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CAPÍTULO 4 A CONSTRUÇÃO DO PERCURSO DA PESQUISA: ENFOQUE, MÉTODO

4.6 A segunda fase da pesquisa empírica: sujeitos, técnicas, procedimentos de coleta e de

4.6.2 Procedimentos e Técnicas de Coleta

4.6.2.4 As fontes documentais

Outro procedimento que utilizamos na coleta de informações foi o levantamento de fontes documentais. Inicialmente, levantamos junto à SEEL documentos diversos, que tratavam das práticas de formação continuada vivenciadas pela RMER no período 2001-2008. Dentre os documentos produzidos pela SEEL, selecionamos: a proposta de formação continuada, a proposta pedagógica da rede, projetos, relatórios, atas, pautas, planejamento de ensino, textos distribuídos e trabalhados nos cursos oferecidos nas atividades formativas, instrumentos de avaliações, dos fascículos que compõem o programa Pró-letramento e publicações diversas da RMER. Percebe-se, assim, que os documentos selecionados na SEEL correspondiam a textos que têm uma perspectiva projetiva e orientadora da formação continuada, assim como textos que expressavam ações já realizadas. Além desses dois aspectos, buscamos documentos que indicassem as concepções e diretrizes do trabalho pedagógico adotado na rede, para que pudéssemos perceber a relação da proposta político- pedagógica com a formação continuada.

Com relação aos documentos produzidos pela escola “A”, selecionamos pautas distribuídas aos grupos de estudo do Pró-letramento, registros e relatórios elaborados pela coordenadora pedagógica, textos distribuídos e trabalhados durante os encontros, caderno de planejamento da coordenadora pedagógica e o projeto político-pedagógico da escola. Importante dizer que além dos documentos produzidos pela SEEL e pelas escolas, selecionamos, também, documentos nacionais que definiram diretrizes, princípios e recomendações para a formação continuada a partir dos anos de 1990. Esses documentos nos ajudaram a perceber as relações existentes entre a política de formação docente local e nacional. Isso significa que as práticas formativas, enquanto práticas sociais, apesar de sua aparente fragmentação, fazem parte de uma totalidade que precisa ser desvelada. O quadro a seguir indica os documentos selecionados e a serem analisados.

Quadro 14 - Documentos Selecionados FONTES

Documentos Nacionais LDB – Lei 9394/96 Plano Nacional de Educação - PNE

Cadernos da Rede Nacional de Formação Continuada

Documentos produzidos pela SEEL: Diretoria Geral de Ensino e Formação Docente; Gerência de Formação Continuada e Gerência do 1º e 2º Ciclos

Os Ciclos de Aprendizagem e a Organização Escolar Proposta Pedagógica: Construindo Competências Relatórios, pautas e atas

Planejamento Didático de Cursos e Oficinas Textos e publicações

Relatório de Avaliações Publicações Diversas:

Formação Continuada de Professores, Memórias de Viagem do Recife

Seminário LDB, PNE e PDE: Novos rumos para a educação nacional – I Seminário da Rede de Pesquisadores da Rede Municipal do Recife: olhares sobre a prática. Educadores em Rede: articulando diversidade e construindo singularidades Seminário Reconhecendo a nossa escola: relato de vivências

As escolas tecendo a proposta pedagógica da rede Relatórios de Realização de atividades

Documentos Produzidos pela

Escola “A”

Registros e relatórios dos encontros de formação Registros de avaliação

Textos e publicações Projeto Político-Pedagógico

Numa abordagem etnográfica, os documentos são fontes importantes, na medida em que ajudam a contextualizar o objeto de estudo e a perceber as relações estabelecidas numa macrorrealidade. Nessa investigação, a análise de documentos nos ajudou a reunir informações sobre as concepções e práticas de formação de continuada vivenciadas na RMER no período de 2001 – 2008 e a deslindar concepções, princípios, objetivos, diretrizes e procedimentos que orientaram e/ou estruturaram as práticas formativas. Nesse processo de

deslindamento pudemos avançar nas interpretações acerca das questões de contexto que influenciaram as condições sociais de produção de tais práticas. Enfim, os documentos nos possibilitaram dados que ajudaram a descortinar uma compreensão de formação docente, que indica as finalidades, os princípios e os conhecimentos balizadores das políticas e das práticas de formação continuada.

