11. O Meta-modelo proposto
11.6 Arquitectura do Meta-modelo
O objectivo do presente trabalho é o de sintetizar num modelo único um sub-conjunto de boas-práticas que possam ser usadas pelas organizações portuguesas – e especificamente pelas instituições financeiras – para melhorar a probabilidade de sucesso a longo prazo dos processos de outsourcing de desenvolvimento de aplicações.
O meta-modelo encontra-se construído na óptica do cliente (instituição financeira), mas com o intuito de melhorar a compatibilidade entre cliente e fornecedor. Este factor revela-se na escolha dos objectivos a atingir pelas diferentes actividades. No caso das boas-práticas da responsabilidade da instituição cliente, as actividades que as constituem deverão ser medidas com base em objectivos específicos para cada actividade. Já as boas-práticas da responsabilidade da organização fornecedora deverão ser medidas com base em objectivos genéricos já que o que importa é saber se uma determinada boa-prática é seguida e não tanto o que é especificamente feito para a atingir.
Deverá ter-se especial cuidado com as boas-práticas mistas – onde se registem dependências entre actividades da responsabilidade do cliente e do fornecedor, já que é nessas que a compatibilidade cliente-fornecedor se revela mais importante.
As boas práticas foram seleccionadas de acordo com os seguintes critérios: • Pertencerem a uma das metodologias que integram o meta-modelo; • Integrarem os modelos originais até ao nível 2 ou 3 de maturidade;
• Abrangerem os diversos domínios que permitam uma efectiva integração entre a estratégia de negócio; a estratégia de SI/TI; a selecção dos projectos que integram o portfólio e a gestão de programas e projectos.
• Possibilitar a identificação clara das actividades e respectivas competências internas para que as organizações possam adaptar o perfil dos colaboradores internos de SI/TI de acordo com as necessidades;
A figura e tabela seguintes descrevem a arquitectura e nomenclatura do meta-modelo proposto.
109
Figura 20: Arquitectura do Meta-Modelo
As boas-práticas que integram o meta-modelo podem ser agrupadas segundo três vectores: Categorias – O meta-modelo contempla a existência de 4 categorias: Gestão de Processo – Inclui as boas-práticas de gestão do ciclo de vida dos projectos – Iniciação, Planeamento, Execução, Monitorização e Controlo e Fecho; Desenvolvimento Aplicativo – Inclui as boas- práticas relacionados com tarefas especificas do desenvolvimento de aplicações; Gestão dos Fornecedores – Engloba as boas-práticas específicas da gestão e aprofundamento do relacionamento com o fornecedor; Suporte Organizacional – Engloba as boas-práticas de cariz estrutural, cultural, tecnológico e de recursos humanos que suportam e potenciam a realização das restantes áreas de conhecimento;
Domínios – É definido como um grupo de Boas-práticas aplicável numa situação comum (Gonzalez-Perez et al., 2005). De forma a fazer a ligação entre a estratégia organizacional e as actividades operacionais, o meta-modelo contempla a existência de 4 domínios: Projecto – Boas-práticas relacionadas com a gestão de ciclo de vida do projecto; Programa – Gestão de recursos partilhados entre projectos; Portfólio – Boas-práticas para a criação de um portfólio de projectos equilibrado; Integração Estratégica – Boas-práticas de integração entre as áreas operacionais (eficiência de SI/TI) e os objectivos estratégicos de TI e de negócio (eficácia de SI/TI).
Competências Internas - Com o intuito de tentar estabelecer uma hierarquia de competências na óptica do cliente, avaliando se essa hierarquia está alinhada com as respostas obtidas no
110
inquérito, o meta-modelo contempla as 9 competências centrais referenciadas por Willcocks e Feeny nos artigos consultados (Feeny e Willcocks, 1998b, Feeny e Willcocks, 1998a, Willcocks e Feeny, 2006).
Para além dos domínios atrás explicitados a nomenclatura usada no meta-modelo é a constante da tabela seguinte.
