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APRESENTANDO OS ENFERMEIROS PARTICIPANTES DO

No documento UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (páginas 73-78)

ESTUDO

Participaram deste estudo oito enfermeiras e dois enfermeiros. Ao se ter como objetivo preservar o anonimato dos referidos sujeitos, assegurado pelo pesquisador no momento da realização da entrevista e documentado no TCLE, optou-se por utilizar apenas a denominação enfermeiro.

O enfermeiro E1 tem menos de 30 anos de idade, está formado e trabalha com doação há menos de 5 anos. Possui especialização em doação, captação e transplante. Já realizou cursos de formação de coordenadores em doação, comunicação em situação de crise e simulação realística em entrevista familiar, complementando sua bagagem de conhecimento disponível sobre doação e transplante de órgãos e tecidos. Como conteúdo expressivo, destaca-se a empatia que esse profissional estabelece com os familiares dos doadores, como elemento balizador de seu cotidiano de trabalho, apresentado no trecho a seguir:

[...] Eu nunca passei pela situação de perder uma pessoa da família... E eu tento ser para as famílias dos doadores, o que eu espero que alguém seja para mim, se um dia eu passar por isso... Quando eu vou para casa e coloco a cabeça no travesseiro para dormir: pensar que eu fiz a diferença para alguém, naquele momento, de alguma forma [...].

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O enfermeiro E2 tem mais de 30 anos de idade, concluiu o curso de enfermagem e atua no processo de doação há mais de 5 anos. Fez especialização em doação, captação e transplante. Na vida profissional, realizou cursos de formação de coordenadores em doação, comunicação em situação de crise e simulação realística sobre o processo de doação e transplante, que lhe permitiram acumular conhecimentos científicos que norteiam seu cotidiano de trabalho. A importância que esse enfermeiro atribui à humanização do processo de doação, por meio da relação de ajuda estabelecida com os familiares dos doadores, revela-se como conteúdo expressivo, como mostra a fala desse profissional:

[...] Outro ponto, que eu acho muito importante, é que eu posso ajudar às famílias que acabaram de receber uma notícia de falecimento de seu ente querido. Eu posso ajudá-los a passar por esse processo de perda e luto [...]. Eu posso ajudá-los a entender um pouco essa questão da morte e do morrer. [...] dar um conforto, dar um acalento, de dizer assim: mesmo nesse momento, estamos aqui para te ajudar [...].

O enfermeiro E3 tem mais de 30 anos de idade, está formado e trabalha com doação há mais de 5 anos. Possui especialização em doação, captação e transplante. Em sua bagagem de conhecimento disponível, já realizou cursos de comunicação em situação de crise e simulação realística em entrevista familiar. Nessa entrevista, destaca- se como conteúdo expressivo a contribuição do trabalho para salvar vidas, apresentado no trecho que se segue:

[...] depende de mim, encontrar o doador, que não tem mais chance nenhuma. Encontrar o doador para a pessoa que está em uma UTI, esperando pelo transplante ou em casa esperando um telefonema [...]. Então, eu sempre estou procurando, buscando órgãos para salvar a vida das pessoas [...].

O enfermeiro E4 tem mais de 30 anos de idade, concluiu o curso de graduação em enfermagem e trabalha com doação há mais 5 anos. Fez especialização em doação, captação e transplante. Na vida

Vivência de enfermeiros no processo de doação de órgãos e tecidos para transplante

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profissional realizou cursos de formação de coordenadores em doação, comunicação em situação de crise e simulação realística em doação e transplante, que lhe permitiram acumular conhecimentos científicos nessa especialidade. Fica evidente como conteúdo expressivo, na entrevista desse enfermeiro, a necessidade de salvar vidas, como mostra o trecho:

[...] eu sei que através do meu trabalho, eu estou ajudando salvar vidas ou melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas. [...] você está trazendo a vida e a esperança para muita gente [...].

O enfermeiro E5 tem mais de 30 anos de idade, está formado e trabalha com doação há mais de 5 anos. Fez especialização em doação, captação e transplante. Na vida profissional, realizou cursos de formação de coordenadores em doação, comunicação em situação de crise e simulação realística em entrevista familiar, que lhe permitiram acumular conhecimentos científicos nesse campo da saúde. Nessa entrevista, destaca-se como conteúdo expressivo a necessidade do reconhecimento profissional:

[...] ser reconhecido profissionalmente, porque nós enfermeiros não somos reconhecidos em momento nenhum. Nós agimos e agimos, fazemos e fazemos e ninguém reconhece [...].

