1. Memórias do subsolo
1.3 As duas margens do Atlântico
A cisão entre a revolução francesa e a americana se coloca no ponto em que a primeira se apresentou como uma destruidora voluntária do Antigo Regime, por morte violenta, enquanto a segunda foi uma relativa sucessora da tradição legada pelos colonizadores.
A Declaração Francesa de 1789, de maneira diferente das cartas resultantes da Revolução Americana, possuía um caráter abstrato e generalizante, pois estava preocupada com a liberdade de todos os povos do mundo. Por essa razão, os revolucionários franceses se consideravam “apóstolos” de um novo mundo, o qual seria realizado e anunciado a todos os povos. O projeto era o de que os indivíduos de todas as nações tivessem condições de se tornar cidadãos.79
77 Mary Douglas entende que: “In marking its own boundaries it affects all lower level thinking, so that persons realize their own identities and classify each other through community affiliation”. (DOUGLAS, M. How Institutions Think. p. 102).
78 “Political institutions are not simply instruments that implement ideas independently conceived; they are themselves embodiments of ideas.” (SANDEL, M. J. Democracy’s Discontent: America in search of a public philosophy. Cambridge: Harvard University Press, 1996. p. ix. Tradução livre).
79 Hannah Arendt observa que: “The very notion of world history was born from the first attempt at world politics, and although both the American and the French enthusiasm for the ‘rights of man’ quickly subsided with the birth of the nation-state, which, short-lived as this form of government has proved to be, was the only relatively lasting result of revolution in Europe, the fact is that in one form or another world
A Constituição Francesa de 1791, que adotou a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão como seu preâmbulo, é um exemplo de quão abrangente se propunha o projeto universalista francês, reconhecendo a cidadania para os filhos de estrangeiros nascidos no país, para os filhos de franceses nascidos fora do país que fizessem o “juramento cívico” e, ainda, para aqueles nascidos fora da França com qualquer grau de ascendência francesa paterno ou materno, cujos ascendentes tivessem sido expulsos por questões religiosas.80
Percebe-se, assim, que se os norte-americanos enfatizaram as garantias judiciais, ao seguir a tradição inglesa, os franceses declararam uma série de direitos, mas não se preocuparam tanto com os instrumentos judiciais necessários para sua efetivação.
Uma das principais questões da revolução na França foi a substituição do poder supremo do monarca por outra instituição. Ela foi acompanha pelo discurso da limitação dos poderes, mas, na tradição francesa, este poder a ser limitado estava concentrado na figura real. Logo, restou ao Tiers Etat, o papel de ocupar este poder. O “Terceiro Estado” era composto por todos os excluídos da nobreza e do clero, que não desfrutavam dos privilégios das ordens superiores.
Ao Povo, a massa sem forma causadora de temores, foi atribuída a
soberania política. A partir disso, as massas deveriam exercer uma cidadania ativa, com a votação de leis e o julgamento dos governantes. Sieyès afirmava que o Terceiro Estado era tudo, ele encarnava a “Nação” e que o tempo dos privilégios havia passado para o anúncio da Assembleia Geral.81 Essa era uma politics has been an adjunct to politics ever since.” (ARENDT, H. On Revolution. New York: Penguin Books, 1963. p. 53).
80 Ver “Titre II” da Constituição francesa de 1791. No caso dos Estados Unidos, o reconhecimento (formal) da cidadania para todos aqueles nascidos ou naturalizados apenas foi possível após a Guerra Civil, com a redação das emendas constitucionais 13, 14 e 15 e a derrubada do caso Dred Scott na Suprema Corte. Cf. SANDEL, M. J. Democracy’s Discontent. p. 39. As desigualdades entre brancos e negros continuou a ser um grande problema para os Estados Unidos, por isso, os movimentos por direitos civis, a decisão do caso
Brown v. Board of Education (1954) e, mais recentemente, as decisões confirmando as ações afirmativas são exemplos de como a cidadania continua a ser uma questão que ainda não está “resolvida” nos Estados Unidos.
