Título: Avaliação das inclinações dentárias de casos tratados com braquetes autoligáveis por meio da Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (TCFC)
Fernando Kleinübing Rhodena; Leopoldino Capelozza Filhob; Liliana Avila Maltagliatic; Mauricio de Almeida Cardosob
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Graduate student (MSc degree) in Orthodontics at University of Sagrado Coração- USC, Bauru/SP.
b
PhD Professors of the Graduation and Post-Graduation program (Specialization and MSc degrees) in Orthodontics at University of Sagrado Coração-USC, Bauru/SP. c
Mst Professor of Post-Graduation program (Specialization) in Profis, Bauru/SP
Fernando Kleinübing Rhoden Rua Teixeira Soares, no 777 sala 10 CEP: 99010180
Passo Fundo, RS, Brazil
Fone: 55 54 3311-6544/Mobile: 55 54 9662-1987 [email protected]
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RESUMO
Objetivos: O presente estudo teve por objetivo avaliar as alterações nas inclinações dentárias em dentes anteriores, incluindo caninos, provenientes de tratamento ortodôntico com braquetes autoligáveis.
Materiais e métodos: A amostra constou de 20 pacientes com idade média de 16 anos e 5 meses (DP: 5a 11m), sendo 12 (60%) do sexo feminino e 8 (40%) do sexo masculino, portadores de padrão facial I35, brasileiros, com dentadura permanente e má oclusão de Classe I com apinhamento médio no arco superior de 7,38mm (DP: 3,94mm) e inferior de 6,76mm (DP: 2,36mm), tratados com braquetes autoligáveis passivos (Smart Clip, prescrição MBT - 3M, Monrovia, USA), sem desgastes e sem extrações. Foi adotado a seguinte sequência de fios de níquel titânio termoativado: 0.014”, seguido pelo 0.016”, 0.016” x 0.022”, 0.019” x 0.025” e finalizando com o fio 0.019” x 0.025” de aço inoxidável. Cada fio foi mantido por, no mínimo, 10 semanas. As TCFC e os modelos de estudo foram obtidos em dois momentos, anteriormente à instalação dos aparelhos ortodônticos corretivos (momento 1) e ao termino do alinhamento e nivelamento com o fio retangular 0.019” x 0.025” de aço (momento 2). As imagens DICON foram mensuradas com o software InVivoDental Aplication Version 5.3.1 (Anatomage, San Jose, CA) e os modelos de estudo mensurados com um paquímetro digital da marca Mitutoyo, com precisão de 0,01mm.
Resultados: A média de inclinação vestibular obtida pelos incisivos centrais superiores foi de 6,55o e 7,24 para os inferiores. Os incisivos laterais superiores e inferiores acompanharam o movimento dos incisivos centrais, variando entre 4,90o e 8,72o , respectivamente. Os caninos inferiores acompanharam a inclinação positiva dos incisivos centrais e laterais, com inclinação média de 3,88o, o que demonstrou um aumento médio de 1,96mm na distância intercaninos. Os caninos superiores apresentaram uma inclinação negativa, variando o lado direito e esquerdo entre - 0,22o a -0,50o, respectivamente, com média de 0,82mm de alteração na distância intercaninos, guardando correlação negativa entre o apinhamento e a distância intercaninos inicial.
Conclusão: O protocolo de tratamento ortodôntico com braquetes autoligáveis em pacientes com apinhamento tratados sem extração e/ou desgaste, imprime incrementos na inclinação vestibular dos incisivos superiores e inferiores em quantidades similares e de forma simétrica sem guardar correlação com a
quantidade de apinhamento presente no inicio do tratamento. A TCFC, juntamente com os modelos de estudo, mostraram de modo mais consistente que a distância intercaninos tende a aumentar muito pouco (superior = 0,82mm e inferior 1,96mm). A inclinação dos caninos foi diferente quando comparado o arco superior (Lado Direito: -0,22o; Lado Esquerdo -0,55o) com o inferior (3,88o). Portanto os caninos superiores assumem uma característica de dente “pilar” para o movimento dos demais dentes, guardando uma correlação negativa para com o apinhamento e a distância intercaninos.
PALAVRAS-CHAVE: Ortodontia Corretiva; Braquetes Ortodônticos; Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico.
