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1.2 LIBERDADE NO DESENVOLVIMENTO

1.2.1 As dimensões do desenvolvimento

O estudo do desenvolvimento nutre denso caráter interdisciplinar.53 Possui uma

dimensão econômica, pois lida com a acumulação do capital; social, por tratar das relações

entre seres humanos e suas necessidades; política, porquanto um governo justo, na elaboração de suas políticas públicas, considera a distribuição equânime do excedente e cultural, pois o conhecimento é um fator chave na dinâmica do desenvolvimento. Acrescente-se ainda a

dimensão jurídica, plasmada em uma estrutura jurídico-constitucional e internacional, que

respeita os direitos fundamentais, sobretudo daqueles desfavorecidos pelas engrenagens assimétricas da dinâmica do desenvolvimento.

Neste processo, o homem apresenta-se como um transformador do mundo, reinventando-se. A plena realização das capacidades humanas, individual e coletivamente, é a própria motivação do desenvolvimento. A invenção cultural encontra-se no seu cerne, perpassando a ação do homem e os seus valores. A capacidade de invenção e criatividade humana, entretanto, têm sido mais canalizadas para o progresso técnico54 do que para a

53 Como bem pontuou Celso Furtado, “ao caráter interdisciplinar da reflexão sobre o desenvolvimento deve-se, seguramente, sua fecundidade. De todos modos, os horizontes por ela abertos contribuíram para aprofundar a consciência crítica do homem contemporâneo.” (FURTADO, Celso. Pequena Introdução ao Desenvolvimento. Enfoque Interdisciplinar. 2.ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1981, p. 27). Em virtude de sua grande complexidade, o fenômeno do desenvolvimento econômico é considerado um dos mais árduos assuntos a se estabelecer uma noção. A sua compreensão demanda uma análise profunda de todos os seus ângulos (BRITO, Edvaldo. Reflexos Jurídicos da Atuação do Estado no Domínio Econômico. São Paulo: Saraiva, 1982, p. 44). 54 É mais fácil difundir progresso técnico do que o respeito aos mais velhos, a solidariedade, a alegria criativa, as relações sociais, a apreciação cultural. Sem dúvida, ela serviu para maior conforto e, teoricamente, proporcionar mais tempo livre. Na realidade, contudo, o tempo termina sendo dedicado a atividades mecânicas e

difusão de valores.

Refletir acerca do desenvolvimento envolve a apreensão da realidade social sob dois vetores: (i) a estrutura e (ii) o processo. A estrutura descreve as relações estáveis entre os elementos econômicos da sociedade e pode ser traduzida em equações, como a função de produção. Estas relações são projetadas no tempo e, portanto, tornam-se dinâmicas, integrando um processo. O homem, neste contexto, é um agente criativo, capaz de romper com o passado e inventar o futuro.

A idéia de desenvolvimento possui três importantes aspectos55: (i) o aumento da eficácia do sistema social de produção; (ii) a satisfação das necessidades elementares da população e a (iii) consecução de objetivos de grupos sociais na competição por recursos escassos. O primeiro aspecto, embora exaltado como indicador principal de desenvolvimento, nem sempre contribui para a melhor satisfação das necessidades básicas da população. Os objetivos dos grupos sociais, por seu turno, seriam sintetizados na noção de interesse

nacional.

Neste contexto, o Estado assumiu o papel, antes lhe negado pelo livre-cambismo, de propulsor da atividade econômica. Surge, então, como usual os termos renda ou produto per

capta e produtividade dos fatores de produção, negligenciando indicadores de distribuição

equânime da renda e de preços relativos.56

O pós-guerra proporcionou uma reflexão acerca da condição miserável em que vivia a maioria da humanidade e trouxe à baila novos índices como mortalidade infantil, expectativa de vida, incidência de doenças contagiosas e nível de escolaridade. A idéia de desenvolvimento passa a ser envolta em condições de bem-estar social e modernização. As instituições internacionais consolidaram-se como pólo dialógico de questões que embutecedoras. A tecnologia não é neutra e corresponde a busca de benefícios empresariais; o seu enfoque não é

melhorar a vida do ser humano, mas aumentar o lucro. (LÚZON, Luiz José. El concepto de desarrollo en Arnold J. Toynbee. Revista de Desenvolvimento Econômico, ano III, n. 4, jul. 2001, p. 53-55).

