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O Serviço Social é regulamentado como uma profissão liberal inserida na divisão social e técnica do trabalho possui marcos legais e éticos que amparam o/a assistente social no seu exercício profissional. A profissão é norteada pelo projeto ético-político que data dos anos de 1990, período de sua consolidação, começando a ser construído já em 1960 quando as bases do Serviço Social tradicional começam a ser corroídas por divergências e questionamentos levantados pelas vanguardas da categoria acerca do conservadorismo, até então imperante na profissão desde o seu surgimento.

Esse movimento foi iniciado por vanguardas da categoria oriundas de diversos países da América Latina e foi denominado de “Movimento de

Reconceituação44”. Assim, é esse movimento que demarca o processo de renovação da profissão através de avanços e rupturas no sentido de construção de uma consciência crítica dos sujeitos.

É após o Movimento de Ruptura que a profissão passara a estar comprometida com a defesa dos direitos sociais da classe trabalhadora através da efetivação dos direitos e políticas sociais, assumindo assim outro caráter político e questionador do modo de sociabilidade capitalista.

Nessa perspectiva é interessante ressaltar o que vem a ser o projeto ético- político do Serviço Social para melhor entendimento da problemática. Primeiramente este é um projeto profissional com direção ideopolítica em defesa dos interesses da classe trabalhadora com aspiração a construção de uma sociedade justa e igualitária. Nele estão contidos princípios éticos, direitos e deveres norteadores para a atuação profissional. Nesse sentido o projeto ético- político possui componentes imperativos e indicativos.

Imperativos são aqueles componentes compulsórios, obrigatórios para todos que exercem a profissão (estes componentes, em geral, são objeto de regulamentação estatal); indicativos são aqueles em torno dos quais há um consenso mínimo que garanta o seu cumprimento rigoroso e idêntico por todos os membros da categoria profissional (NETTO, 1999, p. 9).

Vale ressaltar que o projeto não está fundamentado em um único documento, ele é formado pela Lei de Regulamentação da profissão (8.662/93), pelas diretrizes curriculares da ABEPSS (Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social), e o Código de Ética profissional instituído pela resolução CFESS nº 273 de março de 1993. Esses três dispositivos formam o projeto ético-político do Serviço Social agregando os componentes imperativos e indicativos apontados acima por Netto (1999).

O projeto ético-político do Serviço Social é um projeto profissional construído coletivamente pelo corpo da categoria através do respeito ao

44 O Movimento de Reconceituação refere-se ao processo de renovação do Serviço Social em

que a profissão voltou-se para discutir, de forma endógena, as suas dimensões teórico- metodológicas, ético-políticas e técnico-operativas. O movimento está divido em três direções: Perspectiva Modernizadora; Reatualização do Conservadorismo e a Intenção de Ruptura (NETTO, 2010).

pluralismo de ideias e posicionamentos divergentes, chegando assim a um relativo consenso, onde tal projeto adquire certa hegemonia. O autor destaca o que vem a configurar como projeto profissional:

Inscrevem-se no marco dos projetos coletivos aqueles relacionados às profissões especificamente as profissões que, reguladas juridicamente, supõem uma formação teórica e/ou técnico-interventiva, em geral de nível acadêmico superior. [...] Os projetos profissionais apresentam a autoimagem de uma

profissão, elegem os valores que a legitimam socialmente, delimitam e priorizam seus objetivos e funções, formulam os requisitos (teóricos, práticos e institucionais) para o seu exercício, prescrevem normas para o comportamento dos profissionais e estabelecem as bases das suas relações com os usuários de seus serviços, com as outras profissões e com as organizações e instituições sociais privadas e públicas (inclusive

o Estado, a que cabe o reconhecimento jurídico dos estatutos profissionais) (NETTO, 1999, p. 4).

