A realidade geoestratégica contemporânea é marcada pela instabilidade das correlações de segurança, uma forte aceleração do tempo e pelas constantes mudanças da conjuntura internacional, verificando-se ainda que a geopolítica tende a ceder o passo à geoeconomia a qual, por sua vez, passou a ser comandada pela geofinança250. Em microsegundos, vastas quantidades de fluxos de informação fluem através das fronteiras dos estados, influenciando significativas alterações na balança de poderes entre os actores tradicionais e entre estes e aqueles em fase de afirmação ou que tendem a consolidar-se.
Modernas ligações electrónicas em rede permitem estabelecer rápidas comunicações entre os locais mais díspares separados por enormes distâncias, assim reduzindo os inconvenientes inerentes às distâncias e ao tempo251. O efeito exercido ao nível das relações internacionais e das afirmações de poder através das capacidades de projecção geoestratégica dos principais actores torna-se determinante para a interpretação do ambiente de conflitualidade conjuntural, o que obriga a perspectivar novas concepções que permitam enfrentar as alterações ocorridas, em grande parte devidas à emergência e actuação de inopinados e inesperados actores.
Neste percurso vertiginoso e tentando sobrepor-se à aceleração da componente espaço-tempo, a superpotência mantém a sua posição de líder da sociedade da informação de constante adaptação à dinâmica que enforma a Internet, conseguindo-o de forma mais rápida e flexível do que qualquer outro país. Consequência directa do aumento contínuo do número e da variedade dos factores mais relevantes, os decisores nacionais aos vários níveis são obrigados a repensar com maior frequência as inerentes estratégias de segurança, o mesmo se passando com as organizações públicas e privadas que procuram redimensionar-se, reestruturar-se e adoptar novas arquitecturas de manobra e de previsão estratégica. Estas variações reflectem-se social e culturalmente nos cidadãos, que se vêm obrigados a dotar-se de novas qualificações, saberes e a
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Cfr. José Adelino Maltez, ob. cit, idem, p. 141.
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adaptarem-se aos novos métodos e programas, em simultâneo com a exploração de modelos inovadores de gestão e de liderança252.
Em consequência, depara-se aos teorizadores e decisores políticos e aos peritos militares, tecnológicos científicos, económicos e aos executivos das organizações e instituições nacionais e internacionais, particularmente às grandes empresas transnacionais, um novo ambiente de pensamento estratégico que projecta extensas modificações nos campos táctico de execução, militar e civil, resultantes da aceleração da conjuntura e da rápida difusão dos meios de comunicação instantânea, o que os confronta com a necessidade de descortinar novas vias e meios que lhes possam proporcionar a compreensão e as dinâmicas da mudança global e a dotarem-se dos correspondentes instrumentos, preparação e novas formas de pensar mais adequadas ao enfrentar das oportunidades e desafios que se vão perfilando neste novo século. Entre os cientistas e com base na revolução científica em curso muitos esperam deste novo e complexo ambiente respostas para muitas questões; contudo, a sua variedade parece limitada naquele sentido ou senso comum de previsibilidade habitual quanto à marcha dos eventos, nomeadamente a partir do início da denominada revolução científica. Actualmente depara-se-lhes uma nova via seguindo uma forma diferente de pensamento e de uma novel interpretação sobre a inexorável marcha das civilizações, com as suas imprevisíveis mudanças, permanentes interacções e a emanação de práticas e directivas de complexidade acrescida253.
No decorrer do constante processo de evolução que se tem desenvolvido nos últimos trezentos anos, a ciência de matriz ocidental foi progredindo através da descoberta, formulação e da aplicação das leis mais diversificadas, cada uma delas julgada e medida seguindo como padrão a estética da simplicidade. Mas neste caldear de transformações contínuas a nova forma de pensamento afigura- -se como mais regulada por uma estética de complexidade, sustentada e mantida pelos computadores e por poderosas manipulações e simulações em modelos, como os túneis de vento aeronáuticos, com maior focagem e concentração na intrincada manifestação “labiríntica” dos actuais fenómenos254.
