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As primeiras Reuniões e Determinações da Câmara de Varginha

5. ATAS DA CÂMARA MUNICIPAL DE VARGINHA (1882 / 1920) – UMA

5.1. As primeiras Reuniões e Determinações da Câmara de Varginha

Em dezessete de dezembro de 1882, deu-se início a primeira reunião da Câmara Municipal da Vila do Espírito Santo da Varginha. Neste dia, estiveram presentes o major Matheus Tavares da Silva – primeiro presidente da Câmara, tendo sido eleito neste dia dezessete pelos outros -; José Maximiano Baptista – primeiro vice-presidente da Câmara, que também foi eleito na primeira reunião e se tornaria anos mais tarde presidente da Câmara -; Domingos Teixeira de Carvalho – que anos depois se tornaria vice-presidente da Câmara e, posteriormente, presidente da mesma -; e Joaquim Antonio da Silva – vereador da Câmara.

Nesse ano de 1882 ocorreram apenas duas reuniões, em dezembro, sendo que em 1883 elas começaram a acontecer frequentemente.

Segue abaixo a imagem da primeira e da segunda ata de reunião, além da transcrição da primeira ata da Câmara Municipal de Varginha, transcrita exatamente com a mesma grafia que se apresentava no documento:

62 Para mais detalhes sobre atas de Câmara Municipal, ver: PINSKY, Carla Bassanezi et al. Fontes Históricas. 3

Sessão da Comarca Municipal da Villa do Espírito Santo da Varginha, do dia da installação e posse da mesma Villa.

Aos dezecete dias do mez de dezembro de mil oitocentos e oitenta e dois, reunido no Paço da Camara Municipal desta Villa, (...)63 Senhor Presidente da municipallidade da cidade de Três Pontas (...) foi marcada para a installação e posse desta Villa os Senhores Vereadores José Maximiano Baptista, Domingos Teixeira de Carvalho, João Alves de Govêa, Franscisco de Paula e Silva, Matheus Tavares da Silva e Joaquim Antonio da Silva (...) pelo dito Presidente deferido juramento na forma da Lei, aos Vereadores acima referidos, e tendo sido feita a leitura do aucto da installação e posse desta Villa, pelo Secretário da Camara Municipal da cidade de Três-Pontas na forma da lei, e assignado pelo Presidente da Comarca Municipal da mesma Cidade, e Vereadores desta Camara, e cidadãos presentes. O Senhor Presidente installador da Villa, convidou o Senhor Vereador Joaquim Antonio da Silva para ocupar a cadeira da presidencia, e presidir a eleição do Presidente effectivo que tem de servir nesta Camara, pôr reconhecer ser ele o mais velho dos vereadores presentes conforme precutira a lei a tal respeito, e em mediatamente, sendo posto em votação, pôr escrutineo secreto a eleição do Presidente, foi eleito, o Senhor Matheus Tavares da Silva, pôr quatro votos, qual o Senhor Presidente em mediatamente o convidou a tomar assento: o que sendo feito foi pôr este posto em votação, por escrutineo secreto, a eleição de Vice Presidente desta Camara pela qual verificou-se ter sido eleito o Senhor José Maximiano Baptista. Achando-se a hora já bastante adiantada, e tendo de seguir-se as sollennidades religiosas, o Senhor Presidente convidou os Senhores Vereadores a compareceram no Paço desta Camara, as dez horas do dia da manhã, para tratar-se das nomeações de empregados, e o mais que ocorrer, e levantou a Sessão. E para constar lavro a presente acta, em que assigna o Senhor Presidente e Vereadores. Eu José Maximiano Baptista Vereador da Camara (...).

Matheus Tavares da Silva Domingos Teixeira de Carvalho Joaquim Antonio da Silva José Maximiano Baptista

Ata completa de 17/12/1882.

Nos primeiros dez anos de reuniões, as decisões tomadas pelos vereadores eram mais em relação à infraestrutura da cidade, como a organização das ruas, nomeação e calçamento

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Algumas palavras eram difíceis de ser compreendidas. Mesmo com o contexto apresentado pelo documento, algumas partes das transcrições ficaram com “(...)” para mostrar que ali havia uma palavra ou uma expressão que não pôde ser identificada. Todavia, isso não prejudicava o entendimento do texto como um todo.

das ruas e praças, a forma de confecção dos principais prédios públicos, organização dos muros das casas e cuidados que os moradores da cidade deveriam ter com suas moradias. A ata de 10 de janeiro de 1883 mostra um exemplo dessa preocupação:

