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3. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

3.1. ASPECTOS GERAIS

Não é objetivo desta pesquisa adotar uma perspectiva de análise generalista, buscando somente encontrar convergências ou oposições entre os dados de diferentes alunos e estabelecer um único perfil para toda a população estudada. Entretanto, percebe-se a existência de alguns aspectos que são realmente comuns e que, de maneira mais abrangente, respondem a algumas questões que foram dadas como motivadoras para a realização deste trabalho: que tipo de uso os alunos fazem do violão? Em quais situações de seu cotidiano eles tocam violão? Os alunos ouvem música? Os alunos buscam, por conta própria, aprender músicas que almejam tocar? Os alunos estudam violão fora das aulas? Quais os aspectos que motivam os alunos a tocar violão? Essas e outras questões serão abordadas a seguir, partindo de uma esfera mais geral, através de uma apresentação predominantemente descritiva dos dados, que busca caracterizar a população estudada e compreender os aspectos mais genéricos frente às informações coletadas na pesquisa.. Mais adiante serão apresentadas categorias estabelecidas a partir de uma análise mais minuciosa dos dados e os mesmos serão discutidos a partir das particularidades reveladas por cada uma das categorias.

Com relação ao perfil dos estudantes participantes da pesquisa, como já apresentado, todos são estudantes do curso livre de violão do Conservatório Antônio Ferrucio Viviani, residem na cidade de Poços de Caldas e têm ocupações e/ou profissões diversas. Conforme mencionado no capítulo Metodologia, os alunos foram selecionados de modo a contemplar uma ampla variedade de perfis e de idades. De acordo com o que mostra o gráfico a seguir, a maioria dos alunos tem idades situadas na faixa entre 10 e 19 anos sendo que, nas outras faixas etárias selecionadas, há pelo menos um representante. Isso reflete, de maneira geral, o perfil dos estudantes que são atendidos pelo Conservatório que são, em sua maioria, crianças e adolescentes. Considerados esses números, optei por dividir os alunos da faixa de 10 a 19 anos em duas outras faixas: de 10 a 14 e de 15 a 19. Não relaciono essa divisão a qualquer teoria que faça distinção entre os aspectos do

desenvolvimento relacionados a essas idades, mas pretendo que o leitor tenha uma visão mais detalhada das faixas etárias dos estudantes que participaram da pesquisa.

 

Figura  1:  Idade  dos  participantes  

Considerando-se as diferentes faixas etárias, é possível perceber diferenças relacionadas ao interesse por aprender e praticar um instrumento, à frequência da prática instrumental, à função que a música e o tocar esse instrumento assume na vida do indivíduo e às circunstâncias que envolvem as relações com a música, de maneira geral. Numa análise preliminar, presume-se que as diversas vivências e interações de cada uma dessas pessoas, com suas diferentes faixas etárias e circunstâncias no meio sociocultural em que vivem, estão associadas a maneiras diversas de encarar a prática musical. As análises e considerações a este respeito estarão inseridas nas discussões que se seguirão mais adiante.

Também é necessário descrever brevemente como é a dinâmica das aulas que foram observadas. Em linhas gerais, as aulas dos três professores participantes do estudo eram estruturadas sobre duas frentes: o violão acompanhador de músicas populares e o violão enquanto instrumento melódico. Por se tratar de um curso de violão popular, havia uma ênfase sobre o trabalho de acompanhamento de canções e, dentro dessa vertente de trabalho, as atividades envolviam conhecimentos rítmicos (padrões de levadas em estilos diferentes),

técnicos (montagem e mudança de acordes, execução de arpejos na mão direita, execução de escalas) e harmônicos (construção de escalas, estruturação do campo harmônico maior e montagem de acordes). Por outro lado, o trabalho voltado para o violão como instrumento melódico era bastante focado na linguagem do violão solo, sendo que, nas aulas observadas, dois dos três professores utilizavam somente o livro “Iniciação ao Violão” (Henrique Pinto), volume 16. O outro professor, além de trabalhar com o mesmo livro com alguns alunos, trabalhou também com leituras de pequenos solos do repertório de canções populares e com métodos que tinham pequenas peças escritas para que aluno e professor tocassem em duo – a saber: “19 Guitar Studies for Beginners” (Sveinn Eythorsson) e “Curso de Violão – Preparatório” (Edson Lopes)7.