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Anthony G. Mc Grew, Governing Globalization. Power, Authority and Global Governance, Polity Press, Malden, Mass., 2002.
253 Cfr. José Adelino Maltez, ob. cit. p. 96. 254
Gerry Gingrich, «Simplified Complexity: Thinking in the White Spaces», in Strategic Forum, Institute for National Strategic Studies – INSS, N.º 139, Washington D.C., May 1998, pp. 1-2.
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Na passagem do conceito clássico em transição para o actual, as maiores diferenças existentes entre a anterior e a nova forma de pensamento centram-se mais na aplicação da denominada “análise da regressão”, com o desenvolvimento de avançados modelos matemáticos na tentativa de descrever a relação funcional entre um dado fenómeno e o conjunto das variáveis que o enformam. Então e ao seguirem a anterior forma padrão de pensamento ao aplicarem o princípio da simplicidade, que se encontra na base científica do paradigma tradicional, os cientistas e responsáveis pela decisão consideram logo de início a existência de um número limitado de variáveis, daí resultando a construção de modelos de fenómenos políticos e económicos a partir desse reduzido número de elementos iniciais a que depois vão adicionando outros, mas apenas se apresentarem interesse e se revelarem estatisticamente importantes. Nesta óptica simplista, se um cientista político clássico decidir construir uma primeira interacção relativa a um hipotético modelo para descrever com um certo grau de certeza a possibilidade real de poder deflagrar um conflito regional de alta intensidade255, como o ocorrido em 2003 no Golfo Pérsico, a introdução de variáveis adicionais consideradas úteis para uma maior compreensão da natureza deste tipo de conflito tendo por objectivo evitar a sua eclosão, só será accionada se o cientista político conseguir provar que elas serão estatisticamente indispensáveis; se não provar, serão automaticamente excluídas do modelo, com o grave inconveniente de aumentar a probabilidade de erro de avaliação.
Mas a estética da simplicidade, dentro do tradicional paradigma de análise de matriz ocidental, induziu ainda uma outra característica negativa conhecida em alguns meios científicos por “ubiquidade do pensamento linear”, por os antigos modelos de regressão tenderem a descrever a relação funcional entre um fenómeno e as variáveis que o afectam segundo uma equação em linha. Deste processo, considerado francamente ultrapassado, resulta em termos gerais que, quando todas as variáveis numa equação linear se encontrarem elevadas à primeira potência, a equação revelará proporcionalidade pois qualquer aumento no valor de cada variável resultará em aumentos proporcionais das características do fenómeno relativamente a esse valor. No modelo, esta visão de análise matemática apresenta-se como muito mais tentadora, porquanto a proporcionalidade sugere um modelo de análise mais atractivo ou de mais rápida interpretação, pois sempre que se proceder a qualquer alteração nos dados de
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um dos dois termos da equação linear o outro mudará a uma razão constante o mesmo acontecendo com as respostas, o que permitirá estabelecer uma relação simples, fácil de compreender e previsível face ao sdesenrolar do estudo científico. Exactamente porque se coaduna com o normal pensamento do investigador e também porque o processo da proporcionalidade é fácil de seguir e de entender, existirá sempre uma irreprimível tendência natural para o cientista o utilizar como base de análise prioritária e assim ser tentado a seguir a lógica de pensamento tradicional.
Nesta linha de atracção pelo antigo pensamento acresce que a proporcionalidade não representa a única característica do pensamento linear, pois haverá também que considerar a influência da “aditividade” dos factores, uma outra característica que contribui para tornar o pensamento mais confortável, simples e fácil de seguir por os modelos poderem ser decompostos em partes mais “trabalháveis”, com a correspondente separação das variáveis, o que permite proceder ao seu estudo individualmente para mais tarde e na fase final tornarem a ser incorporadas no todo, com a facilitação da obtenção da visão completa e acabada do conjunto. Mas a decomposição implica que o fenómeno em estudo tenha de ser igual à soma de todas as variáveis individuais, ou que todo o conjunto seja igual à soma das suas partes, o que implica ser o problema resolvido dividindo-o em componentes cada vez menores para mais facilmente poderem ser analisadas individualmente, trabalhadas e obtidos resultados mais realistas, que depois serão novamente incorporadas no todo para completar e reconstruir a estrutura do estudo em análise e obter a solução final.
