SEÇÃO IV ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS
4.1.1 Objetivos da conversa
4.1.1.3 Aspectos acadêmicos
Outro tópico emergente e muito frequente foi conversar sobre as demandas da vida acadêmica. Uma das maiores dificuldades dos aconselhados estava relacionada ao gerenciamento de tempo, principalmente sobre como lidar com as variadas tarefas da graduação. Essa dificuldade em comum pode indicar uma necessidade advinda do próprio contexto educacional de onde os aprendentes são oriundos: uma cultura escolar que não estimula o planejamento dos estudos, em que as decisões da aprendizagem estão “nas mãos”
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do professor. Alie-se a isto a própria diferença existente entre as demandas de um aluno de Ensino Médio e da Universidade, um contexto que demanda maior responsabilidade sobre o processo de aprendizagem por parte dos discentes.
Observou-se que os três conselheiros falaram sobre a relevância da organização dos estudos com os seus aconselhados, exemplificado em dois momentos do par 2 e na fala de AC1 em resposta ao questionário:
EXCERTO 14 - SESSÃO VIRTUAL - 16/01/2018
CL2: AC2, how are you?
AC2: Hi! I’m so so. And yoy? You* My 3 semester is terrible. CL2: Why is it terrible? I am good
AC2: Ah! Pq tem muitos trabalhos.
CL2: E você conseguiu se candidatar em algum programa de extensão? Sim...
conforme o tempo vai passando vai aparecendo mais trabalhos para fazer.
Como vc esta se organizando pra fazer todos?
AC2: Vdd. Não consegui mais manter uma agenda, pois meus professores tem
feito muitas atividades que implicam em bastante leitura. Eu não consegui terminar aquela carta... ainda não teve nenhum projeto de extensão.
CL2: É verdade... Exige muita leitura. E algumas são bem chatinhas... não é
mesmo? Ainda mais se tiver que ler correndo
AC2: Psicologia principalmente.
CL2: Mas olha existem técnicas de leitura que podem ser muito úteis pra que
você não se canse tanto.
AC2: Eu só leio e faço anotações dos trechos q acho importantes.
EXCERTO 15 - SESSÃO VIRTUAL - 17/01/2017
CL2: Hi AC2, how are you? AC2: Hi! Today, I was very busy. CL2: What did you do?
AC2: I did many activities and now I am read about Relação Interpessoal. CL2: That’s good. How are you organizing your studies?
AC2: No, yet.
CL2: Well…maybe that is why your semester is being a little bit hard… Don’t you think?
AC2: Yes, I do. I have six subjects.
CL2: Cool… so u need to organize how you are going to study and do your
homeworks…Right? Remember that all subjects are important… But you need to keep learning English too (…) So… when are you going to prepare your schedule? I can help you… You can count on me.
No primeiro excerto, AC2 descreve o seu semestre e as dificuldades que está enfrentando. Ela também menciona não ter conseguido escrever uma carta de motivação para se inscrever em projetos de extensão. No segundo, CL2 a questiona se a sua dificuldade não está relacionada a sua falta de organização. Confrontar e questionar são outras técnicas de um conselheiro em aprendizagem de línguas (KELLY, 1996), essas habilidades serão referidas mais à frente. Ademais, é possível perceber o movimento que CL2 faz para ajudar a aconselhada
a lidar com as duas demandas principais de um estudante em Licenciatura em uma língua adicional: aprender a língua e formar-se professor dessa língua.
No trecho a seguir, AC1 afirma como o AAL contribui para o seu processo de aprendizagem ao ajudá-lo a gerenciar seu tempo:
EXCERTO 16 - QUESTIONÁRIO
AC1: Eu consigo me organizar melhor, sem contar as propostas diferenciadas
para aprimorar aspectos da língua.
No exemplo a seguir, vemos que o AAL é apoio para que AC1 lide com as demandas das disciplinas da graduação. No caso, eles conversam sobre a disciplina de fonética:
EXCERTO 17 – SESSÃO VIRTUAL – 06/06/2016
AC1: Em fonética, o que eu preciso dominar nesse início? Eu percebi hj q eu
preciso ter em mente forma, o ponto e se há vibração ou não das pregas vocais. É isso?
CL1: Isso e saber os símbolos do ipa49.
AC1: Poise. Agr q eu tô me familiarizando CL1: Mas não esquenta
AC1: Sobre a fonetica. A ordem é maneira-ponto-voz? CL1: Acho q não tem necessariamente uma ordem.
AC1: O professor falou e agnt deveria seguir essa sequencia. Só q eu não
tenho certeza q é isso
CL1: Ahhhh ta... então melhor seguir. Essa é a sequencia que eu usava no
português. Tipo: [b] oclusiva bilabial vozeada
AC1: Hum
AC1 também procurava o CL1 solicitando sua opinião acerca de suas decisões acadêmicas. Selecionei o trecho de uma sessão em que ele tem essa postura e que pode indicar uma visão do conselheiro como alguém que pode ajudá-lo não somente com a língua inglesa:
EXCERTO 18 - SESSÃO VIRTUAL - 09/01/2017
AC1: Fale amigo. Me candidatei a uma vaga para voluntário na BA³. O q
acha?
CL1: Acho uma boa! É bem bom trabalhar em coisas relacionadas ao que
queremos fazer.
AC1: Vdd
No próximo excerto, vemos a AC3 descrevendo uma dificuldade encontrada em uma disciplina da graduação, em que as aulas eram mais expositivas:
EXCERTO 19 - SESSÃO PRESENCIAL - 19/05/2017
AC3: Because he talks and talks some important things and sometimes I don’t
understand and probably will be in the test.
CL3: I see... so he talks, talks and talks and those important things will
probably in your test. I see what you mean.
AC3: I have a problem because when someone talks a lot I don’t understand.
I lost.
CL3: You lose interest. AC3: Yeah!
O AAL funciona como um espaço de prática da língua alvo como no trecho acima em que o par conversa em inglês. Trata-se também de um aconselhamento não apenas sobre a aprendizagem da língua inglesa mas também, um aconselhamento acadêmico, oferecendo suporte para lidar com as exigências advindas da formação de professor (disciplinas da graduação) e o desenvolvimento da proficiência.