4 •Seleção da melhor alternativa.
4. Proceder metodológico
5.4. Análise consolidada das entrevistas
5.4.3. Aspectos de credibilidade e influência sobre o profissional
No mundo virtual, existe uma concepção de que tudo precisa ser muito instantâneo, sem muita reflexão, o que termina causando sérios danos.
Os entrevistados alertaram que é importante que se analise a credibilidade da fonte que publicou a notícia, ou em palavras marcantes do editor de Capa “deixar a preguiça de lado, pegar o telefone e checar a informação com duas, três ou mais fontes”.
Reconhece-se que as mídias sociais são relativamente novas e o seu uso precisa ser melhor explorado, em especial no que se quer quanto à veracidade do que é postado. Assim, um bom indicador reluz quando a informação é compartilhada por muitos: é um indício de que sempre deve merecer atenção, que é bom checar.
“É um ambiente no qual as pessoas aproveitam para aparecer (em especial o Facebook), estão preocupadas no número de compartilhamento de seus posts, etc. Não é bom confiar.” (Editora de Política).
Os depoimentos sobre a credibilidade de uma informação por conta do número de compartilhamento da mesma nas mídias sociais foram bastante parecidos. Um dado número de editores defendeu que o número de compartilhamento significa importância da informação.
“Acredito que o número de compartilhamentos está para o meio virtual como a repercussão de uma mídia impressa - afinal, ninguém passaria para frente algo que considerasse sem importância ou que viesse de uma fonte sem respaldo.” (Editora de Gastronomia).
“Acredito que o número de compartilhamentos não é necessariamente um sinal de credibilidade, mas com certeza é uma indicação da repercussão que aquele assunto tem para uma grande parcela da sociedade.” (Editora de Fotografia).
Já aqueles editores que consideraram que o fato de uma notícia ter sido bastante compartilhada na Internet não é sinônimo de credibilidade, afirmaram que tudo depende da checagem da informação, pois existem casos que não passam de uma brincadeira, algo comum na rede. Esse subgrupo ainda alertou para o fato de que apenas o conteúdo deve ter
relevância, uma vez que os comentários ou compartilhamentos muitas vezes são feitos a partir de interesses subjetivos, como respostas emocionais a determinado assunto e não podem ter valor como fonte de informação para o grande público.
“Por seu imediatismo, as mídias sociais são ambiente propício para equívocos. Como não há um filtro, nem sempre se sabe se a fonte da notícia tem credibilidade, diferentemente do que ocorre com fontes oficiais. Frequentemente informações inverídicas e irresponsáveis conseguem enorme número de compartilhamentos.” (Editora de Social).
“O repórter jamais deve considerar o número de compartilhamentos como sendo sinal de credibilidade. É importante que se analise a credibilidade da fonte que publicou.” (Editor de Fotografia).
Os respondentes, em grande parte, anuíram também que “nas mídias sociais também são compartilhados muitos conteúdos inúteis ou provenientes de fofocas sem fundamentos ou muito pueris” (Editora de Política). De fato, à medida que as informações se espalham, a tendência é haver acréscimos ou omissões de determinados fatos, seja por maldade de quem postou, ou por ignorância da informação real. Isso facilitaria a disseminação de boatos e assuntos infundados, ou seja, nem tudo que é bastante postado merece credibilidade e repercussão na mídia impressa: “o internauta precisa separar o joio do trigo” (Editora de Política) e isto é fundamental para concretização de um indício em notícia.
Um consenso foi que a credibilidade da informação divulgada nas mídias sociais deve ser avaliada da mesma forma que fora delas: associada à credibilidade da fonte.
Por fim, editores da área de Política assuntaram que, muitas vezes, os boatos são resultado de muitos compartilhamentos, o que não os torna críveis per si, denota apenas que o assunto tem interesse para a população, valendo a pena investir em algo sobre o que as pessoas estão comentando bastante.
Como exemplo recente, um editor lembrou que começaram a propagar uma informação no Facebook® de que um deputado federal havia defendido a pedofilia em uma entrevista a uma emissora de rádio local. No material postado, havia uma afirmação creditada ao político, mas que ele jamais proferira. A informação foi compartilhada com erro por milhares de pessoas e, diante da repercussão, a emissora lançou um comunicado oficial, informando que a entrevista nunca aconteceu e aquelas declarações não eram verídicas. Essa face negativa pode prejudicar bastante a vida de uma pessoa, mesmo em visão imediatista.
Um aspecto analisado alinhou-se ao efeito das mídias no trabalho do profissional de jornal. Para a maioria dos entrevistados, a influência das mídias sociais no modo de o jornalista trabalhar atualmente fez mudar a forma de o profissional apurar uma notícia.