No caso específico dos complexos processos de análise de um conflito bélico regional para evitar a sua eclosão ou escalada, os cientistas políticos tradicionais dividem o problema em duas peças separadas: a variável da força militar e a variável da solidez económica, passando depois ao estudo de cada uma isoladamente. Quando for conseguida uma suficiente compreensão de ambas serão então transmutadas para um aferidor de medida comum e de novo adicionadas uma à outra para obter a descrição de como se irá manifestar o novo fenómeno conflitual em análise. Ao combinar o princípio da aditividade com o da decomposição, o “velho” pensamento tenderá a assumir daí para a frente preferencialmente qualquer relação existente entre as variáveis da força militar e da solidez económica, e assim continuará a operar até ao fim no sentido de conservar o problema simples e inteligível.
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Em franco contraste e se for decidido seguir a nova linha de pensamento focalizando e privilegiando mais o paradigma da complexidade através da aplicação do modelo da regressão, todas as variáveis possíveis e relevantes que possam descrever com mais pormenor e fazer compreender a complexidade do mesmo fenómeno serão inseridas de imediato, com o cientista político “não tradicional” a criar e a fomentar as interacções possíveis dentro do correspondente modelo ao incluir desde o início as variáveis referentes à liderança política e à componente de defesa e as que definem o indispensável equilíbrio societal que deverá sempre existir entre a sociedade civil e a componente militar quanto ao esforço e comunhão na segurança e na defesa, em reforço das variáveis mais previsíveis referentes ao estado das forças armadas e da solidez económica. Com este exercício e ao contrário da antiga forma de pensamento, as cinco variáveis deverão permanecer e fazer parte do modelo final durante o tempo necessário e suficiente até que fique demonstrado que alguma possa ser estatisticamente irrelevante, momento a partir do qual poderá então ser excluída definitivamente do estudo.
Destarte torna-se patente, tanto na análise das mais complexas situações como nas formas e meios de intervenção ao dispor do poder político, que o pensamento clássico anterior se encontra mais direccionado para a exclusão de determinadas variáveis, enquanto a nova forma de pensar, racionalizar e de entender a mudança em curso procederá à inclusão no processo de todas aquelas que possam contribuir para a cabal compreensão do conflito em causa, em todas as suas dimensões, pese embora a arquitectura do modelo final ter ainda de equacionar a ordem segundo a qual as variáveis forem sendo introduzidas na equação de análise final. Esta evidência sugere que os actuais decisores políticos, militares e os que chefiam ou gerem as áreas tecnológicas e científicas mais importantes terão de se adaptar aos novos paradigmas mais próximos das actuais realidades, condição necessária para conseguirem compreender o efeito produzido por todas as variáveis mais relevantes intervenientes no fenómeno; senão, irá conduzi-los inevitavelmente à perda da liderança em áreas cruciais de competição, por se encontrarem desfasados no espaço e no tempo e por continuarem a raciocinar em termos de parâmetros já ultrapassados256.
Desta constatação poderá facilmente deduzir-se que o modelo definitivo construído segundo o método do paradigma da complexidade poderá ser completamente
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distinto e de diferentes características, tanto qualitativas com quantitativas, de um outro modelo final construído segundo o tradicional paradigma científico, daí resultando que um novo pensamento de vanguarda que possibilite uma melhor apreensão e compreensão das rápidas, imprevisíveis e contínuas alterações em curso em todas as áreas poderá contribuir decisivamente para induzir os novos teorizadores a explorarem novas áreas do pensamento e de descoberta das actuais e emergentes realidades, descortinando outros campos de horizontes interpretativos, áreas essas não contempladas pela anterior e já desactualizada forma de pensar e pelas tradicionais disciplinas académicas, onde ainda é difusa a percepção de que a realidade é já outra e mudou drasticamente num mundo em acelerada transformação257.
