FIGURA 4.1 MAPA GEOLÓGICO DO COMPLEXO GRANÍTICO ESPERANÇA
PLÚTON SERROTE DA COBRA
4.2.1 Aspectos de campo
O Plúton Remígio constitui um pequeno stock com formato sigmoidal e cerca de 12 Km2, situado no município de Remígio, encaixado em ortognaisses Cariris Velhos (Tipo “Rachinha”, nome popular da Suíte Recanto/Riacho do Forno). Tectônica rúptil foi observada em alguns afloramentos, configurando um aspecto de brecha magmática, envolvendo blocos
dos Plútons Areial e Puxinanã e das encaixantes (ortognaisses e anfibolitos). Estas feições brechóides são exibidas nas Fotografias 01, 02, 03 e 04.
Os afloramentos-tipo são observados em duas pedreiras existentes na área: Pedreira do Jenipapo (ESP-25 e ESP-156) e Pedreira do Zezinho (ESP-26). Nas pedreiras, observa-se pelo menos cinco fácies distintos: um fácies félsico de cor cinza claro, equigranular a porfirítico, granulação fina a média (Fácies A), com feldspatos mostrando escurecimento nas bordas semelhantes a uma discreta textura rapakivi, contendo enclaves intermediários a máficos, e cortado por diques graníticos, os quais mostram contatos retos com a hospedeira, indicando que esta já estava praticamente sólida quando houve a intrusão.
Esta é a rocha de granulação mais grossa de todos os fácies observados neste plúton e na Tabela 4.1, corresponde às amostras ESP-07, ESP-25B e ESP-26, e é o fácies mais abundante do Plúton Remígio. Dentro dela há locais mostrando estruturas de fluxo magmático discreto e outros locais onde o aspecto da rocha é isotrópico. Observam-se também cumulados de feldspatos euédricos (plagioclásios).
Há um fácies que apresenta cor cinza claro e granulação equigranular fina a média (Fácies B), está foliado com direção 70°Az e contém enclaves intermediários a máficos estirados na mesma direção da foliação. Este Fácies B corresponde na Tabela 4.1 à amostra ESP-25C, e engloba enclaves do Fácies A mais grosso, estando cortado por outro fácies de cor cinza mais escuro equigranular a suavemente porfirítico de granulação fina a média (Fácies C), o qual exibe foliação na direção 240° Az com cristais prismáticos de feldspato alinhados segundo esta direção (a direção da foliação magmática). O Fácies C corresponde, na
Tabela 4.1, à amostra ESP-25 A, e está cortado por diques pegmatíticos, algumas vezes
englobados como enclaves. O Fácies D é equigranular de granulação muito fina, de cor bege clara, pobre em material máfico. Este fácies ocorre como um dique hololeucocrático tardio (corresponde na Tabela 4.1 à amostra ESP-25D), cortando as rochas dos outros fácies do Plúton Remígio.
O Fácies E mostra cor cinza médio a escuro (mesocrático) e granulação fina (corresponde, na Tabela 4.1, às amostras ESP-25E e ESP-156), exibindo-se como enclaves intermediários a máficos e às vezes ocorrendo como diques sinplutônicos. Este último fácies contém enclaves do fácies cinza claro porfirítico médio (Fácies A) e está cortado pelo fácies cinza claro equigranular fino (Fácies B).
Dois fácies, o equigranular fino cinza claro (Fácies B) e o equigranular muito fino bege claro (Fácies D) contém enclaves do fácies equigranular a porfirítico médio a fino (Fácies A) e do fácies equigranular médio (Fácies C).
Em princípio, considerou-se pela análise da fotointerpretação e pela semelhança petrográfica de seu fácies dominante (Fácies B, ESP-25C) com o fácies félsico dominante do Plúton Areial (ambos de cor cinza claro, equigranulares de granulação fina a média, ver item
4.3) que este constituísse uma apófise do Plúton Areial, num estágio rúptil tardio, e que por
isto englobasse pedaços de outros plútons e das encaixantes. Estudos petrográficos e litogeoquímicos subsequentes mostraram todavia que se tratava de um plúton independente, o que foi confirmado pelos estudos isotópicos.