INTRODUÇÃO
O tratamento ortodôntico realizado na dentadura permanente em pacientes com atresia dentária associada a presença de apinhamento nas más oclusões de Classe I, sem a extração de pré-molares, requer um aumento no perímetro do arco1,2,3,4. Isto é obtido em ambas arcadas pela expansão transversal e vestibularização dos incisivos2,5.
Após a introdução dos braquetes autoligáveis, Damon6 alegou que uma expansão passiva das arcadas dentárias seria possível por meio de um movimento dentário em direção lateral com pouco movimento anterior, afirmando que fios termoativados com forças leves não seriam capazes de suportar a ação do músculo orbicular da boca. Como os braquetes autoligáveis passivos apresentam maior liberdade dos fios dentro da canaleta, os fios deslizariam em direção posterior conforme o apinhamento é dissolvido, reduzindo o movimento anterior7.
São inúmeros os trabalhos que não corroboram esta hipótese, mostrando que mesmo quando o apinhamento é mais suave e tratado com aparelho fixo, sem desgastes e/ou extrações, demanda um aumento no perímetro do arco1,2,3,4,8. Este aumento é gerado pela inclinação vestibular dos incisivos, uma vez que encontram- se diretamente envolvidos com o apinhamento, e suas características anatômicas, são mais susceptíveis a cederem ao movimento de inclinação5.
Maltagliati et al.5 procuraram identificar as alterações que ocorriam nas arcadas dentárias de pacientes tratados ortodonticamente sem a extração dentária com braquetes autoligáveis passivos. Foram avaliados 58 pares de modelos de gesso, 29 iniciais e 29 obtidos ao final do tratamento. Sua amostra foi composta por 29 indivíduos de 12 a 34 anos de idade, todos apresentando má oclusão de classe I com apinhamento mínimo de 4mm. As mensurações foram realizadas de caninos a segundos molares. Os resultados mostraram que a maior alteração ocorreu nos pré- molares em ambas as arcadas. A distância intercaninos teve um aumento médio de 0,75mm na arcada superior e 1,96mm na arcada inferior. Os molares também mostraram aumentos, porem em magnitude menor que os pré-molares. Os autores ressaltaram a importância de novos trabalhos para avaliar a movimentação dos
incisivos em modelos de gesso e tomografias computadorizadas, com objetivo de compreender o movimento dentário induzido pelo uso de ligas de níquel-titânio em sistemas de baixo atrito.
O emprego da telerradiografia traz alguns inconvenientes na mensuração das inclinações dentárias, como a imprecisão na demarcação dos pontos cefalométricos necessários para a delimitação do longo eixo de incisivos e caninos, além da sobreposição das imagens radiográficas impedindo a leitura de inclinação individual dos incisivos e, especialmente, dos caninos9. No que diz respeito à radiografia panorâmica, esta apresenta distorção e ampliação evidente das imagens, além da mesma limitação relacionada à imprecisão na demarcação dos pontos cefalométricos10. Por outro lado, a tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) permite a realização de mensurações nos cortes tomográficos individuais, tornando as avaliações tridimensionais das alterações dentárias mais precisas1,10,11,12,13,14.
O presente estudo teve por objetivo avaliar, por meio da TCFC, as alterações nas inclinações dentárias em dentes anteriores, incluindo caninos, provenientes de tratamento ortodôntico com braquetes autoligáveis passivos e determinar o quanto o apinhamento – avaliado nos modelos de gesso – pode influenciar no movimento de inclinação e na distância intercaninos.
MATERIAL E MÉTODOS
O projeto de pesquisa, que culminou no desenvolvimento deste estudo, foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Sagrado Coração, sob Protocolo USC 236/11.
Para a seleção da amostra deste estudo, de característica prospectiva, 20 pacientes foram escolhidos dentre os que procuraram tratamento ortodôntico no departamento de pós-graduação em Ortodontia da Universidade do Sagrado Coração (USC-Bauru) e na Clínica de Pós Graduação em Ortodontia da PROFIS (Sociedade de Promoção Social do Fissurado Lábio-Palatal).
