9. Condutas Vedadas
9.2.2 Art. 73, inciso I, da Lei nº 9.504, de 1997
Art. 73. São proibidas aos agentes públicos, servidores ou não, as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais:
I - ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou
coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Territórios e dos Municípios, ressalvada a realização de convenção partidária.
26 Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
27 Constituição do Estado de Minas Gerais de 1989
Art. 13 – A atividade de administração pública dos Poderes do Estado e a de entidade descentralizada se sujeitarão aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência e razoabilidade.
QUANDO? SEMPRE.
O inciso I, do art. 73, da LE, determina que a estrutura da administração direita ou indireta não seja utilizada com fins eleitorais, pois o uso da máquina administrativa, por certo, tem grande potencial para desequilibrar a corrida eleitoral em favor daquele que dela utilizar.
Com esse objetivo, a cessão (feita pelo agente público) ou o uso (feito pelos candidatos, partidos políticos, ou coligação) dos bens que formam o patrimônio da administração direta ou indireta de quaisquer dos entes federativos fica vedada. Os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito privado que integram a administração, como as fundações públicas de direito privado, empresas públicas e sociedades de economia mista também são alcançados por esta restrição.
INTERPRETAÇÃO: EXTENSIVA
A interpretação do dispositivo é feita de modo extensivo para vedar a cessão e uso de bens móveis e imóveis de propriedade da administração pública direita e indireta, mas também aqueles em sua posse ou detenção e aqueles sob sua responsabilidade, como é o caso dos bens apreendidos.
EXCEÇÕES À PROIBIÇÃO:
• Cessão ou uso dos bens da administração direta ou indireta para a realização de convenção partidária: A ressalva encontrada no inciso I, do art. 73, está em consonância com o disposto no art. 8º, § 2º da LE28, que determina que “para a realização das convenções de escolha de candidatos, os partidos políticos poderão usar gratuitamente prédios públicos, responsabilizando-se por danos causados com a realização do evento”;
• Utilização, pelos candidatos, coligações e partidos políticos dos bens de uso comum como praças, avenidas, ruas: a utilização de bens de uso comum não caracteriza a ocorrência de conduta vedada pela LE. Porém, conforme nos aponta Rodrigo López Zilio, “verifica-se a possibilidade da ocorrência da conduta vedada, com desequilíbrio entre os contendores, quando o bem – embora de fruição coletiva – é cedido exclusivamente a determinado candidato, partido ou coligação, em detrimento dos demais participantes” (ZILIO, 2012, p. 513)29.
28 Art. 8o (...)
§ 2º Para a realização das convenções de escolha de candidatos, os partidos políticos poderão usar gratuitamente prédios públicos, responsabilizando-se por danos causados com a realização do evento.
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• Utilização e uso em campanha, das residências oficiais dos Chefes do Poder Executivo candidatos à reeleição, para realização de contatos, encontros e reuniões sem caráter de ato público: De acordo com o §
2º do art. 73 30, é possível que os candidatos à reeleição de Presidente e Vice-Presidente da República, Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal, Prefeito e Vice-Prefeito utilizem as residências oficiais para realização de contatos, encontros e reuniões pertinentes à própria campanha sem que incorram na prática de conduta vedada, desde que as ações praticadas não tenham caráter de ato público.
• Uso de veículos oficiais do Poder Público (veículos de serviço e veículos de representação): Os veículos oficiais não podem ser utilizados para
beneficiar candidatos, partidos políticos ou coligações, sendo certo que se encontram abrangidos na vedação referida no art. 73, I da LE.
A LE, a este respeito, traz no art. 73, § 2º, uma única exceção relativa à utilização de transporte oficial pelo Presidente da República, que deverá observar o disposto no art. 76 e seus §§31, relativamente às despesas advindas de sua utilização (ressarcimento das despesas).
• Uso de veículos oficiais em carreatas: A utilização de veículos pertencentes
à administração em carreatas organizadas pro candidato, partido político ou coligação é uma conduta vedada pelo art. 73, I da LE, mesmo que o agente que conduza ou autorize sua utilização não seja candidato, pois a aplicação da lei não está restrita ao agente público candidato, mas a todos agente que “exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nos órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta, ou fundacional”, conforme disposto no § 1º, art. 73 de LE.
