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4 •Seleção da melhor alternativa.

4. Proceder metodológico

6.2. Confronto com os objetivos

Esta dissertação se propôs a apurar os fatores que influenciam o tratamento das informações provenientes das mídias sociais para a decisão editorial na atividade jornalística da Folha de Pernambuco.

Imagina-se que tal objetivo foi atingido, dado que se pôde verificar o que era considerado relevante para os editores na hora da decisão. Critérios como número de compartilhamentos, comentários dos internautas, posts de fontes oficiais, ineditismo, foram alguns pontos citados e avaliados quando os editores precisam escolher entre as opções que possuem aquela que terá maior relevância no jornal do dia seguinte.

Em seguida, objetivava-se inventariar o uso das mídias sociais para produção de notícias em editorias de um jornal. Este intento mostrou-se mais complexo de alcançar do que se esperava, dado que, como previsto, não existe, de fato, uma análise dos jornais das matérias originadas ou não de indícios informacionais das mídias sociais. Em determinados momentos tornou-se difícil distinguir o que veio primeiro, pois, na maioria dos casos, a publicação no jornal impresso ainda vinha primeiro do que a repercussão na web, exceto em casos de fatos inesperados.

Depois, buscou-se identificar quais as editorias que mais aproveitam as informações que chegam através das mídias sociais. Este objetivo foi atingido com êxito, dado que se pôde constatar os setores do jornal que mais usavam as informações vindas da Internet.

Editores de cadernos como Esportes, Cultura e Política mostraram-se usuários assíduos dessas mídias e as levaram em consideração na hora de avaliar a importância das notícias. Como resultado, muitas pautas surgiram desse monitoramento das mídias sociais, fazendo com que o repórter se antecipasse a determinado acontecimento e pudesse estar no momento da ocorrência da notícia.

Em contrapartida, editorias como Economia e Polícia foram as que revelaram fazer menos uso das informações oriundas das mídias sociais. A explicação pode estar no fato de que essas notícias eram pouco compartilhadas e os comentários que existiam eram sempre negativos.

O outro objetivo foi verificar como os indícios informacionais oriundos da web eram considerados na tomada de decisão jornalístico-editorial. Quando os editores se deparavam com informações que lhes chamavam atenção nas mídias sociais, eles observavam dados de significância, mesmo que fizessem isso de maneira quase instintiva. Estavam sendo observados: a fonte que postou a informação, o número de compartilhamentos, comentários feitos, o ineditismo da notícia e a relevância para o leitor. A partir dessas informações, os editores avaliavam se valia a pena investir em determinada informação.

Por fim, os editores que informaram utilizar as mídias sociais para o trabalho adquiriram essa prática recentemente (a maioria nos últimos três anos), quando passaram a perceber que muitas informações estavam nelas. Com razoável desapontamento, notou-se que,

ainda assim, fazem isso de forma muito subjetiva, observando-se que cada editor adequou a maior ou menor interação com as mídias sociais às necessidades da sua editoria. A continuidade das observações destas rotinas é que pode levar a uma proposição no futuro de um modelo e de seus instrumentos que ordene a utilização dessas mídias dentro da redação.

Mesmo não existindo regras específicas para utilização das mídias sociais por parte da direção da Folha de Pernambuco, é possível perceber que indícios informacionais que brotam através desses meios vêm ganhando força, a cada dia, nas páginas do jornal. No momento das entrevistas, a maior parte dos editores indicou um exemplo de matéria que foi originada a partir desses indícios.

6.3. Limitações

Mesmo que a maior parte dos editores da Folha de Pernambuco, durante o período da pesquisa, fizesse uso frequente das mídias sociais, percebeu-se que alguns profissionais entrevistados usaram mais a opinião de cidadão comum, usuário ordinário, que a postura profissional quando responderam às questões formuladas.

De fato, notou-se que o modo como os profissionais entrevistados lidavam com as mídias sociais estava muito mais baseado na maneira como eles as utilizavam no seu dia a dia, como usuários comuns, sem envolvimento profissional, do que como usuários habituais, que

reconheciam os benefícios das mídias sociais para o trabalho. Por conta desse fator, não pôde ser traçado um perfil geral de uso profissional dessas mídias, já que muitos não souberam afirmar o que de fato os levava a utilizá-las. Antes de serem provocados pelas perguntas dos questionários, as opiniões eram relativamente vagas a esse respeito e a maioria defendeu a necessidade de se refletir mais sobre o assunto.

Outro limitador da pesquisa foi que, apesar de ser um tema bastante recorrente em conversas informais, constatou-se que não há uma opinião formada sobre a utilização das mídias sociais no trabalho. Isso é um fator de limitação, dado que não há um consenso sobre a importância delas e a melhor forma de utilizá-las na prática para o melhor desempenho das tarefas.

Em determinado momento, alguns editores não se mostraram confortáveis em dar a opinião à pesquisadora deste estudo e criticar a postura da empresa sobre a utilização das mídias sociais, por conta da atividade que a pesquisadora desempenhava na empresa. Isso pode ter levado alguns entrevistados a amenizarem os julgamentos ou até a ficarem constrangidos em dizer o tempo que passavam na Internet olhando o que se passava e checando perfis particulares, de amigos e conhecidos e que, porventura, não acrescentassem de fato ao trabalho.

Outro fator limitador é que, apesar de o furo jornalístico ser sempre destacado como importante para a profissão, não houve consenso sobre o que atualmente seria furo, dada a velocidade com que as notícias se espalham na Internet. Houve quem defendesse até que tudo que fosse apurado deveria ser posto na Internet e detalhado no jornal impresso do dia seguinte, pois não havia como guardar a informação. Para esses profissionais, o significado de furo estaria atrelado a quem primeiro postasse a notícia na web e trouxesse o melhor diferencial na edição de papel.

Além dessas questões, também não houve consenso sobre o conceito de utilização das mídias sociais. Muitos dos entrevistados tinham perfis, mas pouco os utilizavam ou de fato interagiam. Alguns só olhavam as últimas atualizações e não perdiam muito tempo – ou não sabiam como fazer de maneira efetiva - em busca do que pudesse interessar ao trabalho, como olhar perfis de políticos, entidades, órgãos do Governo, dentre outros.

Por fim, como o universo pesquisado foi relativamente enxuto, demonstrando apenas uma pequena parcela dos profissionais de jornais impressos de Pernambuco, não daria para tomar os resultados como exatos, havendo a necessidade de se debruçar mais sobre o tema, conforme sugestões feitas a seguir.