Os pacientes selecionados apresentaram idade média de 16 anos e 5 meses (DP: 5a 11m), sendo 12 (60%) do sexo feminino e 8 (40%) do sexo masculino, portadores de padrão facial I15, brasileiros, com dentadura permanente completa (com segundos molares irrompidos) e má oclusão de Classe I e apinhamento médio no arco superior de 7,38mm (DP: 3,94mm) e inferior de 6,76mm (DP: 2,36mm), de acordo com o índice de Little16 medindo no modelo inicial. Como critério de inclusão na amostra, o paciente não deveria apresentar tratamento ortodôntico prévio, ausências dentárias na região anterior, assim como ausência de discrepância esquelética grave e/ou síndromes. Entre os indivíduos participantes deste estudo, mediante assinatura de termo de consentimento – já estabelecido pelo Comitê de Ética desta Universidade - a documentação convencional ortodôntica foi acrescida dos exames de TCFC, necessários para a realização desta pesquisa, substituindo as radiografias convencionais.
A mesma sequência de tratamento foi obedecida para todos os pacientes, sem nenhum procedimento de obtenção de espaço adicional ou acessório para modificar o alinhamento e nivelamento realizado pelos fios, como por exemplo, o uso de molas ou elásticos. Os braquetes autoligáveis Smart Clip (3M, Monrovia, USA) passivos com prescrição MBT (Tabela 1) foram colados utilizando como referência o ponto EV, no centro da coroa clínica, sendo que os primeiros e segundos molares receberam tubos para colagem. O protocolo de tratamento adotado foi com a seguinte sequência de fios de níquel titânio termoativado: 0.014”, seguido pelo 0.016”, 0.016” x 0.022”, 0.019” x 0.025” e finalizando com o fio 0.019” x 0.025” de aço inoxidável. Cada fio foi mantido por, no mínimo, 10 semanas ou até que o fio seguinte pudesse ser introduzido sem dificuldade. Assim como os outros o fio 0.019” x 0.025” de aço inoxidável foi mantido por, no mínimo, 10 semanas para possibilitar a liberação de torque, fase em que a tomografia final foi solicitada e a moldagem final dos arcos dentários realizada para obtenção dos modelos finais. Vale observar que todos os casos foram tratados com tubos colados em primeiros e segundos molares, no ato da colagem do aparelho inferior, em alguns pacientes houve a necessidade de utilizar levantes de mordida, realizados através da inserção de cimento de ionômero de vidro na oclusal dos primeiros molares.
Tabela 1. Valores da prescrição MBT para torque e angulação embutidos nos braquetes autoligáveis Smart Clip passivos (3M, Monrovia, USA)
Dentes Superior Inferior
Torque Angulação Torque Angulação
IC +17 +4 -6 0
IL +10 +8 -6 0
C 0 +8 0 +3
1o PM -7 0 -12 +2
2o PM -7 0 -17 +2
Todos os pacientes da amostra foram submetidos ao exame tomográfico de feixe cônico em dois momentos, anteriormente à instalação dos aparelhos ortodônticos corretivos (momento 1) e ao termino do alinhamento e nivelamento, com no mínimo, 10 semanas após a instalação do fio retangular 0.019” x 0.025” de aço (momento 2). As TCFC foram realizadas com o aparelho i-CAT (Imaging Sciences International, Hatfield, USA) (Fig. 1), ajustado com as seguintes especificações: 120KvP, 36mA e tempo de exposição de 40 segundos, gerando imagens com voxel de 0,2mm e FOV de 8 cm, sendo que, para esse protocolo, os valores de tempo e resolução de imagem não podem ser alterados, sendo pré- determinados de fábrica.
Para padronizar a posição da cabeça nos três planos do espaço, os pacientes foram instruídos a permanecer sentados no aparelho, com a cabeça posicionada com o plano de Frankfurt paralelo ao solo, e plano sagital mediano perpendicular ao solo (Fig. 2). As imagens da tomografia computadorizada de feixe cônico são adquiridas em formato DICOM (Digital Imaging and Communication in Medicine). No formato DICOM, as imagens adquiridas em qualquer tomógrafo, independentemente do processo de aquisição (single, multislice, feixe cônico), podem ser lidas em softwares para imagens volumétricas. As imagens originais em formato DICOM apresentam uma chave de segurança, ou número associado, que impossibilita a sua modificação e lhe provê valor legal.
Após a aquisição das imagens em formato DICON, foi utilizado o software InVivoDental Aplication Version 5.3.1 (Anatomage, San Jose, CA), o método de mensuração para inclinação de incisivos superiores e inferiores utilizado foi proposto inicialmente por Cappellozza et al.12, modificado para permitir a mensuração da inclinação dos caninos superiores e inferiores.
