FIGURA 4.1 MAPA GEOLÓGICO DO COMPLEXO GRANÍTICO ESPERANÇA
CLASSIFICAÇÃO BIOTITA
4.6 PLÚTON SERROTE DA COBRA 1 Aspectos de campo
O Plúton Serrote da Cobra constitui o plúton mais a oeste do Complexo Granítico Esperança (região de Riacho Curumatã e Serrote da Cobra). São rochas tonalíticas félsicas, de cor branca acinzentada, contendo grande volume modal de plagioclásio branco. Estão cortadas por várias gerações de diques de pegmatitos zonados (Fotografia 24) contendo cristais de turmalinas pretas (afrisitas) e titanitas euédricas de tamanhos excepcionais para rochas graníticas (atingindo vários milímetros, sendo visíveis facilmente a olho nu). Sua textura é inequigranular a suavemente porfirítica grossa a média (Fotografia 25), isotrópica a fracamente orientada (foliação magmática).
Exibem com frequência textura cumulática dada pelo acúmulo de plagioclásios (Fotografia 26) tanto em bolsões quanto em faixas alternadas de granulação grossa e média. Em seu interior é possível encontrar xenólitos do Plúton Pocinhos (Fotografia 27) apresentando contatos gradativos com a hospedeira, sugerindo talvez magmas contemporâneos, dos quais algumas bolhas do magma de Pocinhos teriam sido englobadas pelo magma do Serrote da Cobra.
É possível observar foliação magmática (Fotografia 28) indicando a direção do fluxo do magma ainda no estado pastoso, quando do alojamento do plúton, sugerindo o mesmo ter se expandido lateralmente como um balão após o posicionamento final. Sua apresentação em planta, claramente associada a uma pequena zona de cisalhamento sinistral subsidiária que liga a ZC Campina Grande ao Lineamento Patos, sugere que seu mecanismo de ascensão foi uma combinação de propagação por diques com baloneamento (Weinberg, 1996).
Nas bordas do Plúton Serrote da Cobra ocorrem diques máficos possivelmente dioríticos a quartzo-dioríticos (não foi possível amostragem) contínuos, sem apresentar interações visíveis com a hospedeira félsica (Fotografias 29 e 30) exceto por alguns fenocristais de plagioclásio capturados pelo magma máfico da hospedeira. A ausência de interação entre os magmas de composições contrastantes sugere que os magmas máficos foram injetados em um estágio tardio de cristalização da hospedeira félsica, em que esta última já se encontrava quase completamente sólida, resultando na formação de diques máficos contínuos. Nesta fase tardia de cristalização do plúton, os contrastes reológicos entre os dois componentes são tão altos que a maioria dos intercâmbios entre os dois magmas é inibida.
FOTOGRAFIAS 24 e 25: Aspectos de campo do Plúton Serrote da Cobra: biotita tonalito
branco acinzentado, textura inequigranular a suavemente porfirítica, grossa a média. Na foto superior (afloramento ESP-79) observam-se duas gerações de diques pegmatíticos zonados. Na FOTOGRAFIA 25, detalhe dos fenocristais de plagioclásio destacando-se na matriz cristalina inequigranular.
FOTOGRAFIAS 26 e 27: Plúton Serrote da Cobra exibindo textura cumulática
(FOTOGRAFIA 26) e xenólitos do Plúton Pocinhos (FOTOGRAFIA 27). Afloramento ESP- 98.
Esta apresentação do magma máfico como diques tardi-plutônicos contínuos tem como implicação petrológica que os magmas máficos são pulsos tardios de outra fonte não relacionada à hospedeira félsica, e também não relacionada à contaminação por fusão das encaixantes regionais, pois neste caso o amolecimento termal das encaixantes pela passagem
do corpo intrusivo quente geraria estruturas concêntricas (foliações) no contato máfico-félsico em ambos magmas e haveria alguma incorporação do magma máfico pelo félsico sob forma de enclaves sub-arredondados (bolhas), o que não ocorre neste caso.
A presença de epidoto magmático em sua mineralogia acessória (assim como no Plúton Areial) é fortemente sugestiva de ascensão por dique, pois é sabido que o epidoto magmático é estável apenas acima de 8 Kbar (24 Km de profundidade), e que durante a ascensão por diapirismo, extremamente lenta (alguns metros por ano, com tempos de ascensão em torno de 10.000 a 100.000 anos) o epidoto é corroído até ser totalmente consumido. A presença de epidoto magmático numa rocha granítica é indicativa de que o mecanismo de ascensão foi rápido o suficiente para preservar o epidoto (Brandon et al., 1996) e portanto, propagação por diques, que é da ordem de 104 a 105 vezes mais rápido que o diapirismo (variando de centenas de metros a alguns quilômetros por ano, com tempos de ascensão abaixo de 1000 anos, variando de 200 a 900 anos) é o mecanismo de transporte mais indicado para esta intrusão.
FOTOGRAFIA 28: Plúton Serrote da Cobra exibindo suave foliação magmática.
FOTOGRAFIA 29: Plúton Serrote da Cobra exibindo feições de coexistência de magma nas
bordas do plúton. O dique máfico contínuo corre paralelo às bordas da hospedeira félsica, havendo pouca interação entre os magmas (sugerindo ser tardi-plutônico). Afloramento ESP- 74.
