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SEÇÃO IV ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

4.1.1 Objetivos da conversa

4.1.1.1 Questões relacionadas à proficiência

Nesta subseção, busquei identificar os diversos assuntos que os aconselhados discutiam sobre aspectos voltados para a língua alvo em si: gramática, pronúncia, por exemplo. Identificou-se que os Pares 1 e 3 discutiram várias estratégias e alternativas para lidar com as dificuldades dos aconselhados relacionadas à aprendizagem de língua inglesa. Dentre elas, conversou-se sobre atividades para ampliar vocabulário e desenvolver habilidades orais e escritas. No excerto a seguir, AC1 solicita sugestões de atividades para desenvolver sua escrita acadêmica:

EXCERTO 1 - SESSÃO VIRTUAL - 06/08/2017

AC1: Oi CL1, td40 bem? Preciso de uma ajuda tua (na verdade duas)

CL1: Pode falar. No q eu puder, ajudo.

AC1: Ta bom. Primeiramente, eu queria sugestões pra melhorar a minha escrita

em inglês. Ainda escrevo muito errado.

CL1: Desculpa a demora na resposta. Como q gostarias de trabalhar a escrita?

40 Tudo

AAL

Proficiência no inglês Vida pessoal Questões afetivas Demandas acadêmicas

AC1: Queria produzir mais textos. Pq41 é isso q tem sido exigido aqui.

CL1: Bom... tem um mito que é bem verdade: pra escrever bem, é preciso ler

bem. Eu vou procurar algum material sobre academic writing. Mas só para garantir teu foco é escrita de trabalhos acadêmicos ne?

AC1: Sim, eu concordo com esse mito pq foi uma coisa q percebi. To lendo mais

e minha escrita melhorou.

CL1: Entao tranquilo. Mas o que achas q ainda falta? AC1: Trabalhar preposições. Expressões de textos formais. CL1: Vou ver oq42 acho e te mando

AC1: Blza, fico no aguardo. E muito obrigado desde já.43

Identificou-se harmonia entre o conteúdo das sessões do Par 1 e o que foi respondido nos questionários sobre as conversas no AAL. Tal harmonia pode indicar consciência do aconselhado sobre o que está ocorrendo durantes as sessões, o que é significativo pois o objetivo do AAL é o de justamente promover conscientização acerca das suas necessidades no processo de aprendizagem, considerada condição para a autonomia. Como afirmara Kelly (1996, p. 111), “ao ajudar os aprendentes a se tornarem reflexivos e autoconscientes, eles estão se emponderando para tomarem decisões conscientes e, por conseguinte, a terem mais responsabilidade pela sua aprendizagem”. Abaixo, há a fala de AC1 sobre o que era discutido e que reforça esse nível de percepção sobre o processo do aconselhamento:

EXCERTO 2 - QUESTIONÁRIO

AC1: Geralmente, reporto dificuldades mesmo. Por exemplo, a mais recente

foi com relação a escrita em inglês.

Ademais, um movimento recorrente de AC1 era de conversar com o seu conselheiro sobre dúvidas relacionadas a aspectos linguísticos:

EXCERTO 3 - SESSÃO VIRTUAL - 07/05/2016

AC1: “Só tira uma dúvida. Como fica o som da palavra can’t quando a

palavra seguinte começa em t?”

EXCERTO 4 - SESSÃO VIRTUAL - 09/12/2016

AC1: “Voltando pro lance do inglês. Tu sabes quais os casos em que posso

usar some em sentenças interrogativas?”

Diferentemente dos Pares 1 e 3, o Par 2 não conversou sobre aspectos relacionados à língua inglesa. Este par discutia mais assuntos de cunho afetivo e gerenciamento dos estudos, o que será explorado a seguir. Porém, identificou-se ênfase na preparação para tarefas

41 Porque 42 O que

43 Decidi por manter a forma escrita original utilizada durante as sessões virtuais, mantendo inclusive a opção dos

interactantes de utilizarem o inglês ou o português. No caso dos excertos em inglês, suas traduções estão no apêndice D.

acadêmicas envolvendo o inglês. Esse aspecto pode ser identificado no próximo excerto em que CL2 ajuda a aconselhada a se planejar para uma apresentação oral referente a uma avaliação na disciplina de língua inglesa:

EXCERTO 5 - SESSÃO VIRTUAL - 26/01/2017

AC2: Terça feira, eu vou fazer minha prova oral de inglês. Tô separando

umas fotos de infância, ai tenho q falar sobre elas usando os assuntos q já estudei.

CL2: Que maravilha. E como você está se preparando pra prova? Eu fiz uma

atividade parecida quando eu estava na graduação. Mas eu fiz um vídeo contando sobre a minha infância.

AC2: Primeiro, eu escolhi algumas fotos, agora tô pensando no que falar

sobre elas. Um vídeo é legal.

CL2: Muito bom. Mas você já sabe o que falar?

AC2: Eu sei sobre o q falar, mas tenho q pensar como falar em inglês. Mas

vou fazer isso amanhã a tarde, pois estou revisando morfologia. Vou ter prova dia 10 e não dá p estudar encima da hora, então eu reviso logo.

CL2: É isso mesmo. Quando eu fiz o vídeo a minha professora ajudou muito

a gente. Cada aluno fez um roteiro com tudo que a gente queria falar. Interessante, não é? Eu escrevi, ela revisou e eu ensaiei.

AC2: Bem legal.

CL2: Você acha que isso pode ajudar na sua prova oral?

AC2: Ajudaria sim. Eu erraria menos. Essa avaliação foi decidida no inicio

do semestre.

CL2: Então acho que você pode tentar ...Eu posso te ajudar(...)

CL2: Você pode me mandar o roteiro se quiser e depois você pode gravar a

sua fala.

No excerto acima, inicialmente, CL2 partiu do que a aconselhada já fazia antes de propor sugestões. Então, ela estabeleceu empatia contando o que fez em sua prova quando estava na graduação, e sugeriu estratégias. Percebemos como essa conselheira posiciona-se de maneira não diretiva, estimulando as ações da aconselhada – ao final de cada sugestão, ela indaga a AC2 sobre o que ela achava. Essa não-diretividade é recorrente nas conversas do Par 2 e será discutida em subseção mais à frente sobre a influência da psicoterapia na prática do CL.

O par 3 também ofereceu apoio na realização de tarefas de inglês da graduação de AC3. Durante algumas sessões, eles revisaram um artigo e um plano de aula que estavam sendo produzidos em inglês pela aconselhada. Reconhecendo que essas atividades e a mencionada pelo Par 2 utilizam a língua inglesa, acredito que se trata do desenvolvimento da proficiência da língua atrelado às demandas acadêmicas e por isso as apresentei nesta subseção. Em seguida, apresento análise referente aos aspectos afetivos.