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2. A RADIODIFUSÃO CHEGA A SANTA CRUZ DO SUL

2.2 Arnaldo Ballvé instala uma emissora de rádio em Santa Cruz do Sul

Nascido em Quaraí, em 1896, Arnaldo Ballvé é citado por historiadores e pesquisadores como um empreendedor gaúcho que se dedicou à radiodifusão como funcionário e depois como empresário. Após trabalhar na Farroupilha (anos 30) e na Gaúcha (anos 40), em 1945, Arnaldo Ballvé deixa a Rádio Sociedade Gaúcha e, juntamente com Hugo Ferlauto e Marco Aurélio Martins, decide fundar uma rede de emissoras de rádio pelo interior do estado. Conforme Vampré (1979) ele iniciou o processo de criação da Rede Emissoras Reunidas – Rádio Cultura, pela criação da Rádio Santa Cruz, em Santa Cruz do Sul.

A rede de rádios fundada por Arnaldo Ballvé contou com 15 emissoras, sendo que cada emissora levou o nome do município no qual foi instalada, com exceção da Rádio Progresso, de Novo Hamburgo. Nomeamos aqui as empresas:

24 Funcionou de janeiro de 1945 a março de 1946, sendo que fechou depois da inauguração da Rádio Santa Cruz, em abril de 1946.

Rádio Santa Cruz, de Santa Cruz do Sul;

Rádio Cruz Alta, de Cruz Alta;

Rádio Santo Ângelo, de Santo Ângelo;

Rádio Rio Pardo, de Rio Pardo;

Rádio Estrela, de Estrela;

Rádio Encantado, de Encantado;

Rádio Progresso, de Novo Hamburgo;

Rádio Passo Fundo, de Passo Fundo;

Rádio Carazinho, de Carazinho;

Rádio Erechim, de Erechim;

Rádio São Gabriel, de São Gabriel;

Rádio Alegrete, de Alegrete

Rádio Cachoeira, de Cachoeira o Sul;

Rádio Caxias, de Caxias do Sul e;

Rádio Porto Alegre, de Porto Alegre.

A Rádio Santa Cruz começou a operar aos 07 de abril de 1946, sendo seguida pela criação de outras emissoras interioranas da rede. Mais tarde assomaram-se ao grupo, Paulo Salgado e Frederico Arnaldo Ballvé, filho de Arnaldo Ballvé.

A inauguração da Rádio Santa Cruz, a pioneira em Santa Cruz e região, bem como a primeira da Rede das Emissoras Reunidas, foi um grande acontecimento na cidade que o jornal local, Gazeta do Sul, noticiou da seguinte forma:

Uma das datas mais significativas nos anais da cidade e do município de Santa Cruz, é sem dúvida o dia 7 de abril, dia no qual a Metrópole do Fumo recebeu por parte das Emissoras Reunidas Rádio Cultura LTDA, o último lacque da civilização: Uma estação transmissora de Rádio (...) Às 9 horas, na presença das autoridades e depois de trocadas as saudações de estilo, declarou-se entregue ao povo a sua maior aspiração: a posse de uma emissora que levasse a todos os quadrantes a alma da cidade (ETGES, 1995, p. 13).

A inauguração da Rádio Santa Cruz foi, conforme depoimentos, um grande acontecimento. Etges (1995, p. 14) escreve que “que na realidade, a instalação da emissora deu um salto de qualidade na vida dos habitantes atingidos pela mesma e passaram a se sentir como batizados pela civilização”. Para Etges (1995, 14) “a Rádio foi um grande marco para Santa Cruz, de tal forma que as pessoas que viveram nesta época se lembram de todos os

detalhes do processo e da sua programação... Há todo um carinho das pessoas ao relembrarem o evento que marcou várias gerações”.

Abordando a importância da Rádio Santa Cruz para a cidade e a região, um dos primeiros locutores da emissora, vindo do serviço de alto-falante, a Voz do poste, para a nova emissora, Hagemann (apud ETGES, 1995, p. 18) definiu a inauguração da Rádio Santa Cruz da seguinte forma:

Ela abriu uma janela para o mundo. Colocou Santa Cruz em definitivo no mapa e sua população passou a ter contato com a realidade de fora e se transformou junto com esta tecnologia em todos os sentidos. A cidade se familiarizou com as coisas novas, trazidas pelos anunciantes. A rádio ajudou a cidade a se tornar gente, a se civilizar, a ter contato com outras comunidades e, particularmente, a irradiação do que se passava no meio urbano para o interior do município, que ficava a várias dezenas de quilômetros de distância.

É Hagemann (apud ETGES, 1995, p. 21) que mais recorda dos primórdios da Rádio Santa Cruz, pois, sendo oriundo do serviço de alto-falante, tendo vivenciado o período de transição, nos informa que

Havia domingo em que a emissora tinha de estender sua transmissão para atender o grande número de dedicatórias solicitadas. Estas eram pagas e tinham preços diferenciados. Quando anunciava no início e final da música custava uma taxa a mais do que aquela que só era feita antes da música. Estas dedicatórias em geral eram referentes a acontecimentos como aniversários, noivados, casamentos, bodas de ouro, etc. Havia dias em que uma família alugava a Rádio.

Residentes em Porto Alegre, os fundadores da Rádio Santa Cruz delegaram a administração e condução da emissora para pessoas da localidade. Assim, a empresa teve vários gerentes (ETGES, 1995, p. 16), a saber: Armando Bauer, de abril a maio de 1946;

Celso Zacouteguy Fernandes, de maio de 1946 até 13 de agosto de 1947; Elemar Gruendling, de 14 de agosto de 1947 a 15 de março de 1951; Lothário Bartholomay, de 16 de março de 1951 a 24 de julho de 1974; Luiz Bartholomay, de 1º de setembro de 1974 a fevereiro de 1991 e Egon Pedro Iser, de fevereiro de 1991 até fins de 1997.

Durante a gerência de Egon Pedro Iser, a Rede Comunidade foi vendida pela família Ballvé para a família Proença. Egon ficou na gerência da Rádio Santa Cruz até fins de 1997, quando Carlinhos Lopes assumiu a Rádio Santa Cruz em 1998. Em 1999 veio o gerente Jucelino Medeiros; de 2000 a 2001, o gerente foi Waldemar Mancilhas e no final de 1991 até setembro de 2002, o gerente foi Jalvi Machado.

No dia 1º de setembro de 2002, a Mitra Diocesana de Santa Cruz do Sul (grupo local) assumiu a Rádio Santa Cruz, tendo como gerente Rui Kaercher e Dogival Duarte como sub-gerente. Em março de 2004 houve mudança na condução da emissora e Francisco

Hochscheidt assumiu como Diretor e Dogival Duarte como Vice-diretor. Em janeiro de 2005 foi nomeada uma direção colegiada, sendo composta por Dogival Duarte, Bruna Bogorni e Clécio José Henckes. Em janeiro de 2010, a direção colegiada ficou com Dogival Duarte, Bruna Bogorni e Dionísio Roque Kist, com atuação até nossos dias.

Toda a existência da Rádio Santa Cruz foi no município de Santa Cruz do Sul e voltada para região. É nesse território do Vale do Rio Pardo que ela concentra suas ações, inclusive, levando em conta algumas características do município pólo, Santa Cruz do Sul, com suas características de colonização germânica e multicultural ao mesmo tempo.