As aulas não seguiam sempre um mesmo roteiro de atividades, mas quase sempre contemplavam a execução do acompanhamento de uma música do repertório de canções populares, exercícios envolvendo escalas e campos harmônicos maiores e exercícios ou peças voltada para a leitura. No que se refere às aulas coletivas, os conteúdos estudados seguiam as mesmas diretrizes da aula individual. Embora estas aulas acontecessem com um grupo de alunos, não foram observadas atividades que envolvessem os alunos tocando uma mesma música dividida em várias vozes ou funções. Nas atividades presenciadas os alunos executavam simultaneamente um mesmo conteúdo.

Principal objetivo de estudo desta pesquisa, a prática dos alunos – especialmente a que acontece fora do contexto escolar (conservatório) – foi um dos aspectos investigados. Procurou-se coletar a maior quantidade possível de informações relativas a esta prática, reunindo dados que permeiam a temática do tocar violão em relação à frequência, à motivação, às influências e às circunstâncias envolvidas neste processo.

Quando perguntados sobre quais eram as situações cotidianas em que faziam uso do instrumento a maioria respondeu que toca violão em casa, sozinhos ou para os familiares (figura 2). A maior parte dos entrevistados também mencionou já ter tocado em festas e encontros de família ou amigos. Outras situações                                                                                                                

6 O livro Iniciação ao Violão, editora Ricordi, volume 1, apresenta uma série de exercícios voltados ao

desenvolvimento da técnica violonística e da leitura de partituras, bem como uma série de peças do repertório do violão erudito que variam entre diferentes graus de dificuldade técnica.

7 De acordo com o professor entrevistado, tais materiais foram encontrados na internet nos sites

https://www.classical-guitar-school.com/music/1066.pdf e

compõem este cenário, como participar de apresentações promovidas pelo Conservatório, tocar em igrejas ou em eventos da escola, tocar em grupos musicais, tocar profissionalmente ou ainda utilizar o violão como ferramenta para compor músicas ou como ferramenta de apoio em algum tipo de trabalho que envolva a música.

Eu estudo quando dá. Tento tocar todo dia, mas não necessariamente eu estudo o conteúdo da aula. Eu sempre tô procurando tocar novas músicas, essas coisas (Aluno O8, 12 anos). A fala do aluno O, transcrita acima, ilustra uma distinção que se faz necessária para uma melhor compreensão das situações aqui descritas: tocar ou praticar são termos aqui empregados para designar qualquer tipo de prática ou de utilização do violão. Dessa maneira, tocar ou praticar se diferenciam de estudar, já que este último termo, no contexto da pesquisa, designa a prática dos conteúdos propostos na aula de violão. Dentro do roteiro utilizado para a realização das entrevistas com os alunos (disponível na seção de anexos), eram feitas perguntas diferentes e relacionadas a este contexto, conforme podemos ver a seguir:

- Com que frequência você toca violão? - Todo dia eu pego um pouco.

- Com qual frequência você estuda os conteúdos das aulas de violão do Conservatório?

- Umas 3 vezes por semana. Não pratico muito não.

(Entrevista realizada com aluno A, 14 anos, em 13 de novembro de 2017)

Para cada uma das situações mencionadas podem ser diferentes a execução musical, o repertório, a função da música ou do músico, as pessoas envolvidas, a relevância, o significado e o vínculo afetivo atribuídos aos eventos. Portanto, pode-se dizer que envolvem e se desenvolvem em meios diferentes. Para Vigotski (2010a), é a interação do sujeito com o meio, considerando que ambos são elementos em constante modificação e que exercem influência um sobre o outro, que vai proporcionar uma atribuição de sentido e de significado diferentes para cada indivíduo, em cada uma de suas vivências. Neste sentido, as vivências relacionadas                                                                                                                

8 A nomenclatura aqui utilizada não representa a inicial ou tem qualquer relação com o nome do

aluno. A fim de preservar a identidade dos participantes, uma única letra, escolhida a partir de uma sequência aleatória, foi designada para identificar os entrevistados.

