6. CASO DE ESTUDO: MUNICIPIO DE VILA FRANCA DE XIRA
6.4 ARTICULAÇÃO ENTRE TRANSPORTES – USOS DO SOLO
Para a realização deste sub – capítulo foram realizadas uma série de entrevistas (15 no total), quer aos Operadores de Transporte Público a actuar no concelho de Vila Franca de Xira (C.P – Comboios de Portugal, REFER, Rodoviária de Lisboa e Boa Viagem), mas também aos onze Presidentes de Junta de Freguesia do Concelho de Vila Franca de Xira, cujo contacto directo e diário com as populações que representam, por um lado, em muito enriqueceu este trabalho e por outro, foi uma enorme fonte de informação e um estímulo para continuar este trabalho. A todos eles foram colocadas uma série de questões relacionadas com os transportes e os usos do solo, na tentativa de obter as distintas visões dos problemas que influem na articulação entre os transportes e os usos do solo sendo que para isso, e como se poderá verificar nos Anexos 6 e 7, os guiões das entrevistas foram distintos.
Nas entrevistas com os onze Presidentes de Junta de Freguesia do Concelho de Vila Franca de Xira, uma das questões mais salientadas, foi sem dúvida a ausência de carácter vinculativo nos pareceres que as Juntas de Freguesia emitem, quando são contactados pelos Operadores de Transporte Público, no sentido de alterarem percursos, horários ou até mesmo suprimirem carreiras não lucrativas. Foi igualmente denotado, nestas entrevistas com os autarcas locais, a ausência de articulação entre o crescimento urbano e o transporte público de passageiros, nomadamente a necessidade de servir novas urbanizações, novos pólos industriais/logísticos, ou de comércio e serviços e escolas, através do transporte público, uma vez que não existe uma coordenação antecipada nas actuações, pois na esmagadora maioria das vezes, o operador de transporte público fica a saber do surgimento de novas áreas residenciais ou de comércio e serviços, pelos meios de comunicação, pela sua visualização no terreno, ou através das queixas dos passageiros.
Algumas Juntas de Freguesia, afirmaram ainda, que muitos dos percursos de transporte público de passageiros rodoviários não se realizam, ou não se mantém, por falta de rentabilidade financeira, uma vez que estes operadores de transporte são empresas privadas, que vivem das receitas geradas pelas viagens, não possuindo qualquer comparticipação financeira por parte do Estado ou das autarquias.
Constatou-se que nas freguesias de carácter mais rural, com menor população e uma maior dispersão territorial (Calhandriz, Cachoeiras e São João dos Montes), este é um factor que inibe a oferta de mais transporte público rodoviário, pois não existe um número suficiente de passageiros para transportar, o que torna o percurso não lucrativo para a empresa de transporte público, que se vê confrontada com prejuízos neste percursos, tendo muitas vezes que os suprimir.
As soluções apresentadas pelos diversos Presidentes de Junta de Freguesia são diversificadas, mas no entanto, existem dois pontos que geram quase unanimidade, que é o facto de ter que existir maior articulação entre o transporte público e o transporte individual para resolver os problemas de mobilidade, outros propõem um alargamento na oferta da rede de transportes públicos (por exemplo: introdução de metro); e uma maior diversidade, podendo aqui entrar soluções como o Serviço de Táxis Colectivos, bicicletas, partilha do uso do automóvel por vários utilizadores. Existe também a necessidade para algumas freguesias, da existência de transporte público no interior dos seus perímetros urbanos, que efectue a ligação às escolas da freguesia, aos principais equipamentos colectivos, serviços públicos, comércio e zonas residenciais.