Aos dez dias do mez de Janeiro de mil oitocentos e oitenta e trez nesta Cidade da Varginha no Paço da Camara Municipal onde se achava o Senhor Presidente da mesma Camara Matheus Tavares da Silva, e os Vereadores Baptista, Silva, e Carvalho; aberta a seção foi lida a acta do dia antecedente, e posta em discução foi aprovada. Foi lido um officio do fabriqueiro desta cidade, Antonio Pinto de Barros, pedindo instruções a Camara sobre as edificações de cazas e topumes de terreno do patrimônio desta Cidade, posto em discução, deliberou a Camara que fosse nomeado uma comissão para dar parecer a respeito, para a qual, o Presidente nomiou ao Reverendo Vigario, José Paulino da Silva, o Cidadão José Alves Silva, e o Vereador Baptista, ordenando o Presidente que se oficiasse aos nomiados, aos quaes se fornecesse copia do officio. Pelo Vereador Carvalho foi proposto que se ordene ao Fiscal para obrigar aos Proprietarios desta Cidade, para com a máxima (...) reconstruírem as ruas em frente das suas propriedades, com calçamentos e outras providencias que fação disaparecer as ruinas das mesmas ruas, e que o mesmo Fiscal faça reconstrução nos iscavamentos da Praça deste Edificio. Achando se adiantada a hora o Presidente levantou a seção convidando aos Vereadores presentes a comparecerem amanhã as dez horas do dia, de que para constar lavro a presente acta em assigna o Presidente e mais Vereadores, depois de lido pôr mim Francisco Saturnino da Fonseca Secretario que o escrevy.

Matheus Tavares da Silva Domingos Teixeira de Carvalho Joaquim Antonio da Silva José Maximiano Baptista

Ata completa de 10/01/1883.

Segue abaixo, parte de outra ata, que mostra a questão da organização das ruas:

Leo-se mais um officio do cidadão José Cornéllio de Oliveira Sobrinho, apresentando uma proposta, e esta Camara, para numerar e pôr nomes nas ruas desta Cidade. Pondo em discussão, a Camara não aceitou a proposta pôr não poder (...) em quanto dispender dinheiro, que em outra ocasião (...) deliberarão a respeito64. Essa preocupação de querer organizar a cidade e investir em melhoramentos urbanos, como o cuidado com ruas e praças e construções de prédios como escolas e teatros, se dava, também, por conta do processo de modernização que o Brasil também passava na época. Na

fase de expansão do capitalismo brasileiro, na transição do século XIX para o século XX, o mundo passava pela Segunda Revolução Industrial, e o Brasil recebeu muitos investimentos estrangeiros.

As transformações técnicas resultantes dessa Revolução fez com que se formasse no país uma classe de pessoas que almejavam a modernização e urbanização das cidades, com a implantação de serviços de infraestrutura, como as ferrovias, os portos e serviços urbanos (transporte, energia, telefonia)65. O Brasil desejava, e necessitava, de um processo de evolução econômico e social.

A cidade de Varginha também acompanharia as modernidades que seriam implantadas no Brasil, mas de uma forma mais limitada, pois as mudanças não chegaram em Varginha com a mesma rapidez que chegaram, por exemplo, em São Paulo. O fato é que os vereadores e a sociedade varginhense se esforçaram para a organização e evolução do município.

Dessa forma, a primeira medida a ser tomada para a absorção dessas transformações seria a arrecadação de impostos para que os custos com as mudanças pudessem ser pagos. Vemos, então, que logo no início de formação da cidade já se havia preocupação com a cobrança dos impostos:

... que se cobre pôr cada um carro que atravessar o Municipio desta Cidade com carregamentos para as estações da estrada de ferro de D. Pedro segundo, ou mercados de qualquer ponto da Provincia, o imposto de dois mil reis pôr cada um, e os que atravessarem o Municipio desta Cidade, com cargas de allugueis recebidos nas estações da estrada de ferro de D. Pedro segundo, o imposto de quatro mil reis. Excetuão se os carros deste Municipio, e aquelles que neste Municipio venderem todo carregamento. E se marque o prazo de trinta dias aos proprietários de Eguas, Cabras, e Cabritos para retirarem-os do Patrimonio desta Cidade66.

