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Nos últimos decênios, vários estudos científicos da área médica, envolvendo o consumo de produtos fumígenos, relacionaram a prática tabagista a resultados nocivos para o bem-estar e estilo de vida saudável das pessoas (ERIKSEN et al., 2015)42. Essas abordagens clínicas fundamentaram a ideia dos malefícios dos produtos derivados do tabaco à saúde e, de igual modo, respaldaram a justificativa dos governos para fomentar as políticas públicas direcionadas à formulação de alternativas jurídicas capazes de regular e proibir o uso do tabaco em espaços de uso coletivo.

Como exemplo dessas propostas, temos o documento da Associação Médica Brasileira et al. (2013), que, por meio do Projeto Diretrizes, publicou um estudo cujos resultados das pesquisas eram de natureza acusativa em relação ao tabagismo. Essa investigação buscava subsidiar43 e validar a atuação do aparelho jurídico, no que concerne à necessidade de

41 “Via de regra, as políticas públicas são diretrizes elaboradas para enfrentar um problema público. Elas

possuem dois elementos fundamentais: intencionalidade pública e resposta a um problema público.” (PONTES, 2017. p.12)

42 Nesta obra, os autores apresentam um panorama mundial sobre os danos do tabaco à saúde e ao meio

ambiente. Além desses pontos, eles ainda abordam o uso do tabaco por jovens, homens e mulheres, bem como descrevem os perigos das modalidades e instrumentos usados para o consumo da erva. Outrossim, na observância de complementar as informações, os pesquisadores mostram o funcionamento mercadológico da indústria do tabaco e apontam as estratégias e investidas dos órgãos governamentais para combater o tabagismo no mundo.

43 Segundo os objetivos da investigação, o estudo procura “disponibilizar informações atualizadas sobre os

vários aspectos relativos ao tabagismo, a fim de subsidiar o Poder Judiciário em suas decisões nesse campo da saúde pública”. (ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA et. al, 2013, p.02)

enfrentamento e criminalização44 do ato de fumar pela instância legislativa, em prol da saúde coletiva.

Notadamente, ao examinarmos a história de pesquisas de saúde pública, é possível identificarmos que, desde o século 18, já se realizavam pesquisas que procuravam relacionar alguns tipos de câncer ao consumo de produtos fumígenos. Segundo Carvalho (2001),

um dos mais antigos registros data de 1761, quando o médico londrino John Hil associou tumores no nariz ao consumo de rapé, o tabaco em pó para aspirar. Em 1859, um clínico francês chamado M. Buisson relatou que, ao analisar 68 pacientes com câncer nos lábios e na boca, descobriu que 66 fumavam cachimbo. Um livro publicado em 1885, The Tabacco Problem, de Meta Lander, traz depoimentos de seis médicos que ligavam o tabaco a vários tipos de câncer. Em 1928, os médicos Herbert L Lombard e Carl B. Doering publicaram um tipo de estudo que se tornaria padrão no século 20 – a relação entre as mortes por câncer com idade, renda, alimentação e fumo. CARVALHO (2001, p.14-15)

Essas observações destacam, portanto, que há muito tempo se procurou identificar a associação entre fumo e o surgimento de câncer. No Brasil, há um contínuo estudo investigativo sobre consumo do cigarro em diversas áreas do conhecimento científico, a exemplo das análises de ORIONE (2014); DUHAU (2014); OLIVEIRA (2013); LANG (2013); BALTAR (2011); RODRIGUEZ (2008), dentre muitas outras pesquisas45. Além dos estudos acadêmicos, reportagens46 são publicadas continuamente nas mais variadas mídias47 para divulgar os resultados48 de pesquisas que envolvem o consumo de cigarros, bem como para alertar a população sobre os efeitos49 nocivos da prática tabagista à saúde. Esses discursos produzidos pelos mais variados meios de comunicação contribuem para a construção e manutenção de uma memória de efeitos negativos sobre o tabagismo e consequentemente auxiliam as campanhas do MS no enfrentamento ao tabaco no país, ao construir um contexto histórico de manutenção de práticas discursivas contrárias ao tabagismo.

