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Aspectos conclusivos da interação U-E em SC

V INTERAÇÃO UNIVERSIDADE–EMPRESA EM SANTA CATARINA

Mapa 1: Atividade econômicas industrial em SC

5.3 Aspectos conclusivos da interação U-E em SC

SC registrou a taxa de crescimento de 35,27% dos grupos de pesquisa, no período de 2002 a 2008 com destaque para as grandes áreas: Ciências Agrárias (55,77%) e Ciências da Saúde (55,32%). As áreas das Engenharias (224 grupos de pesquisa), Ciências Humanas (216), Ciências Sociais Aplicadas (183) e Ciências da Saúde (146) detinham juntas 71,87% do total dos grupos de pesquisa em 2008. E, a taxa de crescimento de 85,86% dos grupos de pesquisa que se relacionam com o setor produtivo no período de 2002 a 2008 com destaque para: Ciências Agrárias (200%), Lingüística, Letras e Arte (200%) e Ciências Humanas (114,29%). As Engenharias (87 grupos) e Ciências Agrárias (33), juntas representam 65,22% do total em 2008.

O grau de interação variou bastante entre as grandes áreas do conhecimento, distinguindo dois conjuntos: por um lado, as áreas das Ciências Agrárias e Engenharias com um grau de interação de aproximadamente 40,00%; por outro lado, as áreas com interação substancialmente menor, variando de 5,00 a 15,38%. Em média, o Estado apresentou um percentual de interação de apenas 17,20% do total dos grupos existentes em 2008. Apesar de pequeno, esse número foi expressivamente maior do que o registrado em 2002, quando somente 12,52% dos grupos de pesquisa declararam manter relacionamento com o setor produtivo.

A densidade de interação teve a média de 1,97 unidades do setor produtivo por grupo de pesquisa em 2008 no Estado. São destaques as áreas de Ciências Exatas e da Terra e as Engenharias, que apresentam indicador de densidade superior a 2,00.

Ao desagregar as grandes áreas do conhecimento nas áreas específicas que as constituem observa-se que as áreas de humanidades (Educação, Administração, Direito, Psicologia, História, Artes, Sociologia, Comunicação) possuem individualmente um número expressivo de grupos de pesquisa, mas com baixo grau de interação com o

setor produtivo. Por sua vez, as áreas técnicas apresentam menor número de grupos de pesquisa, mas com maior grupo de interação com o setor produtivo. As áreas de maior grau de interação, neste grupo, que possuem números expressivos de grupos de pesquisas, no ano de 2008, são Agronomia, com 50,00%, Engenharia Elétrica, com 44,83%, Engenharia Mecânica, com 42,86%, Ciências da Computação, com 33,33% e Engenharia da Produção, com 20,00%.

Os tipos de relacionamento mais freqüentes, entre os grupos de pesquisa e o setor produtivo, foram a pesquisa científica com condições de uso imediato dos resultados, a transferência de tecnologia, a pesquisa cientifica sem consideração de uso imediato dos resultados e as atividades de engenharias não rotineiras. A grande área das Engenharias, que apresentou o maior número de grupos de pesquisa com relacionamento, é também aquela que registrou a maior freqüência dos diferentes tipos de relacionamento com o setor produtivo, em 2008, somando 405 relacionamentos, que representam 86,17% do total de tipos de relacionamento relatados pela totalidade dos grupos de pesquisa de SC.

Contatou-se que cerca de 79% dos grupos de pesquisa com relacionamento estão vinculados às instituições universitárias. A UFSC exerce forte liderança, com 75 grupos de pesquisa que se relacionam com o setor produtivo, representando cerca de 41% desses grupos no Estado. Outras instituições que se destacam no Estado são: UDESC, com 19 grupos; FURB, com 16 grupos; UNIVALI, com 13 grupos de pesquisa com relacionamento. Estas quatro instituições universitárias possuem, em conjunto, 67% dos grupos de pesquisa com relacionamento com o setor produtivo em SC. Por sua vez, as instituições não universitárias com maior número de grupos de pesquisa com relacionamento são EPAGRI, com 6 grupos, CERTI, com 2 grupos.

