CAPÍTULO 3 – POLÍTICAS PÚBLICAS DE TURISMO: AVANÇOS E DESAFIOS
3.4 ARACAJU E SEUS LIMITES COMO DESTINO INDUTOR DO
DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO DE SERGIPE
Por mais de uma década a gestão pública de Aracaju vinculou o turismo à cultura na Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esporte (FUNCAJU), criada em 2001, pela Lei nº 2.986, de 28 de dezembro de 2001, tendo no inciso 4º o destaque da sua prioridade para atividades ligadas à cultura.
Com a criação da SEMICT, pela Lei 4.357, de 2013, é possível constatar na sua estrutura um Departamento de Promoção Turística com a competência de promover a organização, coordenação, execução, acompanhamento e controle de atividades de estímulo e fomento ao turismo e realizar a divulgação de atrativos e das potencialidades turística locais;
articular-se com outras esferas de governo com vista à promoção turística local; bem como receber outras atividades correlatas e outras atividades que lhe forem regularmente conferidas ou determinadas (ARACAJU, 2013).
Embora Aracaju fora eleita pelo Ministério do Turismo9 como Destino Indutor do
Turismo no Estado de Sergipe, em seis anos de atuação não é possível identificar as prioridades de gestão na SEMICT. Primeiro, pela falta de um Plano de Desenvolvimento Municipal de Turismo, depois, pela falta de um plano de gestão do turismo na pasta. Todavia, a SEMICT (2019) apresenta execução de ações como famtour e fampress, participação em feiras e eventos nacionais de promoção e articulação turística, e fomento ao turismo com a realização de projetos de valorização da atividade, como o Festival do Caranguejo e Roteiro da Marinete do Forró.
A partir da elaboração do Planejamento Estratégico da Gestão Municipal 2017 – 2020 que prevê o posicionamento de Aracaju como cidade humana, inteligente e criativa a SEMICT foi conduzida a elaborar seu Mapa de Gestão. De acordo com Aracaju (2017, p. 14) sua missão é “Tornar Aracaju referência em qualidade de vida, assegurar a excelência na prestação de serviços e promover o desenvolvimento sustentável onde cidadãos e cidadãs sejam protagonistas”.
Para amenizar esta situação da falta de planejamento, a SEMCIT organizou em 2018 seu próprio mapa estratégico, ampliando as discussões sobre os resultados do Projeto Lidera Turismo, gerando o seguinte resultado (Quadro 08). Para tanto, utilizou como referências as orientações dos instrumentos de planejamento regional e estadual de turismo que citam a cidade como centralidade do turismo sergipano, o Plano Estratégico Estadual de Turismo (2009) e o PDITS do Polo Costa dos Coqueirais (2010).
Quadro 08: Aracaju/SE. Mapa estratégico da gestão do turismo na SEMICT, 2018.
OBJETIVO GERAL OBJETIVOS ESPECÍFICOS META ESTRATÉGICA
Tornar Aracaju um destino turístico referência em qualidade de vida por meio dos segmentos cultura, sol e praia e negócios e eventos.
Promover o destino nos principais canais de distribuição com a campanha “Venha Sentir Aracaju”.
Aumentar a permanência do turista de 03 para 04 dias, até 2020.
PÚBLICO ALVO Diversificar a oferta turística utilizando experiência e acessibilidade como temas transversais. OUTRAS METAS
Turistas, excursionistas, empresas públicas e privadas ligadas ao turismo, população local.
Fomentar a governança turística municipal com envolvimento dos agentes de produção do turismo.
Estruturar 04 roteiros alternativos internos e intermunicipais com as regiões turísticas dos Polos Costa dos Coqueirais e Velho Chico, até dez/2019. Fortalecer a infraestrutura de apoio ao turismo. Realizar 04 reuniões/ano do COMTUR com o devido monitoramento do
Plano de Turismo de Aracaju. Fomentar a capacitação da cadeia produtiva do
turismo.
Viabilizar 10 obras de infraestrutura turística (sinalização, reforma de orlas, postos de informações e adequações de outros equipamentos públicos de apoio ao turismo), até dez/2020.
Aumentar em 20% a captação de eventos nacionais e internacionais para Aracaju até dez/2020.