à prática musical proporcionam aquisição de experiências diversas e possibilitam algum processo de desenvolvimento musical. A Figura 2, a seguir, mostra algumas das situações nas quais os alunos disseram utilizar o violão de alguma forma prática. Considero importante tomar conhecimento de quais são essas situações já que, a partir da perspectiva teórica apresentada, tais situações irão se constituir como vivências musicais carregadas de significados particulares para cada indivíduo.

 

Figura  2:  Situações  nas  quais  os  alunos  fazem  uso  do  violão  

Atrelado às situações de utilização do violão, o quesito frequência da prática ao instrumento indicou que, na média, os alunos declaram tocar violão de 3 a 4 vezes por semana. As opções “tocar violão todo dia” e “tocar violão de 1 a 2 vezes por semana” foram as de maiores índices, apontando para uma oposição entre as situações mais extremas relacionadas à frequência de prática ao instrumento. Ao mesmo tempo em que um grande número de participantes declarou ter uma prática regular e diária, um grande número de alunos indicou uma prática eventual e esparsa e que, em alguns casos, se resume apenas ao contato com o instrumento que acontece na aula semanal. Retomando as questões que motivaram a realização desta pesquisa, já apresentadas anteriormente, uma situação frequente na rotina dos professores de instrumento é ter a percepção, através do que é demonstrado em aula, de que um determinado aluno não estuda ou aparenta não ter qualquer tipo

de prática ao instrumento no intervalo semanal entre uma aula e outra. Esta constatação é comum entre professores, de maneira geral, e foi mencionada, nas entrevistas, pelos professores que participaram deste estudo. Se, por um lado, temos a impressão gerada nos professores, de outro temos as informações dadas pelos próprios alunos, conforme mostra a Figura 3:

 

Figura  3:  Frequência  de  prática  ao  violão  

Neste mesmo segmento, o aspecto “estudar violão”, voltado para a frequência relativa à prática dos conteúdos desenvolvidos em aula, indicou uma média de 2,3 vezes por semana (Figura 4). Estes dados, de forma complementar aos dados expressos na Figura 3, são de grande relevância frente aos objetivos deste estudo. De posse destas informações e através das observações em sala de aula foi possível perceber que os alunos têm uma frequência de prática ao instrumento que não é, exclusivamente, voltada para o estudo do programa do curso. Ainda de maneira preliminar, as situações nas quais os alunos fazem uso do instrumento (expressas através da Figura 2) apontam para a existência de uma prática que não necessariamente coincide com os conteúdos ou atividades relativas ao curso do Conservatório. Nesse sentido, é importante mencionar que todos os alunos entrevistados disseram procurar aprender, por conta própria, conteúdos ou músicas de seu gosto pessoal, utilizando, na grande maioria das vezes, os materiais disponíveis na internet. Os depoimentos abaixo exemplificam esse tipo de prática:

Eu procurava mais antes de eu estar trabalhando. Eu cheguei a ficar o dia inteiro naquele Youtube, aprendendo tudo sabe. Quando eu chegava aqui o [professor] ia dar aula eu já sabia, porque eu ficava (assistindo vídeos). Agora eu tô sem tempo. Pagava músicas, partitura.. eu gosto muito de dedilhado, adoro fazer aquilo lá (Aluna

G, 50 anos).

Procuro. Eu vejo bastante vídeo igual eu falei no Youtube, sabe? Só que daí tem, Cifraclub, assim, eles ficam arranjando muita nota, muito empiriquitando as notas, ele não para. Daí tem um outro canal lá que o cara fica mais fácil, já pega outras notas mais simples um pouco (Aluno N, 18 anos).

- Toda vez que você pega o violão você estuda as coisas da aula? - Não, não todas. Às vezes eu fico procurando música na internet,

assim.

