a construção da idolatria indígena
3.3 A percepção de Motolinía: a idolatria na Historia de los indios
3.3.1 Aspectos gerais: o erro, a descrição e “los muchos ídolos”
A pergunta que queremos fazer ao nosso documento é: o que é a idolatria indígena? Diante do cenário que esboçamos nas páginas anteriores, queremos saber quais são as particularidades da percepção de Motolinía e, também, em que ponto seu olhar aproxima-se de um modelo geral. Isso se torna interessante à medida que percebemos que pelo menos um terço de seu relato é dedicado ao tema. Os motivos de tamanha preocupação já podemos imaginar. A razão desse temor é muito comum aos missionários do Novo Mundo e, para além, constituía um eixo orgânico dos discursos cristãos sobre o Outro (em sentido bem amplo). A novidade dos relatos de Motolinía reside na relação que o frade estabeleceu entre esse “modelo geral comum aos missionários” e sua experiência prática por mais de quatro décadas. É no resultado dessa intersecção que lançaremos nossos olhares para interpretar a leitura que frei Toríbio esboçou daqueles processos que ia vivenciando. A formulação de sua “perspectiva teórica” passava, bem como acontecia a outros religiosos, pela sua experiência; aquela não era só resultado desta, mas também a norteava.
Ao acompanhar a narrativa do frade, o leitor – independente de seu objetivo – é surpreendido com a intensidade com a qual o tema da idolatria é tratado, em termos quantitativos e qualitativos. Praticamente o Tratado Primero inteiro é
dedicado ao fenômeno, que surge a partir do segundo capítulo. O interessante dessa observação é que Motolinía escreveu uma Epístola Proeminal que apresenta a Historia
de los indios e, por toda a missiva, não tocou no assunto “idolatria”. Nessa
apresentação, ele tratou dos primórdios da história indígena, elaborando um trajeto cronológico que começa com os Chichimecas e chega ao século XVI.
Dois eventos nos interessam nessa primeira parte: sobre os Chichimecas, Motolinía disse que não tinham sacrifícios de sangue, nem ídolos, mas que somente tinham o sol por deus (MOTOLINÍA: 2001, p. 4); e ao tratar de Quetzalcoátl, o frade registrou que os indígenas o tinham como um dos principais deuses e que faziam muitos templos, estátuas e pinturas (MOTOLINÍA: 2001, p. 10). A respeito dessas duas observações do frade, nós podemos fazer duas anotações: a primeira relaciona- se à atenção que Motolinía dispensou ao passado dos indígenas, preocupando-se muito pouco em fazer uma história das causas da idolatria; sua descrição do período pré-hispânico é apenas formal e introdutória, e não visa a estabelecer um quadro amplo daqueles processos que antecederam aos espanhóis. Se lembrarmos que o título de sua obra, no manuscrito original, não é Historia de los indios, mas Rrelación de
los rritos antiguos, ydolatrías y sacrificios de los Yndios de la Nueva España, y de la maravillosa conversión que Dios en ellos a obrado71, poderemos nos perguntar por que o
frade não se ocupou, efetivamente, dos “ritos antigos”. A resposta pode ser encontrada no restante da obra, em que percebemos que o interesse do frade esteve centrado muito mais nas práticas e processos desenvolvidos naqueles anos em que trabalhava com os nativos, do que na estrutura teórica da crença ou mesmo na trajetória e evolução da idolatria na história indígena. Veremos que esse não era o objetivo de sua narrativa.
A segunda anotação refere-se ao uso da palavra idolatria. Em nenhuma parte da Epístola Proeminal Motolinía usou esse termo para tratar dos costumes dos ameríndios. O termo é anunciado no título da obra, mas, ao traçar a história dos ritos antigos, não foi abordado pelo franciscano. O padre tratou de Quetzalcoátl, sugeriu a existência de “outros deuses”, citou o demônio, mas não deixou claro o conceito
implícito na idéia anunciada. O conceito só foi enunciado no capítulo 2 do Tratado
Primero. Isso pode ser explicado tanto pela falta de interesse do padre na história
antiga dos indígenas do altiplano central do México, como também podemos pensar na elaboração narrativa do frade. Se tivermos como certo que a Epístola foi uma das últimas peças escritas antes da finalização da obra – quando o frade já tinha quase duas décadas de vivência na América e conhecia muitos traços da história pré- colombiana —poderemos pensar que o padre não quis enfatizar o problema da idolatria antes do século XVI. Isso porque, na Historia de los indios, a idolatria é sempre tratada no embate com os trabalhos missionários. A Motolinía não interessava fazer uma incursão pelas crenças e deuses dos indígenas no período anterior ao século XVI (como interessava, por exemplo, a Sahagún); a idolatria “ganhava vida” somente no instante em que os trabalhos missionários deparavam-se com esse “entrave”. É nessa perspectiva que as práticas idolátricas interessaram a Motolinía, o que pode nos ajudar a ampliar a compreensão que temos da percepção do frade.
