O/a assistente social é considerado/a um/a profissional da saúde expresso na resolução nº 218, de 06 de março de 1997 do Conselho Nacional de Saúde e na resolução nº 383/99 de 29 de março de 1999 do CFESS. Na atenção básica desempenha um papel fundamental na concepção de saúde enquanto conceito ampliado por esta ser o lócus do desenvolvimento de ações que ultrapassam a prática curativa individual, apesar da enorme presença, ainda, de uma saúde tradicional.
O/a profissional em Serviço Social pode agregar valor a equipe através da crítica a saúde focada na doença e do fortalecimento da saúde como direito de cidadania e seu conceito ampliado. Isso remete a questões mais gerais que interferem no processo saúde-doença, significa dizer que o/a assistente social tem seu reconhecimento enquanto trabalhador da saúde na atuação junto aos Determinantes Sociais de Saúde, que imbricam no processo de cuidado a saúde e em melhores condições de vida da população, na perspectiva da intersetorialidade e da interdisciplinaridade.
Nessa perspectiva a partir da pesquisa de campo realizada nas unidades de saúde em Natal/RN no período de março de 2016 a maio do referido ano, podemos observar como se desenvolve o exercício profissional dos/as assistentes sociais na AB do município.
Primeiramente, cabe destacar a caracterização dos sujeitos de pesquisa entrevistados, sendo a maioria é do sexo feminino, constando apenas um homem na amostra de 12 assistentes sociais. O que reafirma a predominância de profissionais mulheres no Serviço Social.
A idade dos/as profissionais varia entre 32 anos a 60 anos, sendo 10 dos sujeitos pesquisados com idade de 45 a 60 anos.
Gráfico 02 – Faixa etária de idade dos/as entrevistados
Fonte: elaborado pela autora
De acordo com o gráfico podemos perceber que a maioria dos/as profissionais estão na faixa dos 50 anos de idade, não aparecendo a faixa dos 20 anos de idade. Também são esses profissionais a maioria dos ocupantes de cargos efetivos via concursos públicos realizados na saúde de Natal e com vasta experiência nessa área. Os mais jovens sofrem com a precarização dos vínculos temporários e exclusão do mercado de trabalho, esta é uma forte tendência da ampliação das formas “flexíveis” de contratação de trabalhadores que vem se operando desde a década de 1990 (ANTUNES, 2008).
No que diz respeito a formação profissional 10 (onze) se formaram em universidades públicas, destas, 09 (dez) na Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN e 01 (um/uma) na Universidade de Brasília - UNB e 02 (dois/duas) em faculdade privada. Desses/as 07 (sete) possuem pós-graduação; 04 (quatro) nunca fizeram e 01 (um/uma) está em andamento, como podemos ver na figura abaixo.
Gráfico 03 – Escolaridade dos sujeitos de pesquisa
8% 8% 17% 25% 25% 17%
Idade dos sujeitos de pesquisa
32 anos 34 anos 45 anos 50 anos 58 anos 60 anos
Fonte: elaborado pela autora
A partir do gráfico é possível compreender que a maioria dos/as profissionais pesquisados possuem preocupação com a educação permanente e investem em sua qualificação através dos cursos de pós-graduação (todos de especialização), o que contribui para a melhoria dos serviços ofertados.
Em relação aos vínculos empregatícios 75% (09) dos/as entrevistados/as são do quadro efetivo do município, enquanto 25% (03) estão empregados/as via contratos temporários, desse percentual, 02 (dois/duas) são dos Consultórios na Rua e 01 (um/uma) de USF e não possuem mais de um vínculo de trabalho.
Além da precariedade dos vínculos trabalhistas, porque no nosso caso é contrato temporário, aí já há uma grande fragilidade na questão trabalhista, e os gestores municipais não respeitam também a nossa lei das trinta horas semanais. E que no caso, eu enquanto profissional de Serviço Social, trabalho quarenta horas, tanto eu como outras profissionais na área da saúde desse município [...] (ASSISTENTE SOCIAL 1).