(Entrevista realizada com aluna H, 19 anos, em 16 de novembro de 2017)

 

Figura  4:  Frequência  de  estudo  do  conteúdo  das  aulas  

Durante as aulas pôde-se notar que, por diversas vezes, os alunos não se lembravam ou não sabiam do que se tratava algum conteúdo visto em uma aula anterior e solicitado pelo professor naquele momento. Este possível indicativo de que os alunos não haviam estudado durante aquela semana poderia levar a inferir

que eles teriam tocado pouco durante o intervalo entre uma aula e outra. Em oposição a esta inferência, o fato de tocarem trechos de músicas que não faziam parte do programa das aulas (em pequenos intervalos entre as atividades), a manifestação de dúvidas a respeito deste repertório e mesmo informações presentes nas entrevistas sobre essa atitude de procurar conteúdos não vinculados diretamente às aulas mostra que eles também têm uma prática voltada a uma utilização particular e independente do instrumento, que busca também satisfazer seus anseios pessoais relacionados a tocar violão. Este último tipo de prática configura-se como uma vivência de extrema importância no fazer musical desse indivíduo, uma vez que, trabalhando com repertório de seu próprio interesse e sendo realizada a partir da sua própria inciativa, confere a ele um senso de autonomia em relação à sua capacidade de aprendizagem, de execução técnica ao instrumento e de resolução de problemas. Conforme apontam os estudos de Tourinho (1995), a valorização do repertório de interesse do aluno é uma importante fonte de motivação para a prática musical. Vale lembrar também que a autora ressalta a possibilidade de integrar, sempre que possível, o repertório dos alunos ao repertório dos programas formais de ensino, como forma de estimular e enaltecer o trabalho dos educandos. A fala do aluno L, descrita a seguir, evidencia que os aspectos motivacionais muitas vezes estão relacionados ao repertório e vão influenciar sobre o desenvolvimento e a prática do aluno. Nesse sentido, Schroeder diz ser importante considerar que o aluno “ao ingressar em aulas de música, já traz um universo musical próprio (e que muitas vezes é justamente o que o move a procurar as aulas), ou seja, ele já ouve e muitas vezes tem bastante familiaridade com um ou vários gêneros musicais específicos” (SCHROEDER, 2005, p. 174). O Aluno L, falando sobre como é sua prática junto ao violão, mostra que praticou com mais frequência as músicas com as quais ele mais se identificou:

Às vezes numa semana eu toco bastante, às vezes eu toco pouco. Na época que a gente começou a aprender a música do Mario, eu tocava quase todo dia. Depende da música, é, aquela música lá do Skank, eu toquei bastante também, eu achei legal e eu tinha que treinar. É, algumas músicas eu continuo a tocar tipo a do Mario, a do Skank, É Preciso Saber Viver (Aluno L, 13 anos).

Nesse sentido, os dados da pesquisa evidenciaram uma informação que pode parecer um tanto óbvia – quando amparada pela literatura do campo da

Educação Musical e pelas evidências percebidas pelos músicos e professores de música, em seu dia a dia – mas que é relevante frente aos objetivos deste estudo: entre os indivíduos participantes, aqueles que, a partir do trabalho de observação, tiveram um desempenho considerado “bom” – no sentido de demonstrar compreensão e desenvolvimento em relação aos conteúdos propostos – disseram tocar violão no mínimo quatro vezes por semana. As exceções se configuraram em três casos de pessoas que têm uma rotina intensa de trabalho e/ou estudos durante a semana, o que faz com que os momentos nos quais elas tocam violão aconteçam aos finais de semana. Dentre esses alunos, a ampla maioria declara já ter tocado violão em público algumas vezes, seja em apresentações formais ou em encontros de amigos ou de família. Mais à frente, dentro dos aspectos envolvidos no processo de socialização musical secundária, apresentarei algumas considerações relacionadas ao fato do aluno se apresentar ou não em público e ao seu desenvolvimento musical, à mediação que a música pode exercer dentro das relações sociais e integrando também a perspectiva de que há um valor social atribuído ao músico e ao fazer musical.

