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GEOCIENTÍFICO

3.3 – ASPECTOS GEOLÓGICOS

O Estado da Bahia é basicamente dominado por terrenos antigos inseridos no Craton do São Francisco, sobrepostos por coberturas que se distribuem do Proterozóico Superior ao Fanerozóico. (Almeida, 1977) (Alkmin, Neves, Alves, 1993) A Cidade do Salvador situa-se na Península Soteropolitana, com terrenos cujas litologias agregam-se no Cinturão

Salvador – Esplanada, no quadro de relação histórico-litológico-estrutural que existe entre Brasil e África. (Allard e Hurst, 1969) (Barbosa, Correa-Gomes, Dominguez, Cruz e Souza, 2005) Guarda um contato entre dois ambientes, o interno, dominado pela Baía de Todos os Santos - BTS, e o externo, regido pelas condições de mar aberto, litorâneas ao Oceano Atlântico.

Está dividida, geologicamente, em três domínios, que são a Bacia Sedimentar do Recôncavo, a Margem Costeira Atlântica e o Alto de Salvador. (Barbosa, Correa-Gomes, Dominguez. Cruz e Souza, 2005)

O primeiro domínio é o do Alto de Salvador, constituindo a primeira unidade geológica referencial, de terrenos proterozóicos, com idades de formação basicamente transamazônicas. Representam uma associação de rochas metamórficas de alto grau, gnaissificadas e deformadas polifasicamente, correspondendo aos escudos antigos, localizados no Craton do São Francisco. (Almeida, 1977) (Alkmin, Neves, Alves, 1993) Este domínio está dividido em duas partes pela Falha do Iguatemi, que separa rochas predominantemente na fácies granulito, a ocidente, das litologias predominantemente na fácies anfibolito, locadas a oriente. (Barbosa, Correa-Gomes, Dominguez. Cruz e Souza, 2005) Esses autores colocam que a idade de formação para suas rochas é de 2,5 bilhões de anos, com sua deformação em torno de ± 2,0 bilhões de anos.

O Alto de Salvador, como um todo, é regido pela declividade geral em direção ao Atlântico, comportando-se o conjunto da Península Soteropolitana e Baía de Todos os Santos como um meio graben. (Fonseca, 1966) (Mattoso, in Simas Filho, 1979) (Aragão, 1993) (Aragão, 1994). Em termos neotectônicos, não apresenta esta unidade indicadores de atividade. (Martin, Flexor, Bittencourt, Dominguez, 1986)

Figura 06 – Mapa Geológico simplificado do Alto de Salvador – Modificado de Barbosa, Correa- Gomes, Dominguez. Cruz e Souza (2005, p.11)

A segunda unidade geológica referencial é formada pelas coberturas sedimentares juro- cretáceas da Bacia do Recôncavo, pertencendo ao sistema Recôncavo-Tucano-Jatobá, que domina a maior parte das orlas e todo o fundo da Bahia de Todos os Santos. (Barbosa, Correa-Gomes, Dominguez. Cruz e Souza, 2005) Seu limite oriental se dá na Falha de Salvador, entidade dominante na área deste trabalho. Tem esta bacia origem relacionada ao processo de relaxamento crustal que levou ao espedaçamento do paleocontinente Gondwana, mais especificamente ao evento da separação Brasil – África, refletido localmente em um processo de rifteamento, que deixou como herança, um sistema de grabens alongados segundo a direção NE-SO. Suas formações são constituídas por pacotes de arenitos, conglomerados, calcários e folhelhos estratificados. (Almeida, 1977) (Ghignone, 1979) (Medeiros e Pontes, 1981) (Martin, Bittencourt, Flexor e Boas, 1984) (Milani, 1985) (Alkmin, Neves, Alves, 1993) (Caixeta, 1994) (Lessa, Bittencourt, Brichta, 2000) (Argollo, 2001) Estão, nesta unidade, representados três ciclos tectônicos, dois enquadrados no Neocomiano (145,5 +- 4,0 a 125,0 +- 1,0 Milhões de anos), o outro especificamente no Barremiano (130,4 +- 1,5 a 125,0 +- 1,0 Milhões de anos), sendo a Tafrogênese Sul-atlântica responsável pelas três gerações. (Aragão, 1993) (Aragão, 1994)

A última unidade geológica é a Margem Costeira Atlântica, que agrega “acumulações

pouco espessas de sedimentos argilosos, arenosos e areno-argilosos”. (Barbosa, Correa-

Gomes, Dominguez. Cruz e Souza, 2005) É dominada pelos sedimentos terciários do Grupo Barreiras, que surgem em inclinação suave no sentido da Costa Atlântica (Peixoto, 1968), e dos depósitos marinhos quaternários. (Bittencourt, 1996)

No que se relaciona à tectônica rúptil, a Península Soteropolitana é marcada por cicatrizes de inúmeras as falhas e fraturas. (Alvarenga, 1992) Barbosa, Correa-Gomes, Dominguez, Cruz e Souza (2005) reconheceram “cinco conjuntos principais”, relacionando-os em ordem decrescente de idade como (i) N60º-N90º, (ii) N40º-70º, (iii) N120º-N160º, (iv) N30º e N40º e (v) de direções N130º – N140º.

