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A presente abordagem tem como finalidade verificar os reflexos das recentes

reformas processuais no estado democrático de direito e a busca pela celeridade processual,

objetivando a melhor eficácia do sistema jurídico.

Neste contexto, as recentes reformas processuais buscam agilizar os

procedimentos no Poder Judiciário, o qual está com um acúmulo de processos, tornando

extenso o caminho daqueles que recorrem ao estado para atingirem suas pretensões. Assim, as

reformas processuais objetivam melhorar o procedimento reformado, bem como o meio que

vai ser concretizada a pretensão pretendida.

Outrossim, direcionando o assunto para o presente trabalho, tem-se que as

recentes reformas processuais trouxeram grandes benefícios para toda a sociedade, originando

uma economia processual eficaz e um procedimento mais célere.

Primeiramente, vale destacar a introdução da Lei 11.441/07 no ordenamento

jurídico, a qual originou a desjudicialização da separação, do divórcio e da união estável, que

possibilita ao Notário lavrar escrituras públicas de separação, de divórcios consensuais e

partilha, isto é, extrajudicialmente em tabelionato de notas, desonerando o poder judiciário de

trabalhar em processos que não possuem verdadeiros litígios, permitindo maior celeridade e

eficácia na resolução dos conflitos, porém continuou exigindo o implemento de prazos para

somente após realizar a dissolução da sociedade conjugal.

A fim de complementar a colocação supramencionada, vale destacar o comentário

de Andréa Sá (2007, p. 01-02), assim descrevendo:

A Lei 11441/07 trata das separações e divórcios que podem ser feitos por via administrativa, ou seja, pelo cartório, sem passar pela homologação judicial. Os requisitos básicos para a escolha por esta via são:

1. o casal deve combinar antes sobre todos os detalhes da separação , não podem ter filhos menores de 18 anos ou incapazes ( que necessitem de tutela ainda que tenham alcançado a maioridade);

2. a escritura pública lavrada por tabelião de notas expressando a livre decisão do casal acerca do valor e do modo de pagamento dos alimentos que um dos cônjuges pagará ao outro,(ou a dispensa deste pagamento);

3. a descrição e a partilha dos bens adquiridos durante o casamento ;

4. Se o cônjuge que tiver adotado o sobrenome do outro , a decisão se irá mantê-lo ou não;

5. a observância do prazo de um ano contando a partir da celebração do casamento para a separação ou do prazo de dois anos de separação de fato para o divórcio direto;

6. assistência de advogado.

Esta lei foi pensada e pedida pela comunidade jurídica (e não pela população em geral) por questão de ordem meramente patrimonial: para os advogados, a vantagem é a redação de um contrato simples, cujo resultado demanda um tempo menor, o que significa pagamento de honorários mais rápido. Para os envolvidos, a velocidade mediante o alto pagamento, e para os cartórios, mais uma mercadoria a ser vendida

.

(...)

A Lei 11441 tem grande chance de não “pegar” ou ser aplicada apenas para alguns , sem a imprescindível generalidade a que todas as leis devem estar conformadas conforme princípio democrático.

Apesar disso, talvez esta lei sirva para iniciar um debate importante no cenário jurídico brasileiro: repensar a concessão estatal aos cartórios, instituição colonial herdada das grandes oligarquias e que persistem até hoje

gerando despesas e entraves para a utilização de diversos serviços para a população brasileira

.

Percebe-se que a Lei 11441/07 objetivou tornar o procedimento da dissolução da

sociedade conjugal de forma mais eficaz, porém mesmo sem a interferência do poder

judiciário, o procedimento não satisfazia de forma plena os desejos das partes, pois estipulava

a implementação de um lapso temporal, para após efetivar a dissolução conjugal (de um ano

da homologação judicial ou da comprovação do lapso temporal de dois anos da sociedade de

fato).

