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Apresentando as questões do jogo “Explorando a Paisagem”

CAPÍTULO 4: Os jogos e a educação geográfica

4.5. Apresentando o jogo “Explorando a Paisagem”

4.5.3. Apresentando as questões do jogo “Explorando a Paisagem”

Para construir a proposta de um jogo que não tem como objetivo apenas o entretenimento, mas que sobretudo está associado à discussão de uma temática específica, e que está embasado em um arcabouço teórico e metodológico previamente definido, é preciso ter cautela no momento da elaboração das perguntas que farão parte do jogo, assim como às características e finalidades desse recurso, como nos aponta o quadro 1 (capítulo 4, p. 74) dos autores Moreira, Petty e Passos (2000).

A seguir, discutiremos as questões do jogo “Explorando a Paisagem”, fazendo a sua relação com o embasamento teórico desse estudo, no intuito de demonstrar como a sua construção pode contribuir para o processo de ensino e aprendizagem em Geografia, além de servir como uma possibilidade de metodologia para os professores dessa disciplina.

Para fins de organização, separamos as 14 questões do jogo em quatro temáticas centrais, dentro da discussão sobre a aprendizagem do conceito de paisagem, e do uso da cartografia como linguagem para a compreensão dos fenômenos geográficos que ocorrem no cotidiano da cidade. As cartas com as questões podem ser vistas no apêndice F desse texto. Para ampará-las teoricamente, fizemos uso de dois documentos que dão suporte às práticas educativas desenvolvidas nas escolas, sendo eles os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) e a Matriz de Competências e Habilidades para o ensino de Geografia, construída pelo Instituto Ayrton Senna.

Sendo assim, as questões estão subdivididas nos seguintes grupos: 1) Questões de compreensão e análise da produção e organização do

espaço geográfico.

2) Questões de comparação de paisagens antigas e recentes;

3) Questões de resoluções de problemas relacionados às paisagens; 4) Questões de identificação e utilização dos elementos do mapa.

Nas questões de compreensão e análise da produção e organização do espaço geográfico, em que se abordam principalmente a capacidade de identificação de elementos naturais e culturais das paisagens, nos remetemos às discussões trazidas no capítulo 1, quando os autores defendem que uma das abordagens iniciais do professor com a turma – em relação ao conceito de paisagem – é a identificação de quais são os elementos que compõem uma paisagem, e sua classificação, ou seja, se eles são de origem natural, ou se foram produzidos ao longo do tempo, pelo homem. Tal análise permite ao aluno compreender de que maneira o ser humano se apropria, transforma e condiciona o espaço geográfico de acordo com as necessidades humanas de produção e reprodução econômica, social, política e ambiental.

No jogo, as cartas 01, 04, 08 e 11 (Primeiro grupo) possuem questões que terão essa característica, e seu principal objetivo é desenvolver competências e habilidades referentes a itens como:

• Identificar e observar elementos e aspectos da natureza, considerando o clima, relevo, vegetação, hidrografia e fauna, em diferentes espaços.

• Identificar, observar e registrar a presença, distribuição e organização de elementos criados pelas sociedades em diferentes tempos e espaços.

• Reconhecer e utilizar iconografias diversas (fotografias, obras de arte, ilustrações, esquemas gráficos etc.) para compreender e analisar a produção e organização do espaço geográfico.

A esse respeito, o documento dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) chama atenção para o fato de que explorar a descrição dos elementos naturais e culturais das paisagens, especialmente daquelas que estão presentes no cotidiano dos alunos, é o primeiro passo para trabalhar com noções mais complexas de organização espacial.

[...] a paisagem local e o espaço vivido são as referências para o professor organizar seu trabalho e, a partir daí introduzir os alunos nos espaços mundializados. A observação e a caracterização dos elementos presentes na paisagem são o ponto de partida para uma compreensão mais ampla das relações entre sociedade e natureza. É possível analisar as transformações que esta sofre por causa de atividades econômicas, hábitos culturais ou questões políticas, expressas de diferentes maneiras no próprio meio em que os alunos vivem (BRASIL, 1998, p. 51).