Dessa forma, o projeto profissional é fundamentado por um conjunto de elementos que conformam as dimensões teóricas, político-organizativas e jurídico-políticas que se articulam e embasam o exercício profissional.

a) A produção de conhecimentos no interior do Serviço Social,

através da qual conhecemos a maneira como são sistematizadas as diversas modalidades práticas da profissão, onde se apresentam os processos reflexivos do fazer profissional e especulativos e prospectivos em relação a ele. b). As instâncias político-organizativas da profissão, que envolvem tanto os fóruns de deliberação quanto as entidades da profissão: as associações profissionais, as organizações sindicais e, fundamentalmente, o conjunto CFESS/CRESS (Conselho Federal e Conselhos Regionais de Serviço Social), a ABEPSS (Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social), além do movimento estudantil [...].

c) A dimensão jurídico-política da profissão, na qual se constitui o arcabouço legal e institucional da profissão, que envolve um conjunto de leis e resoluções, documentos e textos políticos consagrados no seio da profissão (TEIXEIRA; BRAZ, 2009, p.8- 9).

Houve uma longa trajetória para a construção do projeto profissional como está consolidado hoje, passando por diversos momentos de convergências e divergências em torno das dimensões teórico-metodológicas, ético-políticas e técnico-operativas.

denominado de Movimento de Reconceituação está dividido em três direções ou vertentes, a primeira é a direção da perspectiva da Modernização Conservadora45; a segunda é a perspectiva da Reatualização do Conservadorismo46 e por última a perspectiva de Intenção de Ruptura. Estas direções expressam momentos de nuances diferentes da renovação da profissão com avanços e retrocessos em relação a superação no pensamento conservador (NETTO, 2010).

Para a compreensão do atual projeto ético-político vale chamarmos atenção para a terceira direção de renovação do Serviço Social, a Intenção de Ruptura, que se gestou no período de crise do modelo ditatorial com forte participação popular pressionando pela redemocratização do país, que influenciou a redefinição do pensamento conservador e a participação dos profissionais na defesa da abertura política.

O período ditatorial perdurou dos anos de 1964 a 1985, representando um marco de fortes tensões sociais, coerção e repressão armada. Contraditoriamente, o autoritarismo militar encontrou resistência dos movimentos sociais em defesa dos direitos sociais e civis que junto a insatisfação popular pelo modo de gestão do regime ditatorial que deteriorava o modo de vida dos/as trabalhadores/as, ascendeu a rebeldia e efervescência dos movimentos sociais e populares (FERNANDES, 1975).

Surge então uma nova forma de conceber a atuação do Estado na representação dos interesses coletivos da sociedade e sua responsabilidade na prestação das políticas sociais. A participação de estudantes e intelectuais nas formulações as críticas ao modelo ditatorial e a omissão do Estado diante das

45 De acordo com Netto (2010), expressa um esforço da categoria em se adequar as exigências

postas pela conjuntura sociopolítica emanada pelo golpe militar de 1964. O autor aponta ainda que “[...] o núcleo central desta perspectiva é a tematização do Serviço Social como interveniente, dinamizador e integrador no processo de desenvolvimento”. (p. 154). Esta direção é marcada pelo primeiro Seminário de Teorização do Serviço Social, organizado pelo Centro Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio de Serviços Sociais (CBCISS) em Araxá (MG), entre 19 a 26 de março de 1967, e pelo segundo encontro realizado na cidade de Teresópolis (RJ), entre 10 a 17 de janeiro de 1970, ambos resultaram na elaboração de dois documentos no qual é apontada a direção da atuação do Serviço Social em consonância com as novas exigências do período ditatorial, abordando elementos teórico-metodológicos, ideológicos e operativos em um seguimento de cunho estrutural-funcionalista.

46 A Reatualização do Conservadorismo é marcada pela realização de dois seminários nas

cidades de Sumaré, entre 20 a 24 de novembro de 1978, e Alto da Boa Vista, em novembro de 1984, ambas localizadas no estado do Rio de Janeiro, de onde resultou na elaboração de dois documentos respectivamente (NETTO, 2010).

mazelas sociais foi importante para a construção de propostas e reivindicações que calcassem a atuação dos movimentos sociais e populares (FERNANDES, 1975).

Com isso, o Serviço Social, no âmbito das academias, passou a incorporar novos pensamentos divergentes das correntes conservadoras e questionar a conduta da profissão. A Intenção de Ruptura emerge, ainda na década de 1970, sendo levantada por profissionais que representavam a vanguarda do Serviço Social por suas ideias estarem a frente de seu tempo. Esta surge isolada aos muros da universidade, inicialmente na Escola de Serviço Social da Universidade Católica de Minas Gerais, onde foi elaborado o Método de BH por docentes da mesma universidade, sendo resultado de experiências a partir de pesquisas e extensões universitárias e estágios onde criticavam e apontavam alternativas as práticas conservadoras (NETTO, 2010).

