o processamento do novo conceito, gerando nova informação e contribuindo para a ampliação e estabilização da rede.
Assim, a pessoa se torna autônoma, no momento em que ele estrutura seus conhecimentos através das experiências adquiridas na aprendizagem. Ela se torna capaz de captar e aprender cada vez mais através da assimilação de conhecimentos correlacionados, gerando assim a apropriação de informações e, consequentemente, transformando-o em novos conhecimentos e consolidando com os que já são existentes.
Conceito A Conceito B Conceito C Conceito D Conceito N Conceito G Conceito F Conceito E
De modo geral, a aprendizagem significativa se pauta em três situações, tais como: o material deve ser conceitualmente claro e potencialmente significativo; o Aprendiz deve possuir conhecimentos prévios devidamente relevantes. É importante verificar que esta situação requer cuidados específicos na construção dos padrões conceituais e, por último, o indivíduo deve se sentir motivado para a aprendizagem quando ela for significativa, ao contrário da memorização de uma aprendizagem mecânica.
A aprendizagem significativa é quando uma nova informação (conceito ou ideia) adquire significados importantes e necessários para o indivíduo aprendiz. Ela se torna uma espécie de base ou âncora com aspectos relevantes da rede cognitiva estruturada pré-existente no indivíduo, tais como elementos conceituais e novas ideias contextualizadas, já existentes em uma estrutura de significados e de formação de novos conhecimentos, cuja denominação está relacionada ao conceito de Subsunçor.
Na aprendizagem significativa há uma interação entre o novo conhecimento e o já existente, no qual ambos se modificam na medida em que o conhecimento prévio serve de base para a atribuição de novos significados à nova informação. Desse modo, novos significados surgem cada vez que os elementos estruturantes interagem, gerando novos elementos significativos aos subsunçores existentes, além de criar outros novos, dando sequência à consolidação da estrutura cognitiva.
O aspecto da individualidade no aprendizado é marcante na aprendizagem significativa, uma vez que aspectos pessoais e cognitivos influenciam na aprendizagem do indivíduo. Moreira (1988), em seu artigo intitulado “Mapas Conceituais e Aprendizagem Significativa”, afirma:
Na aprendizagem significativa o novo conhecimento nunca é internalizado de maneira literal, porque no momento em que passa a ter significado para o aprendiz entra em cena a individualização da significação. Aprender significativamente implica atribuir significados e estes têm sempre componentes pessoais. Aprendizagem sem atribuição de significados pessoais, sem relação com o
conhecimento preexistente, é mecânica, não significativa.
Desse modo, aspectos culturais, experiências anteriormente vivenciadas e conceitos pré-existentes servem de estímulo para dar significância no processo de aprendizagem do indivíduo. Contudo, neste tipo de aprendizagem, a individualização é característica sine qua non para este processo.
Diferente da aprendizagem significativa, a aprendizagem mecânica torna- se contrária à primeira, uma vez que, na aprendizagem mecânica, o novo conhecimento é adquirido de maneira relativa e arbitrária para cada indivíduo, inclusive dando condições para que a pessoa possa reproduzir o que foi aprendido mecanicamente, mas não trazendo uma importância de significado para ele em seu cotidiano.
Para os indivíduos surdos, a aprendizagem significativa se torna um desafio ainda maior, pois, para eles, o processo de aprendizagem envolve diversos aspectos que garantirão o sucesso na construção do seu conhecimento, sobretudo, no tocante ao reconhecimento de elementos distintos, abstração e contextualização de ideias. Porém, para que o aprendizado se torne íntegro, o respeito ao ritmo próprio e individual de cada um deve ser preservado para que haja interação entre o surdo e as pessoas ao seu redor.
Outra forma de contribuir para que os surdos possam estabelecer uma aprendizagem de maneira mais significativa é promovendo uma aprendizagem colaborativa, afinal, ela ocorre, sobretudo, através da interação entre aprendizes que desenvolvem habilidades intra e interpessoais, tornando-os interdependentes no processo. Desse modo, os surdos poderão estabelecer relações intrínsecas com o seu ambiente e com si próprio, elevando a sua estrutura cognitiva e a autoestima, tão necessários ao processo de aprendizagem e para a construção de conhecimentos, podendo assim, conduzir o seu desenvolvimento e vencer as barreiras impostas pela deficiência.