Ainda sobre esses indivíduos, apenas dois contaram que tiveram aulas de musicalização infantil. De maneira geral, as respostas sobre ter tido ou não aulas de musicalização e sobre a presença de música na escola apontaram para um número pequeno de ações de qualquer tipo envolvendo música na escola. Na maioria das vezes estas experiências estão atreladas a atividades das disciplinas de inglês e artes, sendo mencionadas também nas aulas de filosofia, história, ensino religioso e capoeira. Este dado pode sugerir que o fator “ter aulas de musicalização” pode não ser determinante para o sucesso na aprendizagem de violão, independente de diferentes graus de desempenho na performance instrumental. Por outro lado, pode sugerir que as diferentes vivências relacionadas à música, sejam elas ligadas ou não a ambientes e situações formais de ensino musical, podem influenciar diretamente na maneira com que se dará esse processo de aprendizagem e, consequentemente, a prática musical dos alunos de violão. Neste sentido, Nassif (2008) apresenta estudos e reflexões que ressaltam, sobretudo, a influência do meio extraescolar em detrimento de se ter ou não aulas de musicalização. A autora ainda aponta questionamentos em relação à forma com que são apresentados e ministrados esses cursos de musicalização, como fatores que podem tornar este tipo de vivência mais ou menos significativos para o indivíduo. Por fim, destacam-se ainda as

evidências apresentadas por ela com relação à relevância das experiências musicais não formais para a formação e para o desenvolvimento musical da criança. Algumas falas dos entrevistados corroboram essa questão:

Meu avô tocava violão e eu gostava de ver ele tocar e eu me interessei. Lembro, sempre [ouvir música em casa]. Música gospel

(Auno M, 14 anos).

(...) um amigo meu tocava violão, às vezes eu ia na casa dele, ele tocava violão, daí eu achei legal (...). Mais distante meu tio, ele tocava violão (Aluno L, 13 anos).

Na verdade eu adoro violão desde criança. Por que tinha um vizinho, ele tocava violão (…). Direto, sempre [ouvir música em casa]. Eu sempre gostei de música, meu sonho é aprender a tocar violão, mas aprender a tocar de verdade, sabe (Aluna G, 50 anos).

Através das informações fornecidas, os participantes também deixaram evidente que têm interesse em aprender e tocar violão. A maioria deles soube indicar os motivos pelos quais manifestaram o desejo de começar a aprender o instrumento e/ou tomaram a inciativa de fazê-lo, relatando situações específicas que ilustraram esse momento ou período. Entre os fatores que figuram como motivadores para querer tocar violão, os de maiores índices foram a influência de familiares que já tocavam e o fato de se admirar ou gostar do instrumento. A contribuição e o incentivo de amigos que tocavam ou familiares apreciadores de música também apareceram entre as respostas, conforme mostra a Figura 5.

 

A quase totalidade dos participantes diz ouvir música, de maneira bastante frequente. Na maioria dos casos, a utilização de aplicativos que acessam dados da internet, através do celular, é o principal meio para a apreciação musical. Também foi citada a escuta musical através do rádio ou enquanto se está no carro. No geral, os alunos dizem sempre ouvir as músicas dos estilos que mais gostam, não sendo frequente referências a ouvir música para conhecer um novo repertório ou novas músicas que estão estudando.

Com relação ao hábito de assistir a shows, concertos ou recitais, parece não haver uma constância ou uma frequência regular para a atividade. O ato de comparecer a apresentações ao vivo demonstra ser eventual ou esporádico, muitas vezes se resumindo a apresentações promovidas pelo próprio Conservatório ou eventos gratuitos promovidos pela prefeitura da cidade. Nota-se também que, à medida que aumenta a idade dos participantes, aumentam também os relatos de interesse por assistir um artista favorito ou de já se ter ido a algum show. Por outro lado, assistir vídeos de música através de DVDs e – principalmente – da internet são uma prática constante para a maioria dos entrevistados.

A partir dessa apresentação preliminar dos dados coletados e considerando os objetivos principais deste estudo – compreender a prática musical dos alunos e relacioná-la com as vivências musicais – foram estabelecidos critérios