Quanto aos Operadores de Transporte Público, a sua principal revindicação/queixa, é a falta de articulação entre os diversos agentes e um contacto mais regular e assíduo entre os mesmos, pois acontece frequentemente os operadores de transporte público não saberem, nem serem contactados das alterações efectuadas nos horários da C.P, da construção de novas infra-estruturas rodo-ferroviárias pela REFER, de que é exemplo flagrante a nova estação de caminho-de-ferro da freguesia da Castanheira do Ribatejo, onde a empresa rodoviária de passageiros Boa Viagem, não foi informada, nem tão pouco consultada pela Câmara Municipal ou pela REFER, de que iria surgir esta nova infra-estrutura e de que seria necessário haver autocarros que efectuassem a ligação entre a estação de caminho-de-ferro e o centro da vila e áreas adjacentes.
Os operadores de transporte público, em particular os rodoviários de passageiros, queixam-se de que não são informados do surgimento de novas urbanizações, pólos industriais/logísticos, de novas áreas de comércio e serviços, ou até mesmo escolas, de forma a puderem planear com antecipação, novos percursos, horários e os meios humanos e o material circulante para dar resposta a estas novas solicitações.
As empresas rodoviárias de transporte de passageiros referem que muitas vezes não podem manter determinados percursos, porque os mesmos não geram receita suficiente que cubra os custos com a operação, pois não recebem comparticipações, quer da Câmara Municipal, quer das Juntas de Freguesia para os puder manter em funcionamento. Estas empresas, referem ainda a falta de condições que alguns terminais rodo- ferroviários do concelho oferecem, quer para os autocarros das empresas, quer para os utentes dos transportes públicos, nomeadamente os casos do anunciado terminal rodo-ferroviário da cidade da Póvoa de Santa Iria, cuja localização é temporária há vários anos e o da cidade de Vila Franca de Xira, onde a articulação entre o transporte ferroviário de passageiros e o transporte rodoviário de passageiros é efectuado de modo deficiente e sem as condições indispensáveis para os passageiros.
Todos os operadores de transporte público, referem como uma das soluções, a informação antecipada aos operadores por parte da Câmara Municipal, das Juntas de Freguesia e demais agentes intervenientes, do surgimento de novos empreendimentos, de forma a puderem ser estudadas e planificadas, com a devida antecedência, os meios necessários a poder servir estas novas áreas. Também mencionam a necessidade de haver maior articulação entre o crescimento urbano e os transportes públicos, pois ambos são indissociáveis, e devem ser efectuados em articulação permanente.
Os operadores rodoviários de transporte público de passageiros salientam ainda a ausência de comparticipações financeiras maiores, por parte da Administração Central e da União Europeia, no sentido de
renovarem as suas frotas de veículos, e deste modo se puderem adequar às novas realidades (ambientais, de mobilidade condicionada, etc.); também reivindicam uma maior facilidade de circulação dos seus meios de transporte, quer ao nível de mais corredores BUS, quer ao nível dos abrigos para passageiros, locais de paragem para recolha dos passageiros e o espaço necessário na via pública para os autocarros puderem efectuar as suas manobras. Estes aspectos são frequentemente ignorados, quer nas intervenções da Câmara Municipal, quer da REFER e outras entidades, onde por vezes, há uma inexistência de espaço para estacionamento das viaturas para recolher os passageiros em segurança, sem condicionar o restante tráfego; não existe qualquer abrigo para os passageiros esperarem pelo autocarro de forma condigna, ou locais onde é difícil os autocarros acederem por falta de espaço ou por estacionamento abusivo dos veículos privados.
A C. P – Comboios de Portugal sugeriu que fosse criada uma Autoridade Local de Transportes no Município, pois não existe nenhum espaço de encontro entre os agentes, nem a Câmara Municipal possui um Gabinete de Mobilidade, onde pudesse haver um maior acompanhamento das questões da mobilidade e circulação no concelho, sendo ao mesmo tempo, um canal de informação e comunicação entre todos os intervenientes na área geográfica do Município, constituindo um sistema integrado de transportes.
7. PROPOSTAS E MEDIDAS DE ACTUAÇÃO MUNICIPAL SOBRE A INTERACÇÃO ENTRE