Nos primeiros instantes, podemos dizer que Motolinía concebe a idolatria como um culto a falsos deuses que são, na Nova Espanha, representados por ídolos. Estes, de modo geral, eram basicamente representados por pinturas e esculturas que povoavam toda a paisagem. Os primeiros contornos da concepção do franciscano estavam bastante colados às restrições feitas no Velho Testamento. Os dois aspectos ressaltados no Êxodo foram, imediatamente, localizados pelos religiosos: a pluralidade de deuses (todos falsos) e a adoração de ídolos. Sem titubear, o frade identificava “los muchos idolos que tenían”, opondo com vigor o monoteísmo cristão ao politeísmo pagão. Como não podia deixar de ser, Motolinía fez uma distinção entre “imagem” e “ídolo”, ao mesmo tempo em que se preocupava com a possível confusão que isso poderia resultar para os indígenas, como mencionou no caso da imagem da Virgem, citado anteriormente. Não há lugar para confusão entre essas duas palavras na obra de Motolinía: ele nunca se refere às esculturas indígenas como imagem ou outro sinônimo qualquer. São sempre ídolos que, como poderemos notar mais adiante, aparecem qualificados como “do demônio”. A idolatria, nas primeiras linhas, é tida como um erro: no lugar de adorar a Deus – único e verdadeiro, segundo
o frade – eles adoravam os ídolos que eram os falsos deuses. De acordo com Motolinía, os frades faziam de tudo para trazer os nativos ao conhecimento de Deus e para afastá-los “del error de los ídolos” (MOTOLINÍA: 2001, p. 186). Sobre os motivos desse erro, a ignorância e a atuação do demônio, falaremos mais adiante.
A noção de que a idolatria constituía um erro pode nos indicar que Motolinía reconhecia aquela prática, mesmo que pelo avesso e para condenar. Além de poder apreender e nomear aqueles costumes locais (construindo uma inteligibilidade), o franciscano – bem como muitos outros religiosos – pôde definir em conceitos cristãos aquilo que via. Isso, para além dos problemas “antropológicos” que podem ser suscitados, nos faz pensar sobre o estatuto que Motolinía conferia aos indígenas. Se eles eram idólatras, eles eram enquadrados em um modelo cristão clássico de leitura do Outro e, também, pertenciam a uma categoria que era possível (porém, reprovável) aos cristãos do século XVI. Se voltarmos ao problema da alteridade, lembraremos das análises de François Hartog72, em que o autor trata da
descrição do desconhecido por meio da inversão, estratégia muito usada pelos missionários no Novo Mundo.
Independentemente da discussão sobre o grau de conhecimento do Outro que isso pode indicar, o que nos importa aqui é perceber que a compreensão elaborada por Motolinía a respeito da idolatria lhe permite estabelecer analogias e ver nos costumes indígenas traços que lhe são familiares. Esse fato é importante, pois a própria caracterização que ele faz dos povos indígenas na Historia de los indios não é homogênea. Frei Toríbio falou em povos muito religiosos (este que é um lugar- comum entre os cronistas), povos de boa razão e memória (MOTOLINÍA: 2001, p. 30), gente selvagem e bárbara (p. 3), ou ainda como povos “naturalmente mansos” (p.
72 Cf. HARTOG (1999, pp. 229‐240). De uma perspectiva semelhante, mas analisando a produção
discursiva do Renascimento Português sobre o Outro, Luis Filipe Barreto observou que “a descrição e a compreensão etnológicas são então essencialmente valorativas, porque o efeito de espelho etnocêntrico só fragmentariamente é transcendido. A força dos obstáculos etnocêntricos é ainda profundamente dominante e o outro é sempre bem mais uma falha/falta, um espelho invertido do mesmo, que uma diferença” (BARRETO: 1989, p. 37).
124)73. Logo, sendo bárbaros ou gente de boa razão e memória, os indígenas eram
idólatras e, para Motolinía, esse fator foi preponderante.
A constatação de que os nativos cometiam erros ao adorar os ídolos pedia a Motolinía o maior cuidado possível na composição da sua narrativa. Tanto por conta do público espanhol que deveria receber as notícias da América, como no caso dos próprios frades que porventura utilizassem a obra do franciscano. Há um exemplo curioso na Historia de los indios em que o frade advertia que não eram os homens que mereciam louvores, mas somente Deus. Essa anotação aparece logo depois de Motolinía fazer um capítulo inteiro “louvando” as virtudes de Martín de Valência, seu amigo e líder dos franciscanos. Para que não houvesse confusão ou risco de considerar aquele trecho como indício de uma prática idolátrica, Motolinía lembrava que “esto es mi intento, de no loar ningún vivo en particular, sino decir loores de la buena vida y ejemplo que los frailes menores en esta tierra han tenindo; los cuales obedeciendo a Dios salieron de su tierra dejando a sus parientes y a sus padres [...]” (MOTOLINÍA: 2001, p. 185). O recado estava dado: nenhum homem deve ser louvado ou adorado nesta “caduca vida”; somente Deus e seu plano são dignos de louvor. Essa era a proposta delineada na obra de frei Toríbio.