55 FURTADO, op. cit., p. 15-20.

56 Bauer adverte ser um erro supor que o investimento é o único ou mais importante dos determinantes do desenvolvimento, porquanto existem outros fatores mais relevantes como forças políticas e institucionais, oferta de recursos complementares e atitudes da população. Vultosos gastos com investimento podem não gerar desenvolvimento, apenas desperdício de recursos. Resumindo sua idéia: “há mais sentido em dizer-se que o capital é criado no processo de desenvolvimento do que em ensinar que o desenvolvimento é função do capital.” (BAUER, Peter Tamas. Análise e política econômica nos países em desenvolvimento. Trad. J. M. Gouvêa Vieira. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1965, p. 105). Adelman, por sua vez, reputa um maior volume de investimento como relevante fator no processo de desenvolvimento, especialmente por propiciar inovações tecnológicas. As inovações devem, contudo, gerar melhorias e benefícios a longo prazo. Da mesma forma, o investimento em capital social não pode ser negligenciado. Destaca ainda o papel das agências de fomento nacionais e de uma liderança governamental vigorosa na condução do processo. (ADELMAN, Irmã. Teorias do

transcendiam a esfera nacional. As Nações Unidas, suas Comissões e Agências Especializadas surgiram como foros de pesquisa, debate e elaboração de políticas com vistas a tratar a problemática advinda da hegemonia internacional e do desmantelamento das estruturas coloniais. As Instituições de Bretton Woods – Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial – foram concebidas sob princípios liberais e destinavam-se a garantir que as políticas econômicas nacionais considerassem um plano maior de estabilidade global.

A missão civilizadora, eurocêntrica, fruto das Revoluções Liberais e da Revolução Industrial, fora arquitetada com o intuito de levar o progresso57 às nações mais atrasadas, traduzido na projeção do modo de produção capitalista, no combate à propagação do comunismo e na busca de mercados para os excedentes e commodities para as indústrias. Em suma, a idéia subjacente era exportar não apenas um modelo econômico, mas uma profunda

transformação social.

O estudo do desenvolvimento perpassa por uma avaliação não apenas do sistema econômico interno dos países, como de suas relações com os demais. Na Grécia, a autarcia representava uma condição perfeita de independência do Estado que bastava a si mesmo, não sendo dependente nem da vontade, nem do auxílio de outro, escolhendo o que reputasse obrigatório para si. Em termos de recursos humanos e econômicos, contudo, reconhecia-se uma limitada independência das cidades-estado.58 Os romanos, por sua vez, buscavam essa independência em um outro sentido. Ambicionavam, desde as guerras púnicas, construir um grande império (o orbis terrarum).

Os fisiocratas deram peso especial à produção agrícola e entenderam que a organização social funda-se na apropriação e na utilização final do excedente extraído do trabalho produtivo. Os mercantilistas vislumbraram a riqueza como fruto do protecionismo e da acumulação de metais valiosos encontrados nas colônias, cultivando a glória do

governante e do Estado.59 David Ricardo propugnou a teoria das vantagens comparativas

como melhor caminho para alcançar o crescimento econômico. Marx considerou como resultado do processo capitalista, a desigualdade e a exclusão social. Os utilitaristas se debateram acerca do sentido da utilidade como medida adequada da felicidade. Os

57 O sonho do progresso levaria ao bem-estar e a satisfação individual e coletiva. Entretanto, a qualidade de vida nem sempre é assegurada neste processo; ao contrário, pode ser comprometida. (NUSDEO, Fábio.

Desenvolvimento e Ecologia. São Paulo: Saraiva, 1975, p. 7).

58 ARISTÓTELES. Politics. In: HUTCHINS, Robert Maynar (Org.). The Works of Aristotle - Great Works. v. II. Chicago: Encyclopedia Britannica, 1952, p. 446, 530-533, (1252b, 1253a, 1326b e 1328b).

59 BRAND, Willem. Desenvolvimento e Padrão de Vida. Trad. Ricardo Werneck de Aguiar. São Paulo: Fundo de Cultura, 1964, p. 13.

neoclássicos visaram acima de tudo o equilíbrio do sistema econômico. Keynesianos

ressaltaram a importância dos investimentos públicos no crescimento econômico. Cepalinos promoveram uma comoção internacional para o problema do subdesenvolvimento.