• Uso de transporte oficial por agentes públicos não candidatos: Aqui será
necessário verificar se o veículo foi utilizado para beneficiar a candidatura 30 Art. 73
(...)
§ 2º A vedação do inciso I do caput não se aplica ao uso, em campanha, de transporte oficial pelo Presidente da República, obedecido o disposto no art. 76, nem ao uso, em campanha, pelos candidatos à reeleição de Presidente e Vice-Presidente da República, Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal, Prefeito e Vice-Prefeito, de suas residências oficiais para realização de contatos, encontros e reuniões pertinentes à própria campanha, desde que não tenham caráter de ato público.
31 Art. 76. O ressarcimento das despesas com o uso de transporte oficial pelo Presidente da República e sua comitiva em campanha eleitoral será de responsabilidade do partido político ou coligação a que esteja vinculado.
§ 1º O ressarcimento de que trata este artigo terá por base o tipo de transporte usado e a respectiva tarifa de mercado cobrada no trecho correspondente, ressalvado o uso do avião presidencial, cujo ressarcimento corresponderá ao aluguel de uma aeronave de propulsão a jato do tipo táxi aéreo.
§ 2º No prazo de dez dias úteis da realização do pleito, em primeiro turno, ou segundo, se houver, o órgão competente de controle interno procederá ex officio à cobrança dos valores devidos nos termos dos parágrafos anteriores.
§ 3º A falta do ressarcimento, no prazo estipulado, implicará a comunicação do fato ao Ministério Público Eleitoral, pelo órgão de controle interno.
§ 4º Recebida a denúncia do Ministério Público, a Justiça Eleitoral apreciará o feito no prazo de trinta dias, aplicando aos infratores pena de multa correspondente ao dobro das despesas, duplicada a cada reiteração de conduta.
de um terceiro, agente público ou não, caso em que será caracterizada a conduta proibida. Caso o transporte oficial tenha sido utilizado apenas em benefício próprio e de acordo com as prerrogativas do cargo não há que se falar em conduta vedada.
• O TSE considerou não ter havido a prática de conduta vedada por um agente público que, não sendo candidato, utilizou veículo oficial para se dirigir até o estúdio onde gravaria participação em programa eleitoral de um determinado candidato (TSE, Recurso em Representação nº 94, Acórdão nº 94 de 02/09/1998, Rel. Min. Fernando Neves da Silva).
A Corte entendeu que o uso do transporte se dera em benefício do agente público (dentro das prerrogativas asseguradas pelo cargo) e, não, em benefício do candidato, para quem era indiferente como o agente se deslocaria até o local da gravação.
• Uso de transporte oficial para deslocamento até convenção partidária: o
uso de transporte oficial para levar o agente público até o local onde se realiza a convecção partidária deve ser evitado, pois pode ser caracterizado benéfico indevido a uma futura candidatura. Tal fato se dá pela possibilidade de que o agente, mesmo que tenha utilizado o transporte oficial quando ainda não era candidato, venha a concorrer às eleições.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, no julgamento da Representação nº 753769, reconheceu a prática da conduta vedada no caso de um agente público que, ainda não sendo candidato, utilizou veículo oficial para se dirigir a uma convenção partidária na qual veio a ser escolhido como candidato ao cargo de deputado federal (TRE/SP, Representação nº 753769, Acórdão de 02/08/2011, Rel. Alceu Penteado Navarro, Publicação: DJESP - Diário da Justiça Eletrônico do TRE-SP, Data 09/08/2011).
• Utilização de repartições públicas para propaganda eleitoral: de acordo
com o caput do art. 37 e o inciso I, art. 73, ambos da LE, constitui conduta vedada a promoção de propaganda eleitoral nas dependências de repartições públicas. Contudo, o art. 37, § 3º 32, da mesma lei, excetua a propaganda eleitoral feita nas dependências do Poder Legislativo, deixando a critério da Mesa Diretora regular tal ato.
32 Art. 37. Nos bens cujo uso dependa de cessão ou permissão do poder público, ou que a ele pertençam, e nos bens de uso comum, inclusive postes de iluminação pública, sinalização de tráfego, viadutos, passarelas, pontes, paradas de ônibus e outros equipamentos urbanos, é vedada a veiculação de propaganda de qualquer natureza, inclusive pichação, inscrição a tinta e exposição de placas, estandartes, faixas, cavaletes, bonecos e assemelhados. (Redação dada pela Lei nº 13.165, de 2015)
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