As mensurações foram realizadas mediante cortes sagitais de 2.5 mm de espessura, adquiridos de acordo com o seguinte protocolo:
1) Inicialmente, manipulou-se a cabeça do paciente para determinar os planos palatino e mandibular. Para isso, foi necessária a visualização do corte na tela de reconstrução multiplanar (section), nos três sentidos do espaço: axial, coronal e sagital. Nesta etapa, a imagem volumétrica em 3D é importante para melhor visualizar o plano palatino em relação a posição da cabeça.
2) No corte sagital, foram realizadas as mensurações das inclinações dos incisivos superiores e inferiores, e no corte coronal foram realizadas as mensurações das inclinações dos caninos superiores e inferiores. A referência para avaliar a inclinação dos dentes, como via de regra foi o longo eixo, tendo como pontos de referência o ápice e a ponta de cúspide ou incisal, em relação aos seus respectivos planos maxilar e mandibular. É importante ressaltar que se optou por um corte mais espesso (2.5mm) na premissa de evitar a manipulação nos cortes de sentidos axial e sagital, o que por sua vez alteraria a posição do paciente em relação aos planos palatino e/ou mandibulares estipulados.
No arco superior, os cortes foram selecionados iniciando pelo canino direito (13), seguido pelo incisivo lateral (12), incisivos centrais (11 e 21), incisivo lateral (22) e finalizando com o canino esquerdo (23). No arco inferior, os cortes foram iniciados a partir do canino direito (43), seguido pelo incisivo lateral (42), incisivos centrais (41 e 31), incisivo lateral (32) e finalizando com o canino esquerdo (33).
As mensurações foram realizadas – nos 40 pares de modelos de estudo (20 pares ao início e 20 pares obtidos, no mínimo, 10 semanas após instalação do fio 0.019” x 0.025’’ aço) - com um paquímetro digital da marca Mitutoyo, com precisão de 0,01mm. O paquímetro foi colocado paralelo ao plano oclusal, onde o índice de irregularidade de Little16 e a distância intercaninos17 puderam ser mensurados.
RESULTADOS
Como todos os dados avaliados possuíam distribuição normal, de acordo com o teste de Kolmogorov-Smirnov, testes estatísticos paramétricos foram utilizados.
Nas comparações entre os momentos 1 e 2, entre os lados direito e esquerdo e entre o incisivo central e incisivo lateral, o teste t pareado foi utilizado. Para verificar a correlação entre as variáveis, o Coeficiente de Correlação de Pearson foi utilizado. Um nível de significância de 5% (p<0,05) foi adotado em todos os testes estatísticos. As variáveis de inclinação dos incisivos e caninos, bem como o apinhamento e a distância intercaninos foram remensuradas em um intervalo médio de 30 dias. Para avaliação do erro casual e sistemático18 em 50% da amostra, em 10 indivíduos selecionados aleatoriamente dos 20 participantes do estudo.
Para a avaliação do erro casual, foi utilizada a fórmula de Dahlberg18 e, para calcular o erro sistemático, foi utilizado o teste “t“ pareado, onde se observou que o erro sistemático foi insignificante em todas as variáveis.
Os resultados mostraram que a média obtida entre os dentes homólogos não apresentou diferenças estatisticamente significantes quanto a simetria do movimento de inclinação em ambos os lados, exceto para caninos superiores (tabela 2 e 3). A protrusão foi o movimento mais expressivo, onde a média de inclinação, respectivamente para os lados direito e esquerdo foi de: 6,75o e 6,35o para incisivos centrais superiores, 7,88o e 6,61o para os incisivos inferiores; acompanhando o movimento, os incisivos laterais superiores (4,68o e 5,13o) e inferiores (8,21o e 9,23o), também obtiveram inclinações positivas.
Os caninos inferiores mantiveram a tendência de inclinação positiva apresentado pelos incisivos inferiores, variando entre 3,86o para o lado direito e 3,90o para o lado esquerdo (Tabela 3), e um aumento de 1,96mm na distância intercaninos foram observados (Tabela 2). Por outro lado, os caninos superiores apresentaram um movimento contrario aos incisivos superiores, assumindo uma inclinação negativa, variando entre -0.50o a -0.22o (Tabela 3), com 0,82mm de alteração na distância intercaninos (Tabela 2), guardando correlação negativa entre o apinhamento e a distância intercaninos inicial (Tabela 5).