44 Desde 2014, no Brasil, fumar em ambientes coletivos fechados públicos ou privados é considerado crime, e o

estabelecimento comercial que permitir a prática poderá ser multado ou ter o alvará de funcionamento cassado.

45 Para uma pesquisa mais detalhada e ampla, visitar o Banco de Teses e Dissertação da Capes e na guia busca

usar como entrada a palavra-chave “cigarro”. Disponível em: http://bancodeteses.capes.gov.br/banco-teses/#/ Acesso em: 17 jun. 2018.

46 Disponível em: http://www.almg.gov.br/acompanhe/noticias/arquivos/2014/12/15_lei_antifumo_.html Acesso

em: 17 jun. 2018.

47 Detalhes disponíveis em: http://hotsites.diariodepernambuco.com.br/local/2015/ViverMais/dia7.shtml Acesso

em: 17 jun. 2018.

48Detalhes disponíveis em: https://istoe.com.br/oms-tabaco-mata-mais-de-7-milhoes-por-ano/ Acesso em: 17 jun.

2018.

Vale salientar que, embora a cruzada contra o cigarro tenha se intensificado em meados do século passado, a indústria do tabaco não silenciou e entrou na guerra contra a área das ciências médicas. Como lembra Carvalho (2001), após a divulgação, em dezembro de 1953, de uma pesquisa realizada com ratos pelos médicos Ernest Wynder, Evarts Graham, Adele Croninger(1953)50, a indústria tabagística se viu ameaçada. O estudo revelou que o

alcatrão condensado do tabaco, ao ser aplicado às costas de ratos, 3 vezes por semana, provocou tumores cancerígenos na epiderme dos camundongos. Diante dos resultados alarmantes dessa experimentação, o Comitê de Pesquisa da Indústria do Tabaco se viu forçado a atacar o resultado da pesquisa médica.

De acordo com Carvalho (2001), como estratégia mercadológica, a indústria tabagista publicou um anúncio intitulado “A Frank Statement to Cigarette Smokers”51, no dia 04 de

janeiro de 1954, em 400 jornais, em resposta ao experimento dos pesquisadores. Nessa manifestação pública, embora o Comitê da indústria tabagística creditasse respeito aos profissionais responsáveis pelo estudo, ele acabava refutando os resultados do experimento científico, argumentando que as consequências da relação entre fumar e o aparecimento de câncer eram imprecisas, pois outros fatores da vida moderna, caso da alimentação, poderiam contribuir para o aparecimento de tumores cancerígenos.

No texto publicado nos jornais, a companhia ainda elucidava que muitas autoridades (sem citar quais) questionavam os resultados do experimento, assim como afirmava que não havia provas de que o tabagismo pudesse provocar doenças dessa natureza. No mesmo comunicado, a Fundação da Indústria do Tabaco declarava o seu compromisso com a qualidade dos produtos e considerava que o consumo dos derivados do tabaco não produzia prejuízos à saúde da população, pois as empresas sempre estiveram preocupadas com a saúde pública. Com essa publicação contestadora, a indústria tabagista tentava amenizar os estragos econômicos gerados pela ampla divulgação do experimento médico na imprensa norte- americana, ressalta Carvalho (2001).

Embora essa medida defensora da indústria tenha funcionado na época para estabilizar as ações da empresa, lembra Carvalho (2001), o império de sucesso, fama e poder do tabaco começava a ruir e, consequentemente, o cigarro, sua maior estrela, declinava para a morte devido às mortes que provocava aos fumantes.

50 Maiores detalhes do estudo realizado pelos médicos disponíveis em:

http://cancerres.aacrjournals.org/content/13/12/855 Acesso em: 17 jun. 2018.

51 Para examinar o anúncio na íntegra, cf.: http://archive.tobacco.org/History/540104frank.html Acesso em: 17

Os perigos do fumo à saúde estimularam, então, o surgimento de um movimento social antitabagismo. Ele se organizou na sociedade, sobretudo a partir dos anos 50, com o aumento dos processos judiciais imputados aos fabricantes de cigarro pelos fumantes doentes de câncer. Para complicar esse quadro social desfavorável à indústria cigarreira, agregou-se ainda as denúncias de ex-funcionários das empresas de tabaco sobre a adulteração dos produtos para aumentar o vício do cigarro e a divulgação de documentos secretos da indústria do tabaco por Merrell Williams (2007), sobre o conhecimento das empresas de que o tabaco provocava câncer. Esses fatos, dentre muitos outros (caso das campanhas de saúde), colocaram a indústria do tabaco em uma situação crítica tanto do ponto de vista social quanto econômico, pois o fumante, ao comprar uma carteira de cigarros, adquiria um passe no expresso da morte.

