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ARQUITETURA DE INTERIORES E A IDENTIDADE DO LOCAL

Fonte: http://www.perfectlyimperfectblog.com/2014/02/lisas-office-redo-before-after.html

ARQUITETURA DE INTERIORES E A IDENTIDADE DO LOCAL

Para Trevisan (2004), o usuário, quando se apropria de seu lugar, procura demarcar seu território por meio de objetos, símbolos e signos, dando-lhe identidade própria. Esses seriam os fatores subjetivos do ambiente. As sensações térmicas e acústicas podem ser entendidas como as variáveis objetivas, formando essa combinação de variáveis subjetivas e objetivas que serão determinantes na característica, na funcionalidade e na personalidade exclusiva e particular de cada espaço. (TREVISAN, 2004).

A arquitetura trabalha com o espaço, e diferentemente das outras expressões artísticas, não está ali só para ser apreciada, e sim, utilizada no dia-a-dia. Os estímulos ambientais, sinais enviados ao cérebro que resultam no contexto ambiental do conforto, dependem das superfícies e assim reconhecem o ambiente interno. É a combinação de variáveis subjetivas e objetivas, que determinam as características, a funcionalidade e a personalidade única de cada residência. Porém, a função da arquitetura de Interiores, de criar espaços pensados e planejados para seus usuários, torna-se muito importante para que a apropriação do espaço realmente aconteça pelo usuário.

¹Academica do curso de Arquitetura e Urbanismo, FAG – Faculdade Assis Gurgacz Figura 10: Morar só, ambientes criados por seus moradores

Fonte: http://quartoesala.etc.br/2013/07/02/morar-so-casa-e-jardim/

A revista casa e jardim decidiu traçar o perfil dos solitários moradores da cidade de São Paulo. Não interessando o local onde cada um mora, o objetivo era registrar ambientes de pessoas que moram sozinhas, buscando mostrar novas maneiras descomprometidas de se viver.

Gente que imprime em suas casas as suas predileções e tem liberdade para

¹Academica do curso de Arquitetura e Urbanismo, FAG – Faculdade Assis Gurgacz criar espaços únicos e despretensiosos. (VALDIVIESO, 2013)

A seguir, a descrição de cada um dos moradores fotografados bem como o estilo de vida que é impresso em suas moradias feitas por Gabriel Valdivieso para a revista Casa e Jardim.

CIRO SCHU, 32 anos, grafiteiro, Centro – encontrou este apartamento de 90 m² há poucos anos, sob a sombra da estátua de Duque de Caxias, na Praça Princesa Isabel. As paredes são a extensão de seu grupo de amigos, repletas de pinturas e esculturas. No corredor, bicicletas, livros e suas próprias obras de arte. Morar só é liberdade. (VALDIVIESO, 2013)

FERNANDO SOMMER, 50 anos, empresário, Higienópolis – com sorriso farto, recebe seus queridos à porta. Colagem de paixões, quebra-cabeça de emoções, o apartamento de 150 m² é aberto aos amigos. Papéis de parede italianos, flores frescas e obras de arte escolhidas com afeto resultam em um lar. Morar só é tomar banho demorado. (VALDIVIESO, 2013)

CAROLINE SABET, 32 anos, escritora, Vila Nova Conceição – o ritmo acelerado do balanço swing with the plants, da droog, pulsa Caroline Sabet. Dedicada a escrever contos infantis, a moradora leva para seu universo, um apartamento de 130 m², a alegria da imaginação fértil, dando sentido a “ lé com cré” com um sapato em cada pé. Morar só é poder balançar. (VALDIVIESO, 2013)

EDUARDO CHALABI, 36 anos, arquiteto, Jardins – a cadência da arquitetura, a simplicidade da forma e a riqueza de pensamentos estão presentes nos 100 m² do apartamento. Tudo na morada cumpre sua função, história e arte sobem pelas paredes. A cara do dono, a casa do Chalabi. Morar só é não pedir permissão para nada. (VALDIVIESO, 2013)

MARIE IKONOMIDIS, 30 anos, analista de comunicação, Santa Cecília – o apartamento de 120 m² é um labirinto. Não por causa das saletas e dos corredores, mas pela exuberância de vida, de conversa e dos brinquedos do filho Eric, 10 anos.

A coleção de móveis tipos lado B e os objetos impecavelmente escolhidos dão o ar

¹Academica do curso de Arquitetura e Urbanismo, FAG – Faculdade Assis Gurgacz de casa vivida. Morar só é desfrutar do espaço. (VALDIVIESO, 2013)

MARI BRUNINI, 34 anos, relações internacionais, Jardins – uma serenidade de histórias em forma de objetos. O apartamento de 90 m² parece um caleidoscópio de brinquedos de época, peças de design e luminárias hospitalares. Máscaras, tubos de ensaio e bibelôs são cerejas do bolo do lar rock´n ´roll. Morar só é abrir caminho para novos achados. (VALDIVIESO, 2013)

IDA FELDMAN, 46 anos, várias profissões, Bom Retiro – assessora de imprensa, malandragem. Morar só é poder pintar o sete. (VALDIVIESO, 2013)

Segundo a arquiteta pernambucana Jana Costa, em uma entrevista:

“O homem é uma esponja, por onde ele passa, vai incorporando influencias.

Com a globalização, com essa história de todo mundo conhecer o mundo, o

¹Academica do curso de Arquitetura e Urbanismo, FAG – Faculdade Assis Gurgacz

coisas contemporâneas. É fundamental que não haja rejeição por tudo que é nosso, porque a maior ia rejeita o que é nosso e passa a gostar do que é do outro. Faz parte de uma população que despreza as próprias coisas.”

Arquitetura de interiores é isso, é conseguir deixar o lugar onde vivemos único, com as nossas próprias e exclusivas características. E toda a formação de um individuo que resulta de interações sociais, culturais, politicas, geográficas e econômicas tem absoluta influência nessa questão. Todos, independentes de sua classe social ou de quaisquer outras diferenças existentes podem imprimir um pouquinho da sua identidade para tornar o ambiente em que se vive todos os dias mais agradável e de certa forma mais humano.

6 CONSIDERAÇÕES

Os conceitos de sensação, percepção, atenção e espacialidade definem várias situações de conforto em que o indivíduo pode estar incluído. O valor pessoal, segundo Rapoport (1990), atribui significado ao espaço. Os valores relacionados aos elementos que complementam o espaço concedem significado aos seus ocupantes e esses elementos são definidos como os materiais que revestem o espaço.

Para Trevisan (2004), a arquitetura e psicologia se associam através de objetos, símbolos e signos que o usuário utiliza para dar apropriação ao seu lugar, buscando a própria identidade, e esses aspectos são subjetivos. Diferente das sensações térmicas e acústicas consideradas variáveis objetivas. É o acordo dessas duas tipologias que definem as características de cada habitação. O que se procura

¹Academica do curso de Arquitetura e Urbanismo, FAG – Faculdade Assis Gurgacz

Foi abordado questões de como as condições de conforto no ambiente construído, aliado ao que vai ser proposto para o ambiente construído influenciam no comportamento humano, como é importante a responsabilidade social daqueles que trabalham com relação as pessoas e o ambiente. Esse é sem dúvida um elemento importante que estimula o senso crítico do usuário com relação ao local onde vive e à qualidade de vida obtida. Os profissionais que usam o espaço devem avaliar, assim como devem interferir para aprimorar os aspectos físicos e funcionais e psicológicos do espaço.

REFERÊNCIAS

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