CARGA GERAL SOLTA 628.171 631.762 937.655 849.397 757.567 653
5.2 AS TRANSFORMAÇÕES EMPREENDIDAS A PARTIR DA NOVA LE
O novo marco trouxe uma profunda reformulação nos conceitos postos em prática na vida portuária brasileira, notadamente no que diz respeito:
a) à prestação dos serviços portuários;
b) às relações capital-trabalho na operação portuária; c) à participação do Estado na atividade portuária;
Atentos ao novo marco regulatório, os empresários baianos assumiram a liderança da sua implantação no porto de Salvador. Assim, decorridos 17 meses da promulgação da lei 8.630/93 foi fundada a Associação dos Operadores Portuários de Salvador e Aratu em 10 de junho de 1994, e, logo a seguir, transformada, através de Assembléia Geral realizada em 1º de julho em Sindicato dos Operadores Portuários de Salvador e Aratu com a “presença de dois terços dos [operadores] que obtiveram o respectivo registro na CODEBA”10 a saber: Internacional Serviços Marítimos Ltda., Pedreiras Valéria S.A., Marítima de Agenciamentos e Representações Ltda., Modal Serviços Retroportuários Ltda., Tequimar Terminal Químico de Aratu S.A., Caboto Comercial e Marítima Ltda., Lachmann Agencias Marítimas S.A., Saveiros Camuyrano Serviços Marítimos S.A., Agencia Marítima Brandão Filhos Ltda., Brasterminais Armazens Gerais S.A. e Transchem Agência Marítima Ltda, ocasião em que foi eleita a sua primeira diretoria.
A nova entidade, “constituída para fins de estudo, coordenação, proteção e representação da categoria econômica dos Operadores Portuários de Salvador e Aratu, nos limites dos Portos organizados”11 , veio a ter destacado papel no processo de implantação do novo marco legal.
Uma das primeiras manifestações, senão a primeira, reveladora do firme posicionamento que a classe empresarial adotaria em defesa de novo desenho para
10 Ata da Assembléia Geral de Constituição do Sindicato dos Operadores Portuários de Salvador e Aratu.
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esta importante questão foi a “Nota Pública” divulgada pelo Sindicato dos Operadores Portuários de Salvador e Aratu (SINDOPSA), publicada no jornal A Tarde de 9 de junho de 199712, face à paralisação realizada pelos trabalhadores portuários naquele ano.
As estatísticas anuais relativas aos indicadores de desempenho operacional do porto de Salvador somente estão disponibilizadas partir de 1995. Naquele ano o tempo médio de dias atracados/navio das 843 embarcações que acostaram no porto de Salvador foi de 3,1 dias, com uma taxa de ocupação de 45%.
Em 2003, aportaram 1 113 navios e o tempo médio de dias atracados/navio foi de 1,22 dias, com uma taxa de ocupação de 32%. No período de oito anos houve um aumento da ordem de 35% na quantidade de embarcações que atracaram em
12 Sindicato dos Operadores Portuários de Salvador e Aratu. NOTA PÚBLICA
“O Sindicato dos Operadores Portuários de Salvador e Aratu (SINDOPSA), em face das ocorrencias de invasões de navios no Porto de Aratu e de continuidade da öperação tartaruga” no Porto de Salvador por trabalhadores portuários avulsos, chancelada pelos respectivos sindicatos profissionais, bem assim do recente pronunciamento da Companhia das Docas do Estado da Bahia (CODEBA) a respeito, vem a público informar o seguinte:
1. – À semelhança do quanto ocorrido em setembro do ano findo, quando os trabalhadores encetaram greve abusiva contra a instituição do Órgão de Gestão de Mão-de Obra, criado pela Lei no. 8.630/93, hoje em pleno funcionamento inclusive com a participação daqueles trabalhadores, as referidas obstruções às atividades portuárias têm origem na defesa de vícios e de privilégios seculares baseadas no desprezo à lei e aos novos influxos econômicos, importando prejuízos incalculáveis a toda uma comunidade e ao País em geral.
2. – Exemplos disso são as exigências dos sindicatos profissionais dos trabalhadores, quando da discussão das normas coletivas para o presente ano, de inclusão de matérias que afrontam a lei, que vêm merecendo a repulsa deste Sindicato, a saber:
a) pagamento em dinheiro, diretamente aos sindicatos, de 13º. salário e de férias, quando a lei determina que o pagamento deverá ser feito para os próprios trabalhadores;
b) pagamento em dinheiro, diretamente aos sindicatos, de EPI, apesar de a lei detrminar o fornecimento desses equipamentos diretamente aos trabalhadores, até hoje sem a mínima proteção, já que os sindicatos vinham recebendo tal verba mas não fornecendo os equipamentos; e
c) instituição de um trabalhador “fantasma”a cada terno, cuja remuneração se destinaria à direção dos sindicatos, situação que afronta os princípios éticos das relações com os usuários.
3. – As atitudes abusivas desses sindicatos têm causado enormes entraves para a devida implementação da Lei de Modernização dos Portos no País, em dessintronia com todo o esforço de redução dos custos portuários, destinado a promover as exportações e dinamizar a produção, para inscrever-se no cenário econômico e político mundial com maior destaque, cujos benefícios abrangerão os próprios trabalhadores.
4. – No cenário local, inclusive, a participação da atividade portuária será fundamental para a consolidação dos investimentos que o Governo da Bahia, num esforço ímpar, empreendeu com sucesso na instalação de montadoras de veículos, que trarão positivos efeitos econômicos ao Estado e ao País, constituindo nova força produtiva que ensejará grandes melhorias em nosso desenvolvimento
5. – Assim, este Sindicato vem lamentar que atitudes retrógradas e descompassadas da atualidade venham a proporcionar tão deprimente exemplo de descompromisso com a Nação, bem assim declarar que estão sendo promovidas as medidas competentes para a reversão desse quadro e o devido ressarcimento dos prejuízos causados
Salvador, 09 de junho de 1997.
Roberto Zitelmann de Oliva Diretor - Presidente
Salvador e uma redução de 66% no tempo de permanência das mesmas, revelando um expressivo ganho de produtividade (CODEBA, 2005).