Entendendo ser o padrão de distribuição de vales efetivamente controlado pela trama tectônica, procurando obter um registro mais preciso, desenvolveu-se, neste trabalho, o registro dos lineamentos. Trabalhando com aerofotos de 1959, que possuem um registro

de um grau de preservação ainda muito expressivo, chegou-se, para o Município de Salvador como um todo, ao registro de 5.473 lineamentos Estes aparecem na Figura 07.

Figura 07 – Trama com a tectônica rúptil, na Península Soteropolitana, abrangendo somente o Município de Salvador, exibindo 5.473 lineamentos, realizada sobre aerofoto, sobrevôo SACS, 1959.

Seu registro impõe a dominância da amostragem de um agrupamento A de direções azimuthal situadas entre 355º e 15º, denotando um padrão dominante pertinente com a gênese da Bacia do Recôncavo. Um agrupamento B de direções azimuthais surge contar com cerca de metade do quantitativo do domínio anterior, estende-se entre 20º e 35º, sendo a característica da grande Falha de Salvador, na área trabalhada. Dois domínios competem com este em termos de dominância, situando-se o C entre 310º e 325º, e o D entre 290º e 305º. Uma agregação pode ser entendida como um domínio E, situada entre os azimuths de 80º e 285º. Da mesma maneira, podem ser agregadas as direções situadas entre 325° e 355° como o domínio F. (Figura 08)

Figura 08 – Rosácea com a representação de 5473 lineamentos, da Península Soteropolitana, a partir de análise de aerofotos vôo SACS – 1959 – Individualizados pelas cores estão os domínios direcionais, com destaque diferenciado para a direção da Falha do Salvador. Obtida pelo lançamento das direções no programa Stereo Nett, versão 2,46, desenvolvido pelo Institute für

Geologie Ruhr University.

Considerando somente a área de trabalho, aparecem 189 lineamentos que mantém o domínio do agrupamento de direções A, com direções azimuthais situadas entre 350° e 15°, sofrendo, entretanto, um pequeno deslocamento, passando o domínio percentual de entre 355° e 0° para entre 0° e 5°. O domínio que agrega as falhas de direções conseqüentes às da Falha de Salvador, situado entre 20° e 35°, diminuem em proporção, mas mantém expressão. Os dois agrupamentos de direções C e D da Península Soteropolitana, quando considerada apenas a área de trabalho, permanecem inseparáveis e agregadas no setor D, que se desenvolve entre as direções 285° e 315°. O domínio E ganha um pouco mais de presença, concentrando-se entre 275° e 285°. O domínio F, de pouca expressividade percentual no todo da Península, assume uma grande presença na área de trabalho, concentrando-se entre 335° e 345°. (Figura 09)

Figura 09 – Rosácea com a representação de 189 lineamentos presentes na área trabalhada, a partir de análise de aerofotos vôo SACS – 1959 – Individualizados pelas cores estão os domínios direcionais, com destaque diferenciado para a direção da Falha do Salvador. Obtida pelo lançamento das direções no programa Stereo Nett, versão 2,46, desenvolvido pelo Institute für

Geologie Ruhr University.

Conforme indicam Martin, Flexor, Bittencourt e Dominguez (1986), costas continentais do Domínio Atlântico, especialmente as brasileiras, são costumeiramente consideradas áreas estáveis. Entretanto, algumas áreas mostraram oscilação claras do Nível Relativo do Mar, sendo, para a Bacia do Recôncavo indicadas modificações inclusive diferenciadas por blocos. Para a orla de Salvador, realizou-se o resgate dos movimentos para os últimos 7.500 anos. (Guimarães, 1978) (Martin, Flexor, Vilas Boas, Bittencourt, Guimarães, 1979)

(Figura 10) Martin, Suguio, Flexor, Dominguez e Bittencourt (1996) relacionaram a

situação atual a um movimento de suave ascensão continental, relacionado ao Estágio 8, que levou à construção de terraços marinhos do holocênicos, após 5.100 AP, quando o nível relativo do mar gradualmente passou à posição presente. Esse movimento e essa curva são confirmados por Suguio (2003, p.21), colocando que, há cerca de 2.500 anos antes do presente, foi atingido um nível 1,5 a 2,5 m acima do atual e, desde então, tem ocorrido uma tendência ao rebaixamento contínuo. Isto considerando, e o anotado por Martin, Flexor, Bittencourt e Dominguez (1986), pode-se considerar que, para os 500 anos mais recentes, dimensão temporal deste trabalho, não estaremos longe da verdade se

considerarmos uma regressão que rebaixou a linha d’água em aproximadamente 0,5 m, ou mesmo que não houve alteração.

Figura 10 – Gráfico com a curva de variação do Nível Relativo do Mar, para a região os últimos 7.500 anos, em Salvador. Modificado de Martin et al. (1979).

CAPÍTULO 4

TRABALHOS