Os contratos temporários fragilizam os trabalhadores em diversos aspectos, um deles remete a defesa dos próprios direitos enquanto trabalhadores assalariados, como a garantia da jornada de trabalho conquistada pela categoria através da promulgação da Lei nº 12.317/2010 que trata da carga horaria de trabalho dos/as assistentes sociais, determinando o total de trinta horas semanais. Além do mais, demostra a contradição da proposta de criação de vínculos e continuidade do cuidado previstos na PNAB (2012), que regulamenta a atenção básica no país, pela necessidade de criação de vínculos
59%
8% 33%
Nível de formação dos/as
assistentes sociais
Com pós- graduação Pós-graduação em andamento Não possui pós- graduaçãoe continuidade dos serviços para a população, dado o trabalho com as famílias, indivíduos e comunidades, o que pressupõe vínculos afetivos e efetivos.
Através do princípio da universalidade sabemos que o SUS é de acesso a todos os cidadãos independente de classe social, gênero, raça e etnia, todavia as pessoas em situação de rua têm sofrido esse distanciamento das políticas sociais públicas. As equipes de consultórios na rua, vinculadas as USF, aparecem como forma de estender os serviços de atenção básica as pessoas em situação de rua que não procuram as unidades de saúde por diversos motivos, principalmente, pelo preconceito dos profissionais em atender esse seguimento “[...] A gente tenta sensibilizar os profissionais da atenção básica para o atendimento a essa morador de rua que sofre um preconceito e a gente carrega também um preconceito por cuidar, por estar com eles” (ASSISTENTE SOCIAL 5).
Ainda que haja a PNPSR e outras políticas setoriais e intersetoriais, elas nem sempre garantem um cuidado integral pois o imaginário social sobre a população em situação de rua influencia significativamente a prática dos profissionais que atuam nos serviços de saúde. [...] Características estigmatizantes como a sujeira, o mau cheiro e o efeito de drogas lícitas e ilícitas são, muitas vezes, determinantes para a precariedade no acolhimento ao morador de rua nos serviços de saúde. O processo de exclusão dessa população é reforçado institucionalmente por meio da burocracia para o agendamento das consultas e da inflexibilização dos horários de atendimento, assim como da exigência de documento de identidade, comprovante de endereço e do Cartão SUS (HALLAIS; BARROS, 2015, p. 1499).
A realidade das Equipes de Consultórios na Rua é carregada de estigmas e preconceitos por se tratar de um público historicamente privado de direitos na sociedade e invisível aos olhos do Estado. O trabalho das ECR é importante para inserir essa população que, apesar de ter a saúde de acesso universal, não são contemplados com as ações e serviços, muitas vezes, por não se sentirem possuidores desse direito, pelo medo do preconceito dos profissionais que atendem e pelas próprias dificuldades de se deslocar até as unidades.
A atuação da ECR permite a identificação das necessidades sociais de saúde desses sujeitos e sua integração aos serviços ofertados no âmbito do SUS e demais políticas a partir da articulação da rede intersetorial.
A criação de vínculo que deve ser estabelecida pelas equipes de consultórios na rua é de extrema importância para a constituição de laços de confiança entre a equipe e os usuários para a continuidade do cuidado de uma população que vivencia diversas formas de exclusão por todos os setores da sociedade, perdas e desqualificação social57 por não estarem inseridos no mercado de trabalho formal e terem uma vida considerada normal. Porém, a contratação temporária dos profissionais inviabiliza essa constituição de vínculos e interrompe a continuidade do cuidado dificultando a inserção desses sujeitos nos serviços de saúde de forma acompanhada ou no sentido longitudinal.
Gráfico 04 - Tempo de trabalho na saúde
Fonte: elaborado pela autora
Já sobre o tempo de trabalho na saúde a maioria dos/as profissionais possui mais de 05 anos de atuação, variando entre 10 a 15 anos no total, assim como nos serviços de atenção básica pesquisados. Todavia, os/as profissionais com contratos temporários têm menor tempo de trabalho na saúde e principalmente no serviço.
57 A desqualificação social está ligada à questões relativas à situação de pobreza e a processos
de exclusão do mercado de trabalho. Nas sociedades modernas, a pobreza não é somente o estado de despossuir, mas sim de um status social específico, inferior e desvalorizado, que imprime uma identidade àqueles que vivenciam essa situação (PAUGAM, 2003).