Por o universo do pensamento complexo ser tão variado e extenso que a mente humana não pode sequer imaginar todas as alternativas possíveis face ao estudo de uma situação, existirá portanto uma declarada relutância dos teorizadores e cientistas tradicionais em penetrarem nas novas áreas do pensamento complexo onde existem a maior parte das relações não proporcionais, por a estrutura do pensamento racional moderno ser mais ambígua e difícil de compreender, exigindo o tratamento intensivo prévio de modelos em ambiente virtuais.
Este novo paradigma do pensamento complexo irá assumir e considerar que a componente de defesa e a solidez económica não podem continuar a ser tratadas de forma independente, não apenas por se encontrarem estreitamente interligadas mas também devido à existência concreta de uma interdependência entre estas duas variáveis, por a força militar e a solidez económica não poderem ser decompostas e estudadas isoladamente. Na realidade prática, as duas estão intrinsecamente relacionadas como parte de um sistema muito mais vasto no qual a totalidade do conjunto é algo de significativamente diferente de uma simples soma das suas várias partes, pelo que as variáveis e as suas interdependências deverão ser estudadas em conjunto e em íntima conexão nos seus efeitos e consequências, por enformarem e integrarem um sistema individualizado e interactivo258. Deduz-se então que o novo pensamento ou método de trabalho e de análise dos acontecimentos internacionais conduz a uma compreensão mais rigorosa e inteligente das crises e dos conflitos regionais do tipo referido, o que só será possível de conseguir através da clarividência e
257 Thomas Samuel Kuhn, The Structure of Scientific Revolutions, Chicago, The University of Chicago Press,
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tenacidade dos modernos cientistas os quais, considerando já como ultrapassado no tempo o modelo de pensamento linear, penetraram de forma audaciosa e inovadora em novas áreas de vanguarda de uma mente racional mais avançada quanto à compreensão de fenómenos novos e portanto de mais difícil acessibilidade aos pensadores que ainda seguem a arcaica linha tradicionalista, e que se encontram condicionados por conceitos que não se coadunam totalmente com os novos tempos de mudança onde a complexidade impera.
Na sociedade ocidental, os progressos alcançados devem-se à contínua avaliação e aferição das leis e modelos que a regem por os cientistas políticos considerarem também, para além das outras duas estéticas já mencionadas, uma outra estética de perfeição personificada numa terceira que integra e coincide com o reconhecimento da existência da universalidade. Interpretando esta nova referência, as leis serão universais sempre que mencionam, descrevem e tornam compreensíveis o conjunto dos mais variados eventos de um determinado tipo de fenómeno, consideradas as condições conjunturais do momento, com a estética da universalidade a centrar-se mais na procura da “teoria do todo” ao sedimentar uma nova forma de investigação e de análise. Em verdade, quanto mais simples se apresentarem as leis científicas que regem as comunidades humanas, mais facilmente haverá a propensão para se tornarem universais, conduzindo ao reforço mútuo das estéticas da simplicidade e da universalidade.
Pela sua própria concepção e modelo de construção, o paradigma da complexidade, empregue na análise dos modelos dos acontecimentos em estudo, incentiva e encoraja o pensamento e os princípios inovadores muito para além do horizonte limitado do paradigma tradicional linear por visar, não tanto o que é universal mas por encorajar mais a especificidade ou seja, a identificação de todas as variáveis e parâmetros necessários à descrição e entendimento completo de um determinado e específico evento259. Se um acontecimento é suficientemente importante que justifique o seu estudo, então também será assaz ponderoso para fundamentar a sua especificação detalhada, única forma de análise científica que poderá permitir o seu aprofundamento e compreensão por as estéticas da complexidade e da especificidade se completarem e reforçarem mutuamente, robustecendo e aumentando o seu grau de especialidade pelo envolvimento de um número maior dos parâmetros considerados
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integrantes das estéticas da simplicidade e da universalidade que se devem completar em cada conjuntura.