Neste sentido importante analisar o entendimento de Denise Damo Comel (2007,

p. 01) a qual assevera que:

Dentre as modificações introduzidas pela novel Lei nº 11.441/07 no regime de dissolução da sociedade e do vínculo conjugal, sobressai a supressão da intervenção judicial para os casos de separação e divórcio consensuais em que não há filhos menores ou incapazes (CPC, art. 1.124-A).

Antes da vigência de referida Lei, a separação e o divórcio somente eram possíveis por ato judicial, não tendo as partes a liberalidade de fazê-lo por si. A vontade do casal não era suficiente para dissolver o casamento (ou apenas a sociedade conjugal), sendo que tal efeito somente podia ser obtido em mediante de um comando judicial expresso, observadas as formalidades legais (CPC, 1.120 e seguintes), uma vez que "a terminação consentida da sociedade conjugal não se torna eficaz senão após homologado o acordo pelo juiz" (1).

Agora, porém, a situação é diversa. Facultando aos cônjuges/ex-cônjuges realizar a separação consensual ou o divórcio consensual por escritura pública, a nova Lei atribui tão somente à vontade do casal a eficácia de extinguir a sociedade conjugal ou o casamento, conforme for, ainda que lhe imponha forma especial (escritura pública).

Assim, o casal não irá "requerer" a separação ou o divórcio ao Tabelião de Notas, nos moldes do que se fazia perante o juízo (CC, 1.574; CC, 1580; CPC, 1.120), senão apenas formalizar por escritura pública sua manifestação de vontade que, por sua vez, consistirá o título de seu novo estado. Não haverá, pois, uma decisão judicial constitutiva de um novo estado civil do casal (separado ou divorciado), já que tal efeito decorrerá tão somente da vontade dos cônjuges, tomada pela forma pública perante o tabelião e observadas as exigências legais, conforme o caso, inclusive quanto aos prazos.

Neste diapasão verifica-se a Lei 11.4441/07 facilitou a forma de dissolução da

sociedade conjugal, desafogando o Poder Judiciário, o qual teve a oportunidade de preocupar-

se com questões mais relevantes, porém, tal instituto não satisfez a sociedade como um todo,

tendo em vista que os indivíduos não tinham um resultado rápido de suas pretensões, pois

eram, conforme já referido, obrigados a aguardar a implementação do requisito objetivo

(tempo), para após conquistar a dissolução da sociedade conjugal, enfrentando, desta forma,

mais sofrimento e angústia pela situação vivida.

Desta forma, com o objetivo de tornar mais eficaz e célere o procedimento da

dissolução da sociedade conjugal, surge a Emenda Constitucional n.º 66/10, a qual eliminou

os prazos, antes exigidos pela Lei 11.441/07, e, juntamente com os prazos, eliminou a

prolongação da resolução das pretensões das partes.

Deste modo, verifica-se que ao suprir o período que era exigido para dissolver a

sociedade conjugal (de prévia separação judicial por mais de um ano ou da comprovada

separação de fato por mais de dois anos), tornava o procedimento ineficaz, bem como tornava

o sofrimento daqueles que estavam enfrentando tal situação mais angustiante e prolongado.

Assim, a fim de minimizar o sofrimento e o desgaste das pessoas que buscam

dissolver a sociedade conjugal, a Emenda Constitucional n. 66/2010, supriu prazos que

somente prolongavam uma definição na situação processual dos indivíduos.

Fernanda Aparecida Corrêa Otoni (2011, p. 01-02) analisa a questão das reformas

processuais e a celeridade, assim referindo:

Tendo em vista os princípios da dignidade da pessoa humana, celeridade, economia processual e ainda a afetividade, a Constituição da República de 1988, trouxe uma inovação que visa simplificar um momento bastante doloroso na vida dos casais: o fim do matrimônio.

A Emenda Constitucional nº 66 de 13 de Julho de 2010 tem como intuito tornar mais ágil um processo longo e demorado, que é o divórcio, na medida em que não se exige mais o requisito prévio da separação judicial por mais deum ano e nem a necessidade de se comprovar a separação de fato por mais de dois anos.

