LISTA DE ABREVIATURAS
3 O+CATÁLOGO+
3.4 Ornamentos+arquitetônicos+
3.4.2 Obras+internas+
3.6.1.3 As+grades+do+coro+
Figura 101:Atribuido à Vitoriano dos Anjos. Detalhe da grade superior do coro, 1854-1862. Madeira envernizada
Figura 102: Atribuido à Vitoriano dos Anjos. Detalhe da grade inferior do coro, 1854-1862. Madeira envernizada
Figura 103: Detalhe das grades do coro superior e inferior, lateral direita após entrada.
O detalhe da grade superior do coro (fig.101) traz o mesmo ornato oval com pérolas recortadas em toda a volta. Na parte de cima vemos as pequenas formas ovais lisas com pérolas decrescentes penduradas, formas geométricas estão inseridas entre poucas folhagens. As pérolas e olivas de Vitoriano se tornaram uma assinatura em seu trabalho. No ornato central existem dois botões cheios que lembram os óvalos do altar mor, enquanto no detalhe da coluna os botões estão apenas esculpidos. Duas pérolas penduradas no ornato de cima são exatamente iguais às das tribunas da capela mor (fig.100). O coro mantém o estilo sóbrio e sem excessos de Vitoriano.
A grade inferior do coro (fig.102) é similar às grades das tribunas na nave central e da tribuna do coro. Aqui o risco traz poucas figuras fitomorfas, sem flores, pérolas ou olivas, apenas os mesmos botões secos da grade da capela mor e detalhes que se entrelaçam. Nas colunas intermediárias existem as mesmas formas de pérolas decrescentes penduradas. Novamente formas geométricas retangulares ligam os elementos do quadro.
É muito provável que Vitoriano tenha confeccionado as grades de todas as tribunas e do coro, mas não as tenha visto instaladas (fig.103), uma vez que o coro propriamente dito ficaria pronto apenas em
1879. Corrobora este argumento um comentário de Zaluar262 ao passar por Campinas em 1861, quando
afirmou que a Capela Mor estava quase finalizada, no que dizia respeito à obra de talha. Estava quase pronta a capela mor com seus elementos, não o restante da nave.
As grades do coro são de madeira envernizada, entalhadas entre 1854 e 1862. Até 1923 estas grades eram apenas enceradas, ao assumir a reforma de 1923 o engenheiro Adelardo Caiuby mandou envernizar toda a madeira do templo.
3.6.1.4 Os+arremates+superiores+das+tribunas+e+da+porta+da+capela+mor+
Figura 104: Atribuído à Vitoriano dos Anjos. Arremate das tribunas e da porta da capela mor, 1854-1862. Madeira envernizada
As quatro tribunas e a porta da capela mor possuem um arremate, na parte superior, diferenciado em relação ao restante das tribunas do templo (fig.104). A tentativa de atribuição à Vitoriano baseia-se no equilíbrio do risco, acabamento com poucas folhas, somente nos arremates, formas que se entrelaçam totalmente, não deixando linhas que acabam soltas. Muito diferente do estilo aplicado por Bernardino, Vitoriano se preocupava com a continuidade de seus elementos, as folhagens para Vitoriano tinham a função de acabar e definir os contornos, delimitando o espaço do entalhe. O acabamento no topo do arremate é feito com uma forma piramidal invertida, o conjunto oferece uma elegância equilibrada.
Os arremates superiores das tribunas da capela mor e da porta são de madeira entalhada e envernizada. Eram apenas encerados até 1923.
262 Ob. Cit.28, p.138
3.6.1.5 Púlpitos+
Figura 106: Atribuído à Vitoriano dos Anjos. Taça do púlpito direito da nave, 1854-1862. Madeira envernizada
Os púlpitos263, ao longo do tempo, foram atribuídos à Vitoriano dos Anjos por muitos
pesquisadores, entre eles Pupo264. A observação minuciosa, porém, dos elementos que compõem os púlpitos como: cúpula, grade e taça; mostra que os estilos são diferentes. Apesar da consistência visual que possuem, uma análise mais delicada demonstra que os púlpitos foram começados em um período e terminados em outro.
Começando pelas grades (fig.105), na tentativa de atribuição, vê-se que foram usados elementos próprios de Vitoriano como: pequenas olivas, florão central com forma oval, elementos fitomorfos que interligam a decoração, pequenas formas geométricas que fecham os quadros. Todos os pontos encontram- se unidos e fechados formando uma forma definida. O púlpito é ligeiramente arredondado lembrando o acabamento dos andares do trono, no altar mor.
O formato inferior do púlpito lembra a haste de uma taça (fig.106), que invade o espaço da parede até o chão, dando um aspecto de volume mais denso. Alguns detalhes de Vitoriano podem ser encontrados no corpo da taça como: formas fitomorfas e formas geométricas. Em toda a extensão da taça não são encontradas frutas, anjos e rocalhas, traços do risco de Bernardino de Sena.
Após a reforma promovida nos retábulos baianos no séc. XIX, não foi usual a produção de púlpitos cujas taças estendiam-se até o chão. O acabamento inferior do púlpito deveria ter, apenas, um pequeno V, fechando o conjunto265. Apesar do novo estilo praticado na Bahia, Vitoriano determinou um
estilo próprio em Campinas.
Todo o conjunto do púlpito é feito de madeira envernizada, como as demais peças, recebeu o verniz apenas em 1923.
3.6.1.6 As+credências++
Figura 107: Vitoriano dos Anjos. Credências da capela mor, 1854-1862. Madeira encerada ( original), madeira pintada de dourado (hoje).
263 Inicialmente os púlpitos eram construídos nos templos sempre em número de dois, tendo cada um uma função, o da
direita se usava para a leitura do Evangelho, e da esquerda para a leitura da Epístola, com o tempo as duas pregações passaram a ser feitas somente em um deles, mas a construção de dois púlpitos se manteve devido à questão estética. No Brasil, desde os primórdios, os púlpitos foram usados como maneira de melhor pregar aos fieis, afim de evitar a dispersão da atenção. Ob.cit. 253, p.240-241
264 Celso Maria de Mello Pupo. Campinas, seu berço e juventude. Campinas: Academia Campinense de Letras, 1969. 265 Ob.cit. 253, p.240-241
As credências que fazem parte do conjunto da capela mor, até o momento, encontravam-se com procedência desconhecida. A obra pode ser atribuída à Vitoriano dos Anjos pelo conjunto de detalhes que apresenta.
O móvel tem formas vazadas por toda a volta, pés delicados com decoração em duas partes diferentes, uma canelada e a outra lisa. Decora a frente da credência um florão em forma de flor, de onde saem pequenos festões.
Na parte de baixo, na região do suporte do móvel, a decoração é feita por um pináculo liso. A forma do conjunto, quando bem observada, lembra a forma dos púlpitos. O acabamento do suporte inferior e do pináculo lembra muito o mobiliário baiano, onde havia uma predileção por estes elementos conforme descreveu Flexor266.
Neste ano de 2013, as credências encontram-se pintadas de dourado. Um “restaurador” dourou o sacrário e também esta peça, necessitando agora ser restaurada para retirada da tinta dourada267. A foto deste catálogo foi tirada um pouco antes do douramento, onde todo o entalhe em madeira natural de Vitoriano podia ser observado.
266 Maria Helena Flexor. O mobiliário baiano. Bahia: Monumenta, 209.
267 Estas credencias já constavam do inventário de 1865, feito em 5 de janeiro de 1865. Livro Tombo nº1, fl.74. Foram