Crescimento Verde e as Relações de Proximidade na Sustentabilidade dos Territórios Urbanos.
Figura II.1 - Conceitos e Subconceitos decorrentes da Revisão Bibliográfica
A. GLOBALIZAÇÃO DA ECONOMIA E O SEU IMPACTO NO TERRITÓRIO URBANO
O fenómeno da globalização é um processo que se reveste de particular importância na compreensão das dinâmicas urbanas implementadas a partir da década de 60 do século XX. De acordo com os autores consultados (entre outros, evidenciam-se Giddens, 2000; Richardson, 2005; Harvey, 2010; 2012), existe uma certa unanimidade ao assumirem a globalização como um processo de integração e interdependência ao nível mundial das economias locais, regionais e nacionais, através do incremento da mobilidade de pessoas, de bens, de serviços, de tecnologias e de capital, transformando radicalmente o funcionamento dos mercados, em termos comerciais e de trabalho, face às décadas precedentes. Podendo este processo apresentar contornos diferentes, e variar de acordo com o quadro institucional da organização social territorializada.
Contudo, a globalização não pode ser encarada apenas como um processo económico, atendendo a que na realidade é muito mais abrangente do que isso, devendo também ser entendido como um processo político («ideológico»4), tecnológico e cultural
(Giddens, 2000; Richardson, 2005) Para além destas especificidades, “a globalização não é apenas mais uma coisa que «anda por aí, remota e afastada do indivíduo. É também um fenómeno «interior» que influencia aspetos íntimos e pessoais das nossas vidas” (Giddens, 2000; p.23).
Em concordância com o anteriormente referido, o conceito de «globalização» poderá ser definido como o processo que resulta de um amplo conjunto de mudanças relacionadas com as múltiplas redes de intercâmbio económico, político, cultural e social, impulsionadas pela evolução da ciência e da tecnologia que se difundem e incorporam em todo o tipo de atividades.
Conforme alude Richardson (2005), no debate internacional sobre o processo de globalização domina a sua caraterística económica, a partir da qual é vinculada a integração da economia mundial, a eliminação de barreiras comerciais e a permissão para a liberdade de interação. Estas conceções são igualmente corroboradas por James e Gills (2007) quando elegem como principais elementos da globalização da economia, os seguintes fatores: i)
4 Segundo Richardson (2005), a globalização para além de ser um processo político é também ideológico, na
medida em que defende determinadas posturas politico-urbanísticas, como é exemplo a descentralização urbana, cuja significação será objeto de análise no decurso deste capítulo.
mobilidade de bens, serviços, capital, tecnologia e pessoas na economia mundial como um todo e ii) integração de um determinado país - estrutura politica e economicamente organizada e autónoma - na economia mundial. A este propósito, Harvey (2010, 2012); Stiglitz (2014), Kurz (1996; 2007), são perentórios ao afirmar que a legitimidade destes ideais consolidam o poder da classe capitalista e fortalecem o poder e o papel das instituições financeiras na sociedade. Neste contexto, refira-se que estes autores defendem que ligado ao processo de globalização estão subjacentes teorias neoliberais, enquanto modelo económico dominante nas sociedades capitalistas, e que a estas está associada a necessidade de anular ou reduzir as barreiras espaciais entre diferentes territórios, facilitando e tornando mais rápida a circulação de capital, e estreitando as ligações entre esses territórios. Processo desencadeado, numa fase inicial, pelos poderes políticos e militares, e numa fase posterior, mais recente, pelo poder económico e financeiro.
Para Harvey (2010, 2012) e James e Gills (2007), a conquista do espaço e do tempo tem um papel central no modo de atuação das sociedades capitalistas. A diversidade geográfica é uma condição necessária para a reprodução do capital, e a essa diversidade deve estar associada uma eficiente rede de transportes e de comunicações, de forma a assegurar a continuidade dos fluxos geográficos do dinheiro. Efetivamente, com a globalização a questão da distância deixa de ser relevante na mobilidade geográfica do capital. E a aglomeração geográfica das atividades capitalistas surge como crucial na medida em que possibilita uma economia de escala, em termos de produção e de comercialização, proporcionando não apenas o acesso a outros serviços complementares, como também, contribuindo para a redução dos custos de produção, e consequentemente maximizando os lucros. Neste sentido, as fronteiras atenuam-se ou desaparecem nos mercados económico- financeiros, embora ainda persistam nos mercados de trabalho.