Tabela 9: Nomenclatura usada no Meta-Modelo
Conceito
Descrição
Boa-prática Sequência de actividades que representam o caminho óptimo para atingir um determinado objectivo;
Actividade Componente de trabalho a realizar para que o objectivo constante de uma determinada boa prática possa ser atingido; Competências Conjunto de aptidões específicas, necessárias para executar uma
determinada actividade.
Objectivo Descreve o conjunto de características únicas que devem estar presentes para que se considere atingida uma determinada Actividade;
Indicador de Desempenho Métrica que serve para medir o atingimento de um determinado objectivo. As métricas podem ser qualitativas ou quantitativas.
A organização atinge uma Boa-prática pela execução de um conjunto de actividades as quais exigem determinadas competências para serem executadas de forma eficiente. A execução de cada actividade é observada através de resultados mensuráveis medidos com recurso a indicadores de desempenho.
Apesar de ser através dos objectivos que se avalia a execução de uma Boa-prática, é útil em termos práticos fazer o relacionamento entre actividades e objectivos com o intuito de facilitar a sua verificação. “Os auditores recorrem muitas vezes à verificação da execução de uma dada actividade para inferir em relação à obtenção de determinado resultado que lhe está associado” (Gonzalez-Perez et al., 2005).
111
Nem todas as actividades são possíveis num dado momento. Existindo actividades que estão dependentes da concretização de trabalho prévio ou directamente ligadas ao nível de capacidade e competências da organização.
A maioria das metodologias para o desenvolvimento de software admite que, para que a metodologia possa ter uma real utilidade, a costumização é fundamental sendo esta habitualmente descrita em termos da selecção dos processos, tarefas, técnicas e produtos que melhor se adaptam às necessidades específicas e ao contexto de cada utilizador. Contudo, quando se adopta uma metodologia, uma parte importante da costumização deve estar directamente ligada ao nível de capacidade da organização utilizadora (Gonzalez-Perez et al., 2005).
Durante o presente trabalho o meta-modelo será apresentado ao nível das Boas-práticas ficando para desenvolvimento posterior o detalhe das Actividades, Competências, Objectivos e Indicadores de desempenho.
O processo de construção do modelo será desenvolvido no decurso de 3 interacções.
Primeiramente será feito um levantamento das boas-práticas, actividades e objectivos que, face ao âmbito do presente estudo - desenvolvimento de aplicações em regime de contratação externa de serviços - deverão ser incluídos no modelo, e a sua classificação pelos diferentes domínios e categorias.
Numa segunda interacção serão analisadas as dependências entre as diferentes actividades, criando o modelo de maturidade do meta-modelo. Conforme o referido anteriormente, aquando da comparação das metodologias e dos diferentes modelos de maturidade, por razões práticas o meta-modelo estará limitado aos 3 primeiros níveis do modelo de maturidade.
Penso que esta opção não representará uma limitação relevante do modelo na medida em que a grande maioria dos autores defende, em relação ao CMMI por exemplo, que à medida que se sobre no nível de maturidade a relação custo/beneficio vai sendo progressivamente mais desfavorável, havendo alguns que afirmam mesmo que o nível 5 não é mais que um “cartão- de-visita sem real beneficio prático, que as organizações dos países emergentes usam para captar clientes” (Jokela e Lalli, 2003, Huang e Han, 2003, Bocking et al., 2005).
112
Para além disso, tendo este estudo o intuito de ajudar as instituições financeiras cliente a obter resultados rápidos das metodologias incluídas no meta-modelo, não se justifica incluir no mesmo processos ou boas-práticas que não possam ser atingidos durante o primeiro ano de utilização.
Por último, uma terceira interacção com o objectivo de adaptação às especificidades do sector financeiro nacional e ao contexto do tipo de contratação externa efectuado, bem como agilizar, de forma a acelerar os resultados práticos de utilização. Neste âmbito serão incorporados no meta-modelo as conclusões do inquérito efectuado, clarificando quais os processos que devem ser executados pelo cliente e pelo fornecedor e de que forma as dependências existentes condicionam o êxito.