ETAPA AÇÃO
1- Impulsionar o fortalecimento institucional
Adequar a Lei de Criação do COMTUR
Realizar reuniões ordinárias trimestrais do COMTUR
Fortalecer a qualificação da equipe da Diretoria de Turismo na SEMICT Elaborar e monitorar o Plano Municipal de Turismo
Monitorar o Plano de Gestão da SEMICT
Realizar pesquisas do mercado turístico em parceria com Instituições de Ensino Superior em Turismo
Monitorar a participação de Aracaju em projetos estratégicos de turismo (Prodetur + turismo – Mtur, PRODETUR – Estado e BID, Lidera Turismo – SEBRAE)
Criar o Fundo Municipal do Turismo com gestão participativa do COMTUR
2- Promover o destino Aracaju
Participar das feiras e eventos de promoção turística em comum acordo com os membros do trade turístico Realizar Fampress e Famtour com destaque para participação de Influenciadores Digitais
Produzir peças promocionais da Campanha “Venha Sentir Aracaju”
Promover a campanha “Venha Sentir Aracaju” em âmbito estadual para incentivo do turismo doméstico Promover a realização de grandes eventos locais (Forró Caju, e Reveillon na Orla de Atalaia)
Fomentar parcerias público/privadas para realização de eventos de apelo turístico a exemplo do Festival do Caranguejo
Manter o funcionamento e atualização do site do turismo de Aracaju “Descubra Aracaju” com informações básicas de apoio a permanência do turista em Aracaju: onde ficar, onde comer, o que fazer.
Impulsionar as redes sociais com produção de conteúdo e regular monitoramento.
Realizar missões de captação de turistas em mercados emissores – Salvador - BA, São Paulo - SP e outros
3- Estruturar produtos turísticos
Estruturar roteiros internos “Aracaju Cultural” e “Rota de Botecos”
Estruturar roteiros integrados, resgatando a “Rota Aracaju-Xingó” e criando a Rota integrada ao Litoral Sul. Ampliar a sinalização turística de Aracaju em parceria com o Ministério do Turismo.
Manter o regular funcionamento da Marinete do Forró
Captar eventos corporativos e esportivos em parceria com o AC&VB e SEJESP
Monitorar uso turístico das Orlas Marítimas e Fluviais gerando relatórios trimestrais para o COMTUR
Qualificar atendentes de postos de informações turísticas e guias de turismo sobre a oferta turística de Aracaju e seus elementos de diversificação
Capacitar vendedores ambulantes de área turísticas
Aumentar o quantitativo da guarda municipal em áreas turísticas (Centro Histórico, Orlas, 13 julho); Reformar os Centros de Atendimento ao Turista
Viabilizar Obras estruturantes em parceria com PRODETUR (reforma da Orla Pôr do Sol, reforma da Orlinha do Bairro Industrial)
Viabilizar Obras estruturantes em parceria com SEINFRA (reforma do Centro de Convenções)
Viabilizar obras estruturantes em parceira com a EMBURB (Construção da Orla da Coroa do Meio, Reforma de praças em áreas turísticas, adequação de abrigos de transporte público em áreas turísticas, revitalização do Parque da Cidade)
Viabilizar obras estruturantes em parceria com o IPHAN
Viabilizar obras estruturantes em parceria com MTur (adequação turística dos Atracadouros dos Rios Sergipe e Poxim, Restauração da antiga estação ferroviária para uso como casa do turismo, Construção do Centro de Referência do Cangaço)
4- Consolidar a identidade cultural e ambiental de Aracaju
Viabilizar a preservação das manifestações culturais e espaços públicos em parceria em a FUNCAJU Monitorar a distribuição de informações turísticas por meio dos diversos canais de distribuição. Realizar oficinas com produtores culturais para viabilizar experiências turísticas com atividades cultural Viabilizar a integração das políticas de turismo com a cultura por meio do mapa cultural de Aracaju
Viabilizar certificação da bandeira azul para as Praias que se adéqüem aos requisitos em parceria com a SEMA
Fomentar a implantação dos planos de manejo das Unidades de Conservação do Meio Ambiente em áreas de uso turístico Fonte: SEMICT com base nos resultados do Projeto Lidera Turismo que teve a participação do autor, 2018.
O mapa estratégico apresentado, suporte ao planejamento da gestão municipal para o turismo, prevê adesão ao conceito de destinos inteligentes incorporando e valorizando ações de uso das tecnologias para melhorar as operações turísticas, além do fortalecimento e compatibilização das agendas cultural e turística. Entretanto, o destaque vai para a tentativa de resgatar demandas não atendidas, como a recuperação da antiga estação ferroviária, a operacionalização da rota Aracaju-Xingó, desenvolvida pelo SEBRAE em contrato com a Creato Consultoria, no ano 2010, e a construção do Museu do Cangaço.