Se compararmos as tendências da economia mundial do séc. XIX com as do séc. XXI, constatamos que no primeiro caso, o capital e as populações, mas não os bens, tendiam a transpor fronteiras com alguma facilidade, enquanto no segundo, essa «facilidade» ocorre relativamente a bens, a capitais e tecnologias, assim como, às populações, que atualmente dispõem de maior mobilidade face ao passado, devido fundamentalmente à maior rapidez na circulação de informação, e à liberalização do preço dos transportes, embora ainda persistam grandes barreiras às migrações internacionais.
Para Harvey (2010), a globalização foi facilitada por uma reorganização radical dos sistemas de transportes, e pela introdução e banalização do uso da «contentorização»5,
possibilitando por um lado, uma redução dos custos de circulação e por outro, uma maior facilidade de deslocação de matérias-primas e componentes para fabrico de produtos entre diferentes territórios e países. Deste modo, “os novos sistemas de comunicações permitiram a organização rigorosa da cadeia produtiva de mercadorias no espaço global “ (Harvey, 2010; p.22). E para além disso, “uma nova arquitetura financeira global foi criada para facilitar a circulação do fluxo internacional de capital-dinheiro líquido para onde fosse usado de modo mais rentável” (Harvey, 2010; p.22).
Os Países-membros da União Europeia foram mais longe do que quaisquer outros na abertura das suas economias à mobilidade do trabalho, do capital, e de bens e serviços, dentro do seu espaço geográfico. Em comparação, as poucas heranças sobreviventes do modelo socialista, como é o caso da Coreia do Norte e de Cuba, que até há pouco tempo, estavam entre os países mais isolados do mundo, representam as exceções mais evidentes a este processo da globalização.
Ainda que a globalização económica tenha origem longínqua no tempo, primeiro com as descobertas (séculos XV e XVI), posteriormente com o aparecimento do comércio transnacional que se intensificou no séc. XIX e tem vindo a crescer consistentemente ao longo do séc. XX, observa-se que esse processo tem ocorrido de uma forma mais intensa, e assertiva, nos últimos 20/30 anos, de certa forma impulsionado pelo Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio da Organização Mundial do Comércio, que incitou os países a reduzir gradualmente as barreiras comerciais e financeiras.
Esta evolução recente tem vindo a ser aproveitada pelas economias desenvolvidas, ou com grande potencial de crescimento, que através de investimentos diretos, e muitas vezes através de fluxos e migrações (legais ou ilegais) de capitais e de recursos tecnológicos e humanos, têm contribuído para promover uma maior integração com economias menos desenvolvidas (James e O’ Brien, 2007).
Embora a globalização tenha estimulado, sobretudo nas economias desenvolvidas, o crescimento económico e contribuído para a redução dos preços de bens e serviços, estes
5 Termo utilizado por Harvey (2010) para se referir ao uso dos contentores para o transporte de mercadorias,
matérias – primas ou componentes necessários para a indústria, de um país, ou região, para outro a grande distância. Neste âmbito, o autor exemplifica a utilização deste sistema de transporte com a possibilidade de peças feitas no Brasil puderem ser utilizadas para montar carros em Detroit.
fatores alteram o equilíbrio de poderes entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, e afetam a cultura de cada território. Outra particularidade deste processo manifesta-se pela deslocalização da atividade produtiva para países que apresentam menores custos de produção, procedimento que suscita grandes problemas nas economias dos países desenvolvidos com estruturas produtivas mais frágeis, e que provoca, entre outros efeitos, migrações de países desenvolvidos para economias emergentes (James e O’ Brien,2007). Situação que, de acordo com Harvey (2010), contribui fortemente para destabilizar as relações sociais e de trabalho, e desvalorizar todo o investimento anteriormente efetuado pelos países de origem, em termos de educação, formação profissional e de investimento tecnológico, suscitando dessa forma «crises de mudança»6 .
