1. Princípios retóricos
1.4 A estrutura argumentativa construindo a persuasão
1.4.2 Argumentos que fundamentam a estrutura do real
1.4.2 Argumentos que fundamentam a estrutura do real
De acordo com o tratado da argumentação, esse esquema argumentativo fundamenta o
discurso persuasivo por meio de um caso particular (o exemplo, o modelo e o antimodelo).
O exemplo tem afunção de mostrar a generalização em que se estabelece uma regra a
partir de um caso concreto, permitindo a passagem do caso particular para o geral; esse
fundamento estrutural direciona a atenção do auditório por surgir com características de fato.
Para Perelman e Tyteca (2005, p. 402), independentemente do argumento que se
desenvolva, “o exemplo invocado deverá, para ser tomado como tal, usufruir de estatuto de
fato, pelo menos provisoriamente; a grande vantagem de sua utilização é dirigir a atenção a
esse estatuto”.
O exemplo é um termo que capacita o argumento, por meio de uma regra. Segundo os
autores (2005), o modelo torna o raciocínio compreensível e contribui para que a atenção do
auditório seja mantida sobre as evidências que surgem a partir dele.
Amossy (2005) assinala que a argumentação que se pretenda eficaz em sua intenção
persuasiva deve se valer das noções de verdade aceitas pelo auditório, ou seja, enquadrada na
demonstração da realidade e em diálogo com o que ela pretende convencer, alicerçada na
argumentação.
O exemplo tem por objetivo, ao partir de um caso particular para o geral, reforçar a
adesão do auditório, pois no momento em que se toma a ação de pegar um fato já existente
para explicar alguma situação ele acaba reforçando o argumento apresentado.
A força argumentativa é embasada na capacidade de articular sobre os valores, crenças
e possibilidades. O tratado da argumentação articula as condições que viabilizam o
desenvolvimento da argumentação, na qual se busca a adesão por meio de inúmeros
mecanismos ou estratégias argumentativas e por esse motivo a argumentação é retórica, pois
sempre visa ao assentimento do outro.
Para se analisar a força de um argumento, é necessário observar a eficácia (mais
adequada à argumentação) e a validade (mais adequada à demonstração). Assim, o sucesso do
orador está relacionado aos ethos, ao pathos e ao logos, além dos recursos que aumentam ou
preservam a predisposição do auditório à confiança como, segundo Abreu (2009), ter uma
tese clara, interação com o público gerenciando a relação com esse auditório e mostrando-se
digno de credibilidade.
A amplitude da argumentação está relacionada ao número e à extensão dos
argumentos necessários para que o auditório se enquadre nas teses que lhe são propostas e
variará de acordo com o objetivo do enunciador.
O orador deve assegurar-se de que as premissas são admitidas pelo auditório.
Perelman (1999, p. 305) assinala que:
A argumentação depende, no tocante às suas premissas, como aliás a todo o seu desenvolvimento, do que é aceito, do que é reconhecido como verdadeiro, como normal e verossímil, como válido; com isso se arraiga no social, cuja caracterização dependerá da natureza do auditório.
Para se alicerçar o argumento como capaz de adquirir a adesão do público, é
necessário que o orador reforce a sua presença no espírito do auditório, dando sentido e
alcance à sua argumentação, destacando os argumentos favoráveis à tese que defende.
Reboul (2004, p.185) explica que “raciocinar por analogia é construir uma estrutura do
real que permita encontrar e provar uma verdade graças a uma semelhança de relações”
Os argumentos que fundamentam a estrutura do real estão alicerçados na indução, ou
seja, alicerçam-se na probabilidade, pois ao considerar que o conteúdo da conclusão
ultrapassa o das premissas, manifesta-se posicionamentos a partir de evidências parciais.
O efeito argumentativo do modelo é propor a imitação do sujeito enunciador. De
acordo com Perelman e Tyteca (2005), o argumento pelo modelo está de acordo com o
argumento de autoridade, pois em ambos o prestígio da pessoa que se pretende imitar surge
como alicerce da própria ação.
O argumento pelo modelo consiste na imitação de um caso particular, geralmente uma
pessoa que tenha um ethos inquestionável. Sendo assim, observa-se que há afinidade com o
argumento de autoridade, baseado na estrutura do real, pois a imagem do orador surge como
um elemento persuasivo.
Enquanto o argumento pelo modelo leva à imitação de uma conduta, o argumento pelo
antimodelo, por sua vez, consiste no oposto, é aquilo que deve ser evitado.
Com base no exposto, pode-se considerar que a construção do sentido e a eficiência
dos argumentos necessitam do entrelaçamento de um ato linguístico e de posições
ideológicas, que são responsáveis pela produção de sentido que se regulam por meio de uma
estrutura argumentativa capaz de mostrar a posição tanto do sujeito enunciador quanto do
sujeito enunciatário e elencam-se os argumentos que fundamentam a estrutura do real por
entendê-la como um campo em que se configura mais latentemente a interação entre a
intenção do sujeito enunciador e as perspectivas do auditório.
O ato argumentativo funda-se no uso da razão como ponto de partida para a obtenção
de provas ou justificativas que resultam na persuasão.
Com base em seus objetivos o sujeito enunciador mobiliza os argumentos que
promovem a adesão do auditório.
No espaço da representação há um espaço representante, ou seja, uma projeção na que
auxilia na constituição do sentido.
Ao considerar que as estratégias retóricas alicerçam-se no objetivo de fazer com que o
auditório pondere e reaja de forma satisfatória às propostas do enunciador, determina-se como
categorias de análise, a progressão discursiva e os argumentos baseados na estrutura do real
por entender-se que são os instrumentos para a construção de uma retórica eficaz em sua
essência persuasiva.
O presente capítulo delineou os pressupostos teóricos a respeito da retórica como
meios flexíveis para a persuasão. A seguir, apresenta-se a configuração discursiva, produtora
de sentido entre sujeitos, como meio para a manifestação retórica, uma vez que a persuasão é
construída entre sujeitos interagindo discursivamente.
No documento
São Paulo
(páginas 43-47)