CAPÍTULO 2. OS SISTEMAS DE ENSINO SUPERIOR
2.2. Entidades Mantenedoras
2.2.1. Aspectos Conceituais e Normativos
Aspectos Conceituais
Barroso e Fernandes (2007), em estudo sobre as entidades mantenedoras, registraram que é apenas na atualidade que se verifica o conceito de mantenedora. Em busca aos órgãos públicos, Barroso e Fernandes (2007, p. 05) se socorrem ao INEP, em seu Thesaurus Brasileiro da Educação, em que são elencadas algumas definições para as entidades mantenedoras, a saber:
Instituição de direito público ou privado que se responsabiliza pelo provimento dos fundos necessários para a manutenção da instituição de ensino superior. (Pes. Unicamp)//(cf. SD. 8, Inep) Entidade com personalidade jurídica que mantém sob responsabilidade uma ou várias instituições de ensino e que provê os recursos necessários à instituição. 1. Quando a provisão de recursos emana do poder público, a Entidade mantenedora pode ser federal, estadual ou municipal, quando emana de pessoa física ou jurídica, de direito privado, a entidade será particular. 1. Quando a provisão de recursos emana do poder público, a Entidade mantenedora pode ser federal, estadual ou municipal, quando emana de pessoa física ou jurídica, de direito privado, a entidade será particular. 2. O Poder Executivo é a Entidade mantenedora das instituições públicas de ensino. 2.Toda escola particular, de qualquer grau, é obrigada a ter uma entidade mantenedora. (cf. INEP)24
Aspectos normativos
É justamente pela atribuição de funções que se define o campo de atuação das entidades mantenedoras. Dotadas de personalidade jurídica, as entidades passam a ter a capacidade de adquirir direitos e contrair obrigações, e a responsabilidade na esfera civil, administrativa e criminal.
Na busca pela conceituação do regime jurídico das entidades mantenedoras junto aos órgãos públicos, identificamos que o INEP, em seu Thesaurus Brasileiro da Educação, também reuniu algumas classificações para o instituto, descrevendo as formas como podem se constituir, se provenientes do setor público, privado ou terceiro setor:
24
Definição de Entidade Mantenedora no Thesaurus Brasileiro de Educação, do INEP. Disponível em: http://pergamum.inep.gov.br/pergamum/biblioteca/pesquisa_thesauro.php?resolution2=1024_1. Acesso em: 18 nov.
O regime jurídico da mantenedora prevê a seguinte classificação: Mantenedora de Direito Público e Mantenedora de Direito Privado. 2. A Mantenedora de Direito Público é uma pessoa jurídica de direito público: ou da Administração direta (da União, dos Estados ou DF, dos Municípios), ou da Administração indireta, que pode assumir a forma de autarquia ou de fundação. 3. A Mantenedora de Direito Privado é uma pessoa física ou jurídica de direito, podendo ter as seguintes finalidades: com fins lucrativos (de natureza comercial, tomando a forma de Sociedade Civil ou Sociedade Mercantil) e sem fins lucrativos (que pode se organizar sob forma de sociedade civil, religiosa, pia, moral, científica ou literária, de associação de utilidade pública e de fundação). 4. As mantenedoras podem se constituir também como Organizações Sociais. (cf. INEP)25
Mesmo com o advento da Lei nº 173/1893, que deu nascimento às entidades mantenedoras, foi só em 1916, pelo antigo Código Civil, que se pacificou o entendimento sobre a personalidade jurídica das mantenedoras.
[...] o direito pátrio foi silente por longo período, no tocante a ideia de conferir personalidade jurídica às Entidades abstratas, mesmo iniciando regulação nesse sentido ainda no Século XIX. Este comportamento foi alterado com o advento da Lei n° 3.071/1916, (Código de Bevilaqua) mediante a qual ficou consolidada a atribuição de personalidade jurídica às entidades fictícias, muito embora a noção de individualidade jurídica às instituições remonte o ano de 1893. (BARROSO e FERNANDES, 2007, p. 8)
O Código Civil de 1916 já previa o termo sociedade para designar o agrupamento de pessoas, para um determinado fim, seja ele econômico ou não. O Novo Código Civil apenas inovou com a distinção entre os termos sociedade e associação, o primeiro com fins econômicos e o segundo sem tais fins. Ainda sob a influência da reforma administrativa do Estado, a Lei nº 9.131/1995 teve seus dispositivos ampliados pela Lei nº 9.870/1999, passando a autorizar expressamente as entidades com fins lucrativos a atuar no setor. De acordo com a nova redação, as pessoas jurídicas de direito privado, mantenedoras de instituições de ensino superior, previstas no inciso II, do artigo 19, da Lei nº 9.394/1996, poderiam: “[...] assumir qualquer das formas admitidas em direito, de natureza civil ou comercial”. A autorização passa a ser expressa nesse sentido. As pessoas físicas ou jurídicas podem ser entidades mantenedoras de instituições de ensino superior.
25
Definição de Regime Jurídico da Mantenedora no Thesaurus Brasileiro de Educação, do INEP. Disponível em: http://pergamum.inep.gov.br/pergamum/biblioteca/pesquisa_thesauro.php?resolution2=1024_1. Acesso em: 18 nov. 2012.
A Lei nº 10.406/2002 (Código Civil Brasileiro) disciplina o instituto da constituição das pessoas jurídicas nos artigos 40 a 52. De acordo com a lei civil, são pessoas jurídicas de direito público aquelas previstas no rol do artigo 41:
I - a União;
II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III - os Municípios;
IV - as autarquias, inclusive as associações públicas;
V - as demais entidades de caráter público, criadas por lei. (BRASIL, 2002) E, ainda, as entidades mantenedoras podem ser instituídas conforme rol estabelecido pelo artigo 44, que elenca os tipos de pessoas jurídicas de direito privado26:
I - as associações; II - as sociedades; III - as fundações.
IV - as organizações religiosas; V - os partidos políticos.
VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada. (BRASIL, 2002) A falta de exclusividade para a prestação de serviços educacionais abriu as portas do sistema de ensino superior para o mercado. Atualmente, o sistema é composto por entidades com diversos tipos de personalidades jurídicas. Ele se divide primeiramente entre as entidades de direito público (ente federativo federal, estadual e municipal, por seus órgãos ou autarquias e fundações públicas) e as entidades de direito privado (que podem ser por associação ou sociedade, fundação privada, organização religiosa ou empresa individual).