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3. O Contexto empírico

3.2 Aspectos econômicos e de renda

Localizado no extremo sul do Rio Grande do Sul (Figura 2), fronteira com a cidade uruguaia de Rio Branco, na área de abrangência do Bioma Pampa, o município de Jaguarão possui 27.931 habitantes, de acordo com o último censo demográfico (2010). Está inserido da microrregião da qual fazem parte também, Arroio Grande e Herval (IBGE, 2010), mesorregião Sudeste Riograndense.

Figura 2 - Localização do município de Jaguarão. Fonte: Google mapas, 2017.

Ainda segundo o último censo demográfico do IBGE (2010), 93,4% dos habitantes de Jaguarão residem na zona urbana. A população rural, como indicam os dados da tabela 1, vem declinando sensivelmente nos últimos vinte anos. Com efeito, apenas no período compreendido entre 1991 e 2010 houve um decréscimo de quase 62% de uma população rural já bastante reduzida em termos absolutos e relativos.

Tabela 1 - Distribuição da população de Jaguarão –RS Situação Domiciliar População (1991) (%) População (2000) (%) População (2010) (%) População Rural 4.794 17,3 2.919 9,7 1.826 6,5 População Urbana 22.961 82,7 27.174 90,3 26.105 93,5 População Total 27.755 100 30.093 100 27.931 100

Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados do IBGE (2010).

Ainda assim, mesmo que a maioria da população esteja concentrada na Zona Urbana do município, as atividades produtivas exercidas na Zona Rural alimentam, em grande medida, a economia do município, tanto no que diz à agricultura, quanto a pecuária. Como mencionado anteriormente, a agropecuária representa 29,94% do valor do PIB Municipal de Jaguarão. Esse número se mantém nesse patamar, com pequenas oscilações, nos últimos 13 anos de acordo com série histórica do IBGE (2015). O mesmo é aplicável aos serviços que permanecem em torno de 45% (hoje com 44,51%), durante mesmo período, sendo a indústria equivalente a 5,57% atualmente.

Tais indícios revelam a importância das atividades exercidas na zona rural de Jaguarão, que a despeito do pequeno número de residentes, é bastante representativa em termos de emprego e renda. A agricultura, por exemplo, é responsável por gerar 719 empregos segundo dados do IBGE (2014). Esse número é bastante expressivo, pois representa 18% do total das ocupações do município.

Não obstante, em termos de emprego e ocupação, o comércio registra 1232 (30%) pessoas ocupadas e os serviços são responsáveis por 1920 (48%) postos de trabalho, sendo estas as atividades que mais geram emprego (IBGE, 2014). A indústria é a atividade com menor representatividade e aparece com apenas 164 pessoas ocupadas (4%)34. A representatividade desses setores na composição do PIB municipal é

demonstrada na figura 3, que apresenta uma série histórica de 2002 até 2015.

Figura 3 - Valor Adicionado Bruto por atividade econômica no PIB (%) Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados do IBGE (2015)

Quando observada a renda domiciliar por pessoa, nota-se que 60% da população analisada vive com renda de até um salário mínimo per capita, sendo que 20% estão na faixa de até meio salário (IBGE, 2010). De acordo com o Atlas de Desenvolvimento Humano (PNUD, 2013), Jaguarão apresentou uma melhora substantiva em termos de renda, crescendo 61,81% nas últimas décadas, passando de R$ 381,19, em 1991, para R$ 518,13, em 2000, até alcançar R$ 616,82, em 2010.

Outrossim, o número de pessoas consideradas pobres ou extremamente pobres35

diminuiu em Jaguarão nas últimas duas décadas. O primeiro grupo (pobres) passou de

34 Dados de 2013.

35 São consideradas pessoas pobres aquelas cuja renda domiciliar per capita é inferior ou igual a R$ 140,00 (em Reais de agosto de 2010). Enquanto, as pessoas com renda de até R$ 70,00 são considerados extremamente pobres (IDHM, 2013)

33,74% em 1991 para 10,63% em 2010, ao mesmo tempo que o segundo grupo (extremamente pobres) caiu de 12,21% para 2,75% (de 1991 para 2010). Esses dados acontecem também em função da evolução do salário mínimo, aposentadorias e das transferências sociais introduzidas por meio de políticas públicas nesse período.

Ainda assim, ao notar a figura 4, a qual demonstra a distribuição da renda por quintos da população, observa-se a manutenção da forma como essa renda é distribuída. Nessa representação, o 1º quinto demonstra os 20% da população com maior renda e o 5º quinto os 20% de menor renda. O conjunto dos 20% mais ricos sofre uma pequena redução na renda que concentram nos três períodos analisados (1991, 2000 e 2010) equivalente a, respectivamente, 61,4%, 59,6% e 55%. Enquanto isso, o quinto mais pobre também mantém seu patamar, com leve acréscimo. Possuíam 3,3% da riqueza produzida em 1991, passando para 3,6% em 2000 e 4,3% em 2010. Demonstrando que, mesmo com a expansão em termos de renda das parcelas mais pobres da população local, a concentração de renda manteve seu patamar estável, não efetivando uma redistribuição desse quadro. Em outras palavras, é o retrato da desigualdade e da concentração dos meios de produção.

Figura 4 - Distribuição da renda por quintos da população

Os dados indicados na tabela 2 demonstram que o número de estabelecimentos de caráter familiar em Jaguarão é bastante superior (65,2%) do que os de caráter não familiar. Não obstante, tais propriedades representam apenas 9,4% (Tabela 3) da área total dos estabelecimentos rurais no município, o que é bastante elucidativo em termos distributivos. Jaguarão tem uma alta concentração de terras. Os 156.111 hectares correspondente a 90% de toda área agrícola utilizada da região estão distribuídos em apenas 235 propriedades (34,8%).

Tabela 2 - Distribuição dos estabelecimentos agropecuários de Jaguarão, RS, segundo a natureza (familiar e não familiar)

Tipo de estabelecimento Quantidade %

Familiar 440 65,2

Não familiar 235 34,8

Total 675 100,0

Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados do censo agropecuário, IBGE (2006).

Tabela 3 - Distribuição da área agrícola (hectares), segundo a natureza (familiar e não familiar) dos estabelecimentos

Tipo de estabelecimento Hectares %

Familiar 16.275 9,4

Não familiar 156.111 90,06

Total 172.390 100,0

Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados do censo agropecuário, IBGE (2006).

Tais aspectos, apesar de bastante ilustrativos, não são capazes de tornar totalmente clara a situação municipal. Com o intuito de ajudar nesse debate, introduzimos algumas ponderações fornecidas pelo IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) de Jaguarão que podem ajudar a reflexão nesse sentido.