Com a análise dos documentos produzidos pelos profissionais e pelos jovens aprendizes foi perceptível verificar as contribuições que o programa jovem aprendiz tem proporcionado na vida desses, assim como foi possível identificar alguns desafios e a necessidade de o Estado intervir com melhoria nas políticas públicas para atender as demandas desse segmento.
Diante da identificação dos jovens aprendizes, foi subsidiado verificar questões relacionadas ao perfil dos aprendizes. Dois deles são do sexo masculino e um do sexo feminino, com idades de 17 e 18 anos, sendo que dois concluíram o ensino médio e um está cursando. Assim como, dois residem no município de Ijuí e um no município de Cruz Alta.
Os três jovens passaram por processo seletivo, mediante a inscrição na internet e avaliação da empresa, a qual fez a análise e selecionou a partir do desempenho escolar, ou seja, aqueles que possuíam as melhores notas, foram os selecionados, afinal em nossa sociedade não basta ser bom, tem que ser o melhor.
Através da análise de dados foi possível verificar que as maiores contribuições geradas pelo programa se referem à qualificação profissional e à experiência adquirida através desse, pois ele tem proporcionado a inserção muitas vezes no primeiro emprego. Sendo assim, enfatizou-se que, através dessa oportunidade, depois de concluído o programa, se terá maior chance no mercado, mediante a assinatura na carteira de trabalho e a realização do curso no SENAI, que efetiva experiência e maior qualificação profissional.
O programa de aprendizagem tem por finalidade o cumprimento da política pública voltada à promoção da profissionalização da juventude, atendendo ao chamado constitucional contido no art. 227. O seu propósito é contribuir para o desenvolvimento social e profissional do adolescente, mediante atividades teóricas e práticas desenvolvidas no ambiente de trabalho, oportunizando-lhe, assim, sua primeira experiência profissional. Uma vez que a aprendizagem profissional pressupõe a frequência ao ensino regular e prevê remuneração ao aprendiz, o programa contribui também para o aumento da renda familiar do adolescente, amplia seu interesse pela escola e promove a inclusão social. (CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO, 2013, p. 24).
Partindo do programa Jovem Aprendiz, que tem como foco os jovens e adolescentes, percebe-se um grande avanço para esse segmento, pois é garantido
através dessa, qualificação profissional e experiência, já que são desenvolvidas atividades teóricas e práticas, que acabam propiciando em melhor acesso no mercado de trabalho, frente a uma sociedade que tem exigido e selecionado àqueles que tem maiores condições de propiciar o crescimento.
Os profissionais constatam que o jovem também é possibilitado através do programa vivenciar e melhorar seu desempenho, pois a
[...] dimensão do trabalho na condição de aprendiz, [...] é percebida como capaz de promover mudanças positivas, e envolve tanto o desenvolvimento de novas competências e habilidades, da autonomia e da responsabilidade assim como o aumento da iniciativa. (MATTOS; CHAVES, 2010, p. 551- 552).
É ressaltado que no Programa Jovem Aprendiz são respeitados os direitos trabalhistas e previdenciários. Neste, o valor do salário é correspondente ao salário mínimo hora, e mais os benefícios que a empresa fornece como o vale alimentação, vale transporte e vale cultura. Um dos jovens enfatizou que a partir do salário e benefícios consegue investir em objetos pessoais e suprir algumas necessidades.
Apesar dos jovens avaliarem positivamente essa forma de empregabilidade, existe por trás a ótica capitalista desde a criação do menor aprendiz, o qual se modificou através da Lei da Aprendizagem, no ano de 2000, através da qual as indústrias se beneficiam ao fazer o uso da mão de obra dos aprendizes como mão de obra barata, além de muitas vezes dar legitimidade à precarização do trabalho e por “ajustar” o jovem para ser um bom trabalhador.
Constatou-se que os jovens aprendizes também enfrentam alguns desafios. Pôde-se perceber através dos relatos nos documentos que há a dificuldade de conciliação dos estudos e do trabalho, e obtenção de bom desempenho nos dois. Mattos e Chaves (2010, p. 550), através do estudo acerca da conciliação entre trabalho e escola, enfatizam que:
Embora os jovens sejam hábeis em criar e implementar estratégias para conciliar trabalho e escola, nem sempre conseguem superar esse desafio de maneira satisfatória. Muitas vezes, as dificuldades não podem ser contornadas, e o jovem realmente acaba sendo prejudicado na escola.
Percebe-se que é um desafio para o jovem trabalhar e estudar, e que muitas vezes acaba acarretando em perdas principalmente na escola, já que o jovem quer aproveitar a oportunidade de trabalho e mostrar seu potencial e coloca os estudos
em um segundo plano. É diante disso que o próprio jovem trabalhador e estudante, tem que desenvolver estratégias para ter um melhor aproveitamento escolar e desempenho no trabalho, administrando o tempo, mudando os hábitos de estudo, entre outros, para não ter perdas.
Outra questão levantada nos documentos (pelos jovens) é a do tempo de contrato, pois eles sabem que em determinado período de tempo voltarão a condição de desempregados, pois a lei da aprendizagem estabelece que o período de aprendizagem se dá de 1 até 2 anos, salvo só as pessoas com deficiência, que poderá haver aumento do contrato. Porém, o que ocorre muitas vezes é que o jovem aprendiz propicia a muitas indústrias e o comércio a efetivar a contratação do jovem através de seu aproveitamento e desempenho, após o período de aprendizagem, o que não ocorre em empresas públicas, que faz a contratação mediante o concurso público.