Justamente, com base nesses resultados danosos à vida, é que os pesquisadores Eriksen et al. (2015, p.15) afirmam que “globalmente, o tabagismo matou 100 milhões de pessoas no século 20, muito mais do que todas as mortes na Primeira e na Segunda Guerra Mundial combinadas”. Conforme aponta o relatório desses estudiosos, aproximadamente 1 bilhão de pessoas morrerão até o fim do século 21, por doenças provocadas pelo tabagismo, caso não sejam tomadas as providências necessárias para diminuir o consumo dos produtos fumígenos.

A prática tabagista está associada diretamente a diversas doenças evitáveis como câncer de pulmão, câncer no trato aerodigestivo superior, tuberculose, acidente vascular cerebral, doença cardíaca isquêmica e doença pulmonar obstrutiva crônica, por exemplo. Portanto, além desses reais perigos aos quais estão sujeitos os fumantes ativos, a exposição involuntária à fumaça tóxica é responsável pelo desenvolvimento de doenças pulmonares e respiratórias nos fumantes passivos.

Vale destacar, que os apontamentos históricos destacados em nosso estudo constituem um conjunto de informações cuja relevância está na possiblidade de esclarecermos os movimentos discursivos do contexto sócio-histórico que produziram uma estabilização dos discursos antitabagismo, enquanto suplantavam e silenciavam os discursos tabagistas. Entendemos que essa explanação possibilita a compreensão das Condições de Produção (daqui em diante, CP) em que são produzidos os discursos das campanhas de saúde pública do MS para o Dia Mundial sem Tabaco e para o Dia Nacional de Combate ao Fumo.

Segundo Orlandi ([2006] 2015), do ponto de vista estrito, as CP integram os sujeitos às circunstâncias imediatas da enunciação no processo discursivo; e em sentido mais amplo, elas englobam ainda as ideologias do contexto sócio-histórico. Embora a autora faça essa

abordagem dual, ela ressalta que esse duplo tratamento tem apenas uma função elucidativa, visto que na prática discursiva esses contextos não se separam, já que o funcionamento do discurso agrega simultaneamente o contexto histórico e o situacional.

Nessa diretriz de organização e de funcionamento, as CP não se configuram por meio de um simples agrupamento de sujeitos, de suas situações imediatas de comunicação e do contexto sócio-histórico com seus conflitos ideológicos. Mais do que uma simples associação, elas apresentam uma organização complexa pela razão de serem regidas por um sistema de domínios discursivos (históricos, sociais, psicológicos e linguísticos), destaca Courtine ([1981] 2009), que, ao mesmo tempo, regulam e determinam o dizer.

Quando analisamos as CP de expansão do tabaco, podemos perceber que o discurso de rejeição ao tabaco, como vimos acima, esteve presente em todas as épocas desde a sua propagação no mundo. No caso do Brasil, ao verificarmos a conjuntura sócio-histórica, é possível apontar que o discurso antitabagismo ganhou projeção social ao romper com as forças econômicas dominantes das empresas tabagísticas no governo brasileiro. Nesse entendimento, as constantes pesquisas médicas e seus resultados apavorantes, em razão do número de doenças e mortes relacionadas ao consumo do tabaco, apontaram para um cenário global de rejeição ao tabagismo, sobretudo nos anos 80. Por esse motivo, torna-se relevante verificamos o atravessamento do discurso médico-científico na sustentação da argumentação do MS em suas campanhas de enfrentamento ao tabaco.