Ao empregar a estética da complexidade na análise dos conflitos regionais de alta intensidade, será então sugerido um modelo com cinco e não apenas com duas variáveis, para além de ser considerada uma efectiva interdependência entre todas aquelas e outros eventuais componentes. Uma vez decidido aplicar a arquitectura da especificidade, haverá então que proceder à utilização de variáveis adicionais mais particularizadas cujos parâmetros permitirão compreender e descrever integralmente e na totalidade as características dos fenómenos em análise. Estes tendem a ocorrer dentro do contexto de um ambiente global, implicando que as variáveis adicionais a introduzir no modelo identifiquem e especifiquem, com o detalhe possível, as condições conjunturais de âmbito alargado que ocorrem no momento, como sejam a identificação das comunidades que se encontram envolvidas nas trocas económicas, nos fluxos internacionais de informação e nas coligações de actores não-estaduais; para além da necessidade de incluir variáveis apropriadas e interrelacionadas com a conjuntura que possam traduzir com suficiente realismo o contexto temporal em que se desenvolveu determinado fenómeno de conflito violento de âmbito regional, partindo da racional que existirá sempre a possibilidade da ocorrência de um conflito deste tipo tender a manifestar-se de forma e intensidade variáveis de uma área ou região para outra, nos espaços geopolítico e geoestratégico e também no tempo, este em função daqueles.
Esta nova forma de pensamento, conhecida pelo paradigma da complexidade, poderá estimular a criação de um modelo de entendimento que imprima uma melhor compreensão dos inúmeros tipos de conflitos regionais actualmente em curso, em que o poder aéreo tem uma acção predominante tanto na vertente militar como na civil, os quais não poderão ser integralmente evitados, estudados, compreendidos e neutralizados apenas através da interpretação e da utilização restrita do paradigma científico tradicional e dos respectivos modelos simples e lineares, por não dispor da adequada dimensão espacial e temporal e não incluir a variabilidade e a complexidade. Alicerçada e orientada pela multidimensionalidade proporcionada pelas estéticas da complexidade e da especificidade, a nova forma de pensamento encontra-se naturalmente mais apta para desenvolver modelos que possam reforçar e alargar a compreensão do ambiente conjuntural, pois a introdução de um maior número de variáveis obrigará ao seu aprofundamento e ao aumento do grau de sofisticação do processo científico. Esta
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facilitação é ainda reforçada com a introdução de outro tipo de variáveis interdependentes que representam sistemas mais abertos e abrangentes sujeitos às condições globais que enformam o momento, o que proporciona um melhor entendimento dos fenómenos políticos e económicos resultantes das várias contingências que dimanam da complexa era actual abrangente aos acontecimentos planetários.
Desta incursão aos novos espaços do pensamento e da acção, numa tentativa para encontrar, através da investigação, a verdade possível num mundo dinâmico onde ocorrem alterações mundiais em todas os domínios da racionalidade de actuação, poderá facilmente deduzir-se que o cientista de nova geração será obrigado a investigar, a pensar e a raciocinar de uma forma diferente mais adequada à compreensão e à interpretação real dos acontecimentos, com a introdução de uma nova esfera mental e racional de comportamento260. Este novo paradigma poderá oferecer uma via inovadora de horizontes mais vastos, por permitir compreender e enfrentar a multiplicidade dos complexos riscos e problemas de segurança nacional e internacional, através do exercício e aplicação mental de novas formas de pensamento261.
A realidade da emergência de uma nova ordem mundial de contornos ainda difusos, indicia que irão projectar-se nas relações internacionais determinados tipos de