2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.4. AS INSTITUIÇÕES JURÍDICAS NO MUNICÍPIO DE VITÓRIA
A assistência jurídica gratuita e integral ao cidadão hipossuficiente é garantia constitucional expressa no art. 5º da CRFB, que determina ao Estado esta obrigação.
O caput do artigo 134 da Constituição Cidadã atribui à Defensoria Pública, instituição permanente e essencial à função jurisdicional do Estado, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados.
Portanto, a Defensoria Pública é instituição incumbida constitucionalmente da defesa judicial e extrajudicial do cidadão que não possa arcar com os custos do processo judicial e advogado privado.
A Defensoria Pública da União tem representação em Vitória da Conquista por meio de dois Defensores com atuação em defesa do cidadão nos processos que envolvam a Administração Pública Federal nas duas Varas da Justiça Federal.
A Defensoria Pública Estadual em Vitória da Conquista é composta de dez defensores, sendo que a 1ª e a 2ª DP têm atuação na 1ª Vara da Fazenda Pública e na Vara da Infância e Juventude, respectivamente. Sendo assim, em regra, são dois os Defensores Públicos Estaduais com legitimidade de atuação nos processos em Saúde em face deste Município e do Estado da Bahia.
2.4.2 – O MINISTÉRIO PÚBLICO
A atuação do Ministério Público na área da saúde é estabelecida no texto constitucional pela combinação dos artigos 129 e 197:
Art. 129 - São funções institucionais do Ministério Público:
II - zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia;
Art. 197 - São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado. (grifos nossos) (BRASIL, 1988)
Existe grande movimentação do Ministério Público em aprofundar os debates acerca da saúde pública em nosso país. São várias as frentes de atuação, como a criação do Plano Nacional de Atuação do Ministério Público em saúde, o Grupo Nacional de Direitos Humanos do MP, a instituição de um Centro de Apoio Operacional de Defesa da Saúde e a promoção de Fóruns sobre o tema.
Na Bahia, foi criado em 2011, o Centro de Apoio Operacional de Defesa da Saúde – CESAU do Ministério Público Estadual com o intuito de estimular, integrar e promover a cooperação entre as promotorias com atuação na proteção e defesa da saúde.
No Município de Vitória da Conquista, a 11ª Promotoria de Justiça detém a atribuição para atuação na área da saúde.
2.4.3 – A ADVOCACIA PRIVADA
O Estado da Bahia, segundo informa a Ordem dos Advogados, tem 33.757 advogados. Entre eles 1.330 estão cadastrados na Subseção de Vitória da Conquista nas mais diversas áreas. (OAB, 2015)
Uma das variáveis deste estudo pretende verificar a porcentagem das demandas em saúde que contam com a representação jurídica de advogados privados. Esta verificação é importante para, em conjunto com outras determinantes, possibilitar uma inferência acerca do perfil do indivíduo demandante.
Pois, consoante adverte Asensi (2013), não se pode tratar do fenômeno da judicialização sem questionar acerca do viés de classe. É preciso analisar a possibilidade de acesso ao judiciário esteja restrito a determinado perfil socioeconômico específico de litigantes.
2.4.4 – O PODER JUDICIÁRIO
A competência dos Juízes Federais para processar e julgaras causas em que a União for interessada na condição de autora, ré, assistente ou oponente está estabelecida no art. 109, inciso I da Constituição da República. Deste modo, todas as ações acerca do direito à saúde que incluam a União no polo passivo deverão ser propostas na Justiça Federal. (BRASIL, 1988)
As demandas em face apenas do Estado e do Município, em conjunto ou separadamente, devem ser propostas na Justiça Estadual.
Quando o demandante for criança ou adolescente, a jurisprudência já pacificada direciona a competência para a Vara da Infância e Juventude, em razão da situação de risco inerente à lesão ou ameaça de lesão ao direito à saúde do vulnerável.
EMENTA: REEXAME NECESSÁRIO - APELAÇÃO CÍVEL - DIREITO À SAUDE - MEDICAMENTO - PRELIMINAR DE OFÍCIO - VARA DA INFÂNCIA E JUVENTUDE - VARA DA FAZENDA PÚBLICA - INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA - NULIDADE DO PROCESSO.
- Em se tratando de menor, o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) adota a doutrina da proteção integral de amparo e proteção da criança e do adolescente e efetivação de seus direitos fundamentais.
- O artigo 148, IV c/c 209 da Lei 8.069/90 deixam patente a competência do Juízo Menorista para apreciar questões vinculadas a interesses individuais, coletivos e difusos da Infância e da Juventude.
- Independente da situação em que se encontra o menor, é competente o Juízo da Infância e Juventude para apreciar ações em que se pleiteia o fornecimento de medicamentos e insumos.
- Preliminar acolhida. (TJMG - Ap Cível/Reex Necessário 1.0024.09.644333-8/003, Relator(a): Des.(a) Moreira Diniz , Relator(a) para o acórdão: Des.(a) Heloisa Combat , 4ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 11/12/2014, publicação da súmula em 18/12/2014)
REEXAME NECESSÁRIO. DE OFÍCIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DIREITO A SAÚDE. MENOR DE IDADE. NECESSIDADE DE SESSÕES DE FISIOTERAPIA. PRELIMINAR DE OFÍCIO. VARA DA FAZENDA PÚBLICA E AUTARQUIAS. INCOMPETÊNCIA. INFÂNCIA E JUVENTUDE. NULIDADE DO PROCESSO. ARTIGO 248 DO CPC.
Nos moldes do Estatuto da Criança e do Adolescente e da Lei de Organização e Divisão Judiciárias do Estado de Minas Gerais, são da competência da Vara da Infância e Juventude, o processamento e o julgamento da ação cominatória de obrigação de fazer, com o propósito de obtenção gratuita, frente ao Estado de Minas Gerais e o Município de Ipatinga, de sessões de fisioterapia a favor de menor. Nulo, assim, o feito processado e julgado perante o juízo da Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Ipatinga, observada a regra do artigo 248 do CPC. (TJMG - Apelação Cível 1.0313.11.017569-9/004, Relator(a): Des.(a) Washington Ferreira , 7ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 16/12/2014, publicação da súmula em 19/12/2014)
O Município de Vitória da Conquista, portanto, conta com duas Varas da Justiça Estadual e duas Varas da Justiça Federal que detêm competência para julgar processos que envolvam o Ente Público Municipal, quais sejam: Vara da Fazenda Pública, Vara da Infância e Juventude, além da 1ª e 2ª Varas Federais.