As teorias do desenvolvimento econômico, especificamente, partiram da clássica avaliação do crescimento da renda e desembocaram em preocupações sócio-econômicas e culturais, como pobreza e cooperação humana. Um estudo comparativo e multidisciplinar de algumas delas é fundamental para a compreensão da complexidade e riqueza da questão.

As primeiras idéias sobre desenvolvimento, que o definiam como um aumento do fluxo de bens e serviços, deram lugar a noção de processo de transformação social relacionado à introdução de métodos produtivos mais eficazes.60 A riqueza, se apropriada de forma racional, por intermédio da técnica, proporcionaria a melhor satisfação das necessidades humanas.

Considerando o aspecto especificamente econômico, uma outra dificuldade em mesurar o desenvolvimento é estabelecer confiavelmente as equações, coletar os dados econômicos dos países por um sistema uniforme e interpretá-los corretamente, tendo em vista que mesmo dados aparentemente objetivos ensejam controvérsias. A primeira caracterização, meramente numérica, considera, em seu aspecto estático, a baixa renda ou produto per capta, e o seu desempenho ao longo do tempo, em seu aspecto dinâmico.

Na equação produto/população, como estabelecer os elementos do denominador e do numerador? No primeiro caso, o que considerar como população? Todos os habitantes do Estado, apenas a população potencialmente ativa do mercado ou aquela efetivamente empregada? No que tange ao produto ou renda, como avaliá-los e contabilizá-los? Que setores incluir? Como tratar a economia informal? E como equilibrar as distorções cambiais da adoção de uma moeda comum? Nesse sentido, muitos economistas se desdobraram para elaborar um sistema de contabilidade nacional que mesurasse esses fatores.61 A evolução desses trabalhos permitiu que, já na década de quarenta, o Banco Mundial elaborasse escalas

60 O desenvolvimento deve ser encarado como um processo contínuo, desde o berço das políticas econômicas e organização de recursos até o túmulo, nas favelas. (BAUER, Chatarine. O Desenvolvimento Econômico e Urbano. In: HERSKOVITS, M. J., WOLF Jr., Charles., BAUER, Catharine. (Org.). Aspectos Sociais do

Crescimento Econômico. Trad. Agenor Macieira. Salvador: Universidade da Bahia, 1958, p. 116). O uso de

dados como Produto Interno Bruto (PIB) per capta esconde ou distorce a grande diferença na composição do produto e na distribuição da renda entre os diferentes setores da sociedade. (ADELMAN, op. cit., p. 2). Ressalta Furtado que ainda que a acumulação seja necessária, não é suficiente no processo de desenvolvimento das forças produtivas. A acumulação para ser mais eficaz demanda uma permanente reinvenção e acesso a novas técnicas. (FURTADO, op. cit., p. 46).

61 Alguns desses problemas foram mitigados com a adoção dos cálculos PPP (Purchasing Power Parities) que permite refletir mais adequadamente o poder de compra relativo das moedas. (MORAES, Reginaldo Carmello Correa de Moraes. Estado, Desenvolvimento e Globalização. São Paulo: Unesp, 2006, p. 51).

classificatórias que dividiram o mundo entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos. O retardamento dos progressos técnicos e a disparidade nos padrões internacionais de desenvolvimento possibilitaram o surgimento de uma terminologia específica para diferenciar os países líderes e aqueles incapazes, por diversas razões, de acompanhar o processo com a mesma intensidade. Os termos países não desenvolvidos, subdesenvolvidos, em

desenvolvimento, de economia reflexa, capitalismo retardatário, terceiro mundo, periféricos, economicamente marginais, endividados, emergentes e pobres não definiam o

desenvolvimento potencial em si, mas o atraso e o fornecimento de um baixo padrão de vida aos seus cidadãos, em comparação com os países fortemente industrializados.62 Atualmente,

os termos mais comumente adotados63 são países desenvolvidos, em desenvolvimento e os

62 Esclarece Furtado que o “Subdesenvolvimento é, portanto, um processo histórico autônomo, e não uma etapa pela qual tenham, necessariamente, passado as economias que já alcançaram grau superior de desenvolvimento.” (FURTADO, Celso. Teoria e Política do Desenvolvimento. São Paulo: Paz e Terra, 2000, p. 197). São

características do subdesenvolvimento: baixa renda per capta, desigualdade na distribuição de renda, alta taxa de mortalidade e natalidade, grande participação no setor primário da economia, baixa produtividade, baixo padrão de consumo e qualidade de vida, mau funcionamento ou ausência de instituições políticas adequadas.

