COLETIVO EDUCADOR AMBIENTAL DE CAMPINAS COEDUCA
3.2 Percurso do COEDUCA
3.2.4 Articuladores e o Processo formativo
É no início da Fase 2, como dito anteriormente, em que há o surgimento da ´articulação` como função de um grupo de PAP2 (articuladores), como forma de apoiar a constituição e fortalecimentos dos Coletivos Locais (CLs), a elaboração de seus projetos de ação socioeducativas e, num segundo momento, também o apoio à ação em seus territórios. Duplas de articuladores passaram a animar em média 4 CLs.
Ainda nesta fase, houve uma diminuição no número de articuladores em função de mudanças na vida pessoal de alguns, advinda da criação de um coletivo de articulação como forma de apoio mútuo para a superação de dificuldades enfrentadas. Cada articulador passou a ser responsável pelo acompanhamento de cerca de 4 CLs. Na intenção de viabilizar o bom funcionamento deste coletivo de articulação, surge a figura do ´moderador` - PAP3 escolhido pelo seu CL para facilitar a comunicação com os articuladores.
“O processo de articulação é o momento 2 no qual os Coletivos Locais (CL) se reúnem com Articuladoras/Articuladores para planejar, preparar e executar as ações sócio educativas, possibilitando a reflexão sobre as suas experiências, o esclarecimento de dúvidas e novas descobertas.
Capítulo 3: Coletivo Educador Ambiental de Campinas - COEDUCA 66
Para atender a estes objetivos, organizou-se a articulação por encontros, que foram definidos como presenciais e à distância.
Encontros Presenciais
¾ 3 dias (20/09; 18/10; 01/11 dias correspondentes a Oficina de Elaboração de Projetos);
¾ programação da ação sócio educativa definida junto aos Coletivos Locais;
¾ acompanhamento do processo de ação sócio educativa dos Coletivos Locais junto às suas comunidades.
[Os CL também se encontraram presencialmente com os articuladores em outros momentos, naqueles relativos a execução das ações-sócio-educativas junto às comunidades, sendo estes denominados de “encontros de articulação”].
Encontros à distância
¾ 02 horas por semana para cada CL.
¾ acompanhar a ação sócio educativa via chat, e-grupo, telefone,...
¾ ler e apoiar os trabalhos do CL.
Devido ao número reduzido de pessoas para atender as demandas dos Coletivos Locais, foi pensado na figura do mediador. Este mediador foi um PAP3, escolhido pelo Coletivo Local e que teve a função de auxiliar os articulares nas relações com o coletivo. Coube a ele as seguintes atribuições:
¾ facilitador da comunicação entre o CL e os articuladores e dentro do CL
¾ referência para informações: local de reuniões, horários, materiais,...
¾ deixa de existir quando o CL está reunido com os articuladores
¾ a mediação pode ser rotativa” (COEDUCA, 2009:30).
Desde o início da constituição da proposta formadora de PAP3 do COEDUCA, a articulação já havia sido prevista. Inicialmente essa função recebia o nome de “tutoria”, contudo, durante as reuniões deliberativas e de aprofundamento conceitual dos PAP2, esta ação foi discutida e refletida, havendo então uma mudança de nomenclatura, de “tutor” para “articulador”. Esta mudança se deu por conta de uma decisão do grupo de deixar claro que esta função não podia ter um caráter assistencialista, mas devia estimular a autonomia e emancipação dos indivíduos e dos CLs.
Os objetivos da articulação eram: promover a união dos CLs; fomentar a rede de troca de experiências entre os CLs, e entre os CLs e o coletivo PAP2; apoiar as ações dos CLs. Através de encontros presenciais e apoio a distância (telefonemas, e-mail), os articuladores deveriam desenvolver as seguintes ações:
“auxiliar a elaborar e viabilizar a ação sócio-educativa; estimular a autonomia, fortalecimento e enraizamento dos CLs nos territórios; possibilitar o diálogo entre os CLs e entre CL e PAP2; animar os CLs (afetividade) e mediar conflitos; proporcionar a circulação de ideias/troca de experiências; proporcionar a sustentabilidade das ações sócio-educativas, para que continuassem mesmo após término do período de 18 meses de formação dos PAP3” (COEDUCA, 2009).
Tanto a atuação dos PAP2 como a formação dos PAP3 foram pautadas na participação. Este é o eixo central dos Coletivos Educadores: Pessoas que Aprendem Participando, Pessoas que Aprendem Pesquisando, Pesquisa-Ambiental-Participante (Viezzer & Ovalles, 1995), Pesquisa-Ação-Participante (Viezzer, 2005). O PAP2 enquanto planeja,
reflete, atua, convive, implementa a formação dos PAP3, vivencia um incremento de sua formação como educador, e os PAP3 ao longo de seu processo de formação planejam, refletem, atuam, convivem e agem para a formação dos PAP4. Ao longo do processo de formação, as classificações PAP2, PAP3 e PAP4 foram perdendo sua rigidez inicial, demonstrando que gradativamente o processo de transformação foi se consolidando, conferindo maturidade ao grupo em muitos sentidos, inclusive na horizontalização das relações no interior do Coletivo – alguns PAP3 tornaram-se PA2, na medida em que se apropriam dos rumos do seu próprio aprofundamento conceitual e metodológico, concomitante a sua atuação junto aos PAP4, integrando-se assim às ações nucleares e estruturantes do COEDUCA, como o oferecimento de ICs, participação em “reuniões PAP2” deliberativas e de planejamento de ações etc.
Com o intuito de compreender melhor o que significou o processo de articulação para cada um que o vivenciou, foram elaboradas três questões que foram enviadas por meio de correio eletrônico aos dez articuladores do COEDUCA (setes destes tinham uma ligação próxima com a universidade/academia e três um distanciamento do fazer acadêmico). Dos questionários enviados, sete foram respondidos e devolvidos (dois dos três articuladores que tinham um distanciamento da academia não responderam o questionário, assim como um daqueles que tinha uma relação de proximidade com a universidade). As perguntas se referiam a quais eram as atribuições dos articuladores, a como se deu o processo de articulação na prática e a qual foi o aprendizado obtido de sua participação neste processo.
Seguem a baixo as perguntas enviadas aos articuladores:
1) No seu entendimento, quais eram inicialmente as funções de um articulador? 2) Como se deu na prática o processo de articulação?
3) Ser um articulador interferiu sua na trajetória como PAP2? De que maneira? Em que momentos?