Outra ata, do ano de 1887, dizia:

Havendo numero, o Presidente abrio a sessão; foi lida a acta do dia antecedente, e posta em discução, foi aprovada. Pelo o Presidente, foi apresentada uma tabella de impostos, para esta Camara, a qual, sendo sujeito a discrição de todas os vereadores, foi julgada digna de aceitação, pôr isso, pelo mesmo Presidente, foi determinado que o projecto de impostos, fosse apresentado a commissão de redação para dar seo parecer na sessão de amanhã, e que, não se achando presente dois dos membros dessa commissão, o senhor Ferreira de Carvalho, e Domingos de Resende, nomiava para substituilos, durante a ausencia somente, os vereadores, Dias de Oliveira, e Francisco Joaquim Silva67.

Esses impostos serviriam para a manutenção de obras necessárias ao desenvolvimento da cidade, como a reforma de ruas e praças, a manutenção da cadeia pública e o pagamento de

65 SAES, Alexandre Macchione. Conflitos do Capital: Light versus CBEE na Formação do Capitalismo

Brasileiro (1898 – 1927). São Paulo: EDUSC, 2010.

66 Parte da ata de 11/01/1883. 67 Parte da ata de 13/01/1887.

alguns funcionários da Câmara, como o Fiscal, o Procurador e o Secretário. Vejamos abaixo parte de uma ata que trata de reformas nas ruas da cidade:

Havendo numero legal o Presidente abrio a sessão, foi lida a acta do dia antecedente, posta em discução, foi aprovada. A Camara deliberou que, se officie ao Fiscal desta Cidade para examinar as ruas e praças que necessitão de reformas, e obrigar os proprietários a faserem os reparos necessários o mais (...) possivel, o que pondo em discução, foi aprovado68.

A ata de 09 de janeiro de 1888 continha uma parte dizendo que era preciso se arrecadar impostos para que sua renda fosse aplicada em melhoras nas estradas e pontes da região:

A Camara Municipal da Cidade da Varginha, de acordo com o artigo 194 do seo actual codigo de Posturas, resolveo o seguinte: Artigo 1º - Fica fixado o imposto de passagem para cada carro que transpuser este Municipio, com quaisquer carregamentos, pôr ida e volta, em um mil reis. (Paragrapho 1º). A cobrança deste imposto será effectuada por mais de agentes de livre nomeação do Presidente da Camara. (Paragrapho 2º). Estes agentes entregarão mensalmente ao Fiscal desta Cidade, as sommas arrecadadas, deduzida sua porcentagem que será de 15% quinse por cento. (Paragrapho 3º). O Presidente da Camara, poderá encarregar da arrecadação deste imposto aos respectivos Fiscaes. (Paragrapho 4º). Este imposto será exigivel desde já e seo produto applicado em melhoramentos das estradas e pontes do Municipio69.

Outra ata, de 1912, já fala de prolongamentos e alargamentos de ruas da cidade, além da aquisição de um prédio para a instalação do mercado municipal (que só foi inaugurado na cidade 3 anos depois):

Em seguida o vereador Dr. Marcellino de Rezende foi apresentado um projeto de lei autorizando o Agente Executivo a fazer os seguintes serviços (...) urgentes: prolongar e alargar as ruas de S. José, dos Peixes, dos Commissarios, travessa de Sta. Maria, travessa de S. Pedro, travessa da Rua Nova do Cruzeiro, becco do Pretorio, até onde julgar conveniente (...) o largo do pretorio de accordo com as rendas municipaes, adquirir o predio para o mercado e installal-o70.

Para a melhor organização dos trabalhos dos vereadores, foi resolvido pelo então presidente, Evaristo Gomes de Paiva, em 1886, que a Câmara contaria com comissões permanentes, a fim de facilitar a realização das atividades:

Sessão do dia 8 de Janeiro de 1886

Aos oito dias do mez de Janeiro do anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo de mil oitocentos e oitenta e sete, nesta Cidade da Varginha, no Paço da Camara Municipal, achando-se presente os senhores Vereadores Justiniano de Paiva, Pereira de Oliveira, Francisco Joaquim da Silva, Franco de Carvalho, Antonio Naves, Teixeira de Resende, Reis Silva, e o Presidente Gomes de Paiva, havendo numero, o Presidente abrio a sessão. O mesmo Presidente tomando a palavra, disse

68

Parte da ata de 13/01/1885.