Há alguns anos a apuração de notícias limitava-se a ligações telefônicas ou e-mails de denunciantes, ou indicação de assessorias de imprensa. Atualmente, inúmeras matérias são postadas a cada minuto nas mídias sociais e isso faz com que o jornalista fixe seu olhar nestas, à procura de informações, comentários e postagens que surjam a cada momento.
Foi bastante citado, inclusive, o fato de que a utilização das mídias sociais gera um certo comodismo, que deixa o jornalista mais na redação em vez de fazê-lo sair para procurar matéria, como relatou o incisivo editor de Opinião: “se antes, eles eram obrigados a estar nas ruas quase que o tempo todo para fazer apurações, com as mudanças dos tempos, as notícias estão chegado com mais rapidez e facilidade”.
O fato de considerarem que o mundo inteiro está conectado deixa os jornalistas com a sensação de serem onipresentes. Um editor de Informática propugnou que “é possível saber o que se passa em vários locais sem sair do canto”.
A maioria afirmou ainda estar mais conectada com as mídias sociais do que com o e-
mail. Por exemplo, o irrequieto editor de Turismo postulou que “eu mesmo estou mais
conectado com redes sociais que com e-mail. Tem fontes minhas que já digo “não manda a info pelo e-mail não, manda pelo Face”. Tal fato consolida-se em experimentada opinião.
“Diferente do correio eletrônico, por exemplo, o jornalista deve, cada vez mais, perceber que aquele espaço (mídias sociais) não é apenas um meio de interação, e sim uma grande fonte de informação.” (Editor de Cultura).
Além da percepção positiva, que diz respeito à transformação da forma da apuração, com a adoção de mais um espaço para essa atividade, em alguns casos até mais eficiente, a outra percepção citada foi negativa, com a incorporação de termos utilizados para comunicação nas mídias sociais.
“Vejo claramente duas influências evidentes. A primeira, positiva, diz respeito à apuração, em alguns casos até mais eficiente. A segunda, negativa, é a incorporação involuntária, nos textos, de abreviações normalmente usadas nas comunicações das redes sociais. Isto talvez faça a rede social tornar atraente dados nem tão importantes assim e exige maior análise crítica do repórter. Mas a apuração, por exemplo, passou a poder ser feita online, embora, na maioria das vezes, exige aprofundamento posterior.” (Editora de Política).
De alguma forma, na percepção de cerca de 2/3 dos editores, a relação com o ambiente se tornou mais próxima do leitor, mais próxima das pessoas. Em alguns momentos, cogitou- se, na opinião dos entrevistados, que é difícil imaginar como seria trabalhar sem as mídias sociais, pois para muitos a vida profissional começou no meio das redes.
“A evolução da tecnologia tem cada vez mais facilitado o acesso e encurtado distâncias. Os jornalistas mais conectados tentam, hoje, usar as mídias como forma de captar e propagar informações. A velocidade destas mídias influencia a própria velocidade do repórter. Eu percebo que os jornalistas passaram a trabalhar numa velocidade do ‘agora’”. (Editora de Social).
Apurou-se en passant que as mídias sociais estão guiando uma maior integração entre os veículos, até porque elas podem propagar conteúdos de impresso, rádio e TV. Neste sentido, um aspecto altamente interessante, atualmente, é que o furo, algo que era tão valorizado no Jornalismo, está com prazo de validade cada vez mais curto. De fato, na opinião plena dos editores, para se levar uma informação exclusiva para um jornal, por exemplo, é necessário ter fontes muito fortes que segurem a informação para o repórter, do contrário, em pouco tempo o fato estará na Internet.
“Ao contrário de nós jornalistas estarmos pautando a sociedade, como propõe a teoria de agenda setting, o que vemos em alguns momentos é a inversão de papéis, com as mídias sociais pautando os jornalistas. Se um assunto está em evidência na rede é levado para o jornal. Acaba que ficamos atrasados na repercussão da notícia”. (Editor de Economia).
Por fim, destacou-se que a aura das mídias sociais parece indicar quais assuntos que mais interessam ao leitor, antecipando a tendência da notícia, trama correspondente a um dos principais anseios do Jornalismo: antecipar-se ao fato, estar no momento do acontecimento e, assim, ser o primeiro a dar a informação e conseguir transmiti-la de maneira mais completa aos seus leitores.
“A utilização é indispensável. As redes sociais, além de rápidas, conseguem antecipar informações diárias. É importante o repórter seguir para a rua com ideia do que poderá acontecer em sua pauta”. (Editor de Fotografia).