3. Enquadramento da Prática Profissional
4.1. Área 1: Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem
4.1.2. Realização do Ensino
4.1.2.4. As Rotinas que facilitam a Gestão do Tempo de Aula
Para gerir as minhas aulas, segui as orientações de Arends (2008), de Rosado e Ferreira (2011) e de Siedentop e Tannehill (2000) que referem que os professores eficazes no que concerne ao tema da gestão e controlo da
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turma apresentam: regras e rotinas de aula, o que previne certos comportamentos inadequados dos alunos; respondem imediatamente a comportamentos que têm de ser interrompidos, não deixando assim que se repitam; têm “olho de lince”, ou seja, estão em cima do acontecimento; utilizam recompensas e elogiam quando o comportamento do aluno melhora, e punem de imediato, um comportamento inadequado.
No decurso do ano letivo recorri a uma gestão preventiva, que se materializou em estratégias proactivas utilizadas pelo professor a fim de criar e manter um clima positivo para cada tarefa (Siedentop & Tannehill, 2000). A este respeito, Arends (2008, p. 173) clarifica que: “a gestão preventiva é a
perspetiva segundo a qual muitos dos problemas da sala de aula podem ser resolvidos através de uma boa planificação, de aula relevantes e interessantes, e de um ensino eficaz”. Neste sentido, em todas as minhas turmas iniciei as
aulas criando rotinas para prevenir a criação de comportamentos inadequados e perturbadores, com o propósito de cumprir com o proferido por Siedentop e Tannehill (2000, p. 60): “There is an old adage that an ounce of prevention is
worth a pound of cure”. Compreendi claramente a importância de arranjar
estratégias que prevenissem a má gestão da aula. Por esse motivo comecei, desde a primeira aula, a implementar as rotinas preestabelecidas para que se tornassem um hábito para os alunos. Os mesmos autores referem que o tempo despendido a implementar estas rotinas é bem empregue, pois posteriormente vão permitir bons tempos de aprendizagem: “Inadequate or unskilled class management, therefor, has two negative outcomes. First, it tends to increase discipline problems, and, second, it reduces time that can be used for learning and practice”
(Siedentop & Tannehill, 2000, p. 61).
Hoje faço uma avaliação muito positiva das regras implementadas nas aulas e que se tornaram em bons hábitos para os alunos. Algumas das rotinas implementadas foram a conversa inicial, com vista à preparação da aula, que contribuiu para o controlo da pontualidade e para a diminuição da agitação inicial dos alunos. Esta rotina foi-me permitindo um começo relativamente rápido e sem grandes perdas de tempo, incrementando o tempo útil da aula. O controlo da assiduidade durante a ativação geral, com o objetivo de não despender tempo útil no seu registo, e o uso do apito como sinal de começo ou
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término dos exercícios, evitando momentos de paragem, foram outras rotinas que implementei e que sem dúvida resultaram com as turmas, evitando grandes perdas de tempo. O recurso à contagem decrescente para que os alunos se aproximassem e se sentassem junto de mim para ouvir algumas explicações, o envolvimento dos alunos na gestão do material e o diálogo final com o objetivo de emitir um feedback sobre a aula, de esclarecer dúvidas e de dar a aula por concluída, revelaram-se rotinas de grande eficácia.
As estratégias utilizadas facilitaram o controlo das turmas, porque os alunos ficaram a conhecer os procedimentos a adotar nas diferentes situações de ensino e, por conseguinte, potenciaram a aprendizagem dos alunos com o aumento do tempo efetivo de prática, o dinamismo da sessão, e da diminuição dos tempos de transição e organização (Rosado & Ferreira, 2011).