81 Para Sieyès: “Quem ousaria assim dizer que o Terceiro Estado não tem em si tudo o que é preciso para formar uma nação completa? Ele é o homem forte e robusto que está ainda com um braço preso. Se se suprimisse as ordens privilegiadas, isso não diminuiria em nada a nação; pelo contrário, lhe acrescentaria. Assim, o que é o Terceiro Estado? Tudo, mas um tudo entravado e oprimido. O que seria ele sem as ordens de privilégios? Tudo, mas um tudo livre e florescente. Nada pode funcionar sem ele, as coisas iriam
resposta da burguesia para a questão da soberania política, pois, por meio da representação, ocupava o lugar deixado pela nobreza sem que a massa popular pudesse desestabilizá-la constantemente.
A questão que se colocava era a de que, para romper com a tradição absolutista da nobreza, o novo soberano seria incapaz de exercer o poder político pessoalmente. Dessa maneira, o princípio de toda a soberania ficou alojado na Nação, conforme o artigo 3º da Declaração de 1789. Assim, as ideias dominantes acerca da soberania não se encontravam completamente instituídas em 1789, mas, para o entendimento prevalecente na Constituinte, ficou estabelecido que a soberania passaria a residir no conjunto indivisível dos cidadãos.82 Ao povo foi atribuído o direito de decidir por qual conjunto legislativo seria governado.
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 procurou ser o símbolo do declínio do Antigo Regime. A característica abstrata e genérica da carta se tornou um referencial para as futuras declarações. A ausência de força normativa da Declaração foi superada com a obra de Sieyès com o reconhecimento da competência decisória emanada da Nação, como poder constituinte.83
Ao estabelecer que a finalidade de toda associação política seria a conservação dos direitos naturais e que o princípio de toda soberania reside na Nação, a Declaração fixou as coordenadas gerais de um modelo político que pretendia ser “transtemporal” e que, ao mesmo tempo, libertava o indivíduo e o Estado. A concentração do Imperium no legislador, intérprete da vontade geral, aparece como máxima garantia de que ninguém poderá exercer poder e coação sobre os indivíduos apenas em nome da lei, que se apresentava como geral e abstrata. Assim, os constituintes franceses rechaçaram a hipótese de um veto absoluto do monarca sobre os atos da assembleia legislativa, já que o caráter infinitamente melhor sem os outros.” (SIEYÈS, E. J. A Constituinte Burguesa: Que é o Terceiro Estado? Rio de Janeiro: Lumen Juris, 1997. p. 55.).
82 Cf. BLUCHE, F.; RIALS, S.; TULARD, J. A Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1989.
83 Nos seguintes termos: “O Terceiro Estado abrange, pois, tudo o que pertence à nação. E tudo o que não é Terceiro Estado não pode ser olhado como pertencente à nação. Quem é o Terceiro Estado? Tudo.” (SIEYÈS, E. J. A Constituinte Burguesa. p. 56).
absoluto do veto fazia com que a vontade do monarca se convertesse em necessária, como a da assembleia, para produzir a máxima fonte do direito.
O problema moderno da política envolvida na fundação de um mundo que não possui mais garantias de estabilidade, legitimidade e autoridade, teve como um outro modelo a revolução americana.
A experiência dos revolucionários americanos com a liberdade pública fez com que eles valorizassem a ação política e a participação, o ato de se reunir para promover deliberações, debates e decisões. Logo, eles se mobilizaram para completar a tarefa revolucionária que haviam iniciado, buscavam promover não apenas a independência da Inglaterra, mas também a reconstituição do
domínio político, com o objetivo de viabilizar a cidadania da nova República,
para que todos pudessem experimentar a felicidade da liberdade pública e da ação política.