Ao observar e caracterizar os elementos, é necessário que esses procedimentos não sejam feitos de maneira aleatória, pois a partir das respostas fornecidas pelos alunos, o professor pode identificar não apenas o estágio cognitivo em que esse aluno se encontra, mas também determinar os próximos passos de sua intervenção. Para tanto, considerar os conhecimentos prévios dos alunos, suas vivências, lembranças e construções cognitivas é extremamente importante para o trabalho docente, como alerta Ausubel (1968) no capítulo 3 desse estudo.

A observação, que é um dos principais fatores de apreensão da paisagem, é descrito por Cavalcanti (2008) no capítulo 2 desse estudo, como sendo uma importante técnica de envolvimento para que o aluno possa desenvolver interesse pelo estudo da paisagem.

Por sua vez, os PCN’s afirmam que

Observar, descrever, representar cartograficamente ou por imagens os espaços e construir explicações são procedimentos que podem aprofundar e utilizar, mesmo que ainda o façam com pouca autonomia, necessitando da presença e orientação do professor. Por exemplo, em relação à observação, o professor pode levá-los a compreender que não se trata apenas de olhar um pouco mais detidamente, mas sim de olhar intencionalmente, em busca de respostas, nem sempre visíveis de imediato. A descrição, por sua vez, não deve ser apenas uma listagem aleatória do que se observa, mas a seleção das informações que sugerem certas explicações e possuem relação com as hipóteses daquele que observa e descreve (BRASIL, 1998, p. 52)

Seguindo esse raciocínio a carta 04, por exemplo, solicita aos alunos que façam um desenho de uma paisagem natural e uma paisagem cultural que seja do conhecimento deles, no intuito de verificar as habilidades que eles já

conseguem expressar através da representação por desenhos, que são provenientes das suas observações, vivências e do seu olhar sobre as paisagens da cidade, visto que os PCN’s afirmam que

Desenhar é uma maneira de expressão característica desse momento da escolaridade e um procedimento de registro que deve ser valorizado pela Geografia. Mas o desenho agora começa a ganhar outros conteúdos como forma de representação, pois o aluno já percebe aquilo que desenha como imagens que permitem inferências sobre o real. Além disso, é uma forma interessante de propor que os alunos utilizem objetivamente as noções de proporção, distância e direção, entre outros, fundamentais para a compreensão e uso da linguagem gráfica nas representações cartográficas (BRASIL, 1998, p. 52)

As representações visuais, sejam elas através de fotografias, desenhos, imagens aéreas, imagens de satélite, têm muito a nos dizer a respeito das paisagens e das suas alterações ao longo do tempo. E é muito importante que o professor explore a capacidade de comparação, por parte dos alunos, entre paisagens que sofreram modificações, sejam elas produzidas pelo homem ou pela natureza. Perceber e compreender essas transformações faz parte da construção do nosso raciocínio geográfico, no intuito de entender como o tempo, o homem e a natureza podem produzir marcas nas paisagens, fazendo com que alguns elementos contidos nela possam coexistir, apesar de possíveis mudanças nas funcionalidades, nos usos que se dá a uma mesma paisagem. “Compreender que as paisagens que constituem o espaço habitado guardam, em si, semelhanças e diferenças que coexistem e interagem no processo de suas transformações” (BRASIL, 1998, p. 87).

Nessa lógica, as cartas 05 e 07 do jogo “Explorando a Paisagem”, que fazem parte do segundo grupo de questões, buscam, através da comparação entre imagens de paisagens antigas e recentes, desenvolver as seguintes habilidades e competências descritas nas Matrizes para o ensino de Geografia: • Por meio de fotografias, ilustrações, obras de arte, esquemas e mapas, reconhecer em diferentes paisagens elementos e dinâmicas da natureza e da sociedade e suas interações;

• Identificar e analisar na paisagem os elementos visíveis que apresentam a dimensão histórica de sua constituição.

• Compreender as sociedades em seus conflitos, dinâmicas e movimentos, considerando as dimensões políticas, étnicas, culturais e sociais manifestadas em diferentes tempos e espaços.

• Identificar e analisar o papel dos diferentes atores sociais na produção do lugar, território, paisagem e região.

• Estabelecer relações espaço-temporais para compreender a construção histórica do espaço geográfico.