Através dos relatórios, as profissionais referiram-se que a lei da aprendizagem expressa um avanço do Estado em relação a ações de qualificação inserção, contratação e remuneração com público jovem. Porém reiteraram a necessidade de maior investimento do Estado em relação à educação e melhoriasá ás políticas, mediante a competitividade de mercado e de indivíduos em nossa realidade, as quais possam proporcionar soluções inovadoras de emprego, trabalho e renda, através de estímulos financeiros às empresas contratantes, constituindo parcerias e apoio.
As políticas de emprego para os jovens avançaram significativamente nos últimos nove anos, constituindo-se como um segmento à parte das políticas de emprego, que oferecem uma ação integrada trazendo ações de qualificação, intermediação e inserção produtiva. Os programas são, no entanto, tímidos, existindo grandes desafios em termos de desenho, gestão e implementação. Apesar de se saber que trata-se de uma direção prioritária a ser contemplada, avanços significativos são necessários em relação à melhoria dos cursos e à coordenação/combinação das ações, de forma que possam contribuir para melhores chances de inserção produtiva para o público jovem (GUIMARÃES; ALMEIDA, 2012, p. 24).
As políticas de emprego, assim como os programas, devem sempre se atualizar, a partir da realidade e do contexto vivenciado. Para isso, é necessário que Estado avalie o desempenho das políticas existentes, bem como desenvolva novas ações que possam atender as demandas dos jovens e a população como um todo, que têm vivenciado e sofrido com as modificações e exigências do mercado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esse Trabalho de Conclusão de Curso buscou realizar uma análise acerca da inserção do jovem no mercado de trabalho, tendo foco aprendizes dos Correios que realizam as atividades teóricas de capacitação no SENAI. A partir dessa problemática se buscou trazer questões que pudessem contribuir na análise, tendo como base e as categorias historicidade, totalidade e contradição.
Diante disso, primeiramente foi enfatizada a importância do trabalho na vida do homem, sendo que essa se dá de forma central nas relações sociais. Portanto, se buscou mostrar que a constituição e formas de trabalho muito se alteraram nas sociedades, sobretudo com maior significado na sociedade capitalista.
Partindo do sistema capitalista, foram apontadas as transformações neste sistema de forma sistematizada, delimitando as principais alterações no mundo contemporâneo, a fim de entender ás relações no mercado e ás exigências do mundo atual.
Entendendo as problemáticas geradas pelo novo modo de produção, a partir do surgimento da questão social, fruto da desigualdade entre classes, é que se coloca em destaque o desemprego, as relações de trabalho mais flexíveis, a dificuldade de inserção do jovem no mercado de trabalho, entre outras.
E é a partir das novas problemáticas criadas pelo modo de produção capitalista, que os trabalhadores durante a história têm reivindicado direitos que proporcionem o bem estar para a população, sendo que a história das conquistas destes direitos é diferente em cada país. Os direitos sociais no Brasil remontam os anos de 1930, durante a presidência de Getúlio Vargas, o qual foi reconhecido como mãe dos ricos e pai dos pobres, por ter criado a estratégia de efetivar os direitos à população, a fim de que eles produzissem e beneficiassem o crescimento da indústria brasileira, e cessassem suas reivindicações.
Também trazendo a questão de nesse período ter sido criado o SENAI, com o intuito de ensinar um oficio para os menores aprendizes, estabelecidos na CLT, a fim de qualificar profissionais que pudessem atender a demanda da indústria e gerar crescimento econômico.
Diante dessa contextualização, foi focalizada a questão dos direitos dos jovens e adolescentes de inserção no mercado de trabalho, frente a uma realidade de exclusão, sendo o Estado responsabilizado em intervir através de ações que
possam contribuir diante da garantia de direitos, através da Constituição Federal do Brasil de 1988, Estatuto da Criança e do Adolescente e o Estatuto da Juventude.
Entendendo todas essas questões históricas, foi proporcionado analisar o programa de aprendizagem, e como isso tem se efetivado a partir da realidade de jovens aprendizes que realizam o curso de qualificação profissional no SENAI. Sendo que, a partir dos dados analisados, foi perceptível que essa forma de inserção tem contribuído na qualificação e inserção de jovens no mercado de trabalho, e representa um avanço nas políticas públicas para a juventude, pois essa tem criado maiores expectativas nos sujeitos para a inserção no mercado de trabalho após o término do programa, mediante a qualificação profissional e a experiência proporcionada, além de muitas vezes as próprias empresas efetivá-los após o período de aprendizagem.
Também que essa tem garantido direitos trabalhistas e previdenciários, sendo que através dessa o jovem tem recebido o salário e mais os benefícios, o que proporciona atender algumas necessidades e o consumo de objetos pessoais.
Porém, apesar dos benefícios gerados pelo programa de aprendizagem para os jovens, verificou-se que ele também tem em sua raízes atendido aos interesses do capital, uma vez que esses jovens se constituem como mão de obra barata, além de ser uma forma das indústrias preparar mão de obra qualificada e profissionais que cumprem as demandas no mercado e proporcionam o crescimento econômico da indústria.
Foi possível identificar também que precisa melhorar esse programa, assim como criar outras políticas capazes de atender as exigências dos jovens atuais, pois o mercado através de suas exigências tem excluído esse segmento, que tem se sentido temorizado e sem grandes perspectivas em relação ao futuro profissional, já que se depara com o aumento do desemprego e um mercado excludente, que exige qualificação, experiência e outras habilidades, ao invés de ofertar oportunidades.
É diante disso, que se tem a necessidade de o Estado conhecer a realidade de adolescentes e jovens do País, a fim de efetivar e garantir os direitos estabelecidos na legislação para esse segmento, desenvolvendo políticas que possam melhorar a realidade e que proporcionem maiores perspectivas para os jovens que desejam se inserir no mercado, e não possuem oportunidades, além de outros direitos, como educação, lazer, cultura e esporte.
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