75% 8%
17%
TEMPO DE TRABALHO NA SAÚDE
Mais de 05 anos 3 a 5 anos 1 a 3 anos
Gráfico 05 - Tempo de trabalho na Atenção Básica
Fonte: elaborado pela autora
Sobre o tempo de trabalho na AB, a maioria dos pesquisados que possuem mais de 05 (cinco) anos na saúde (10 a 15 anos) é também o mesmo tempo de experiência na AB, variando apenas os serviços.
No que concerne as demais condições de trabalho, percebemos que apesar de se diferenciarem de um serviço para outro, de um modo geral, são bastante precárias em relação as necessidades para o melhor desenvolvimento das ações e serviços.
Diante disso, as condições de trabalho fazem parte do principal fato, apontado por profissionais que trabalham na atenção básica de saúde do município do Natal, como dificuldade que os impedem de prestar um serviço de melhor qualidade e de proporcionar o acesso aos direitos sociais. Além disso, dependendo do serviço em que o/a assistente social se insere, as condições podem ser um pouco melhores ou piores, mesmo dentro da mesma política, no caso a de saúde, mas a precarização é apontada em todas as falas. No espaço do NASF, como pode ser visto na fala a seguir:
As condições de trabalho são precarizadas porque, por exemplo, o NASF dá apoio a sete equipes de unidades diferentes, então a gente deveria ter um carro pra ter uma equipe volante [...] nesse trabalho de articulação não é só entre as unidades, eu tenho que ir no Conselho Tutelar, CRAS, CREAS e etc. então a gente precisa ter um carro pra poder circular, estar se deslocando de um lugar para outro e são em torno de 5 km, então nós temos que usar o nosso carro com o dinheiro do nosso
83% 9% 8%
TEMPO DE TRABALHO NA AB
Mais de 05 anos 03 a 05 anos 01 a 03 anosmisero salário. [...] Não tinha um computador, agora que chegou um computador, mas não tem internet aí então ainda não foi instalado os programas que são importantes como o Excel, o Word para que possamos trabalhar. Ficava tendo que trabalhar em casa porque na unidade não oferecia as condições (ASSISTENTE SOCIAL 2).
Podemos perceber que os/as profissionais precisam buscar estratégias para a viabilização do seu exercício profissional se utilizando de recursos próprios, frente à negligência do município em ofertar os meios básicos de trabalho, e até mesmo estendendo a sua jornada de trabalho para além do seu horário e do espaço institucional implicando em um desgaste da força de trabalho pela sobrecarga, com vistas a contemplar as inúmeras demandas que chegam diariamente aos serviços. Como resultado podemos citar principalmente o adoecimento dos/as trabalhadores/as e a mecanização das respostas profissionais resultantes da imediaticidade.
Na materialização das políticas, temos profissionais em condições cada vez mais precárias de trabalho, adoecidos, capturados pelo procedimentalismo exigido pelas próprias políticas e seu conjunto de cartilhas e manuais, reiterando a produção do já produzido, ou seja, uma reprodução sem reflexão, sem mediações, sem crítica, despolitizada, com ênfase conformadora (PRATES, 2013, p. 5).
Em outra fala, também relacionada ao NASF é denunciado inclusive a falta de salas para os profissionais da equipe, a medida em que o NASF não possui estrutura física própria, pois utiliza as dependências das unidades que matricia.
A gente tinha uma sala para planejar, mas essa sala a gente utiliza para tudo [...] quando a gente precisa fazer algum atendimento individual você tem que ficar procurando uma sala livre na unidade, nesta unidade porque na outra nem isso porque não tem espaço [...] (ASSISTENTE SOCIAL 3).
O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) normatiza através da resolução nº 493/2006 de 21 de agosto de 2006 as condições de trabalho necessárias para o exercício profissional dos/as assistentes sociais independente da área de atuação.
Art. 1º - É condição essencial, portanto obrigatória, para a realização e execução de qualquer atendimento ao usuário do Serviço Social a existência de espaço físico, nas condições que esta Resolução estabelecer.
Art. 2º - O local de atendimento destinado ao assistente social deve ser dotado de espaço suficiente, para abordagens individuais ou coletivas, conforme as características dos serviços prestados [...]
Art. 3º - O atendimento efetuado pelo assistente social deve ser feito com portas fechadas, de forma a garantir o sigilo. Art. 4º - O material técnico utilizado e produzido no atendimento é de caráter reservado, sendo seu uso e acesso restrito aos assistentes sociais.