Saliento que sempre tive o cuidado de desenvolver a gestão dos tempos de aula, pois como refere Mesquita (2000), a forma como o professor gere o tempo de aula tem uma influência direta no tempo que os alunos têm disponível para a prática. Por este motivo, complementei as considerações anteriores com os seguintes aspetos: instrução inicial clara e precisa, a fim de reduzir os períodos de informação e de transição e, ainda, de aumentar o tempo disponível para a prática; escolha de exercícios motivantes e de grau adequado ao nível dos alunos, para conseguir fomentar o tempo potencial de aprendizagem. Estas foram algumas das estratégias por mim adotadas e que se apresentaram eficazes na gestão do tempo de aula. O extrato de reflexão seguinte é ilustrativo de algumas delas:
“Como tem sido habitual recorri ao método do apito e da contagem decrescente para os juntar e mandar sentar, o que me permite obter uma visão mais próxima de toda a turma, evitando assim conversas paralelas ou comportamentos mais desviantes. Quero ainda salientar a gestão que tenho vindo a utilizar, com bons resultados, a organização em vagas, onde os alunos estão dispostos em várias linhas, realizando o mesmo exercício uns a seguir aos outros. Esta organização tem mostrado a vantagem de proporcionar aos alunos uma exercitação intensa, possibilitando-me um bom controlo da turma (Quina, 2009). Este método permitiu um bom ritmo de aula, sem grandes dispersões e fez com que os alunos partissem ao som do meu apito e se reorganizassem rapidamente, conseguindo
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um bom tempo em empenhamento motor”. (Reflexão nº 21: UD Ginástica,
29/11/2013, 11º AGD)
No entanto, a implementação e o cumprimento destas regras não foi tarefa fácil, principalmente numa das minhas turmas, onde, por várias vezes, senti dificuldades na sua gestão:
“Mais uma vez chamei à atenção e obriguei todos os atrasados a fazerem cem flexões à minha contagem e ao meu ritmo, enquanto os quatro alunos que chegaram a horas começavam o primeiro exercício, o exercício dos cinco passes consecutivos. Com esta estratégia pretendo, não só desenvolver e melhorar a condição física e o espírito de equipa, pois se um desistir voltam todos ao início, tal como aconteceu hoje, mas também repreendê-los e fazê-los entender a atitude incorreta que persistem ter. Estes alunos apresentam comportamentos inadequados à aula e, mesmo após todas as chamadas de atenção, continuam a apresentar comportamentos desviantes, o que dificulta bastante a gestão conjunta da turma“. (Reflexão nº 11: UD Basquetebol, 04/12/2013, 12º ET)
O extrato da reflexão acima apresentado realça que os alunos desta minha turma fixa chegavam habitualmente atrasados à aula, pegando, por vezes, e sem qualquer indicação do professor, em bolas e começavam a jogar. Face a este comportamento, tive de intervir de imediato, o que me fez despender o tempo das aulas, essencialmente nas do 1º período, no reforço das regras, para que os alunos finalmente compreendessem e incorporassem as rotinas da aula por mim estabelecidas. Deste modo, foram várias as vezes que chamei à atenção dos alunos impontuais, e mandei para a bancada ou expulsei os que apresentaram comportamentos inadequados. Foram atitudes destas que fizeram com que os alunos começassem a compreender as regras da aula e, a partir do 2º período, pude registar uma diminuição do tempo despendido na gestão do seu comportamento, o ritmo imposto nas aulas melhorou significativamente e consegui conquistar o respeito e a compreensão destes alunos. Ainda durante o 2º período receei a lecionação da modalidade de Ginástica de trampolins com esta turma, mas foi a altura ideal para constatar que estes alunos tinham compreendido, respeitado e adquirido as regras impostas na aula. Esta vivência mostrou-me, não só a importância das rotinas, elementos equilibradores e preparadores da aula, como também das
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medidas de gestão, corroborando com as orientações de Rosado e Ferreira (2011) ao referirem que, uma grande parte do comportamento perturbador dos alunos pode ser eliminada através de medidas de gestão preventiva na sala de aula, tais como regras, procedimentos claros e atividades de aprendizagem cuidadosamente orquestradas, lidando com os maus comportamentos de uma forma direta e justa.
Nas minhas aulas, e mais uma vez com vista a evitar e eliminar os comportamentos desviantes e a aumentar o tempo disponível para a prática, recorri frequentemente ao modelo de ensino diretivo. Este modelo, segundo Metzler (2000), proporciona um maior tempo de aprendizagem dos conteúdos pelo aluno, juntando ainda níveis altos de prática da matéria de ensino assim como da instrução do professor, destinada particularmente para os feedback(s) de desempenho. Porém, não obriga a que o professor imponha uma atitude rígida e militar, que em certas faixas etárias pode ser vista como negativa, podendo ser flexível, favorável e positivo para o ensino (Metzler, 2000). No entanto, na minha turma de 12º ano, em dias em que os alunos se apresentavam mais irrequietos e perturbadores, tive de recorrer a uma postura militar, como a referida pelo autor, que foi eficaz dado privilegiar o seu controlo rigoroso e colocá-los menos “à vontade”.