Entre estas antigas ações, a primeira, de recuperação da estação ferroviária, foi diagnosticada como inviável financeiramente para o transporte de passageiros entre Aracaju e São Cristóvão, mas a estação foi contemplada com projeto de recuperação do patrimônio histórico pelo IPHAN e poderá abrigar a sede da Defesa Civil do Estado. A operacionalização da rota Aracaju-Xingó pode ser inserida no novo projeto desenvolvido pelo SEBRAE, o Investe Turismo, durante o ano 2019, e ainda que não utilize o mesmo nome, o itinerário teria inevitavelmente elementos comuns. O Museu do Cangaço, originalmente previsto no PDITS do Polo Velho Chico para implantação no Sertão Sergipano, ficou dependente de projeto arquitetônico e licenciamento da área para construção, portanto, uma saída poderia ser a utilização dos prédios recuperados em Aracaju para abrigar o acervo da família de Lampião e Maria Bonita, acrescido de equipamentos de interação com o visitante sugerido em projeto básico elaborado conforme registro em Ata do FORTUR (2011) pela representante da OSCIP Sociedade do Cangaço. Assim,
No município de Aracaju a única acautelação é a estação ferroviária, que está entre os três bens valorados pelo IPHAN, além das estações de Boquim e Propriá, podendo ser criado o memorial da estação e o memorial do patrimônio federal de Sergipe. Não sinto acolhida, não sinto interesse em querer saber, não vejo entusiasmo em querer saber, por exemplo o que o Estado precisa, e esses municípios todos, principalmente Aracaju? Lei de Patrimônio. Com lei de patrimônio a gente vai poder não só pensar em buscar investimentos, mas pensar de que modo a gente pode tá articulando patrimônio com meio ambiente e turismo. É interesse difundir a ideia de preservação e conservação, mas é preciso conhecer a demanda para obter auxílio dos órgãos competentes, com ações e medidas de suporte a preservação do patrimônio material e imaterial em substituição a multas. (Entrevistada N, poder público, 2019, informação verbal).
Embora não esteja presente nos roteiros turísticos, a estação ferroviária de Aracaju (Figura 15) está localizada no bairro Siqueira Campos, mais próximo ao território centro histórico, mas sua ressignificação pode ter influência nos novos produtos/roteiros turísticos organizados na perspectiva de inovação por meio de elementos da cultura local. Por isso, incluir uso voltado para o resgate da memória e história da cidade, poderia ser mais uma
opção de inovação nos novos roteiros, além de ter sua divulgação viabilizada por meio de medida compensatória em casos de aplicação de multas pelo IPHAN, responsável pelo equipamento.
Figura 15: Aracaju/SE. Antiga Estação Ferroviária, 2019.
Fonte: Coleta de campo, 2019.
Um destaque no mapa estratégico que poderá refletir na estratégia de desenvolvimento turístico é a priorização do segmento cultural junto aos segmentos de sol e praia e negócios e eventos. Esta mudança, influenciada pelo reconhecimento do MTur que premiou Aracaju como destino indutor de melhor desempenho na dimensão cultural pela recuperação de equipamentos do patrimônio histórico, acabou refletindo na valorização da cultura para diversificação da oferta turística. Este fato remete à gestão o desafio de criar condições de interação turística nos equipamentos culturais, mantendo-os com agenda permanente de atividades com os agentes de produção da cultura em Aracaju. Além disso, remonta o desafio de pensar o segmento de negócios e eventos como uma mera oferta dos equipamentos de hospedagem para uma oferta do destino Aracaju, a partir da reforma do centro de convenções, com um novo formato de gestão associada ao turismo, e à construção de outros espaços de convenções. Contudo, a SEMICT avançou ao organizar um mapa de gestão para o turismo, vez que a pasta é compartilhada com indústria e comércio.
Na transição de governos entre os anos 2016 e 2017, quando o órgão oficial de turismo de Aracaju passou mais de seis meses sem definição de Secretário e sem planejamento ou ação orientada ao setor, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE/SE) lançou o Projeto Lidera Turismo, no escopo do seu macro-programa Destinos Inteligentes.O projeto Lidera Turismo visa contribuir com o desenvolvimento integrado e sustentável, na geração de emprego e renda a partir dos pequenos negócios, por meio do fortalecimento do papel dos gestores públicos e líderes públicos como agentes de transformação da sociedade (SEBRAE, 2017).