O desvio padrão médio da variação Pré x Pós ocorrida nos incisivos centrais e laterais foi de 4,8 graus. Baseando-se nesse valor e adotando-se nível de significância de 5% a amostra de n = 20 tem um poder de 80% para detectar uma diferença mínima de 3,2 graus de variação Pré x Pós.
Tabela 2. Comparação entre os valores Pré e Pós para todas variáveis estudadas. Medida Pré Pós dif. p média dp média dp Ap. Sup. 7,38 3,94 0,00 0,00 -7,38 <0,001* Ap. Inf. 6,76 2,36 0,00 0,00 -6,76 <0,001* Dist.IC Sup. 34,86 2,01 35,68 1,44 0,82 0,034* Dist. IC Inf. 25,61 1,53 27,57 1,24 1,96 <0,001* D 11 109,47 7,24 116,22 5,17 6,75 <0,001* D 12 112,02 6,42 116,70 4,21 4,68 <0,001* D 13 107,38 7,75 106,88 5,37 -0,50 0,646 D 21 109,89 6,78 116,24 5,56 6,35 <0,001* D 22 112,30 6,69 117,43 5,38 5,13 <0,001* D 23 107,04 9,68 106,82 5,16 -0,22 0,879 D 31 96,08 6,24 102,69 5,10 6,61 <0,001* D 32 92,97 6,40 102,19 5,21 9,23 <0,001* D 33 95,25 3,79 99,15 5,57 3,90 0,013* D 41 93,23 7,11 101,11 5,86 7,88 <0,001* D 42 91,88 6,61 100,09 5,93 8,21 <0,001* D 43 92,78 6,09 96,63 5,35 3,86 0,004* * - diferença estatisticamente significante (p<0,05)
Tabela 3. Média da diferença para os valores de inclinação dos dentes superiores e inferiores, considerando o lado esquerdo e direito.
Medida Direito Esquerdo dif. p
média dp média Dp IC Sup 6,75 6,73 6,35 6,16 -0,40 0,719 IL Sup 4,68 4,91 5,13 5,53 0,45 0,713 C Sup -0,50 4,79 -0,22 6,40 0,28 0,832 IC Inf 7,88 5,99 6,61 5,28 -1,28 0,391 IL Inf 8,21 5,41 9,23 5,39 1,02 0,414 C Inf 3,86 5,19 3,90 6,40 0,04 0,980 * - diferença estatisticamente significante (p<0,05)
Tabela 4. Comparação entre Pré e Pós das medidas de inclinação dos dentes sem separação de lado. Medida Pré Pós dif. p média dp média dp IC Sup 109,68 6,56 116,23 5,27 6,55 <0,001* IL Sup 112,16 6,01 117,06 4,66 4,90 <0,001* C Sup 107,21 8,32 106,85 5,07 -0,36 0,744 IC Inf 94,66 6,00 101,90 5,26 7,24 <0,001* IL Inf 92,42 6,18 101,14 5,31 8,72 <0,001* C Inf 94,01 3,91 97,89 4,83 3,88 <0,001* * - diferença estatisticamente significante (p<0,05)
Tabela 5. Correlação entre o apinhamento pré e distância intercaninos pré relacionadas com as variações de inclinação ocorridas durante o tratamento.
Correlação r p
Ap. Sup. Pré x Variação IC Sup. 0,01 0,956
Ap. Sup. Pré x Variação IL Sup. 0,43 0,057
Ap. Sup. Pré x Variação C Sup. -0,59 0,006*
Ap. Inf. Pré x Variação IC Inf. 0,39 0,093
Ap. Inf. Pré x Variação IL Inf. 0,25 0,287
Ap. Inf. Pré x Variação C Inf. -0,30 0,195
Dist. IC Sup. Pré x Variação IC Sup. 0,00 0,998
Dist. IC Sup. Pré x Variação IL Sup. 0,04 0,873
Dist. IC Sup. Pré x Variação C Sup. -0,55 0,015*
Dist. IC Inf. Pré x Variação IC Inf. -0,13 0,585 Dist. IC Inf. Pré x Variação IL Inf. -0,28 0,237
Dist. IC Inf. Pré x Variação C Inf. -0,44 0,062
DISCUSSÃO
Ao contrário do exame clássico em Ortodontia9, onde se havia uma dificuldade em avaliar tridimensionalmente cada um dos dentes, o estabelecimento do método de aquisição de imagens em TCFC permitiu pormenorizar a área eletiva, especificamente as inclinações dos incisivos e caninos, o que de fato não era possível com a radiografia lateral de face1,10,11,12,13,14.