Art. 5º - O arquivo do material técnico, utilizado pelo assistente social, poderá estar em outro espaço físico, desde que respeitadas as condições estabelecidas pelo artigo 4º da presente Resolução (CFESS, 2006, p. 2-3)
As condições de trabalho, embora não determinem a atuação profissional do/a assistente social, repercute na qualidade dos serviços prestados, pois os/as profissionais necessitam de condições objetivas para viabilizar o acesso aos direitos sociais e nesse processo precisam planejar suas ações com vistas a definir as finalidades do seu exercício problematizando o “por que fazer” e “para quem fazer” e não apenas no âmbito tecnicista do “como fazer” sem elencar prioridades e análise críticas acerca das suas ações.
Deve-se compreender a precarização em um sentido mais amplo, tanto com relação às condições de acesso e inserção no mercado de trabalho protegido, quanto às condições de trabalho no espaço institucional propriamente dito. Assim, no caso do Serviço Social, uma mediação para que a precarização do trabalho seja entendida é a política social, na sua relação com o fundo público, pois o trabalho do assistente social está atravessado pelas determinações desta (SANTOS; MANFROI, 2015, p. 186).
Assim, significa dizer que a precarização das condições de trabalho que afetam os/as assistentes sociais é fruto do modo como vem sendo tratada as políticas sociais no contexto neoliberal, sob a lógica da focalização; tornar os serviços mais enxutos tanto na oferta, quanto na quantidade de trabalhadores/as empregados/as.
presentes nas unidades de saúde que segundo a maioria dos sujeitos de pesquisa é insuficiente principalmente naquelas que contam com apenas um/a assistente social em seu quadro, deixando horários descobertos.
As regiões Norte I, Norte II e Oeste, são as mais vulneráveis do município e as que possuem as maiores lacunas de profissionais de Serviço Social, com uma pequena vantagem do distrito Oeste em relação aos demais. Encontramos 02 (dois/duas) em toda região Norte; 04 (três) Oeste; 02 (dois/duas) Leste e 04 (quatro) Sul. Com isso, podemos observar que a região Norte, que é dividida em dois distritos sanitários, conta apenas com duas profissionais na atenção básica, entretanto apenas 01 (um/uma) faz atendimento direto a população por se tratar de uma USF e o/a outra não por ser um NASF e ofertar suporte a equipe.
Como consequência temos a sobrecarga dos profissionais inseridos, e dificuldades na abrangência da população atendida. A fala da profissional a seguir, reflete a totalidade das dificuldades de trabalho denunciadas pelos/as entrevistados/as, independente do serviço que se encontram.
A primeira é que as equipes, a maioria delas, estão estouradas, elas estão passando dos seus limites de cobertura e aí você tem muito mais gente e pouca oferta. O modelo também, que é curativista, acaba não fazendo promoção, prevenção e aí não se dá conta, né? Você não tem exames suficientes, os médicos, as consultas não são suficientes, se trabalha muito na questão individual e não coletiva, há muita resistência nisso. O modelo que está posto, que faz com que não de conta se você ficar nessa oferta individual, sem ampliar os serviços (ASSISTENTE SOCIAL 3).
Percebemos dois fatores presentes na fala do sujeito de pesquisa que se entrelaçam nesse contexto neoliberal, o primeiro remete ao insuficiente investimento em recursos humanos para atendimento à população e o segundo é a supremacia do modelo médico curativo em relação a prevenção e promoção em saúde, quando na verdade a ênfase deve ser para as atividades preventivas sem prejuízo para as assistenciais.
A política de saúde, embora tenha evoluído nas concepções e proposições acerca da promoção e prevenção, em consonância com as determinações sociais de saúde, ainda são pequenos os avanços nessa
perspectiva e se mantem o cuidado focado no atendimento individual e na doença, além de funcionarem de forma desarticulada dentro do próprio sistema.
A crise contemporânea dos sistemas de atenção à saúde reflete o desencontro entre uma situação epidemiológica dominada por condições crônicas e um sistema de atenção à saúde voltado para responder às condições agudas e às agudizações de condições crônicas, de forma fragmentada, episódica e reativa. Isso não deu certo nos países desenvolvidos, isso não está dando certo no SUS (BRASIL, 2015, p. 38).