Hannah Arendt realizou uma reavaliação dos eventos políticos revolucionários que constituíram o corpo jurídico-político moderno. Observou que os agentes da revolução foram buscar exemplos na polis grega e na civitas romana para formar um governo, uma República, em que prevaleceria o domínio da lei, assentado no poder do povo, em suma, em condições nas quais a política pudesse ser reapropriada pelos cidadãos em atos e palavras.84
O desafio apresentado pelos momentos revolucionários se encontra no fato de que os insurgentes acabam por não conseguir realizar o estabelecimento de instituições que deem continuidade ao espírito revolucionário. Desse modo, o “tesouro político” do momento histórico revolucionário acaba se perdendo com as gerações futuras, pois observa-se a impossibilidade da formação de uma nova tradição para preservar e transmitir o fenômeno da “liberdade pública”.
Para Arendt, a história das revoluções que decifraram, em termos políticos, a narrativa da modernidade pode ser predicada como uma lenda de
84 Para Arendt: “Where violence rules absolutely, as for instance in the concentration camps of totalitarian regimes; not only the laws – les lois se taisent, as the French Revolution phrased it – but everything and everybody must fall silent. It is because of this silence that violence is a marginal phenomenon in the political realm; for man, to the extent that he is a political being, is endowed with the power of speech.” (ARENDT, H. On Revolution. p. 18-19.).
um tesouro antigo que, de maneira contingencial, emerge sem aviso para ser perdido como fogo-fátuo, sob condições misteriosas. 85
Deve-se refletir, observar os reflexos e as imagens constituintes do espírito revolucionário que se apresentou (se fez visível) durante esses momentos, mas que se perdeu no curso das próprias revoluções. Por isso, aquilo que teria sido legado como referência fundamental para as futuras gerações, além dos valores que moviam os revolucionários, foram os documentos (os arquivos, registros, escrituras) produzidos por eles. Tais valores, ainda que de maneira parcial e fragmentada, representam os motivos mobilizadores das rupturas históricas em que foram realizadas manifestações políticas (que se pretenderam) originárias, criadoras, fundadoras, que deram a luz ao mundo.
A experiência nova dos fundadores atrela-se àquilo que Arendt considera a capacidade de o homem começar algo novo, de uma experiência nova que abre o caminho para o imprevisto, são basilares para o enorme pathos86 das revoluções (americana e francesa) que procuraram, de maneira insistente e habilidosa se afirmarem como experiências sem precedentes na história da humanidade (fundadoras da história mundial), e que não tinham nenhum outro evento com o qual pudessem ser comparadas.87
Dessa maneira, o fenômeno da revolução não pode ser descrito pela violência, mas apenas quando é produzida uma nova origem, quando uma nova forma de governo é instituída, com a finalidade de desafiar a (im)possibilidade de compor um novo corpo político. Para Arendt, apenas no caso em que a
85 ARENDT, H. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 2007. p. 30.
86 O pathos é uma figura retórica que faz referência à experiência e ao sofrimento, às emoções dos ouvintes. Na Retórica de Aristóteles o pathos é acompanhado do ethos e do logos como meio de persuasão retórica. A Retórica para Aristóteles está dividida em três partes: deliberativa, judicial e epidítica. Cf. ARISTOTLE.
The Rhetoric of Aristotle. Cambridge: Cambridge University Press, 1877; GARVER, Eugene. Aristotle on the Kinds of Rhetoric. In: Rhetorica: A Journal of the History of Rhetoric. California: University of California Press, v. 27, 2009.
87 “But in contradistinction to the claims of the scientists and philosophers, the new man no less than the new land was felt to be a gift of Providence, not a product of men. In other words, the strange pathos of novelty, so characteristic of the modern age, needed almost two hundred years to leave the relative seclusion of scientific and philosophic thought and to reach the realm of politics.” (ARENDT, H. On Revolution. p. 46).