Diante das questões abordadas até aqui, afirmamos que o caminho que trilhamos para garantir a coleta das informações constituiu-se como um rico processo de aprendizagem, seja no campo conceitual, como do ponto de vista do desenvolvimento de atitudes. Pudemos vivenciar com essa experiência situações que nos ajudaram a refletir sobre o lugar dos sujeitos na pesquisa, os procedimentos e técnicas inerentes à abordagem qualitativa, que vão sendo tecidos a partir da relação que o sujeito estabelece com o objeto. Todas essas questões nos ajudaram a perceber a importância de se investir na construção de relações epistemológicas pautadas na cooperação, no respeito e na solidariedade. No caso da nossa investigação, esses fatores foram determinantes para edificar um clima de aceitação e confiança em parte dos sujeitos desta pesquisa. Na medida em que essa interação ia se fortalecendo, conseguíamos adentrar as subjetividades dos professores, seus medos, suas angústias, suas expectativas, suas dificuldades e suas fortalezas, ou seja, conseguimos aprofundar questões que antes pareciam ofuscadas.

Além dessas questões, podemos dizer ainda que esse processo nos ajudou a “lapidar” o objeto de estudo e a rever os pressupostos teórico-metodológicos. Assim que nos lançamos ao campo empírico, tivemos um impacto muito grande, pois esperávamos encontrar práticas de formação continuada que estivessem em consonância com o referencial teórico que havíamos adotado. Aos poucos fomos percebendo que a realidade é um movimento contraditório, e que a teoria é apenas uma formulação da realidade. Isso nos ajudava a entender que as práticas de formação continuada desenvolvidas pela SEEL traziam no seu bojo um conjunto de elementos que expressavam uma teia de relações sociais, educacionais e profissionais construídas a partir determinadas condições objetivas e subjetivas que influenciam e/ou determinam as práticas formativas.

Com relação às lentes teóricas que iluminaram e ampliaram a nossa compreensão sobre o objeto, priorizamos uma discussão acerca das políticas educacionais, estruturadas com base na análise de categorias, que consideramos fundamentais para nossa pesquisa: formação de professores, formação continuada e prática pedagógica. O quadro de referência que nós apoiamos ganhou vida e movimento à medida que confrontávamos as categorias analíticas com os elementos que emergiram da realidade observada. Esse processo, conforme assinala

André (1995), “requer muita sensibilidade, abertura e flexibilidade para descobertas de categorias e formas de interpretação do objeto pesquisado” (p. 47). Diante disso, procuramos estabelecer um diálogo com os teóricos articulando suas ideias com as questões que iam sendo reveladas pelo contexto da pesquisa e as questões mais amplas que envolvem as políticas de formação de professores. Esse aprendizado nos fez pensar, também, sobre os procedimentos de coleta de dados, ou seja, o trabalho de campo foi se delineando, considerando as novidades que iam surgindo no processo.

Finalmente, destacamos que o caminho metodológico que acabamos de relatar demonstra que a atividade epistemológica compreende um itinerário aberto e atento às manifestações dos sujeitos, à dinâmica dos processos e às condições dos contextos que a produzem. Essa compreensão de pesquisa foi importante, porque oportunizou-nos situações de aprendizagem quando precisamos lidar com as dúvidas, as certezas e as novas descobertas, seja pela lente teórica dos autores que iluminaram os caminhos, seja pelo que os sujeitos protagonistas revelam através de suas atitudes e sentimentos. Isso significa que “o trajeto não está mapeado a priori e, por isso, não se pode esperar caminhar por uma estrada reta, onde se anda incansavelmente para frente” (TURA, 2003, p. 191). Ou seja, o caminho de pesquisa tem uma dimensão de singularidade que tem a ver com a natureza do objeto, as condições objetivas nas quais se materializam os procedimentos e com a criatividade do pesquisador.

Feitas as considerações gerais sobre o processo de trabalho tecido durante a coleta de informações, apresentaremos a seguir o caminho percorrido na organização e tratamento dos dados.

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