(NUSDEO, Fabio. Curso de Economia. São Paulo: RT, 2001, p. 346-347). O critério mais comum é considerar como subdesenvolvido os países com renda per capta inferior a média de todos os países do mundo e

desenvolvidos os que se situam acima dela. Esse critério é insuficiente por desconsiderar fatores culturais e políticos no processo de desenvolvimento. (ANDRADE, Darcy Bessone de Oliveira. O Mundo, o Brasil, o

Homem. Belo Horizonte: s/e, 1966, p. 224). Esclarece Viana o critério de classificação de um país no lúgubre mundo do subdesenvolvimento: “Considera-se subdesenvolvido o país que possui baixa renda per capta ou, mais

precisamente, aquele cujos habitantes percebem uma renda média anual inferior a 600 dólares.” (VIANA, Cibilis da Rocha. A dinâmica do desenvolvimento. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1968, p. 127). Vale acrescentar ainda que, “O Terceiro Mundo não constitui um todo homogêneo. Ao contrário, reúne países que apresentam entre si profundas diferenças geográficas, étnicas, sociais, políticas, culturais etc. Esses países apresentam, também, diferentes graus de dificuldades econômicas, de modo que são, geralmente, subdivididos em dois grandes grupos: países de baixa renda, integrados, inclusive, pelos países mais pobres do mundo (Least Developed

Countries) e países de renda média.” (PINHO, Carlos Marques; PINHO, Diva Benevides. Sistemas Econômicos Comparados. São Paulo: Saraiva, 1984, p. 263-264). Brand expôs a sua preferência pelo termo áreas

economicamente atrasadas, adotando, contudo, a terminologia, subdesenvolvidos, pela sua consagração na

literatura. (BRAND, op. cit., p. 20). Adelman ressalta, contudo, que as profundas diferenças entre as regiões do globo no que tange à estrutura econômica, disponibilidade de recursos, herança cultural, instituições políticas e sociais permitem a invalidação de qualquer tentativa de estabelecer um único critério de definição entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Em seu sentir, este critério de divisão sócio-econômica do mundo é arbitrária e grosseiramente simples. Como um recurso de argumentação, no entanto, adota a terminologia classicamente estabelecida. (ADELMAN, op. cit., p.1). Aquilo que caracteriza um país como em desenvolvimento é a insuficiência de poupança interna privada, pela baixa propensão marginal das famílias a poupar ou por déficits crônicos nas contas governamentais. (ZEBRAL FILHO, Silvério T. Baeta. Notas acerca das políticas adjacentes aos programas de ajustamento apoiados pelo FMI: desafios, racionalidade e críticas. In: MAZZUOLI, Valério de Oliveira; SILVA, Roberto Luiz. O Brasil e os Acordos Econômicos Internacionais: perspectivas jurídicas e econômicas à luz dos acordos com o FMI. São Paulo: RT, 2003, p. 213).

63 O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estabeleceu o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - Human Development Index (HDI) - um índice sumário que combina medidas de um país em três aspectos básicos: saúde (expectativa de vida ao nascer), conhecimento (taxa de alfabetização de adultos mais a taxa bruta de matrícula de dos ensinos primário, secundário e terciário) e padrão de vida decente (Produto Interno Bruto per capta – PPP em dólares). Por este critério, os países possuem alto, médio ou baixo desenvolvimento humano. O Brasil enquadra-se como o último país na categoria de alto desenvolvimento, ocupando o 70a posição na estatística de 2007. (UNITED NATIONS. United Nations Development Programme (UNDP). Statistics of the Human Development Report. New York. Disponível em:

países menos desenvolvidos do mundo.64

Tal uso, contudo, retrata uma clara imperfeição, pois congrega países bastante distintos no mesmo critério, sobretudo no que se refere aos países em desenvolvimento, claramente um eufemismo para muitos. Considerar um país em desenvolvimento significa que está em vias de se desenvolver, em um processo contínuo e dinâmico.