O objetivo do Lidera Turismo é contribuir para a criação de uma agenda estratégica integrada do turismo dos municípios, com bases sustentáveis e estimulando ações de desenvolvimento local e regional. Neste projeto foram inseridos gestores públicos e técnicos envolvidos no esforço de planejar a adoção de programas que apóiem e fomentem o desenvolvimento do turismo, e lideranças empresariais do setor. No caso de Aracaju, não incluiu membros do Conselho Municipal porque permanecia desarticulado.
O grupo com vinte e cinco representantes reuniu-se oito vezes ao longo de dezoito meses, além de encontros de grupos temáticos, nos quais foi possível aplicar a técnica de observação participante, para o desenvolvimento da metodologia aplicada pela consultoria Barcelona Média, contratada para este projeto. Como principal resultado de apoio ao planejamento foi gerado o mapa estratégico do turismo de Aracaju, servindo de base para a nova gestão municipal (Figura 16).
Na observação participante foi possível interagir com os membros do grupo Lidera Turismo durante os quase dois anos de execução do Projeto, permitindo analisar as cinco dimensões propostas (Quadro 09): 1. Implantação do observatório de Sergipe; 2. Fortalecimento do Conselho Municipal de Turismo; 3. Marketing do Destino; 4. Capacitação para o turismo; 5. Formatação de novos produtos e roteiros.
Quadro 09: Aracaju/SE. Análise das cinco ações resultado do mapa estratégico do turismo, 2018.
Ação Estratégica Análise
1. Implementação do Observatório de Sergipe
Inicialmente foi decidido pelo apoio da Fecomércio, para concentrar uma estrutura de organização dos dados coletados pelas várias instituições de pesquisa em turismo, para viabilizar análises dos dados identificados e apoiar a coleta quando possível, mas a Fecomércio declinou e a responsabilidade passou para a UFS a partir da manifestação de um projeto de extensão universitária voltado para o Observatório de Turismo de Sergipe. O departamento de Turismo ficou de definir um plano de trabalho até abril/2019 para submeter ao grupo e atuar em parceria com o Observatório de Sergipe vinculado à SEPLAG.
Análise: O observatório dependerá do protagonismo do seu articulador para identificar os dados a serem coletados e organizar estrutura de análise e distribuição, além de identificar parceiros financiadores deste trabalho, sob pena de ficar restrito aos projetos de pesquisa e extensão da própria UFS.
2. Fortalecimento do Conselho Municipal de Turismo
O projeto elaborado pela SEMICT foi encaminhado com parecer favorável da Procuradoria Geral do Município de Aracaju, sendo incorporado algumas sugestões do trade, acatadas pela SEMICT e reencaminhadas para PGM, posteriormente validado e aprovado pelo Prefeito, sendo publicado o Decreto Uma ressalva da procuradoria foi não poder ter caráter deliberativo porque se trata de prerrogativa do poder executivo, sendo de caráter consultivo e participativo, que no entendimento do Secretário não diminui a sua importância. Entre os anos 2018 e 2019 foram realizadas cinco reuniões. Análise: Um conselho vinculado ao órgão oficial de turismo estará dependente da sensibilidade do seu gestor, assim como aconteceu no estado de Sergipe com o Fórum estadual de Turismo, o gestor pode entender desnecessário e a gesto participativa ficar comprometida, por isso, outras possibilidade de coordenação e representatividade serão discutidas no capítulo V que trata da governança do turismo.
3. Marketing do Destino
Entre as ações mais relevantes para um plano de comunicação está a campanha promocional do projeto “Aracaju humana, criativa e inteligente” da gestão municipal. A Prefeitura produziu uma campanha “Aracaju, sinta de perto” e a ABIH produziu outra campanha em 2019 “Sergipe....”. Em parceria com o Estado participaram de feiras e eventos nacionais e promoveram famtour e fampress com influenciadores digitais.