O fato que marca a perspectiva de Intenção de Ruptura é o III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS), ocorrido em 1979, na cidade de São Paulo, quando há a substituição da mesa de abertura que seria formada por nomes oficiais da ditadura militar passando a ser composta por nomes do movimento dos trabalhadores ficando assim conhecido como “Congresso da Virada” (TEIXEIRA; BRAZ, 2009).

É a partir desse período histórico, mais precisamente, na segunda metade da década de 1980 que essa direção irá extrapolar o âmbito acadêmico e passar a vigorar nos debates profissionais. A Intenção de Ruptura passou por “três momentos diferenciáveis: o da sua emersão, o da sua consolidação acadêmica e o do seu espraiamento sobre a categoria profissional” (NETTO, 2010, p. 261), porém esse processo não aconteceu de forma linear. No período de emergência e consolidação acadêmica houve algumas interrupções e só foram retomados mais tarde no momento de espraiamento para a categoria profissional.

Assim, o processo que se inicia em meados da década de 1960 alcança seu auge na década de 1980 a qual é considerada a maturidade intelectual da profissão principalmente com a expansão dos cursos de pós-graduação em Serviço Social e aproximação direta com a tradição marxista.

A obra de Iamamoto (1982) é considerada o marco dessa maturidade intelectual. Entretanto, esta terceira vertente não alcançou os resultados

previstos no âmbito do exercício profissional que “[...] no seu perfil, um flagrante hiato entre a intenção de romper com o passado conservador do Serviço Social e os indicativos prático-profissionais para consumá-la” (NETTO, 2010, p. 161). Mas representou um enorme avanço para a renovação e consolidação da profissão e do projeto ético-político como está expresso hoje.

É a partir desse momento que começa a se desenvolver pela primeira vez, no âmbito do Serviço Social, um projeto profissional comprometido com a defesa dos direitos da classe trabalhadora, incorporando princípios éticos diferentes dos princípios tradicionais burguês e distante do conservadorismo católico existentes na sua base.

A origem do Projeto Ético-Político Profissional, concebido nos anos 90, e sua direção sociopolítica deitam raízes nas lutas da classe trabalhadora pelos seus interesses imediatos (trabalho, salário, reforma agrária, reforma urbana, direitos sociais, previdenciários, trabalhistas e etc.), acoplados a luta contra a ditadura e à construção da democracia em articulação aos seus interesses históricos expressos nas lutas anticapitalistas, anti- imperialistas e socialistas (ABRAMIDES, 2006, p. 28).

O novo projeto profissional de 1993, que é uma reedição do código de ética de 198647, condensa em seu Código de Ética, princípios humanistas que defendem uma sociedade livre de qualquer tipo de exploração e discriminação, apreendendo uma ética emancipatória que expressa os valores do projeto profissional48, a saber:

I. Reconhecimento da liberdade como valor ético central e das demandas políticas a ela inerentes - autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais;

II. Defesa intransigente dos direitos humanos e recusado arbítrio e do autoritarismo;

III. Ampliação e consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial de toda sociedade, com vistas à garantia dos direitos civis sociais e políticos das classes trabalhadoras;

47 A profissão teve ao longo da sua história cinco códigos de ética todos consoantes com as

situações internas e externas à dinâmica e à organização da profissão, contudo os dois últimos, 1986 e 1993, são os mais expressivos “[...] sinalizam claramente a adoção a um projeto profissional que contemple as dimensões teóricas, técnica e política, dimensões estas inexistentes na formação, logo, na prática profissional daqueles profissionais formados nos contextos anteriores a 1986” (SILVA, 2012, p. 42).

48 A ação ética se realiza a partir de escolhas críticas e conscientes diante da moral estabelecida,

IV. Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto socialização da participação política e da riqueza socialmente produzida;

V. Posicionamento em favor da equidade e justiça social, que assegure universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem como sua gestão democrática; (CFESS nº 273,1993).

