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LISTA DE ABREVIATURAS

3 O+CATÁLOGO+

3.4 Ornamentos+arquitetônicos+

3.4.2 Obras+internas+

3.6.1.1 O+altar+mor+da+Matriz+Nova+

Figura 84: Elementos arquitetônicos, ornamentais e simbólicos de um altar tridentino, no Altar mor da Catedral de Campinas.

Figura 85: Vitoriano dos Anjos Figueiroa. Altar mor da Catedral de Campinas, 1854-1862. Madeira envernizada.

Figura 86: Detalha da voluta entre o entablamento e o primeiro anel da cúpula, lado direito.

Figura 88: Detalhe das colunas da lateral direita do altar mor

Figura 90: Detalhe do frontal e da mesa do altar mor

Figura 93: Detalhe do primeiro e segundo andar do trono

Figura 95: Detalhe do Florão da arquitrave, lado direito do altar mor

Figura 97: Detalhe do florão entre volutas, anel superior da cúpula do baldaquino

Figura 99: Detalhe do vaso central da cúpula.

Definir o altar mor não é tarefa simples que se realizará a contento em apenas poucas páginas de uma pesquisa que procura catalogar todo o acervo de um templo. Mas o altar mor representa um ponto chave para este acervo, uma vez que ele foi o parâmetro para os entalhadores que vieram posteriormente, terminando os entalhes com uma consistência visual que dificulta a separação das obras de talha. Vitoriano teve um capricho particular ao desconectar o altar totalmente das paredes, conferindo detalhes possíveis somente à obra de arte que sai do nicho e que permite-se ser olhada tridimensionalmente, em todos seus ângulos.

O altar de Campinas é um retábulo tipo baldaquino arrematado por cúpula vazada sobre volutas. Freire255 encontrou apenas um retábulo deste tipo fora da Bahia, justamente o altar mor de Campinas

(fig.85). É composto de madeira envernizada, sem policromia ou douramento, está instalado na Capela Mor da Catedral.

O entalhe de Vitoriano é leve e singelo, despindo-se mesmo de alguns traços característicos dos altares baianos, não fez uso da imagem de: querubins, flores em profusão, animais, imagens antropomorfas e figuras teologais.

Quanto à ornamentação e arquitetura, Vitoriano fez uso dos elementos típicos dos retábulos tridentinos (fig.84), como: vasos com festões no arremate das colunas voltadas para o público256(fig.96). O

vaso tem um valor simbólico, como representação da água, fonte vital da vida, um atributo conferido, muitas vezes, à figura da Imaculada, considerada receptáculo da Igreja e da vida.

A cúpula do baldaquino é arrematada por volutas em S (fig.86), ornamentadas com festões na parte frontal, tendo em sua parte superior pináculos esculpidos. A cúpula de Campinas possui dois anéis, os dois anéis se encontram finalizados com volutas em S, ornadas com folhagens. Apenas dois casos foram

255 Ob. Cit. 253, p.199

encontrados por Freire257 de cúpula desdobrada em dois anéis, a Igreja de Pirajuíra (BA), e a Catedral de

Campinas. A parte superior a cúpula está arrematada por palmetas e olivas (fig.97). O interior das volutas é ornado com olivas. O anel intermediário possui friso canelado, com um anel mais abaixo também canelado (fig.99).

O anel inferior da cúpula é ornado com festões de flores e um cordão interligado (fig.98). O alto da cúpula é finalizado por um outro vaso, agora fechado e com muitas flores (fig.99).

O entablamento do altar é rico em detalhes alguns como: óvalos e olivas, próprios da talha baiana; florões que ornamentam o friso, criação do próprio entalhador (fig.95).

As colunas de retábulos mores, na Bahia, recebiam ornamentação apenas no terço inferior258, no

caso de Campinas, o artista optou por dividi-las em três partes (fig.88), decorando todos os terços com elementos fitomorfos, sendo as caneluras de cada terço diferentes uma da outra. O primeiro terço recebe decoração de pérolas nas caneluras e óvalos em sua finalização. O segundo terço repete a decoração inferior do primeiro mas, com finalização de festões fitomorfos e óvalos. O terceiro terço começa e finaliza com ornamentos fitomorfos. O capitel das colunas é coríntio259 (fig.89).

O entalhe do trono é todo trabalhado e vazado, como a cúpula, muito parecido ao entalhe praticado por Antônio Joaquim dos Santos no altar de Nosso Senhor do Bonfim em Salvador. Os andares do trono tem formas arredondadas lembrando o rocaille do rococó, estão em número de sete, sendo usual cinco andares260 (fig.93).

Na mesa e no frontal (fig.90), Vitoriano fez uso da mesma sobriedade na ornamentação, mantido em todo seu trabalho. O frontal, de baixo para cima, possui ornamentação com: canelados, pérolas, um friso ornamentado com festões e flores, acantos, friso de cordão retorcido, motivos fitomorfos e olivas, uma de suas assinaturas.

A mesa, atrás do frontal, é arremata com detalhes em forma de U, acantos e olivas. Na coluna lateral se percebe a utilização das pérolas e de motivos fitomorfos. No nicho da padroeira (fig.91) percebe- se olivas, uma coroa pequena com pérolas, pináculos, motivos fitomorfos e cúpula vazada.

Nas pilastrinas (fig.92) a ornamentação mantém-se com festões de flores e olivas, sobrepostas à formas geométricas, estas formas geometrizadas são encontradas também na coroa do baldaquino.

Os detalhes, ornatos e motivos utilizados por Vitoriano no altar mor permitem uma atribuição iconográfica à outras obras entalhadas como: as grades das tribunas, coro e púlpitos. Embora alguns elementos sejam próprios ao seu estilo de cada entalhador, a concepção arquitetônica dos altares demonstra a intenção de consistência visual no conjunto.

257 Ob.cit. 253, p.200

258 Ob.cit. 253

259 Koch, W. Dicionário dos estilos arquitetônicos. São Paulo: Martins Fontes, 1994, p.11 260 Ob.cit. 253