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Argumentos que fundamentam a estrutura do real

No documento São Paulo (páginas 43-47)

1. Princípios retóricos

1.4 A estrutura argumentativa construindo a persuasão

1.4.2 Argumentos que fundamentam a estrutura do real

1.4.2 Argumentos que fundamentam a estrutura do real

De acordo com o tratado da argumentação, esse esquema argumentativo fundamenta o

discurso persuasivo por meio de um caso particular (o exemplo, o modelo e o antimodelo).

O exemplo tem afunção de mostrar a generalização em que se estabelece uma regra a

partir de um caso concreto, permitindo a passagem do caso particular para o geral; esse

fundamento estrutural direciona a atenção do auditório por surgir com características de fato.

Para Perelman e Tyteca (2005, p. 402), independentemente do argumento que se

desenvolva, “o exemplo invocado deverá, para ser tomado como tal, usufruir de estatuto de

fato, pelo menos provisoriamente; a grande vantagem de sua utilização é dirigir a atenção a

esse estatuto”.

O exemplo é um termo que capacita o argumento, por meio de uma regra. Segundo os

autores (2005), o modelo torna o raciocínio compreensível e contribui para que a atenção do

auditório seja mantida sobre as evidências que surgem a partir dele.

Amossy (2005) assinala que a argumentação que se pretenda eficaz em sua intenção

persuasiva deve se valer das noções de verdade aceitas pelo auditório, ou seja, enquadrada na

demonstração da realidade e em diálogo com o que ela pretende convencer, alicerçada na

argumentação.

O exemplo tem por objetivo, ao partir de um caso particular para o geral, reforçar a

adesão do auditório, pois no momento em que se toma a ação de pegar um fato já existente

para explicar alguma situação ele acaba reforçando o argumento apresentado.

A força argumentativa é embasada na capacidade de articular sobre os valores, crenças

e possibilidades. O tratado da argumentação articula as condições que viabilizam o

desenvolvimento da argumentação, na qual se busca a adesão por meio de inúmeros

mecanismos ou estratégias argumentativas e por esse motivo a argumentação é retórica, pois

sempre visa ao assentimento do outro.

Para se analisar a força de um argumento, é necessário observar a eficácia (mais

adequada à argumentação) e a validade (mais adequada à demonstração). Assim, o sucesso do

orador está relacionado aos ethos, ao pathos e ao logos, além dos recursos que aumentam ou

preservam a predisposição do auditório à confiança como, segundo Abreu (2009), ter uma

tese clara, interação com o público gerenciando a relação com esse auditório e mostrando-se

digno de credibilidade.

A amplitude da argumentação está relacionada ao número e à extensão dos

argumentos necessários para que o auditório se enquadre nas teses que lhe são propostas e

variará de acordo com o objetivo do enunciador.

O orador deve assegurar-se de que as premissas são admitidas pelo auditório.

Perelman (1999, p. 305) assinala que:

A argumentação depende, no tocante às suas premissas, como aliás a todo o seu desenvolvimento, do que é aceito, do que é reconhecido como verdadeiro, como normal e verossímil, como válido; com isso se arraiga no social, cuja caracterização dependerá da natureza do auditório.

Para se alicerçar o argumento como capaz de adquirir a adesão do público, é

necessário que o orador reforce a sua presença no espírito do auditório, dando sentido e

alcance à sua argumentação, destacando os argumentos favoráveis à tese que defende.

Reboul (2004, p.185) explica que “raciocinar por analogia é construir uma estrutura do

real que permita encontrar e provar uma verdade graças a uma semelhança de relações”

Os argumentos que fundamentam a estrutura do real estão alicerçados na indução, ou

seja, alicerçam-se na probabilidade, pois ao considerar que o conteúdo da conclusão

ultrapassa o das premissas, manifesta-se posicionamentos a partir de evidências parciais.

O efeito argumentativo do modelo é propor a imitação do sujeito enunciador. De

acordo com Perelman e Tyteca (2005), o argumento pelo modelo está de acordo com o

argumento de autoridade, pois em ambos o prestígio da pessoa que se pretende imitar surge

como alicerce da própria ação.

O argumento pelo modelo consiste na imitação de um caso particular, geralmente uma

pessoa que tenha um ethos inquestionável. Sendo assim, observa-se que há afinidade com o

argumento de autoridade, baseado na estrutura do real, pois a imagem do orador surge como

um elemento persuasivo.

Enquanto o argumento pelo modelo leva à imitação de uma conduta, o argumento pelo

antimodelo, por sua vez, consiste no oposto, é aquilo que deve ser evitado.

Com base no exposto, pode-se considerar que a construção do sentido e a eficiência

dos argumentos necessitam do entrelaçamento de um ato linguístico e de posições

ideológicas, que são responsáveis pela produção de sentido que se regulam por meio de uma

estrutura argumentativa capaz de mostrar a posição tanto do sujeito enunciador quanto do

sujeito enunciatário e elencam-se os argumentos que fundamentam a estrutura do real por

entendê-la como um campo em que se configura mais latentemente a interação entre a

intenção do sujeito enunciador e as perspectivas do auditório.

O ato argumentativo funda-se no uso da razão como ponto de partida para a obtenção

de provas ou justificativas que resultam na persuasão.

Com base em seus objetivos o sujeito enunciador mobiliza os argumentos que

promovem a adesão do auditório.

No espaço da representação há um espaço representante, ou seja, uma projeção na que

auxilia na constituição do sentido.

Ao considerar que as estratégias retóricas alicerçam-se no objetivo de fazer com que o

auditório pondere e reaja de forma satisfatória às propostas do enunciador, determina-se como

categorias de análise, a progressão discursiva e os argumentos baseados na estrutura do real

por entender-se que são os instrumentos para a construção de uma retórica eficaz em sua

essência persuasiva.

O presente capítulo delineou os pressupostos teóricos a respeito da retórica como

meios flexíveis para a persuasão. A seguir, apresenta-se a configuração discursiva, produtora

de sentido entre sujeitos, como meio para a manifestação retórica, uma vez que a persuasão é

construída entre sujeitos interagindo discursivamente.

No documento São Paulo (páginas 43-47)