O exame de tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) apresenta doses de radiação menores do que a tomografia computadorizada convencional (TC). Uma varredura da cabeça com TC apresenta uma dose efetiva de radiação em torno de 7 a 12 vezes maior do que o scanner de TCFC i-cat em configuração padrão, considerando campos de visão (FOV) semelhantes19,20,21. Assim sendo, a TCFC é o único método tridimensional com baixa exposição – entre os exames deste porte – capaz de prover informações com relativa acurácia sobre as alterações ocorridas no suporte alveolar resultantes da movimentação ortodôntica in vivo22.
Estudos estão sendo realizados para observar a quantidade de doses eficazes na aquisição das imagens em TCFC, relatando que no protocolo de aquisição padrão (maxilar e mandibular) a ED deve estar localizada entre 100 e 200 µSV23. As doses eficazes reduzem de forma significativa a partir da escolha de baixas resoluções e configurações mAs, bem como FOVs menores para evitar que tecidos sensíveis à radiação possam estar dentro do campo abrangente pelo feixe24. O uso de proteção adequada - como o colar protetor da tireoide - faz com que níveis de radiação sejam reduzidos25. Tais métodos de proteção contra radiação foram tomados na realização do presente trabalho.
O índice de irregularidade de Little16 foi escolhido para mensuração do apinhamento nos modelos de estudo, por ser um método de fácil reprodução e confiável, assim como o método adotado por Shapiro17, que utilizou a ponta de cúspide como pontos de referência para mensurar as alterações nas distâncias intercaninos.
O apinhamento acontece quando há uma discrepância de modelo negativa com consequente quebra do ponto de contato entre os dentes. A partir da década de
80, fios com grande flexibilidade como o níquel-titânio começaram a ser introduzidos na Ortodontia5,6, o que possibilitou que dentes mal posicionados e com falta de espaço pudessem ser incluídos na mecânica desde o início do nivelamento4,26, o que por sua vez demandaria movimentação vestibular dos dentes1,2,3,4,8.
Em contrapartida, alguns estudos na literatura defendem o ideal de expansão lenta5 sem a excessiva protrusão dos incisivos. O trabalho desenvolvido por Chen et al.27 apontou uma redução de 1.5o da inclinação dos incisivos para casos tratados com braquetes autoligáveis passivos. Tais resultados corroboraram com os de Damon6, reafirmando que como as ligas termoativas propagam forças leves e o momento está diretamente ligado à força, o movimento de inclinação tende a reduzir. Bagden28 afirmou que o uso de fios de baixo calibre em braquetes autoligáveis passivos gera uma liberdade do fio dentro da canaleta, o que reduz a fricção e o “efeito binding” (angulação exagerada do fio na passagem da canaleta de um braquete para o outro), promovendo um alinhamento e nivelamento mais eficiente.
Confrontando estes achados, Vajaria et al.3 mostraram que os incisivos inferiores foram de fato significativamente avançados e inclinados para a vestibular após o tratamento com o sistema autoligável, mesmo com o uso de fios de baixo calibre. Concluíram que as inclinações dos incisivos no pós-tratamento não diferiram significativamente quando os braquetes Damon e braquetes convencionais foram comparados, o que corroborou com os resultados de Pandis et al.4. Com base nos resultados obtidos no presente estudo, a teoria do “Lip Bumper”7 - redução do movimento vestibular dos incisivos ao prover liberdade dos fios dentro da canaleta de braquetes passivos associado a ação muscular – poderia ser refutada.
Quando o apinhamento se faz presente nas arcadas, mesmo nos casos mais suaves, o tratamento sem desgaste, sem extração ou expansão provoca vestibularização dos dentes2,3,8,29. A prescrição MBT, utilizada no presente estudo apresenta valores positivos para torque dos incisivos centrais (+17) e laterais (+10), ao final do nivelamento, 10 semanas após a instalação do fio 0.019” x 0.025” aço, os indivíduos apresentaram um aumento médio na inclinação de 6,55o para os centrais e 4,90o para os laterais. No arco inferior, mesmo a prescrição MBT apresentando valores negativos para os incisivos de -6o, os incisivos centrais tiveram um aumento
médio de 7,24o, enquanto os incisivos laterais aumentaram 8,72o. Vale ressaltar que houve uma tendência de efeito contrário para os caninos superiores, onde houve um