O princípio da liberdade, considerado como central e fundamental para a conformação dos demais, parte do pressuposto da efetivação de uma sociedade livre de exploração/dominação (do homem pelo homem) da classe trabalhadora, direcionando a uma perspectiva emancipatória que possibilite uma plena liberdade do indivíduo diferenciando-se do sentido atribuído na sociabilidade capitalista, a qual defende nos limites de seus interesses (CARDOSO, 2013).

Diante disso, o segundo princípio do Código de Ética: Defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo, traz as bases para a efetivação da liberdade da forma como é concebida no projeto profissional. A violação de direitos contraria a concepção de liberdade, emancipação humana e autonomia defendidas no Código de Ética, a medida em que pauperiza as condições de produção e reprodução da força de trabalho ao passo em que aumenta as desigualdades sociais e exclusão social da classe trabalhadora.

O Estado é um dos maiores violadores de direitos e também o maior empregador de assistentes sociais, o que implica em uma relação conflituosa e contraditória na defesa dos direitos apreendida pelo Serviço Social, por esse motivo, a concepção ética apreendida pelo/a profissional é importante para definir os rumos das suas ações, no sentido de combater tais violações ou de conservar e reproduzir, pois:

a violação de direito não ocorre apenas por ação. Ela também ocorre por omissão [...] negar a população acesso a necessidades legitimas por não estarem previstas legalmente; não agir contra relações de trabalho autoritárias, injustas, precarizadas; não se organizar sindicalmente nem fazer lutas sociais; submeter-se a ditames institucionais que violam direitos; todos esses comportamentos que podem eternizar violações de direitos, não combatê-las (RUIZ, 2013, p. 37).

O/a profissional em seu exercício pode contribuir para a manutenção da violação dos direitos, como pode se posicionar de forma crítica embasada no

projeto ético-político. A ampliação e consolidação da cidadania, defesa do aprofundamento da democracia, posicionamento em favor da equidade e justiça social, estão entrelaçados e respondem ao primeiro princípio fundamental do código de ética (liberdade), são ações necessárias para o alcance desse princípio e a concretização de todos (cidadania, emancipação humana e democracia) pressupõe a superação do modo de produção capitalista, assim:

A oposição ao conservadorismo vai decorrer não só da defesa manifesta dos onze princípios e valores expressos no Código de Ética do Assistente Social, mas da definição de objetivos, metas, estratégias, ações necessárias e do seu desenvolvimento articulado ao compromisso com a classe trabalhadora (VASCONCELOS, 2015, p. 480).

Tais princípios do Código de Ética expressam um conjunto de valores que apontam o norte do “dever ser” profissional, direcionam a atuação do/a assistente social para um sentido totalmente oposto ao que se empregava no Serviço Social tradicional, repudiando a ação centrada no sujeito como se ele fosse o responsável pela sua situação de pobreza, miséria, na intenção de ajusta-lo a sociedade.

A ética de ruptura/emancipatória presente no projeto profissional crítico repudia todas as ações preconceituosas e conservadoras presentes na sociabilidade capitalista e que podem ser reproduzias pelos/as assistentes sociais no seu exercício, de forma consciente ou inconsciente, retirando a essência complexa, histórica, social e político-econômica da questão social fruto desse modo de produção (CARDOSO, 2013).

Nessa perspectiva, a profissão está embasada na Lei de Regulamentação Nº 8.662 de 07 de julho de 1993 que traz vários elementos acerca do exercício do Serviço Social no país. Mas é preciso destacar que a primeira lei de regulamentação da profissão foi criada ainda na década de 1960 no governo de João Goulart (1961-1964), pela lei 3.252/1957 e o decreto 994/1962, que já definiam a obrigatoriedade da obtenção do registro de diploma e a inscrição no Conselho Regional regulando as escolas de formação, os espaços a serem ocupados pelos/as assistentes sociais e a distribuição dos Conselhos profissionais.

condição do/a assistente social enquanto trabalhador assalariado. O exercício profissional ficou orientado por esse decreto de 1957 a 1993 quando é revogado pela Lei º 8.662 (SILVA, 2012).