Assim, nas cartas 05 e 07 os alunos não farão apenas uma mera descrição dos elementos que permaneceram ou mudaram na paisagem apresentada, mas poderão identificar também como as formas de vida, de locomoção, as condições de habitação dessas áreas sofreram mudanças conforme o tempo e a intervenção humana. Da mesma forma, as imagens poderão ter leituras diferentes, conforme a percepção de cada aluno que a faça.

Conforme os PCNs (1998, p. 136) colocam

Ao se introduzir a leitura da paisagem, a comparação das diferentes leituras de um mesmo objeto é muito importante, pois permite o confronto de ideias, interesses, valores socioculturais, estéticos, econômicos, enfim, das diferentes interpretações existentes e a constatação das intencionalidades e limitações daquele que observa (BRASIL, 1998 p. 136).

Nesse ponto, é de grande importância considerar as percepções que os alunos constroem do seu entorno, visto que essas diferentes leituras são provenientes das distintas situações que cada um vivencia ao longo da vida, e que dependem das influências que sofrem do meio ou mesmo do modo como sua família habita determinado espaço. Enfim, em cada paisagem concreta há também uma série de significados que a ela são atribuídos conforme cada indivíduo concebe sua forma de viver o mundo. E à medida que há uma interação com novos espaços, as percepções também vão sofrendo alterações, como afirmam os PCN`s (1998, p. 23).

No seu cotidiano os alunos convivem de forma imediata com essas representações e significados que são construídos no imaginário social. Quando um aluno muda de rua, de escola, de bairro ou de cidade, ele não sente apenas as diferenças das condições materiais nos novos lugares, mas também as mudanças de símbolos, códigos e significados com os lugares. Em cada imagem ou representação simbólica, os vínculos com a localização e com as outras pessoas estão a todo momento, consciente ou inconscientemente, orientando as ações humanas (BRASIL, 1998, p. 23).

No intuito de auxiliar o aluno a compreender as relações espaço- temporais que permeiam a construção histórica das paisagens – características das cartas 05 e 07 do jogo – o documento dos PCN´s orienta para a possibilidade de um momento interdisciplinar da geografia com a história.

A Geografia pode trabalhar com recortes temporais e espaciais distintos dos da História, embora não possa construir interpretações de uma paisagem sem buscar sua historicidade. Uma abordagem que pretende ler a paisagem local e global, estabelecer comparações, interpretar as múltiplas relações entre a sociedade e a natureza de um determinado lugar pressupõe uma inter-relação entre essas áreas, tanto nas problematizações como nos conteúdos e procedimentos (BRASIL, 1998, p. 53).

Quanto ao terceiro grupo de questões do jogo “Explorando a Paisagem”, que se debruça sobre a reflexão a respeito de problemas relacionados à determinadas paisagens da cidade de Natal/RN, as cartas 03 e 09 buscam, conforme a matriz de competências e habilidades para o ensino de Geografia:

• Compreender as sociedades em seus conflitos, dinâmicas e movimentos, considerando as dimensões políticas, étnicas, culturais e sociais manifestadas em diferentes tempos e espaços.

• Reconhecer impactos ambientais e sociais e suas relações com a desigual apropriação e usos dos recursos e tecnologias (água, energia, transportes, poluição, consumismo etc.).

Tais competências e habilidades são importantes e necessárias de serem desenvolvidas, para que os alunos possam ao analisar uma paisagem, não apenas identificar as disparidades socioeconômicas nela contidas, mas também estabelecer o seu pensamento crítico a respeito dessas diferenças.

Levando em consideração as imagens escolhidas para a composição da carta 09, por exemplo, e o local de moradia das turmas de 6º ano observadas, essas diferenças sociais e econômicas são vivenciadas por eles, porém, não necessariamente eles foram despertados até então, para refletir o porquê de viverem de maneira tão díspar em relação aos moradores do bairro vizinho, mesmo estando na mesma zona administrativa da cidade. Sobre isso, o PCN destaca que “É importante comparar uma mesma paisagem em tempos diferentes e descobrir como e por que mudou, quem decidiu mudar, a quem beneficiou ou prejudicou. No trabalho comparativo é que sobressaem as intencionalidades daqueles que agiram” (BRASIL, 1998, p. 137).

