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CAPÍTULO 5 – “PASSEI O SEMESTRE TODO ESTUDANDO O VERBO TO BE”

5.5 ANÁLISE DOS REGISTROS ETNOGRÁFICOS

5.5.1 As atitudes dos alunos no contexto da sala de aula de LI

Como já mencionado, algumas aulas de língua inglesa no Centro de Ciências da Saúde da UFRB, em Santo Antônio de Jesus/Bahia, foram foco de observação, visando a registrar as ações no contexto da sala de aula de LI, para verificar a ocorrência de atitudes dos alunos. Para nortear a análise, tomei como ponto de partida a busca de dados que auxiliassem a compreensão das atitudes em relação à metodologia adotada em sala de aula. A abordagem usada com esse grupo de estudantes foi a abordagem comunicativa, cujos princípios permitem que os aprendizes participem das atividades baseadas numa abordagem cooperativa, entendendo a língua essencialmente como um meio de comunicação, e que deve ser usada para propósitos comunicativos. (RICHARDS, RODGERS, 2014). No bojo dessa análise, emergiram nos registros etnográficos dados que apontam para a eficácia da metodologia adotada em sala de aula, gerando, inclusive, uma dinâmica de aula que sinalizava a ocorrência de motivação por parte dos alunos e, consequentemente, atitude positiva em relação à metodologia escolhida pelo professor, ratificando a suposição inicial de que a motivação tem origem na metodologia de ensino/aprendizagem, conforme se vê nos registros a seguir:

Aula 5, 14 de junho de 2016, Turma I do Lab. de Língua inglesa II.

Hoje a aula teve como temática ‘Health and Health problems’. Os alunos estão em círculo. A aula é conduzida em inglês. [...] Percebo nesse grupo um grau de motivação elevado, tendo em vista a participação dos alunos, o engajamento para solucionar as atividades propostas e a frequência deles.

Aula 9, 21 de junho de 2016, Turma I do Lab. de Língua inglesa II.

Também notei que a metodologia usada funcionou bem com esse grupo, ao dar aos alunos mais autonomia e possibilidade de usar a língua em possíveis situações comunicativas. Notei um alto grau de motivação por parte desse grupo para realizar a atividade proposta, com resultados bastante positivos.

Aula 14, 05 de julho de 2016, Turma I do Lab. de Língua inglesa II.

Depois foi dada a primeira atividade: ‘How to have a good health’, para ser realizada em dupla. O grupo correspondeu bem à atividade. Percebi que eles consultavam o dicionário no celular, pareciam

engajados na atividade. Vi as duplas comentando sobre as questões da atividade. Todos estavam respondendo atentamente a atividade.

Aula 19, 19 de setembro de 2016, Turma I do Lab. de Língua inglesa II.

Foi fornecido ao grupo um diálogo para a prática de conversação básica. O grupo correspondeu bem à metodologia. Uma dupla veio na frente da sala e fez a performance do diálogo. Eles realizaram bem a tarefa. Senti que eles estavam motivados, por conta da participação em massa deles. [...] Notei que, de um modo geral, havia um entusiasmo muito grande por parte do grupo, com engajamento nas atividades e dinâmicas propostas, o que evidencia, a meu ver, um grau de motivação para aprender a língua inglesa.

Aula 23, 17 de outubro de 2016, Turma I do Lab. de Língua inglesa III

Foi mostrado alguns exemplos de usos de adjetivos em inglês. Depois foi solicitado que eles falassem deles, das suas qualidades e defeitos em inglês. Eles participaram. Notei uma atitude positiva para a realização da atividade oral. Eles riam, se divertiam e pareciam muito envolvidos no processo de aprendizagem. Percebi que estavam motivados para realizar o que foi solicitado.

Com base nos registros etnográficos mencionados anteriormente, foi possível também elaborar duas informações: 1. Que a metodologia – abordagem comunicativa- usada no contexto de sala de aula desta pesquisa, funcionou bem, tendo em vista, como apontam os registros, a percepção da motivação dos aprendizes para realizar as atividades propostas durante a aula e 2. Ratificar a relação existente entre motivação e atitude positiva. Os registros fazem menção à motivação dos aprendizes, no entanto, parece evidente, que só se chegou a esse dado com base na observação das suas atitudes para realizar as atividades propostas, corroborando, de fato, a noção de que, motivação gera atitude positiva e que só é possível mensurar motivação com base nessas atitudes.

Nessa mesma linha de raciocínio, os dados dos registros etnográficos, evidenciaram em outros momentos a ocorrência de atitudes positivas em relação à aprendizagem da língua inglesa, denotando motivação dos aprendizes frente à temática e à atividade proposta pelo professor, tendo em vista o engajamento deles para solucioná-la. E nesse sentido é que concordo com Hosseini e Pourmandnia (2013), quando esses pesquisadores dizem que a motivação e o tipo de tarefa disponível para os aprendizes contribuem para a

aprendizagem e podem auxiliar na manutenção de altos níveis de aprendizagem. A seguir, alguns desses registros:

Aula 4, 14 de junho de 2016, Turma do Lab. de Língua inglesa III.

Em seguida, foi dada uma atividade com as profissões para associar as definições delas. A atividade foi realizada em dupla. Todos participaram. Notei interesse por parte deles para resolver a atividade. Não percebo nesse grupo atitudes negativas em relação à aprendizagem da língua inglesa.

Aula 16, 12 de julho de 2016, Turma do Lab. de Língua inglesa III.

Durante a aula, percebi que as duplas discutiam sobre o texto da atividade. Notei que a atividade funcionou bem com esse grupo, pois, constatei com a correção da atividade que eles conseguiram corresponder, acertando todas as respostas. Não notei desinteresse nem desatenção por parte dos aprendizes. Notei uma atitude positiva frente à realização da atividade de leitura proposta, com resultados satisfatórios.

Aula 18, 19 de junho de 2016, Turma do Lab. de Língua inglesa III.

De um modo geral, percebi que o grupo apresentou posicionamentos favoráveis em relação à aprendizagem da língua inglesa naquele contexto.

Com base nesses depoimentos é possível ratificar que os efeitos imediatos da motivação dos aprendizes emergem quando eles se envolvem ativamente nas tarefas pertinentes ao processo de aprendizagem, o que, segundo Bzuneck (2001) implica em ter escolhido um determinado curso de ação. Assim, também parece evidente que a motivação do aprendiz está relacionada com o trabalho mental realizado em sala de aula. (BZUNECK, 2001).