O enfermeiro E6 tem mais de 30 anos de idade, formou-se e trabalha com doação há mais de 5 anos. Possui especialização em doação, captação e transplante. Em sua bagagem de conhecimento disponível, já realizou cursos de comunicação em situação de crise e simulação realística em doação e transplante. Como conteúdo expressivo nessa entrevista, ressalta-se a contribuição do trabalho desse profissional na otimização do processo de doação:

[...] você é um agente afetivo de transição. Você é o facilitador, o gerente, o articulador, o comunicador. Então, você termina sendo o centro de todas as informações sobre o doador. [...] você termina ficando satisfeito, quando você tem um potencial doador que

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se transforma em doador efetivo e quando os órgãos são, realmente, utilizados para transplantes. A gente espera que os receptores fiquem bem [...].

O enfermeiro E7 está com mais de 30 anos de idade, concluiu a graduação e trabalha com doação há mais de 5 anos. Possui especialização em doação, captação e transplante. Em sua bagagem de conhecimento disponível, já realizou cursos de formação de coordenador em transplante, comunicação em situação de crise e simulação realística em doação e transplante. Como conteúdo expressivo na entrevista desse enfermeiro, fica evidente a preocupação em oferecer ajuda à família do doador falecido, como mostra o trecho:

[...] minha prioridade é a família do doador. O pouquinho que eu possa dar de atenção, de assistência, que eu possa facilitar a entrada do familiar e que ele saia do hospital agradecendo a atenção dada; para mim, já valeu todo o meu trabalho, o meu empenho em ajudar. Eu acho que, para mim, isso é primordial. São coisas simples que a gente faz, mas, que para a família faz a grande diferença no processo de perda do seu ente querido [...].

O enfermeiro E8 tem mais de 30 anos de idade, concluiu o curso de enfermagem e atua no processo de doação há mais de 5 anos. Fez especialização em doação, captação e transplante. Na vida profissional, realizou cursos de formação de coordenadores em doação, comunicação em situação de crise e simulação realística em doação e transplante, que lhe permitiram acumular conhecimentos científicos que norteiam seu cotidiano de trabalho. Como conteúdo expressivo na entrevista desse enfermeiro, ressalta-se a importância de superar os obstáculos no processo de doação por meio da educação de profissionais de saúde:

[...] a educação dos profissionais de saúde de como funciona a doação, como são as etapas dos exames do potencial doador, como são as etapas do centro cirúrgico, isso ajudaria muito [...]. O processo de doação envolve muitas etapas que são necessárias e não têm como abreviar. Então, às vezes, o profissional que está cuidando do paciente, ele dá

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informações que podem dificultar o entendimento da família ou que podem desiludir e desanimar a família em relação à demora do processo de doação [...].

O enfermeiro E9 está com mais de 30 anos de idade, concluiu a graduação e trabalha com doação há mais de 5 anos. Fez especialização em doação, captação e transplante. Na vida profissional, realizou cursos de formação de coordenadores em doação, comunicação em situação de crise e simulação realística em doação e transplante, que permitiram acumular uma bagagem de conhecimento nesse campo da saúde. Como conteúdo expressivo, destaca-se a importância que esse enfermeiro atribui à educação para mudança de atitude frente ao processo de doação:

[...] Eu acho muito importante promover a educação das pessoas frente a essa situação. Na minha visão, eu acho que você não tem que fazer a entrevista com o foco de buscar o órgão, mas, com o foco de passar o conhecimento, ensinar e promover uma mudança de atitude. É um processo de educação continuada [...].

O enfermeiro E10 tem menos de 30 anos de idade, está formado e trabalha com doação há menos de 5 anos. Possui especialização em doação, captação e transplante. Em sua bagagem de conhecimento disponível, já realizou cursos de formação de coordenadores em doação, comunicação em situação de crise e simulação realística em doação e transplante. O conteúdo expressivo dessa entrevista está na importância que esse profissional atribui a seu trabalho, como elemento facilitador para otimizar e viabilizar a doação:

[...] com o nosso trabalho, nós temos como mostrar a nossa importância e o quanto é importante as nossas ações, orientações, a nossa presença no hospital para a viabilização do doador. [...] de pouquinho em pouquinho, a gente consegue otimizar o processo de doação [...].

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