O exame de funcionamento dessa estratégia argumentativa do órgão de saúde nos permitirá compreender as mobilizações discursivas operadas pelo MS, principalmente, quando ele recupera as implicações do tabagismo ao corpo (doenças e mortes provocadas em fumantes ativos e passivos) como método de produzir um discurso com efeitos de sentido negativos à prática tabagística, na observância de produzir um efeito de identificação ideológica no sujeito fumante com os discursos desses órgãos, para dissuadi-lo do hábito de fumar.

Em relação à organização discursiva do MS, destacamos também a importância de se analisar o tratamento dado ao fumante passivo na construção de sentidos negativos para o hábito de fumar, visto que ele sofre as consequências diretas do tabaco, devido à inalação involuntária da fumaça do cigarro. Essa abordagem é relevante, especialmente por percebermos que a temática do fumante passivo é recorrente nas campanhas do MS, em razão do elevado número de mortos desse grupo. Segundo Eriksen et al. (2015), só em 2010, mais de 600.000 pessoas não fumantes morreram pela exposição à fumaça tóxica do tabaco em todo o mundo. Isso porque os aditivos utilizados na fabricação dos cigarros produzem na

fumaça, no processo de combustão, mais de 7000 produtos químicos, muitos desses, prejudiciais à saúde, lembram Eriksen et al. (2015). De acordo com esses autores, “tanto o tabagismo ativo quanto o passivo aumentam o risco de doenças cardiovasculares” [tradução nossa] (ERIKSEN et al., 2015, p.19).

Diante desses dados, é possível entendermos que não há níveis seguros de consumo dos produtos fumígenos, pois não importa se o fumante é um agente ativo ou passivo, os dois sofrerão as consequências por estarem sujeitos a desenvolver diversas doenças. No Brasil, de acordo com Pinto et al. (2017), ao trabalhar com dados de 2015, e tendo como referência fumantes acima dos 35 anos de idade, pode-se concluir que em média 150 mil mortes por ano poderiam ser evitadas com a cessação do hábito de fumar, pois “12,6% de todas as mortes que ocorrem no país são atribuíveis ao tabagismo”, reforçam Pinto et al. (2017, p.01).

Nesse quadro de mortes pelo hábito de fumar, é pertinente destacar que ao se associar o tabagismo ao alcoolismo, ampliam-se as consequências do desenvolvimento de doenças relacionadas aos dois tipos de hábito, pois essa combinação estimula o abuso excessivo de consumo de ambas as partes (ERIKSEN et al., 2015). O tabaco ainda se torna mais prejudicial para as pessoas com distúrbios mentais, portadores de HIV/AIDS e com tuberculose, visto que suas patologias e infeções estão mais suscetíveis a se agravar pelos componentes tóxicos, sobretudo com o uso do cigarro, realçam Eriksen et al. (2015). Embora essas doenças e o álcool ao serem combinados com tabaco aumentem os prejuízos à saúde, nenhuma campanha do nosso corpus discursivo apresenta como temática as consequências desastrosas da associação desses hábitos.

Em razão de não haver limites seguros para o consumo do tabaco sem que haja o risco de desenvolver doenças, o mundo é chamado à ação para combater o tabagismo. Por isso, fica notória a necessidade de o governo criar políticas públicas que visem à melhoria de vida da população fumante ou não. E, nesse cenário de enfrentamento ao tabagismo, “a entrada da OMS na luta contra o tabaco modificou completamente a realidade de vários países”, ressalta Lacsko (2008, p.21). Em 1987, essa organização internacional foi responsável pela instituição do Dia Mundial sem Tabaco, comemorado anualmente a cada 31 de maio52. Essa ação da OMS, na verdade, contribuiu com a ação de conscientização já implementada no Brasil, em

52 Conferir detalhes das campanhas criadas pela OMS no site internacional do órgão; disponível em:

11 de junho de 1986, quando o país deu o seu primeiro passo na luta contra tabagismo, estabelecendo o dia 29 de agosto de cada ano, como o Dia Nacional de Combate ao Fumo53.