libertação da opressão conduz à constituição da liberdade, seria possível falar em revolução.88
A dicotomia proposta por Arendt é a de que enquanto a Revolução americana se voltou para a fundação da liberdade e para o estabelecimento de instituições duradouras, sob a égide do Direito, a Revolução francesa se afastou, quase em seus primórdios, dos caminhos da fundação de instituições, pois tinha de lidar com a libertação das necessidades e, por essa razão, foi impulsionada pela miséria do povo.89 Nada seria tão inadequado como esta tentativa de libertar a humanidade da pobreza por meios políticos, de modo que a necessidade invadiu o campo da política, o único campo onde os homens podem ser autenticamente livres.90
A liberdade só poderia existir no espaço público. Essa era uma realidade
tangível e secular, algo que havia sido criado pelos homens para seu próprio
gozo. O espaço público ou a praça pública da Antiguidade eram reconhecidos como os lugares em que a liberdade aparecia e se fazia visível para “todos”. Por isso, observa Arendt, procurou-se fundar um corpo político que garantisse a existência de um espaço onde fosse possível manifestar a liberdade.91
88 Essa observação é importante, pois Arendt diferencia as Revoluções pelo fato que, no caso da francesa, a força desumanizadora da necessidade, que reduz as pessoas à coerção do fluxo vital de seus corpos, foi um dos principais entraves para a fundação revolucionária da liberdade. Segundo Arendt: “Poverty is more than deprivation, it is a state of constant want and acute misery whose ignominy consists in its dehumanizing force (…)” (ARENDT, H. On Revoution. p. 60).
89 Assim, desde o início, as necessidades reais passaram a determinar o curso da Revolução Francesa de tal sorte que, nas transações em que o futuro da França deveria ter sido decidido pela Assembleia Constituinte, esta se encontrava ausente, pois as massas, ao descobrirem que a Constituição não seria uma forma de salvação de suas vicissitudes, se voltaram contra a Assembleia Constituinte.
90 ARENDT, H. On Revolution. p. 114. Enquanto a revolução americana teve seus esforços voltados para fundar a liberdade por meio de uma Constituição e instituições políticas que se direcionassem para esta meta, a Revolução Francesa foi compelida a desviar deste trajeto para cuidar da questão social.
91 O termo Polis desafia, ao mesmo tempo, a possibilidade de sua tradução e de sua representação efetiva na modernidade, por isso, ocupa o papel de ideal, de arquétipo de comunidade política, ante sua especificidade histórica e geográfica. Não existe uma entidade política moderna que, de maneira fiel, reproduza as características da Polis, mas ela continua a ser uma referência a partir da qual outros conceitos possuem uma fonte, tais como a cidadania, a democracia e, em uma escala mais abrangente, o Ocidente ou a civilização ocidental. Contudo, esta “rememoração” e sua consequente “derivação” não são desconectadas de outras preocupações políticas atuais que emprestam sentidos dos conceitos e lhes auferem
autoridade por eles serem antigos. Um equívoco comum está na identificação da Polis com a ideia de “nação”, entendida como o compartilhamente de línguas e culturas, pois isso era atribuído ao ethnos. O
ethnos, por sua vez, não era exatamente a relação com uma “terra natal” ou um território, mas com a khôra, um espaço que unia as pessoas em um passado e um futuro a ser construído por elas. A Polis era uma comunidade com permanência transgeracional e transfamiliar; contudo, uma comparação com o conceito
Na modernidade, a fundação (da Nação) passou a ser identificada com a elaboração de uma Constituição, precedida por assembleias constituintes. Tal fenômeno pôde ser observado tanto na França como nos Estados Unidos que, por sua vez, teve como antecedente a redação das Constituições dos Estados.92
O paradoxo que assombrava (e assombra) o instante constituinte é de que os atores se colocam em um espaço para-além-do-direito. A Constituição é criada em uma zona de anomia originária. As pessoas que procuram constituir
um novo governo são consideradas inconstitucionais, não lhes é atribuída, via
de regra, a autoridade para fazer aquilo que almejam: fabricar um novo governo, um novo Estado, um novo Povo.93
Instaura-se, portanto, um círculo vicioso na legitimação da produção da lei fundamental. A questão que se colocava (e ainda é presente), portanto, era a de como estabelecer fundações duradouras sem apelar para o fundamentalismo, para entidades divinas ou algum tipo de absoluto. Como produzir o novo sem o
passado, sem a autorização do sempiterno, do arquétipo imutável?94
coevo de “sociedade” está fadado ao fracasso, pois as relações econômicas (oikos) eram privadas e a Polis
não poderia ser vista como um espaço “neutro” de troca e circulação de mercadorias, mas um espaço de compartilhamento de experiências, passadas (história) e futuras (promessas), reais e imaginárias. A
unidade da Polis era produzida pela ação (política) conjunta de seus membros, em sua administração e defesa. Cf. WOLFF, F. Polis. In: CASSIN, B. Dictionary of untranslatables: a philosophical lexicon. Princeton : Princeton University Press, 2014. p. 801-802; ARENDT, H. The Human Condition.
