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1 O PROGRAMA GOVERNO NOS MUNICÍPIOS – PGM

1.1 O DESENHO DO PROGRAMA

1.1.3 As diretrizes e objetivos

O PGM foi orientado por um conjunto de diretrizes (ibidem), nomeadamente pautadas sobre num novo paradigma de gestão publica – o Estado-rede14 - onde o Estado aparece, cada vez mais, como animador e articulador dos atores sociais, na perspectiva do desenvolvimento e na promoção das aspirações da sociedade.

14 O Estado denominado estado-rede é caracterizado, segundo CASTELLS (1998) por compartilhar sua autoridade (ou sua capacidade de impor uma decisão) no âmbito de uma rede de instituições. Por definição, uma rede não tem um centro, senão pontos nodais, de diferentes dimensões e com relações inter-nodais geralmente assimétricas. Todos os nodos são necessários para a existência da rede. Desse modo, o Estado-nação, no âmbito do estado-rede, se articula cotidianamente na tomada de suas decisões com outras instituições de diversos níveis e tipos. Para CASTELLS (1998), o Estado (governo) contemporâneo

Pressupõe uma ação descentralizada na formulação e na execução para outras instâncias públicas e para outros grupos da sociedade. São elas:

- Flexibilidade na negociação e nas formas de organização e institucionalização da participação e da descentralização. Parte do pressuposto de que cada uma das “regiões de desenvolvimento”15 do Estado tem um perfil sócio-cultural e histórico próprio e, conseqüentemente, características diferenciadas entre si, devendo as mesmas serem incorporadas no Programa respeitando os diferentes ritmos e formas de organização;

- Foco no processo de negociação em contraponto à institucionalização formal do Programa em cada região (o Programa pressupõe um modelo “aberto” para criação das instâncias locais de articulação e negociação dos atores sociais). As formas institucionais de negociação devem ser construídas de forma flexível, de acordo com as especificidades de cada região, devendo as mesmas convergir para criação de “espaços de articulação” dos atores sociais locais (sejam conselhos ou fóruns regionais ou similares), com suas respectivas formas e papéis específicos;

- Participação da sociedade nas negociações e nas instâncias de negociação deve ser considerada um diferencial positivo, para efeito da definição das prioridades de investimento estadual. O envolvimento e o comprometimento do poder público municipal nas instâncias descentralizadas (quando criadas) devem constituir fator relevante para inclusão de suas propostas no orçamento e no PPA estadual;

- Prioridade na implementação dos projetos que apresentem arranjos institucionais baseado na parceria e co-responsabilidade dos municípios, especialmente dos governos municipais.

surge, cada vez mais, como um animador e articulador de atores sociais na perspectiva do desenvolvimento e na promoção das aspirações da sociedade.

15 Denominação dada as áreas resultantes da proposta de regionalização definida no âmbito do Programa. Inicialmente foram identificadas 10 Regiões de Desenvolvimento (RD). Quando da aprovação da Lei do PPA 2000-2003 pela Assembléia Legislativa de Pernambuco, o número de RD passou para onze. Hoje, no âmbito da Lei do PPA 2004-2007, o número de RD foi alterado para 12. Esses acréscimos foram resultantes de subdivisões sofridas por algumas RD definidas no início do Programa, especificamente as RD da macro-região Sertão do Estado.

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- Concentração das prioridades em projetos supra-municipais estratégicos, de caráter estruturador para o desenvolvimento da região, buscando reduzir com isso o imediatismo na definição das propostas e o investimento em demandas micro- localizadas de alcance reduzido a pequenos grupos de pessoas;

- Prioridade para projetos de interesse coletivo, que permitam a integração de ações, iniciativas e projetos públicos – estaduais e municipais, transformando-os em catalisadores de recursos federais;

- Complementação do processo de descentralização da gestão, através da participação da sociedade e das Prefeituras, de modo a ampliar e fortalecer a capacidade de investimento, participação e formação de parcerias das organizações locais.

Baseado nessas diretrizes, o PGM tem por finalidade promover o desenvolvimento local e regional de modo a reduzir as desigualdades sócio-econômicas e contribuir para criação de oportunidades, aumentando a qualidade de vida e a oferta de serviços básicos em todo o Estado, através dos seguintes objetivos específicos (ibidem):

“- Implementar um processo de planejamento compartilhado através de definição de iniciativas e ações estratégicas (grifo do autor) de interesse comum identificadas a partir das oportunidades locais;

- propiciar a participação da sociedade e promover a mobilização dos atores sociais e das Prefeituras (grifo do autor) na definição de projetos prioritários de desenvolvimento e financiamento governamental, aproximando o planejamento da realidade local;

- assegurar eficiência, eficácia e efetividade das ações governamentais e promover a convergência dos projetos e iniciativas (grifo do autor) no plano local e microrregional;

- estimular o associativismo dos municípios e a co-responsabilidade das Prefeituras e da Sociedade (grifo do autor) na definição e implementação das ações, construindo parcerias sólidas e concretas, dentro de prioridades microrregionais;

- estimular parcerias das instituições públicas com as organizações e empresas privadas (grifo do autor) em iniciativas conjuntas de investimento e promoção do desenvolvimento local;

- construir um espaço institucional de negociação e gestão compartilhada (grifo do autor) entre o Governo do Estado, por um lado, e a sociedade e as Prefeituras, através da formação de instâncias organizadas e colegiadas; - melhorar a base institucional e gerencial dos municípios (grifo do autor) e sua capacidade de arrecadação e investimento para viabilização dos projetos e das parcerias e contrapartidas”.

Cabe destacar que, no contexto do PGM, o desenvolvimento local é entendido como sendo um processo endógeno de envolvimento da comunidade e de aproveitamento de todas as potencialidades locais capazes de promover o dinamismo econômico e a melhoria da qualidade de vida da população, resultante da mobilização das energias da sociedade, explorando as suas capacidades e potencialidades específicas (BUARQUE, S., 1999).

Assim definido, o desenvolvimento local decorre, normalmente, de formas de mobilização e de iniciativas dos atores locais em torno de um projeto coletivo que dá sustentação e viabilidade política às ações, sendo o mesmo de fundamental importância para superação das desigualdades regionais. (CASTELLS, M.; BORJA, J., 1996)