69 Parte da ata de 09/01/1888. 70 Parte da ata de 12/01/1912.

que para o bom desempenho do serviço da municipalidade, convinha que fossem nomiadas commissões permanentes as quaes serião distribuidos os trabalhos da mesma municipalidade relativos ao ministerio de cada uma dellas. Assim, foi nomiada uma commissão de redação e pusturas composta dos Vereadores Ferreira de Carvalho, Franco de Carvalho, e Domingos de Resende, uma outra comissão de orçamentos e contas composta dos vereadores Ferreira de Carvalho, Dias de Oliveira, e Justiniano de Paiva, uma outra comissão de obras publicas composta dos Vereadores Domingos de Resende, Capitão Manoel dos Reis, e Franco de Carvalho, e uma outra de saude e instrução publica composta dos vereadores Theodoro Naves, Francisco Joaquim da Silva, e Dias de Oliveira, declarando que nenhuma deliberação possa ser tomada pela a Camara relativo a economia e policia da municipalidade sem que primeiro, sejão ouvido o parecer das respectivas comissões71.

Com os exemplos das atas que foram dispostos acima podemos perceber a evolução da formação de Varginha enquanto cidade, e como os vereadores trabalhavam para a consolidação desse processo.

Essas questões estão, de certa forma, ligadas ao desenvolvimento da economia e da sociedade varginhenses e, também, ligadas a formação do modo capitalista de produção na cidade. Parte da ata que está descrita abaixo fala sobre a questão da instalação da luz elétrica no município (que só foi inaugurada no ano de 1914):

Em seguida foi aprezentado um projeto de lei pelo o Agente Executivo para contracctar com qualquer com qualquer empresa a installação da luz eletrica para a cidade da Varginha, pelo espaço de vinte e cinco anos, e continha outras disposições, sendo posta em discussão, em substituição do projeto; foi apresentado um outro assignado pelos vereadores Coronel Olympio Liberal, Antonio Rotundo, Domingos José Rodrigues, Capitão Antonio Justiniano de Paiva e Capitão Francisco Horario Nogueira, de accordo com a autorisação approvada na acta anterior: Art.º. Fica o Agente Executivo, o cidadao Manoel Joaquim da Silva Bittencourt autorizado a levantar um emprestimo a juros de dez por cento ao anno para a installação eletrica nesta cidade da Varginha (...) caso que seja possivel72.

Numa sessão extraordinária de primeiro de fevereiro de 1912, mesmo não havendo número legal de vereadores para a realização da reunião, foi-se discutido sobre as propostas para a estreia da luz elétrica na cidade.

As discussões se estenderam até o ano de 1914, devido a escolha da melhor proposta, dos materiais adequados e da quantidade de dinheiro necessária para a execução das obras. Numa reunião extraordinária de 30 de março desse ano, houve a nomeação da comissão que seria responsável pelo evento da inauguração da eletricidade. A ata da instalação da luz dizia:

Acta da sessão especial da Camara Municipal da Cidade da Varginha em 12 de Abril de 1914.

71

Parte da ata de 08/01/1886.

72

Presidente - Capitão Antonio Rabello da Cunha Secretario – Evaristo de Paiva Junior

Aos doze dias do mez de Abril de mil novecentos e quatorze, as 18 horas (da tarde), no Theatro Municipal, logar designado para esta sessão especial da Camara municipal da Cidade de Varginha, presentes os Excelentissimos Senhores Doutores Wenceslau Braz Pereira Gomes, Delfim Moreira da Costa Ribeiro e Dona Jovina de Figueiredo Frota, estes parágrafos: pelo Excelentissimo Senhor Capitão Vice-Presidente da Câmara foi aberta a sessão, e convidou o Excelentissimo Senhor Doutor Wenceslau Braz Pereira Gomes para tomar assento na presidencia, e disse que a Camara Municipal de Varginha em homenagem aos Excelentissimos Senhores Doutores Wenceslau Braz Pereira Gomes e Delfim Moreira da costa Ribeiro resolveu a dar o nome de Doutor Wenceslau Braz a Rua de São Pedro e de Delfim Moreira a Rua Municipal. Em seguida declarou mais o Excelentissimo Senhor Capitão Vice-Presidente que ia-se proceder a inauguração da luz elétrica. Tomou a presidencia o Excelentissimo Senhor Doutor Wenceslau Braz Pereira Gomes e o Excelentissimo Senhor Doutor Delfim Moreira da Costa ribeiro apertando o botão eletrico, fez-se a luz, orando nesta ocasião, em nome da Camara, o Excelentissimo Senhor Doutor Walfrido Syborio (...). Eu Evaristo Paiva Junior Secretario o escrevi.

Wenceslau Braz Pereira Gomes Jovina Frota Delfim Moreira Antonio Rabello da Cunha Francisco Horacio Nogueira José Maximiano Baptista (...) (...) Domingos de Figueiredo Vivaldi (...)