Quanto ao quarto grupo de questões que se refere à identificação e utilização dos elementos do mapa, o jogo “Explorando a Paisagem” busca por em prática as discussões traçadas no capítulo 2 desse estudo, quando estabelece uma aproximação entre o estudo da paisagem vinculado ao processo de alfabetização cartográfica. Dessa forma, procurou-se inserir nas cartas 02, 06, 10, 12 e 14 o uso de recursos do mapa que serão necessários para que os alunos possam não somente responder aos questionamentos como também continuar seus estudos a respeito da leitura do mapa. Assim, busca-se com esse tema o desenvolvimento de capacidades relacionadas a:

• Compreender a cartografia como linguagem, reconhecer e utilizar seus elementos fundamentais e diferentes formas de representação cartográfica (título, legenda, escalas, projeções, coordenadas geográficas, fontes etc.) para analisar a espacialidade dos fenômenos.

• Compreender o papel e a importância dos sistemas de orientação e localização e utilizá-los em diversos meios e recursos para situar pessoas e objetos no espaço, segundo diferentes referenciais.

• Compreender e utilizar elementos fundamentais das representações cartográficas (título, legenda, escalas, projeções, cartográficas, coordenadas geográficas, fontes etc.) para interpretar e representar a espacialidade dos fenômenos.

• Utilizar pontos cardeais e colaterais para orientação e localização em mapas e plantas.

Nesse sentido, o professor pode discutir temáticas que envolvam as noções cartográficas, tendo em vista “que trabalhar com a cartografia fornece instrumentos de explicação e compreensão do espaço geográfico [...] e que por meio da cartografia pode-se ler as informações sobre os lugares” (BRASIL, 1998, p. 87).

No 6º ano, momento em que os alunos estão se aprofundando no processo de alfabetização cartográfica, é importante que o professor aborde temas elementares, como identificação dos elementos do mapa, sua funcionalidade na leitura e interpretação dos dados do mapa, assim como questões práticas que façam uso das noções de orientação e localização do aluno, como colocado nas cartas 10 e 12 do jogo. Partindo dos elementos básicos, o professor pode explorar outras noções e temas que aproximem a linguagem cartográfica do conteúdo que esteja sendo estudado.

É importante considerar que as questões construídas para serem colocadas nas cartas levaram em consideração aspectos relacionados à discussão estabelecida no capítulo 3, quando tratou-se de como a utilização de conhecimentos prévios – também chamados de subsunçores, na teoria da Aprendizagem Significativa, de David Ausubel (1968) – pode ser um fator potencializador do processo cognitivo dos indivíduos, ao passo em que leva em conta os saberes pré estabelecidos de acordo com as vivências, experiências, os hábitos e conhecimentos de mundo que as pessoas vão construindo ao longo da vida.

Nesse sentido, o diagnóstico inicial teve um papel fundamental na construção das questões do jogo, pois permitiu que o público discente fosse conhecido e que suas particularidades fossem levadas em conta em aspectos como: locais conhecidos por eles, bairro de vivência, condição socioeconômica e lugares da cidade que costumam frequentar. Todos esses aspectos deram subsídio para que as questões fossem pensadas e elaboradas.

Utilizar das percepções e dos conhecimentos trazidos pelos alunos e dispostos no diagnóstico – ou mesmo das não percepções, ou seja, daquilo que eles ainda não se deram conta – foi importante para dimensionar o ponto de partida do jogo e quais discussões poderiam ser levantadas, considerando a recomendação dos PCN’s quando esse documento aponta que

[...] esses conhecimentos precisam ser investigados para que o professor possa criar intervenções significativas que provoquem avanços no campo cognitivo, nas concepções dos alunos. O principal cuidado é ir além daquilo que já sabem, evitando estudos restritos às ideias e temas que já dominam e pouco promovem a ampliação de seus conhecimentos sobre os lugares e o mundo (BRASIL, 1998, p. 51)