Na perspetiva de Stiglitz (2014), a globalização deve ser encarada como um processo constituído por duas componentes – liberalização financeira e globalização do comércio, que embora tenham contribuído para o surgimento de desigualdades intra e inter territoriais, atuam de formas e ritmos diferentes. Relativamente à primeira, o autor enfatiza a importância da pouca ou fraca regulação do capital, fator que se revela vantajoso para os mercados financeiros e pouco favorável aos trabalhadores, na medida em que, a ameaça de saída de capital, por parte dos agentes económicos, de um determinado país para outro, face à possibilidade do aumento de exigências laborais (direitos e salários), nos países de origem, contribui não apenas para manter os salários baixos, como para enfraquecer o poder negocial e reivindicativo dos direitos dos trabalhadores. Em relação à segunda componente, os efeitos revelam-se ser menos dramáticos, sendo o seu impacto maior nos países desenvolvidos, e refletindo-se fundamentalmente na redução dos salários dos trabalhadores quando os custos da sua produção são significativamente superiores aos valores dos produtos importados, facilitados por custos de trabalho francamente inferiores. Desta forma, “…a globalização criou um mercado global, colocando os mesmos trabalhadores em competição direta com trabalhadores comparáveis além-fronteiras. Ambos os fatores reduzem os salários” (Stiglitz, 2014; p.129).
Estas grandes e rápidas alterações nas relações sociais e de trabalho contribuem para o aparecimento de uma sociedade onde o risco e a incerteza imperam (Ascher, 2012; Harvey, 2010 e Giddens, 1997; 2000). Segundo Ascher (2012), os desafios impostos pela globalização vêm pôr fim ao estigma de futuro previsível e planificado, característico do período pós industrial. Uma das particularidades principais desta nova economia é que grande
6 Expressão da autoria de Harvey (2010) que reproduz a relocalização da produção e a alteração funcional do perfil
parte das atividades económicas e dos valores que produzem dependem do «capital
cognitivo»7 incorporado pelos indivíduos e pela própria organização. Subentendendo-se por
capital cognitivo a performance que cada individuo ou coletivo, representa numa sociedade global, cada vez mais exigente, seletiva, móvel e instável. Nesta perspetiva, o fator risco e a incerteza surgem bem presentes na antevisão do futuro, sendo, em parte, a sua aceitação representativa de uma economia dinâmica, e de uma sociedade inovadora, mas também é fruto de ideologias que têm associadas essas características que suscitam medo, apreensão e aceitação (Giddens, 2000).
Numa reflexão sobre as conceções teóricas de risco e de incerteza, Giddens (2000) admite que a noção de risco deve estar sempre associada aos conceitos de probabilidade e de incerteza. Este autor explica que o conceito de risco só faz sentido quando aplicado numa sociedade orientada para o futuro, ou seja, quando uma sociedade vê o futuro como um território a ser conquistado ou colonizado. Conforme refere Giddens (2000), o risco implica a existência de uma sociedade que tenta ativamente desligar-se do passado. “O Risco é a dinâmica estimuladora de uma sociedade empenhada na mudança, apostada em determinar o seu próprio futuro, em vez de depender da religião, da tradição ou dos caprichos da natureza” (Giddens, 2000; p.34). Surgindo a recorrente utilização da expressão «incerteza», quando o conhecimento do passado não fornece respostas para o futuro, contribuindo de certa forma para se aprender a lidar com a imprevisibilidade dos fenómenos tão particulares da modernidade.
Apesar da conceção teórica sobre o fator «risco e a incerteza», defendida por Ascher (2012), ser na sua essência semelhante à de Giddens (2010), este autor vai mais longe na sua perspetiva, assumindo que paradoxalmente o desenvolvimento da ciência e da tecnologia poderá ser encarado como um fator de risco. De acordo com o autor, a elevação do nível de educação de grande parte da população vem tornar mais objetivas e racionais as explicações para as suas dificuldades, crenças, e inseguranças. Grande parte das atividades, comportamentos e compromissos assumidos pela sociedade moderna têm implícito um certo risco, apesar de cada indivíduo não atuar sempre com consciência desse facto. Não obstante, e de acordo com o autor, apesar de não pudermos evitar os perigos, podemos decidir se os aceitamos e/ou se estamos dispostos a pagar o respetivo “preço”.
7 Ascher considera que este capital cognitivo faz parte daquilo que designa por “economia cognitiva”,
considerando que esta baseia-se na produção, apropriação, venda e uso de conhecimentos, de informação e de procedimentos.