FOTOGRAFIA 30: Detalhe do dique máfico tardi-plutônico cortando o Plúton Serrote da
Cobra, mostrando a pouca interação entre os magmas, com pequena assimilação de plagioclásios da hospedeira pelo magma máfico. Afloramento ESP-74.
4.6.2 Petrografia
Estão constituídas petrograficamente por biotita tonalitos (Figura 4.2) leucocráticos (IC=15), e em seção delgada exibem a seguinte composição modal (Vide Tabela 4.5): Plagioclásio (55-58%), Quartzo (22-26%), K-feldspato tipo Microclina (3-5%), Biotita (8- 12%), como acessórios Hornblenda+Epidoto magmático+ Titanita+ Apatita+Opacos+ Zircão (3-7%).
As seções delgadas exibem textura inequigranular média a grossa (milimétrica até 1-2 cm), formando um mosaico cristalino inequidimensional félsico, com fenocristais de Plagioclásio destacando-se da matriz cristalina (textura suavemente porfirítica), texturas ígneas típicas (vide Fotografias 24 e 25, mostrando a textura do Plúton Serrote da Cobra em escala macroscópica). Os minerais máficos representam 15% do volume modal (IC=15), e ocorrem em aglomerados ou grumos (“clots”) tênuemente orientados, definindo uma foliação magmática suave (a rocha é isotrópica a fracamente orientada).
Plagioclásio é o mineral dominante, constituindo em todas as lâminas mais de 50% do volume modal, ocorre como cristais euedrais, quadrados, com tamanhos milimétricos até 1- 2cm, mostrando geminação polissintética, por vezes combinada com geminação Carlsbad. A composição dos plagioclásios, estimada pelo Método Michel-Lévy, foi dominantemente Andesina. Frequentemente alterado para saussurita (epidoto+calcita) e também para argilominerais. Por vezes os plagioclásios exibem-se zonados (cristalização em equilíbrio termodinâmico). Forma o mosaico cristalino félsico inequigranular da rocha junto com o Quartzo e a Microclina. O Plagioclásio frequentemente ocorre em faixas cumuláticas, monominerálicas (como “aglomerados” de feldspatos, vide Fotografia 26).
K-feldspato ocorre em pequena proporção nas lâminas, é do tipo Microclina, exibe exsolução pertítica e faz parte do mosaico inequigranular cristalino, associado com o Plagioclásio e o Quartzo, mais abundantes. Tamanhos milimétricos até 5-6 mm, formais subeuedrais alongadas a anedrais. Nas bordas dos K-feldspatos ocorrem pequenos cristais anedrais de Plagioclásio mirmequítico, submilimétricos. Quartzo ocorre como cristais anedrais, milimétricos até 4-5 mm, integrando o mosaico cristalino da rocha.
Os minerais máficos são dominantemente Biotitas de coloração amarelo a marrom, lamelares, submilimétricas até 2-3mm, por vezes cloritizadas nas bordas, contendo raras inclusões de Zircão. Estão associadas espacialmente a Hornblendas (verde claras a verde escuras, prismáticas), Epidotos magmáticos (euedrais, com núcleos de alanita e bordas de epidoto, por vezes zonadas), Titanitas (castanhas, euedrais), Apatitas (incolores, euedrais), Opacos (euedrais a subeuedrais) e Zircão (micrométricos, inclusos nas Biotitas, euedrais).
Formam aglomerados ou grumos (“Clots”) orientados segundo a foliação magmática. Os Epidotos magmáticos e Titanitas, cristalizados em fases precoces, exibem borda de corrosão, indicativa de reação com o líquido durante a evolução do plúton. Todos os máficos que acompanham as Biotitas são submilimétricos até 1-2 mm, exceto os cristais de Zircão, que são micrométricos.
TABELA 4.5 Tabela Petrográfica mostrando a mineralogia e a composição modal das
amostras do Plúton Serrote da Cobra, destacando os valores QAP reais e recalculados para 100%, projetados no Diagrama de Streckeisen (1976) da Figura 4.2, bem como os Índices de Cor (IC).
PLÚTON SERROTE DA COBRA
ESP 82 ESP 91 ESP 100 ESP 104
PETROGRAFIA QUARTZO 22 25 26 23 K-FELDSPATO 5 3 4 5 PLAGIOCLÁSIO 58 57 55 57 BIOTITA 10 8 10 12 HORNBLENDA 2 3 2 1 TITANITA 2 2 2 1 EPIDOTO MAGMÁTICO 1 2 1 1
APATITA Traços Traços Traços Traços
OPACOS, ZIRCÃO Traços Traços Traços Traços
TOTAL (%) 100 100 100 100
QAP RECALCULADO
Q 25,9 29,4 30,6 27,1
A 5,9 3,5 4,7 5,9
P 68,2 67,1 64,7 67,1
ANÁLISE MODAL TOTAL
(%) 100 100 100 100 ÍNDICE DE COR (%) 15 15 15 15 CLASSIFICAÇÃO BT TONALITO BT TONALITO BT TONALITO BT TONALITO