Essas duas datas são basilares nas ações públicas governamentais do MS. As principais formulações discursivas das campanhas do MS de efeitos antitabagismo circulam exatamente nesse período. Dessa forma, no cenário cultural e jurídico brasileiro, o Dia Mundial sem Tabaco e o Dia Nacional de Combate ao Fumo funcionam como eventos54 políticos de enfrentamento ao tabagismo, cuja materialização do discurso antitabagismo do MS se manifesta, sobretudo, por meio de campanhas nacionais de saúde pública. Ao longo dos últimos 20 anos, os materiais de campanhas foram se modificando para ampliar as formas de divulgação; por esse motivo é possível encontrarmos desde a produção de material impresso como cartaz, folheto, folder, filipeta e manual, bem como material audiovisual como spot e vídeos, além do material digital para fundo de tela de computador e de página do Facebook, hastag e sites. Apesar de haver leis particulares em vários Estados brasileiros e mobilizações de outras instituições55 de saúde no país, com campanhas de combate ao tabagismo, o MS apresenta somente essas duas datas com abrangência nacional de conscientização da população.

A data instituída pela OMS foi uma iniciativa muito importante para estimular o surgimento, ainda nos anos 80, de políticas públicas voltadas para o enfrentamento ao tabagismo em vários países. O objetivo, de acordo com Lacsko (2008), era conscientizar os fumantes dos malefícios do ato de fumar para a saúde, especialmente nos países favoráveis a indústria do tabaco, caso do Malauí, no sudeste da África, onde os interesses econômicos e políticos sufocavam as atividades das ONGs. A prática tabagista é entendida, portanto, pelos órgãos de saúde pública, como uma epidemia mundial que precisa ser combatida incansavelmente. Por essa razão, na tentativa de estabelecer um maior ordenamento nas ações, foi criado ainda nos anos 80, o Programa Nacional de Controle ao Tabagismo56 (doravante

53 Disponível em: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1980-1987/lei-7488-11-junho-1986-367954-

publicacaooriginal-1-pl.html Acesso em: 25 mar. 2018.

54 Segundo Londei et al. (2013, p. 13-14) “ é o discurso que contribui para a construção do evento, mesmo o

referente do evento, dando-lhe um "nome", e sendo o objeto de estudo privilegiado de uma semântica discursiva que estuda o modo como designamos, qualificamos, caracterizamos e nomeamos os eventos” (C’est le discours qui contribue à construire l’événement, voire le référent de l’événement, en lui donnant un « nom », et c’est l’objet d’étude privilégié d’une sémantique discursive qui étudie la façon dont on désigne, on qualifie, on caractérise, on nomme les événements). [tradução nossa]

55 Conferir a Organização não-Governamental Aliança para o Controle do Tabagismo (ACT), disponível em:

http://actbr.org.br/ Acesso em: 10 jul. 2018.

56 Disponível em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-

PNCT), na perspectiva de promover a saúde no Brasil, com ações que objetivavam reduzir o número de fumante e de mortes provocadas pelo uso dos produtos fumígenos.

Assim, os estudos médicos relacionando o crescente número de mortes por câncer com o hábito de fumar, juntamente, com as pressões dos órgãos de saúde pública impulsionaram o Legislativo a criar leis e normatizações capazes de regular a publicidade e o consumo de cigarro em nosso país. Nesse contexto histórico, vale destacar que, embora o Dia Nacional de Combate ao Fumo (desde 1986) e o Dia Mundial sem Tabaco (desde 1987) tenham favorecido as políticas públicas de alerta à população sobre os malefícios que os produtos derivados do tabaco provocam à saúde, foi somente com a Lei nº 9.294, decretada em 1996, que o Brasil rompeu com a tolerância à prática do tabagismo e estabeleceu uma postura mais rigorosa de proibições, alargando, via justiça, a cruzada de criminalização do ato de fumar, iniciada no país uma década antes, com o Dia Nacional de Combate ao Fumo, em 1986.

Como já mencionado, esses apontamentos em torno do consumo de cigarros e seus malefícios para a saúde do fumante ativo e passivo são necessários para compreendermos o funcionamento discursivo das propagandas antitabagismo do MS. A fim de organizamos adequadamente os acontecimentos que configuram as CP dos discursos antitabagismo essenciais à leitura do nosso corpus, daremos continuidade analisando os processos de organização do Legislativo na instauração do dispositivo jurídico que designamos de Lei Antitabagismo.