Da mesma forma, buscou-se considerar na construção das questões do jogo, elementos que vão ao encontro da Teoria das Inteligências Múltiplas, elaborada por Howard Gardner (1994) que trata das diversas habilidades e capacidades cognitivas que cada indivíduo traz em sua estrutura mental. Por esse fator, o jogo considera as mais variadas inteligências que podem ser aprimoradas conforme a partida vá sendo executada, tais como a inteligência linguística, inter e intrapessoal, espacial, além de desenvolver o raciocínio lógico, a cooperação, o espírito participativo, a competitividade, o desejo pela vitória, sendo esse último um exemplo marcante que justifica o envolvimento dos alunos, sua participação na discussão e, consequentemente, possibilita potencializar o processo de aprendizagem individual e coletiva.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo apresentado teve como objetivo principal a criação do jogo intitulado “Explorando a Paisagem”, como produto final do curso de Pós- Graduação, em nível de Mestrado Profissional, no âmbito do Programa de Pós- Graduação em Ensino de Geografia, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

O jogo teve como recorte espacial o município de Natal/RN, e trouxe como questões temas que envolvem as diversas paisagens natalenses, e que podem ser trabalhados pelos professores que façam uso do jogo. Algumas temáticas trabalhadas como desigualdade socioespacial, distribuição espacial dos bairros por zonas administrativas, urbanização, transformações das paisagens por meio do tempo, do homem e da natureza, foram pensadas no sentido de contribuir com a formação dos alunos do 6º ano do ensino fundamental, de modo que a mediação entre o conteúdo e a aprendizagem possa ser feita com um recurso didático que vá além das discussões trazidas apenas pelo livro fornecido às escolas.

Para tanto, a construção desse estudo se baseou em observações realizadas em duas turmas do 6º ano de uma escola pública estadual do município de Natal/RN, com o objetivo de criar novos caminhos na construção do raciocínio geográfico, através de metodologias de ensino capazes de transformar o processo de aprendizagem em um momento de interação, descobertas e possibilidades.

Pensando nisso, acredita-se que um dos primeiros momentos que devem ser concebidos nesse processo de construção seja conhecer os alunos que compõem a turma, ou seja, o público alvo das propostas didáticas pensadas. Por essa razão, o primeiro capítulo desse trabalho se debruçou sobre o levantamento do perfil discente a quem o jogo “Explorando a Paisagem” pretende alcançar, tendo em vista que muitas questões foram pensadas com base nas respostas fornecidas pelos alunos da escola pesquisada, no questionário diagnóstico aplicado e analisado.

Após esse momento, o estudo estabeleceu conexões entre o conceito de Paisagem e a Cartografia, temas muito relevantes no ensino de Geografia, e que

quando bem trabalhados, permitem aos alunos compreender sua importância na construção do nosso raciocínio geográfico e, consequentemente, na nossa formação enquanto cidadão e participante da sociedade que estamos inseridos. O capítulo 2 buscou então, uma articulação dos conceitos de alfabetização e letramento ao conceito de alfabetização cartográfica, assim como o levantamento da importância do estudo da paisagem nos primeiros anos do Ensino Fundamental II, relacionando-os ao processo de alfabetização cartográfica, no intuito de demonstrar como a cartografia enquanto linguagem pode ser utilizada na compreensão dos diversos temas trabalhados pela Geografia, além de aproximá-la da sala de aula, tendo em vista que muitos professores possuem dificuldade em abordar os conhecimentos cartográficos em sua prática pedagógica. A partir do levantamento bibliográfico, ficou clara a necessidade de trazer para as discussões dos conceitos geográficos a linguagem cartográfica como forma de mediar essa compreensão, visto que a cartografia auxilia na percepção visual dos fenômenos que ocorrem à nossa volta e mudam nosso cotidiano (BRASIL, 1998).

Buscando compreender as relações cognitivas que estão por trás do processo de aprendizagem, o capítulo 3 voltou-se à discussão da teoria da Aprendizagem Significativa e a teoria das Inteligências Múltiplas, que foram primordiais para subsidiar a construção do jogo, na medida em que, a partir das suas contribuições teóricas, foi possível estabelecer um ponto de partida para os temas trabalhados ao longo do jogo. Assim, considerar os conhecimentos prévios trazidos pelos alunos ao chegarem na escola (Ausubel, 1968), e levar em consideração as possibilidades de inteligências que esses possuem (Gardner, 1994) são fatores essenciais para que o professor possa alcançar os objetivos de aprendizagem propostos, tornando as transposições didáticas mais tangíveis e dinâmicas. No ensino de Geografia, considerar as percepções que