Análise: As ações desenvolvidas não se originam num Plano de Marketing estadual ou municipal de turismo, tampouco atendem uma estratégia turística de plano municipal. Existe um plano de marketing turístico em elaboração pelo Prodetur, mas sem previsão de aplicação. Deste modo, as ações são relevantes, mas pontuais e sem estratégia turística definida, sem foco. Além disso, as plataformas digitais utilizadas para comunicação com o consumidor/turista são também pontuais como o instagram. Não foi possível identificar um site resultado da promoção turística municipal, apenas os de iniciativa privada com fins de comercialização como o Descubra Aracaju, Descubra Sergipe, Destino Sergipe, Sergipe trade tour, entre outros.
para o turismo prestadores de serviços turísticos de acordo com o escopo de oferta do SEBRAE. Análise: A demanda de capacitação deveria partir do Plano de Capacitação existente no estado de Sergipe, também elaborado com recursos do Prodetur, atualizando o conjunto de ações previsto para Aracaju.
5. Formatação de novos produtos e roteiros
A partir do reconhecimento do segmento cultural como alternativa de diversificação da oferta turística, foi coordenada pelo AC&VB uma nova proposta de roteiro pelo centro da cidade de Aracaju, intitulado Aracaju Cultural, incluindo paradas nos principais equipamentos do patrimônio histórico nacional, notadamente os prédios recuperados que motivaram a premiação do MTur. A proposta do roteiro é servir de informação para um produto auto guiado, onde o turista possa ter autonomia de itinerário.
Análise: O roteiro proposto é apenas uma alternativa entre tantas outras possíveis, mas depende de um setor específico de roteirização na gestão pública municipal, para atenção às operações turísticas existentes e fomento aos novos produtos.
Fonte: Joab Almeida Silva, com base na participação das reuniões do Projeto Lidera Turismo, realizadas nos anos 2017 e 2018.
O principal resultado do Projeto Lidera Turismo foi o fomento a Gestão Descentralizada do Turismo de Aracaju com a retomada do Conselho Municipal de Turismo pela SEMICT, sendo realizadas duas reuniões no ano 2018e outras quatro, no ano 2019. Suas limitações e desafios serão discutidos no Capítulo 6 que trata especificamente da Governança do Turismo em Aracaju.
Em 2019, o SEBRAE/SE aplica o Projeto Investe Turismo no Estado de Sergipe beneficiando os municípios de Aracaju, São Cristóvão, Laranjeiras, Itabaiana, Estância e Canindé de São Francisco, definidos a partir da categorização de municípios turísticos no mapa do turismo nacional com previsão de aplicação de R$ 1.375.00,00 distribuídos em dez ações: 1. Estruturação do projeto, 2. Gestão e monitoramento, 3. Acompanhamento e execução da metas, 4. Acompanhamento e execução das avaliações, 5. Inovação a oferta turística, 6. famtours e press trip, 7. Jornada de negócio, 8. Inserção produtiva – produção associada ao turismo, 9. Governança, 10. Prodetur+turismo itinerante (SEBRAE, 2019)
As principais mudanças identificadas neste Projeto Investe Turismo em relação a projetos anteriores realizados pelo SEBRAE podem ser observadas na realização de Press Trips com influenciadores digitais, no apoio a governança consolidando projetos concluídos como Lidera Turismo em Aracaju e Programa Líder Alto Sertão Sergipano, respeitando a coesão de ações do próprio SEBRAE e o público alvo envolvido anteriormente, além do esclarecimento sobre as linhas de crédito disponível por meio do Prodetur+turismo. No caso das inovações, foram incorporadas as ações de aproximação com startups e empresas de
tecnologia da informação, além de movimentos de ocupação criativa de espaços públicos como o urban haking10.
Os projetos apresentados dão suporte ao planejamento e política pública de turismo na cidade de Aracaju, mas sua condição de destino indutor não pode depender das iniciativas isoladas de grupos empresariais ou de ações governamentais pontuais, seu Plano de Desenvolvimento Turístico deve ser elaborado, distribuído e utilizado como principal ferramenta no Conselho Municipal de Turismo.
O município de Aracaju apresenta a falta de planejamento como maior fator limitante à sua política de turismo, impactando na gestão compartilhada por meio do Conselho Municipal de Turismo, mostrando-se desorientado no que se refere ao monitoramento do turismo. Portanto, tem-se pautas decididas em gabinete, projetos verticalizados oriundos do Ministério do Turismo, do Sistema “S” ou de agência multilateral, e intervenções decididas unilateralmente por empresário ou grupo de empresários. A falta de estruturação de uma