O maior grau de interação dos grupos de pesquisa está abrigado em instituições não universitárias, ou que tiveram origem em escolas técnicas e passaram, recentemente, a oferecer também cursos superiores. No primeiro conjunto, destaque para a EPAGRI, que conta com 12 grupos de pesquisas e 6 grupos com relacionamento (portanto, grau de interação de 50%), CERTI e EMBRAPA, com grau de interação de 28,57% e 20%, respectivamente; no segundo conjunto, destacam-se o CEFET e a SOCIESC, com grau de interação de 30,30% e 25%,respectivamente. As instituições universitárias com maior grau de interação são UNC (36%), UNISUL (22,45%) e a FURB (20%), superiores a média estadual de 17,20%, em 2008.

Há pouca dispersão da densidade das interações por instituição em relação à média estadual de 2,10 unidades do setor produtivo por grupo de interação. A maior

densidade encontrada foi de 5,00 e pertenciam ao EMBRAPA. Outros destaques são EPAGRI (2,83) e UFSC (2,57), em 2008. As demais instituições apresentaram indicador inferior à média de 2,10, revelando uma densidade de relacionamento que se aproxima da relação 1 por 1, um grupo de pesquisa com relacionamento com uma unidade do setor produtivo.

Em geral a distribuição, as interações dos grupos de pesquisa com os diferentes setores da atividade econômica, classificados conforme a nomenclatura CNAE, é desconcentrada, observando interações com diferentes setores produtivos e grupos das várias áreas do conhecimento. Por outro lado há concentração dos grupos nas áreas especializadas em setores produtivos de atuação tradicional. Em 2008 as áreas com maiores destaques em SC formam: Ciências da Computação (24/30), Engenharia Elétrica (23/27) e Engenharia Mecânica (24/36) que se relacionaram com diversos setores da atividade econômica. Estes três fazem parte da grande área do conhecimento que é a Engenharia. As atividades econômicas que tiveram maior destaque neste período (2008) foram: indústria de transformação (56/94), atividades profissionais, científicas e técnicas (34/37), outras atividades de serviços (26/32) e a educação (23/25) que se relacionaram com várias áreas do conhecimento.

Ao analisar os dados da produção científica catarinense percebe-se um expressivo aumento nas publicações de autores vinculados a instituições pertencentes ao Estado (crescimento de 304,37% de 2002 a 2008). Dentro deste crescimento, as grandes áreas que mais se destacaram pelo aumento de suas publicações no Estado foram às áreas relacionadas às Ciências Sociais Aplicadas (com aumento de 394,22% de 2002 a 2008) e as Ciências Humanas (com aumento de 307,76% de 2002 a 2008).

As grandes áreas do conhecimento que apresentam o maior número de produções bibliográficas no Estado de SC, durante os anos de 1998 a 2008, são as Ciências da Saúde com 24.255 publicações (ou 18,11% do total de publicações nesta área no Estado em 2008), Engenharias com 23.798 publicações (o que equivale a cerca de 17,57% do total de publicações nesta área no Estado em 2008), e Ciências Humanas 23.522 publicações (ou 17,57% do total de publicações realizadas nesta área em SC em 2008). Este número expressivo de publicações no Estado, nas áreas de Engenharia e principalmente nas áreas das Ciências da Saúde está em grande parte relacionada ao expressivo contingente de pesquisadores dedicados a estas áreas, e não à produtividade dos mesmos. Dentro desta perspectiva, observou-se que a média de produção científica dos pesquisadores em SC em 2008 foi de 18,10 publicações por autor.

Ao verificar a composição das publicações técnicas, constata-se que 62,49% do total destas estão concentradas nas grandes áreas das Ciências Humanas (29,57%), Ciências Sociais Aplicadas (17,16%) e das Ciências da Saúde (15,76%), em 2008. Em 2002, 3,68% da produção de software era realizada com registro ou patente, em 2008 este percentual se eleva para 11,87%. A tendência é que a produção tecnológica tenha em sua totalidade registro ou patente.

Esta divisão e concentração das interações dos grupos de pesquisa com o setor produtivo pode ser explicada pela necessidade apresentada das mais diversas atividades econômicas do Estado. A atividade econômica de SC é caracterizada pela divisão em complexos: agroindustrial (Oeste), eletrometalmecânico e naval (Norte), florestal (Planalto e Serra), têxtil (Vale do Itajaí), mineral e plástico (Sul) e tecnológico (Capital).