Diante de um conflito no casamento, os casais têm como alternativa propor ação de divórcio (consensual, litigioso ou extrajudicial), extinguindo-se, assim, de maneira rápida e menos dolorosa a convivência que já não é mais pacífica e sim insuportável.

Em outras palavras podemos dizer que a nova ordem constitucional tem como relevantes funções: a extinção da separação judicial e a eliminação da culpa e do lapso temporal, sendo as duas últimas consideradas por muitos doutrinadores como causas subjetivas e objetivas, respectivamente

.

Deste modo, percebe-se que a Emenda Constitucional n.º 66/2010, trouxe vários

benefícios para a sociedade, a qual excluiu a parte final do parágrafo 6º do artigo 226 da

Constituição Federal, autorizando deste modo a concessão do divórcio sem prévia separação e

sem o implemento do lapso temporal anteriormente exigido, assim, facilitando o

procedimento para a dissolução da sociedade conjugal, bem como atingindo a pretensão das

pessoas de forma mais eficaz.

Nesta esteira, além de economia de tempo e recursos, o novo procedimento tornou

o instituto do divórcio mais célere e eficaz perante a sociedade, resolvendo, desta maneira, os

litígios e as pretensões da sociedade como um todo.

Neste patamar, Otoni (2011, p. 10), refere que o prazo estipulado pelo estado

somente prorrogava uma decisão que estava concluída, referindo que os reflexos das reformas

processuais trouxeram grandes benefícios para a sociedade:

Portanto, se a convivência entre os cônjuges se tornou insuportável, não faz sentido aguardar por mais um período até que se conclua de fato o que está mais que decidido. A EC nº 66/2010, tem como fundamento não só a celeridade e economia processual, como já afirmado, mas também a busca pela felicidade e liberdade.

Cabe referir que antes da Emenda Constitucional n. 66/2010 eram determinados

prazos para somente após ser determinado a fim do vinculo conjugal, prevendo o antigo texto

que era necessário para proceder o divórcio a separação judicial por mais de um ano, ou

comprovada a separação de fato por mais de dois anos, existindo, portanto, antes da reforma

processual duas modalidades de separação, sendo a consensual e a litigiosa (OTONI, 2011, p.

2).

Luís Gustavo dos Santos (2011, p. 01) a respeito da celeridade que a emenda n.

66/10 trouxe para a sociedade refere menciona o seguinte:

A Emenda Constitucional 66/101 surgiu como instrumento hábil a dar maior celeridade à dissolução do vínculo conjugal, proporcionando àqueles que a ela aderirem a possibilidade de mais facilmente darem prosseguimento às suas vidas, criando novos laços de afeto e união.

Diferentemente do que ocorria antes de sua entrada em vigor, o lapso temporal para que o vínculo conjugal fosse desfeito através do divórcio era mais extenso do que se vislumbra com a citada emenda, agora, tão logo queiram, podem os interessados pôr fim ao casamento através de tal instituto, suprimindo-se o requisito da prévia separação judicial por mais de um ano ou de comprovada separação de fato por mais de dois anos.

Portanto, tem-se que a reforma que regulamentou o divórcio foi de suma

importância no ordenamento jurídico, pois reflete a pura liberdade de escolha das pessoas, as

quais antes eram obrigadas a permanecer em uma situação que não desejavam, face ao poder

que o Estado detinha na relação familiar.

Atualmente, as pretensões são obtidas com mais eficácia e celeridade, visando

conter o sofrimento, e, objetivando proporcionar a felicidade daqueles que já não mais

suportam a relação conjugal. Deste modo, pode-se afirmar que as recentes reformas

processuais acabaram com uma fase no procedimento em busca da dissolução do vínculo

matrimonial, evitando com isso a instauração de duas demandas e, consequentemente,

conquistando de forma célere a pretensão desejada, em prol da felicidade.

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