92 Os Artigos da Confederação serviram como o documento escrito que estebeleceu as funções do governo nacional dos Estados Unidos depois da Declaração de Independência. Os Artigos estebeleceram um governo central fraco que obstou os Estados na condução independente das relações internacionais, mas garantiu amplos poderes para os Estados. A necessidade de trabalhar em conjunto prevaleceu contra o Reino Unido e em 1777 o Congresso Continental produziu os Artigos, o qual foi aprovado pelos 13 estados em 1781. Tratava-se muito mais de um acordo multilateral entre aliados do que uma Constituição formal de um novo governo, procurava criar uma “aliança” pautada na “amizade” entre as ex-colônias, eis que cada estado mantiha sua soberania, liberdade e independência.
93 A Polônia fornece, possivelmente, um dos melhores exemplos para o caso da produção de uma nova organização social e política sem uma ruptura institucional acentuada. Ante a transição para a democracia e para o capitalismo marcadas em 1989, a Constituição de 1952 (baseada na Constituição Soviética de 1936) foi reformada em 1992 e possibilitou uma mudança de regime sem a criação de um “novo” Estado ou de uma nova Carta constitucional. Não obstante, em 1997 o país adotou uma nova Constituição, que acabou por substituir a Carta de 1992, caracterizada por um grande número de emendas constitucionais.
94 Os pais fundadores pedem a autorização de Deus para ratificar os Artigos da Confederação 1777: “And Whereas it hath pleased the Great Governor of the World to incline the hearts of the legislatures we respectively represent in Congress, to approve of, and to authorize us to ratify the said Articles of Confederation and perpetual Union. Know Ye that we the undersigned delegates, by virtue of the power and authority to us given for that purpose, do by these presents, in the name and in behalf of our respective constituents, fully and entirely ratify and confirm each and every of the said Articles of Confederation and perpetual Union, and all and singular the matters and things therein contained: And we do further solemnly plight and engage the faith of our respective constituents, that they shall abide by the determinations of the
Com o advento da Declaração de Independência norte-americana, o problema principal de seus autores não foi o de limitar o poder mas, o de como estabelecê-lo de maneira legítima, fundar um novo poder, por isso: “A febre da produção constituinte que invadiu o país imediatamente depois da Declaração de Independência impediu que se produzisse um vazio no poder (...)”.95 E o United States in Congress assembled, on all questions, which by the said Confederation are submitted to them. And that the Articles thereof shall be inviolably observed by the States we respectively represent, and that the Union shall be perpetual. In Witness whereof we have hereunto set our hands in Congress. Done at Philadelphia in the State of Pennsylvania the ninth day of July in the Year of our Lord One Thousand Seven Hundred and Seventy-Eight, and in the Third Year of the independence of America”. A Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 prevê em seu preâmbulo: “En conséquence, l'Assemblée Nationale reconnaît et déclare, en présence et sous les auspices de l'Etre suprême, les droits suivants de l'Homme et du Citoyen.”. O mesmo pode ser observado em outros documentos. Na Constituição da Irlanda (Preâmbulo) 1937: “In the name of the Most Holy Trinity, from Whom is all authority and to Whom, as our final end, all actions both of men and States must be referred, We, the people of Ireland, humbly