Na realidade, utilizando-se os índices mais básicos como educação, saúde e pobreza, nota-se que isso não se verifica. Por outro lado, a própria concepção do ser desenvolvido, longe de ser unânime, perpasse uma série de discussões acerca da adoção de um determinado modelo de desenvolvimento legitimado, como se verá adiante.

Percebe-se nas breves linhas acima dois problemas básicos: terminologia e mensuração. Não obstante se reconheça as suas amplas dimensões, a dificuldade em conceituar e mesurar o desenvolvimento norteia a análise para os fundamentos econômicos e, por conseguinte, o cenário do debate vem sendo permeado de economistas das mais diferentes tendências ideológicas. Novas matrizes, no entanto, passaram a enfatizar mais o elemento sócio-cultural.65 Uma outra preocupação refere-se ao arcabouço axiológico de cada nação. As escolhas, inclusive econômicas, vêm carregadas de valores específicos. Como medir a

base no Produto Nacional Bruto (Gross National Income - GNI) per capita, em países de baixa renda e renda média, subdividida em média baixa e média alta, ou em alta renda. Os países de renda baixa ou média, também chamados como países em desenvolvimento, também são classificados por regiões geográficas. As estatísticas de 2006 atribuem os seguintes valores: baixa renda, US$ 905 ou menos; renda média baixa, entre US$ 906 e US$ 3,595; renda média alta entre US$ 3,596 e $ 11,115; e com alta renda acima de US$ 11,116. Um outro critério é a categoria de empréstimo. Os países membros da Agência de Desenvolvimento Internacional (ADI) são aqueles que tiverem renda per capta, em 2006, de menos de US$ 1,065 e não possuem a habilidade financeira de tomar empréstimos do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). Os empréstimos da ADI são favoráveis, sem juros, e doações para programas que visam melhorar o crescimento econômico e o padrão de vida. Os países considerados Blend podem receber empréstimos da ADI (baixa renda per capta) e do BIRD (credibilidade financeira). O Brasil recebe empréstimos do BIRD e está classificado como renda média alta. (WORLD BANK. Data and statistics: country classification. Washington D.C. Disponível em:

<http://web.worldbank.org/WBSITE/EXTERNAL/DATASTATISTICS/0,,contentMDK:20420458~menuPK:64 133156~pagePK:64133150~piPK:64133175~theSitePK:239419,00.html>. Acesso em 16 jan. 2008).

64 O Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas (ONU) utiliza o seguinte critério para classificar os países menos desenvolvidos: Produto Nacional Bruto (PNB) per capta menor que US$750 para inclusão e maior que US$ 900 para graduação; fraco desempenho no Índice de Estimativa Humana (IEH), baseado em indicadores como: nutrição, saúde, educação, alfabetização de adultos e o critério de vulnerabilidade econômica, através do Índice de Vulnerabilidade Econômica (IVE), fundamentado em indicadores como: instabilidade da produção agrícola, da exportação de produtos e serviços, importância econômica de atividades não tradicionais, concentração de exportação, tamanho da economia e o percentual da população deslocado por desastre natural. (UNITED NATIONS. The United Nations Office of the High Representative for the Least Developed Countries, Landlocked Developing Countries and Small Island Developing States. The Criteria for

the identification of the LDC. New York. Disponível em: <http://www.un.org/special-

rep/ohrlls/ldc/ldc%20criteria.htm>. Acesso em 16 jan. 2007).

65 A cultura é um sistema tenso, único para um povo, em determinado tempo e lugar, e se expressa como

compromissos negociados entre o padrão já estabelecido (instituições legítimas, controle) e a imaginação

possível (construção do mundo). (AMSTERDAM, Anthony G., BRUNER, Jerome. Minding the Law. Cambridge: Harvard University Press, 2002, p. 231).

felicidade, a auto-estima ou realização de um povo?66 Neste sentido, indispensável compreender a dimensão ética no processo econômico. Em um primeiro momento, neste tópico, serão esboçadas as linhas mestras das teorias do desenvolvimento, em sua dialética liberdade-intervenção67, suas matrizes conceituais e metodológicas, principais expoentes e reformas sugeridas, ressaltando ainda a convergência ideológica da teoria da modernização.68 Em seguida, destacar-se-á a relevância da integração ética à economia. No tópico posterior, o estudo será norteado pela concepção de Amartya Sen acerca do desenvolvimento como expansão das liberdades.