1 INTRODUÇÃO
2.4 As Pequenas e Médias Empresas
2.4.3 A Competitividade e as PME
2.4.3.1 As PME no contexto da Competitividade e Inovação
Para Sterpu (2011) os principais fatores que influenciam a competitividade das pequenas e médias empresas são: a) a capacidade de investir; b) a capacidade de criar e trazer novos produtos ao mercado, lembrando que durante a aceitação do novo produto da investigação não se limita ao único produto ou marca do produto, mas a melhoria de processo de renovação de produto; c) capacidade de competir tanto no mercado interno bem como os mercados internacionais.
Em um país em desenvolvimento, a posição competitiva é um nicho que uma empresa tem alcançado ou pretende alcançar através da exploração efetiva de seu acesso aos recursos internos e externos do seu sistema nacional de inovação (Zang et al., 2009). Segundo o Relatório Global de Competitividade (2012), gerado no Fórum Econômico Mundial, o Brasil tem melhorado nos negócios por desfrutar do benefício de ter um dos maiores mercados internos do mundo. Apesar desta vantagem, o país também enfrenta desafios importantes. A confiança nos políticos é baixa, possui excessiva regulamentação governamental, excesso de gastos, a qualidade de infraestrutura de transporte é baixa e a educação de baixa qualidade não corresponde à necessidade de uma força de trabalho qualificada.
Para o Relatório Global de Competitividade (2012), apesar dos crescentes esforços do Brasil para facilitar o empreendedorismo, especialmente para as pequenas empresas, os procedimentos e tempo para começar um negócio estão entre os mais longos do mundo. Huggins e Williams (2011) demonstraram que estímulos governamentais ao empreendedorismo, com foco no desenvolvimento regional, visam melhorar a competitividade regional em vários níveis. Em pesquisa semelhante, Perní et al., (2012) acrescentam que o empreendedorismo e a inovação são fundamentais para o incremento da competitividade regional.
Outro ponto que merece menção é a produtividade das PME quando comparadas às grandes empresas. A diferença de produtividade entre grandes empresas e PME é grande, seja em países desenvolvidos, emergentes ou em países em desenvolvimento. Quando se compara países da América Latina com nações europeias pode-se observar que as PME das nações emergentes e países em desenvolvimento estão ainda mais distantes das grandes empresas
(quadro 2.2). No setor privado existe uma clara percepção da relevância deste contraste de produtividade entre agentes nos países, a redução desta diferença é um requisito essencial para obter um melhor desempenho produtivo e para a sustentabilidade das PME (CEPAL, 2013).
Quadro 2.2 – Produtividade Relativa das Empresas, Segundo o Porte
Fonte: Cepal, 2013
As PME têm um importante papel a desempenhar no aumento da competitividade. Quando se compara as PME da América Latina e Europa chega-se a conclusão que a baixa produtividade - e, portanto, as menores possibilidades competitivas - situariam as PME latino- americanas muito atrás das europeias. Assim, a heterogeneidade estrutural entre agentes na América Latina é uma característica medular na hora de empreender ações e políticas em apoio às PME, sobretudo se visarem à internacionalização (CEPAL, 2013).
Efetivamente, a grande empresa tem uma produtividade 1,7 vezes maior que a da microempresa, 1,4 vezes maior que a da pequena empresa e 1,2 vezes maior que a da média empresa. Talvez este seja o maior contraste com as PME latino-americanas, que deve ser levado em conta na hora de formular políticas de apoio (CEPAL, 2013). Buscar tornar-se empresa de classe mundial é uma necessidade de pequenas e médias empresas para fornecer ao mais alto nível de produtos e serviços para atender as necessidades dos clientes mais exigentes em face da concorrência cada vez mais agressiva (KEGAN, O´KELLY, 2006). Para Reis (2006) as pequenas e médias empresas tornaram-se importantes para atingir padrões internacionais de qualidade de produtos, de produtividade e de proteção ao meio ambiente.
Hecktheuer e Mauch (2006) comentam que os programas oferecidos pelo governo brasileiro para a inserção internacional das pequenas e médias empresas estão diretamente baseados no desenvolvimento da competitividade, ou seja, a diminuição de custos, a busca da atualização de novas tecnologias, as promoções comerciais na linha de produção e na diferenciação tanto em produtos quanto em serviços e no preço, tornando a empresa competitiva e facilitando sua inserção no mercado internacional.
Segundo a Comissão Europeia (2014) na União Europeia e nos Estados Unidos, as pequenas e médias empresas (PME) são motores críticos de crescimento e criação de emprego. Noventa e nove por cento das empresas europeias e norte-americanos - mais de 20 milhões de empresas na União Europeia e 28 milhões nos Estados Unidos - são PME. Na União Europeia, as PME representam dois terços de todos os empregos do setor privado e tem uma tremenda capacidade de criar novos postos de trabalho. Nos Estados Unidos, as pequenas empresas têm fornecido mais de metade de todos os empregos e dois terços de todos os novos postos de trabalho. Em ambos os lados do Atlântico, as PME são uma importante fonte de inovação, novos produtos e novos serviços.
A inovação é importante por ser um processo de desenvolvimento dinâmico, cujo resultado é uma mudança positiva orientada na melhoria de processo das empresas que resulta em uma melhor satisfação das necessidades dos clientes (Andriopoulos & Dawson, 2010). Fortalecer as atividades de inovação é uma das principais tarefas das PME nos dias de hoje (KADOCSA, 2009). De acordo com os estudos de Sterpu (2011) o sucesso das atividades inovadoras realizadas pelas PME é materializado em mercados em desenvolvimento através da introdução de produtos novos, ou produtos melhorados, e através da melhoria e inovação nos processos organizacionais e nas tecnologias de cada empresa, incluindo também os processos de distribuição.
O interesse dos empregados para desenvolver as atividades de inovação requer certo nível de cultura pró-inovação em uma empresa, onde os funcionários estão envolvidos no processo de formulação de política de negócios e são desafiados a apresentar novas ideias inovadoras (KADOCSA, 2009). Para operar uma organização inovadora, com uma equipe com cultura criativa pressupõem que haja uma força de trabalho treinada e educada. Além de capacitação técnica, é necessário o treinamento nas habilidades e técnicas efetivas do pensamento: análise, imaginação, valorizando como a mente funciona - especialmente a parte
positiva desempenhada pela mente no inconsciente na reestruturação dos problemas e oferecendo soluções (LESÁKOVÁ, 2011).
Segundo a Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (ANPEI, 2007), apesar da maior flexibilidade frente às grandes indústrias, as PME enfrentam algumas dificuldades para inovar. Entre elas, a escassez de recursos financeiros, o reduzido envolvimento dos parceiros tecnológicos, a burocracia e a falta de pessoal capacitado. As empresas que investem em inovação conseguem se posicionar melhor no mercado frente as empresas que não inovam. Elas têm maior produtividade e crescem mais do que as que não inovam. As PME são obrigadas a fazer inovações, porque elas estão sob pressão permanente de concorrentes no mercado em que atuam. Deste ponto de vista, a capacidade de competir em inovações desempenha papel muito importante como um fator de competitividade (KADOCSA, 2009).