De facto, o processo de globalização vem introduzir novas complexidades e novos processos competitivos nas sociedades, acompanhados por transformações significativas de natureza geográfica. Estes fatores acentuam a especialização e a diferenciação territorial, suportadas pela concentração de atividades económicas e de funções urbanas em espaços geográficos específicos. Esta situação conjugada com o aumento da mobilidade e melhoria das acessibilidades vem potenciar, ainda mais, o crescimento demográfico nas cidades e facilitar o acesso a qualquer tipo de bens e serviços, independentemente do seu contexto geográfico, surgindo como causa e consequência da expansão global dos mercados.
Face a estas novas realidades, em que medida a complexidade inerente ao processo de globalização afeta ou condiciona o desenvolvimento urbano dos diferentes territórios. Relativamente a esta questão, importa antes de mais tentar compreender as diferentes conceções teóricas sobre as implicações espaciais da globalização e as consequências da globalização no desenvolvimento urbano global, tendo presente o aumento da competitividade dos territórios e a definição de padrões sustentáveis de desenvolvimento que permitam dignificar e qualificar convenientemente a vivência urbana. Para além destes fatores, é relevante entender de que forma as tendências e os padrões de desenvolvimento globais se impõem nos diferentes territórios e sistemas urbanos, e como reagem estes a eles.
De acordo com Richardson (2005), o processo de globalização contribui para a alocação de recursos, e nessa medida produz impacto urbano. Apesar de esta problemática ser ainda pouco abordada no meio académico, o seu estudo efetuado nalgumas cidades selecionadas 8, revela que o impacto da globalização é sentido a todos os níveis. Apesar de
admitir que as consequências da globalização são benéficas para muitos territórios, podendo gerar novas oportunidades para o desenvolvimento urbano, ‘‘there will be room for some new entrants to the market for global manufactures and services, and some well-located cities in countries that reform their policies, institutions, and infrastructure will surely develop successful clusters” (Richardson, 2005, p. 2), alerta, no entanto, para o surgimento de alguns impactos negativos, como o acentuar das desigualdades sociais, e de situações de pobreza, decorrentes da reestruturação dos fatores de competitividade e das estruturas económicas e de emprego, gerando desemprego e precariedade, não apenas nos países desenvolvidos mas igualmente, nos em desenvolvimento9. Não obstante, a globalização vem beneficiar o
desenvolvimento económico das cidades maiores e dos países onde estão localizadas,
8 Coreia do Norte, Cidade do México, Filipinas, Indonésia, Africa do Sul, S. Diego, Los Angeles, São Petersburgo,
Tóquio, Xangai e Karachi.
9 Embora nos países em desenvolvimento o motivo principal seja a existência de mão-de-obra abundante e
essencialmente porque se encontram melhor dotadas de infraestruturas, de qualificação escolar e profissional, de economias de aglomeração e de apropriadas políticas públicas de incentivo ao dinamismo económico. Nessa competição entre territórios urbanos associada à necessidade de atrair investimento, o Estado assume um papel importante atendendo a que possui mecanismos para atrair e criar condições para que essa atração se torne exequível e contribua para o aumento do emprego e da base tributária da localidade em questão (Carvalho, 2005; Richardson, 2005; Harvey, 2010). Neste âmbito, e na perspetiva de Carvalho (2005), o planeamento urbanístico constitui uma estratégica orientada para a conceção de um espaço urbano competitivo onde a promoção imobiliária pode ser encarada como um instrumento para alcançar determinados objetivos de desenvolvimento económico e para assegurar a regulação da gestão urbana que surge como garante da oferta urbana e da salvaguarda dos aspetos ambientais e sociais.
Todavia, os efeitos macroeconómicos da globalização que têm dominado as economias mundiais, nestas últimas décadas, têm suscitado impactos espaciais que, de acordo com Richardson (2005), podem ser estruturados em várias dimensões:
i. Demografia – A existência de tendências demográficas muito díspares entre os
países desenvolvidos e os em desenvolvimento. Nos primeiros, destaca-se a predominância de baixos índices de fecundidade e de sustentabilidade potencial10,
realçando a propensão para a diminuição do número de famílias nucleares e acréscimo de famílias uninominais, cujas particularidades, em termos escolares e culturais, podem gerar uma força para a centralização («processo de gentrificação» ou «aburguesamento»11), atendendo fundamentalmente às preferências
habitacionais e padrões de consumo. Para compensar a tendência de decréscimo de população, os países desenvolvidos acolhem um grande número de emigrantes em idade fértil.