Chama a atenção a apresentação característica do Plúton Remígio, contendo grande quantidade de fragmentos angulosos de vários tamanhos de rochas diferentes (por exemplo, os enclaves anfibolíticos e gnáissicos provenientes das rochas encaixantes) e de rochas composicionalmente semelhantes a ela (porções arrancadas de outros plútons do mesmo complexo granítico), distribuídas de modo caótico, aparentemente sem nenhuma orientação e sobretudo sem exibir evidências de mistura ou coexistência de magmas.
Foram então levantadas três possibilidades de explicação para estas feições pouco usuais: (1) brecha plutônica; (2) brecha tectônica; (3) stoping gerando feições de pendentes do teto (roof pendents).
Uma brecha plutônica é descrita como uma rocha ígnea plutônica que incorpora fragmentos de vários tamanhos de rochas diferentes (xenólitos) e/ou de rochas de composição similar a ela (autólitos).
Uma brecha tectônica (também chamada brecha de falha) é descrita como uma rocha fragmentária, típica de faixas tectonizadas (falhas ou zonas de cisalhamento), caracterizada por fragmentos grosseiros, angulosos, quebrados, fraturados e encurvados, envolvidos por material mais fino de fraturamento e moagem, e por material cimentante, frequentemente silicoso. As brechas tectônicas ocorrem em rochas com comportamento rúptil, geralmente em zonas relativamente rasas e frias da crosta, quebrando-se sob as tensões aí aplicadas. Em rochas de comportamento dúctil, geralmente em maiores profundidades da crosta, as deformações durante os falhamentos produzem rochas folhadas, miloníticas. Os episódios de brechamento podem ser retomados em vários eventos tectônicos de falhamentos, produzindo- se brechas com fragmentos de milonitos, brechas com fragmentos de brechas, brechas com fragmentos de veios de quartzo, etc...
As feições de pendentes do teto (roof pendents) são produzidas pelo mecanismo de alojamento denominado stoping (Marsh, 1982; Castro, 1987), o qual é descrito como um quebramento das rochas encaixantes do teto do plúton por stress termal desenvolvido pelas rochas encaixantes devido ao repentino e violento aquecimento ocasionado pela subida do
magma, que literalmente cava o caminho de subida através das rochas sobrejacentes. Os blocos de rochas arrancados das encaixantes mergulham na câmara magmática do plúton ascendente e não ocorre interação térmica e nem contaminação química entre estes blocos e o magma do plúton. Este mecanismo é considerado ocorrer em regiões rasas da crosta (Castro, 1987) e portanto com rochas de comportamento reológico rúptil.
As três possibilidades coincidem em dois pontos: (1) este plúton é o mais tardio de todos do complexo granítico, pois engloba porções de outros plútons; (2) este plúton alojou-se em profundidades rasas da crosta, quase subvulcânicas, seja pelo comportamento rúptil da intrusão, seja pela ausência de interações de qualquer tipo (térmico ou químico) entre o plúton hospedeiro e os enclaves de outros plútons.
4.2.2 Petrografia
A mineralogia e a composição modal dos fácies petrográficos do Plúton Remígio são mostrados na Tabela 4.1. Os fácies A, B, C, D e E, projetados no Diagrama de Streckeisen (1976), forneceram as respectivas composições (Figura 4.2): Biotita Monzogranito, leucocrático (Fácies A, amostras ESP-07, ESP-25 B e ESP-26); Biotita Sienogranito, leucocrático (Fácies B, ESP-25 C); Biotita Quartzo-Monzonito, leucocrático (Fácies C, ESP- 25 A); Álcali-Feldspato Granito, hololeucocrático (Fácies D, ESP-25 D, dique tardio) e Biotita Granodiorito, mesocrático (Fácies E, ESP-25E e ESP-156).
As seções delgadas do Fácies A, Biotita Monzogranito leucocrático, equigranular a porfirítico médio a fino exibem a seguinte composição modal: Quartzo (15-30%), K- feldspato tipo Microclina (20-35%), Plagioclásio (20-32%), Biotita (18-29%) e Máficos acessórios (1-5%). O Índice de Cor (IC) varia de 20 a 30, leucocrático.
FOTOGRAFIAS 01, 02 e 03: Aspecto brechóide do Plúton Remígio, englobando porções
angulosas de tamanhos variados de outros plútons e das encaixantes. A rocha hospedeira é um sienogranito cinza claro equigranular fino. Afloramento ESP 156, Pedreira do Jenipapo.