Ata completa de 12/04/1914. Na próxima página pode-se ver uma foto da Avenida Rio Branco, uma das principais da cidade, com um poste de iluminação pública:

Avenida Rio Branco no ano de 1918.

Nessa imagem, apesar da dificuldade de se observar, pode-se ver um poste de iluminação pública. (http://www.varginhaonline.com.br/coluna/exibe_artigo.asp?codigo=1273)

Além dos assuntos de infraestrutura, a questão religiosa também merecia destaque em algumas reuniões da Câmara: na reunião de 29 de outubro, se decidiu nomear uma comissão de vereadores para fazer uma vistoria na Igreja da Matriz, a fim de serem observadas as partes que necessitavam de melhorias. Em 17 de maio de 1920, outra vistoria seria feita na Igreja da Matriz, em suas paredes, que se encontravam em “ruínas”. Abaixo segue uma foto da Igreja:

Igreja Matriz do Divino Espírito Santo no início de sua formação. (http://www.portalcidade.com.br/sites/memoriadevarginha/arquitetura/index.htm)

A sessão do dia 20 de abril de 1888 merece destaque por se tratar da questão dos escravos na cidade no ano da abolição da escravatura, que é um assunto de suma importância quando pensamos na constituição do sistema capitalista de produção. Na ata, a parte que mencionava esse assunto dizia exatamente:

Pelo o Presidente, foi proposto que atendendo ao estado anormal em que se achão as relações dos escravos para com os senhores e temendo um desastre para a lavoura, em consequencia da imigração de escravos para os pontos em que são mais protegidos na cenda da liberdade que buscão, esta Camara dirigisse a todos os fasendeiros e passividores de escravos no municipio, um apello para uma reunião nesta Cidade, no dia trez de Maio do corrente anno, afim de tratar-se da transsição do trabalho servil ao livre, e que este apelo fosse publicado pela emprensa. Posta em discução, a Camara aceita a presente proposta73.

Os estudos mostram que Varginha recebeu, primeiramente, apenas imigrantes italianos, e em grande quantidade. Em 1888 as primeiras famílias de italianos chegaram a Varginha. Já em 1920, além de italianos, compunham a população de Varginha alguns alemães, argentinos, espanhóis e portugueses, além de um asiático, um austríaco, um francês e um estadunidense74.

Vimos as questões de organização e “embelezamento” da cidade, através da arrecadação de impostos e da preocupação dos vereadores com as ruas e praças, o alargamento e manutenção dessas ruas e a instalação da luz elétrica, ou seja, a cidade se tornava moderna na época. A transição do trabalho escravo para o trabalho assalariado também quer dizer que Varginha caminhava rumo à consolidação de seu processo de modernização. Além dessas questões citadas acima, as educacionais e culturais também mereceram destaque nas reuniões da Câmara Municipal. Parte da ata de 21 de abril de 1884 afirmava:

Pelo Senhor Presidente foi proposto que se officiasse ao Inspector Geral da Instrucção Publica da Provincia de Minas, agradecendo os livros que esta Camara recebeo, para serem distribuídos com os alunnos pobres que frequentão as escolas desta Municipio e para devolver a lista numero cento e cincoenta e cinco assignada, foi aprovada75.

A ata de 17 de outubro de 1887 também se referia a educação:

Recebeo-se um officio de Francisco Quintino da Costa e Silva, communicando a esta Camara, que os exames do Collegio de Santa Cruz, dirigido por sua senhora,

73

Parte da ata de 20/04/1888.

74 SALES, José Roberto. Espírito Santo da Varginha (1763 – 1920). Varginha: Gráfica Sul-Mineira, 2003. 75 Parte da ata de 21/04/1884.

terão logar no dia vinte e dous do corrente, e tinha a honra de convidar a esta Camara para assistir ...76.

Na reunião de 03 de agosto de 1891, foram lidos os seguintes ofícios:

2º Do Inspector Geral da Instrucção Publica do Estado pedindo providencias sobre a irregularidade com que os professores publicos remethem os mapas de suas escholas; 3º da mesma Inspectoria declarando que os exames das escholas comecem no dia 1º de Dezembro do anno lectivo, havendo em seguida vinte dias de ferias, ficando assim revogada a 1ª parte do art. 25 do (...) de 1º de Dezembro do anno passado77.

Em muitas reuniões se discutia sobre temas educacionais: na reunião de 13 de setembro de 1912, por exemplo, foi criado um projeto autorizando o agente executivo a despender anualmente a quantia de 400$000 (quatrocentos mil réis), sendo 100$000 (cem mil

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