No caso dos países em desenvolvimento, é de registar a forte tendência de crescimento e a elevada taxa de natalidade, contribuindo para este valor, as consideráveis taxas de nascimentos entre adolescentes12. A esta tendência
demográfica é associado o rápido crescimento das cidades e a expansão urbana, desprovidas de um adequado processo de transição urbana.
ii. Desigualdade Territorial – As consequências do aumento de rendimento, em
alguns países e regiões, suscitam uma procura de áreas providas de qualidade
10 Índice de Sustentabilidade Potencial é a relação entre a população em idade ativa e a população idosa. 11 Subentendendo-se como o processo de retorno aos centros das cidades, beneficiando da proximidade de
atividades culturais e de lazer e do local de emprego.
ambiental, de atividades culturais e de atividades ao ar livre, em muitos casos, espaços abrangidos pela regeneração urbana e acompanhada de gentrificação. Estes processos manifestam-se espacialmente pela tendência de dispersão da área urbana. Na eventualidade das políticas serem favoráveis ao crescimento e dinamismo económico, esta tendência não só se manterá num futuro próximo, acentuando a «segregação territorial» de alguns grupos sociais mais desfavorecidos que se vêm obrigados a deixar as áreas centrais das cidades. Caso ocorra uma inversão na situação económica, a tendência é para a expansão de áreas centrais da cidade com segmentos populacionais mais desfavorecidos que aproveitam as casas vagas, a baixa de preços ou mesmo os vazios urbanos e as ruínas.
iii. Cultura – Nos centros principais das cidades concentram-se os elementos históricos e patrimoniais mais importantes, e associados a eles uma maior diversidade de atividades culturais. O reconhecimento do valor destes elementos, bem como a crescente procura de atividades culturais, por parte da generalidade da população, não contribui apenas, para uma maior atratividade destas áreas mas, também, para ressuscitar o retorno às áreas centrais das cidades. A maior visibilidade dos elementos culturais - materiais e imateriais, atraem investimento e turismo, fortalecendo também a identidade dos antigos residentes.
iv. Desenvolvimento Tecnológico – aspetos que se refletem com particular incidência
na área dos transporte e das comunicações. A contingência de uma maior mobilidade urbana, efetiva ou virtual, vem permitir a existência de novos modelos de trabalho, e nessa medida, facilitar a descentralização e a expansão urbana. Não obstante, certos contactos de proximidade são valorizados para a atividade comercial, situação que faz com que a dependência aos núcleos centrais da cidade seja condicionada a determinadas funções (Richardson, 2005). Neste sentido, os centros das cidades devem ser preservados como centro de interação humana.
v. Energia e Ambiente - A crescente consciência ambiental e a tendência para o
aumento dos custos energéticos apelam para a preservação do solo, para uma menor utilização do transporte privado e naturalmente, para um desenvolvimento urbano mais denso e concentrado. Todavia, a questão relacionada com o solo e o impedimento da sua utilização para a construção é geradora de conflito de interesses, na medida em que é incompatível com as forças de mercado (Richardson, 2005). Neste contexto, é de ressalvar que qualquer transformação urbana para além de depender das forças de mercado, depende igualmente da legitimação das políticas e das ações territoriais consubstanciadas pelos Instrumentos de Gestão Territorial
(IGT), e neste âmbito cabendo ao sector público regular e salvaguardar os interesses do território urbano (Correia, 2002; Carvalho, 2003; Carvalho, 2005).
vii. Deseconomia da Cidade – Apesar da inexistência de uma análise comprovada
sobre as vantagens e desvantagens de viver nas cidades grandes, a perceção apresentada por Richardson (2005), é de que persistem mais aspetos negativos (custo de vida, poluição, violência, preço da habitação) do que positivos, contribuindo naturalmente para que o crescimento das grandes cidades seja suscetível de ser mais lento do que no passado. Isto é especialmente preocupante na população infantil que vivendo fora das cidades consegue criar as suas redes de proximidade,