Dessa maneira, apesar desses fatores serem gerais na execução das políticas de saúde, afeta diretamente o fazer profissional do/a assistentes sociais que precisa dar respostas as demandas sociais que são trazidas pelos/as usuários/as nos inúmeros serviços de saúde em Natal/RN.
O trabalho em equipe é apontado nos dados, 04 (quatro) entrevistados/as, como um desafio no cotidiano das unidades de saúde, pois alguns profissionais esboçam resistência em participar de atividades coletivas e/ou compartilhar dificuldades, ficando o trabalho em equipe, muitas vezes, fechado ao mero encaminhamento. Principalmente na realidade das equipes de Consultórios na Rua devido ao estigma que as pessoas em situação de rua carregam na sociedade. “O trabalho em equipe funciona em parte. Há alguns profissionais que não são muito abertos para trabalhar em equipe [...] não compartilha as informações, não discute os casos” (ASSISTENTE SOCIAL 5).
A atuação em equipe é necessária para propiciar, dentro do espaço em que se trabalha, a integralidade da atenção e cuidado em saúde ou “integralidade focalizada” (CECÍLIO, 2001), como objetivo de cada profissional e serviço de saúde.
A superação da visão fragmentada dos saberes é uma importante ferramenta para melhoria na qualidade dos serviços ofertados que exigem a compreensão das necessidades de saúde numa perspectiva de totalidade, mas:
Observa-se que no contexto dos serviços de saúde persiste a distância entre o discurso e a prática interdisciplinar na atuação dos profissionais, caracterizada pela insuficiência de fundamentação teórico-conceitual e prática sobre interdisciplinaridade. Tal situação, aliada às fragilidades socioinstitucionais, tende a reforçar lógicas e ações hierarquizadas entre as categorias profissionais que seguem
centradas meramente nas especificidades teórico-práticas, fragmentando o trabalho e produzindo objetivos incomuns (SILVA; LIMA, 2012, p. 114).
Assim, podemos entender que a interdisciplinaridade não se efetiva de forma “natural” no processo que agrega diferentes profissões, mas sim, construída socialmente desde a formação profissional até a prática cotidiana.
Sobre o incentivo a formação/qualificação continuada todos/as entrevistados/as afirmaram existir por parte da SMS, em muitos casos em parceria com a UFRN e/ou faculdades privadas. Contudo, nem todos/as os sujeitos pesquisados participam dos cursos e atividades ofertadas pelas instituições. Da amostra, 09 (nove) disseram participar com bastante frequência; 01 (um/uma) participa de tempos em tempos e 02 (dois/duas) demonstraram não ter interesse por considerarem sem necessidade. Quando perguntado sobre as atividades e a periodicidade que tem participado, um/a deles/as respondeu:
[...] Não diretamente na área (Serviço Social), são mais gerais da saúde, mas não tenho participado de nenhuma, na verdade faz bastante tempo que não participo de nada (ASSISTENTE SOCIAL 6).
É preciso destacar que o compromisso com a qualificação profissional, além de ser um princípio ético, contido no Código de Ética, é um dos requisitos ao assistente social para a qualidade na prestação dos serviços aos usuários. A atualização é importante para não ficar destoado das discussões profissionais o que foi bastante visível nas entrevistas com esses determinados profissionais.
A educação permanente, embora encontre diversas barreiras objetivas a sua efetivação - sobrecarga de trabalho, recursos financeiros, entre outros – ela deve ser compreendida enquanto “[...] um importante instrumento para a construção e qualificação de ações cotidianas no exercício da profissão e na sua capacidade de organização política” (CFESS, 2012, p. 21).
O desconhecimento das atribuições privativas por parte dos/as profissionais é um dos dados também evidenciados pelo conjunto CFESS/CRESS, na brochura lançada em 2012 ao trazerem as preocupações em torno das atribuições e que destacam como um dos motivos e preocupações a falta do aprimoramento intelectual:
• Distanciamento da categoria em relação às mudanças que ocorrem na profissão nos últimos 20 anos (lei, código, novo currículo, produção teórica) e das conquistas democráticas (CF, ECA, LOAS, SUS), resultando em práticas conservadoras, pragmáticas, sem investimento na capacitação profissional;