A atualização se deu pelas novas dinâmicas societárias impressas a profissão. Assim a Lei 8.662/90 trouxe, além do que já havia antes (obrigatoriedade de diploma e inscrição no conselho), as competências e atribuições do/a assistente social49 A Lei de Regulamentação também dispõe sobre a carga horária de trabalho do (a) assistente social, que pela Lei nº 12.317, de 26 de Agosto de 2010, acrescenta o dispositivo sobre a carga horária de trabalho onde passa a vigorar o “Art. 5º- A. A duração do trabalho do Assistente Social é de 30 (trinta) horas semanais”. Sem redução salarial para os (as) profissionais empregados (as) (BRASIL, 1993).

No âmbito da formação profissional e produção de conhecimentos, as Diretrizes Curriculares que baliza a formação de profissionais, apresentando o perfil do bacharel em Serviço Social, competências e habilidades, disciplinas básicas a serem contempladas nos cursos superiores, estágio supervisionado, atividades complementares, além do tempo de duração dos cursos (CFESS, 1999).

A formação profissional deve viabilizar uma capacitação teórico- metodológica e ético-política, como requisito fundamental para o exercício de atividades técnico-operativas, com vistas à apreensão crítica dos processos sociais numa perspectiva de totalidade; Análise do movimento histórico da sociedade brasileira, apreendendo as particularidades do desenvolvimento do capitalismo no país; Compreensão do significado social da profissão e de seu desenvolvimento sócio-histórico, nos cenários internacional e nacional, desvelando as possibilidades de ação contidas na realidade; Identificação das demandas presentes na sociedade, visando formular respostas profissionais para o enfrentamento da questão social, considerando as novas articulações entre o público e o privado (CFESS, 1999 p. 1-2).

Todos esses aspectos regulamentam e direcionam o exercício profissional destacando as competências, atribuições e a jornada de trabalho

49 As competências e atribuições balizam a atuação profissional do/a assistente social elencando

as atividades que são de responsabilidade dos profissionais, mas também de outros e aquelas atividades que são restritamente do Serviço Social (IAMAMOTO, 2012).

dos (as) assistentes sociais para balizar a sua intervenção em instituições públicas e/ou privadas, nesse sentindo se pode dizer que o projeto ético-político é basilar para o fazer profissional do/a assistente social.

É importante estarmos atentos/as ao fato do projeto ético-político ser um norteador do exercício profissional, significa dizer que o projeto não o define, não o determina, apesar de ser parte constitutiva do exercício e extremamente importante. A conformação da atuação do/a assistente social emprega questões multifatoriais que devem ser consideradas afim de evitar análises unilaterais de cunho fatalista ou messiânicas. Com isso, devemos chamar atenção para os limites do projeto profissional na sociabilidade capitalista que se inicia com o fato do/a assistente social ser um trabalhador assalariado, assim como o conjunto da classe trabalhadora.

A condição de trabalhador assalariado implica dizer que o profissional está imerso nas relações de compra e venda de força de trabalho, entre empregado e empregador, uma vez que este, não possui meios objetivos para o exercício do fazer profissional, sem que esteja vinculado a uma instituição (pública, privada, filantrópica entre outras) (IAMAMOTO 2010).

Nesse sentido, os processos de trabalho nos quais se inserem os assistentes sociais, dispõem de uma relativa autonomia em seu exercício, que é tensionado por essa relação onde o empregador impõe ao profissional as demandas que este deve atender.

Os empregadores determinam as necessidades sociais que o trabalho do assistente social deve responder, delimitando a matéria sobre qual incide esse trabalho; interferem nas condições em que se operam os atendimentos assim como os seus efeitos na reprodução das relações sociais. Eles impõem, ainda, exigências trabalhistas e ocupacionais aos seus empregados especializados e mediam as relações com o trabalho coletivo por eles articulados (IAMAMOTO, 2010, p. 215).

Nessa linha, a condição de trabalhador assalariado imprime ao exercício profissional, “dilemas da alienação e de determinações sociais que afetam a coletividade dos trabalhadores [...]” (IAMAMOTO, 2010, p.215). E estas se fazem

de forma particular na profissão pelo seu direcionamento político-ideológico que vai à contramão do projeto societário hegemônico do capitalismo.

O/a assistente social vivencia verdadeiros dilemas no seu exercício profissional a medida em que precisa atender as demandas do empregador que o contrata e as demandas dos usuários dos serviços, e esses nem sempre estão em sintonia. Todavia, a defesa dos direitos sociais da classe trabalhadora deve ser sempre o foco da atuação mediado no conflito capital trabalho.