Após a identificação da idolatria como um erro, encontramos outro aspecto na concepção construída pelo frade: a ênfase na descrição. No lugar de teorizar, de estabelecer os porquês da idolatria e de centrar os esforços em incursões teológicas, Motolinía optou pela solução descritiva, realçando os trabalhos dos missionários franciscanos frente a esse cenário. A idolatria por si só não é a tônica na obra do irmão menor. Esse traço revela, no plano da Historia de los indios, que há muito mais interesse do frade em descrever os materiais usados na fabricação das esculturas indígenas, suas características físicas e ação dos missionários, do que propriamente na
73 Sem afirmar com certeza, Motolinía especulou na Epístola Proeminal sobre a origem dos indígenas:
“Estas tierras o islas pudieron ser las que están antes de San Juan, o la Española, o Cuba, o por ventura alguna parte de esta Nueva España; pero una tan gran tierra, y tan poblada por todas partes, más parece traer origen de otras extrañas partes; y aún en algunos indícios parece ser del repartimiento y división de los nietos de Noé. Algunos españoles, considerados ciertos ritos, costumbres y ceremonias de estos naturales, los juzgan por ser de generación de moros. Otros, por algunas causas y condiciones que en ellos ven, dicen que son de generación de judíos; mas las más común opinión es, que todos ellos son gentiles, pues vemos que lo usan y tienen por bueno” (MOTOLINÍA: 2001, pp. 11‐12).
relação que os indígenas tinham com elas. É uma espécie de simplificação do problema74: havia ídolos que eram adorados como deuses (aqui se configura a
idolatria) e eles precisam ser desterrados e destruídos75. Essa redução do problema a
esses termos praticamente sentenciava aqueles objetos à destruição. Raramente os “ídolos” escapavam das campanhas de extirpação; isso só acontecia se fosse reconhecido em algum objeto determinado valor material ou artístico. Serge Gruzinski nos lembra que isso ocorreu em pouquíssimas vezes (GRUZINSKI: 2006, p. 73).
No capítulo 12 do Tratado Primero há um exemplo desse tipo de composição: “La manera de los templos de esta tierra de Anáhuac, o Nueva España, nunca fue vista ni oída así de su grandeza y labor, como de todo lo demás [...]. Llámanse estos templos teucallis, y hallamos en toda esta tierra, que en lo mejor del pueblo hacían un gran patio cuadrado; en los grandes pueblos tenía de esquina a esquina un tiro de ballesta y en los menores pueblos eran menores los pátios (MOTOLINÍA: 2001, p. 69). Em outra parte, “tenían asimismo ídolos cerca del agua, mayormente en par de las fuentes, adonde hacían sus altares con gradas, cubiertos; y en muchas principales fuentes de mucha agua tenían cuatro de estos altares puestos en cruz unos enfrente de otros, la fuente en médio, y allí y en el agua ponían mucho
copalli y papel y rosas; y algunos devotos del agua se sacrificaban allí. [...] También
74 Quando escrevemos que Motolinía optou por descrever mais e teorizar menos, não significa que seu
trabalho tenha menos valor que o de outros cronistas. Não é essa a questão. Convém lembrar, pois, que a descrição é também uma operação lógica necessária aos passos seguintes, como a classificação ou a teorização (conceituação). Desse modo, a noção de “simplificação do problema”, a qual nos referimos, não traz embutida em si uma questão valorativa, mas sim a escolha por um caminho anterior à conceituação menos complexo, porém necessário.
75 Essa formulação distancia‐se, por exemplo, da leitura que José de Acosta faz desse problema. Acosta
descreveu menos e procurou teorizar mais sobre a idolatria: ela é resultado da soberba do demônio que, mesmo depois de punido por Deus, insistiu em ser adorado, inventando “tantos géneros de idolatrías con que tantos tiempos tuvo sujeta la mayor parte del mundo que apenas le quedó a Deus un rincón de su pueblo Israel” (ACOSTA: 1985, p. 217). Há, para o padre jesuíta, duas linhagens da idolatria: 1) uma parte relacionada ao mundo natural (esta primeira linhagem divide‐se em duas partes: adoração de coisas mais abrangentes e gerais, como sol, lua, fogo e terra; e adoração de coisas mais específicas, como rios, fontes, árvores) ; 2) a outra está relacionada às coisas imaginadas ou fabricadas pela invenção do homem (que também é dividida em duas partes: adoração de coisas inventadas pelo homem, como estátuas de pau, madeira ou pedra; e a adoração de coisas que já existiram, como os mortos e antepassados) (ACOSTA: 1985, p. 219).
tenían ídolos de figuras de culebras, y éstos de muchas maneras, largas y enroscadas; otras con rostos de mujer. [...] Otras culebras hay muy grandes, tan gruesas como el brazo” (MOTOLINÍA: 2001, pp. 34-35). Assim, podemos perceber que não houve a preocupação de fazer especulações teóricas sobre o problema. A idolatria e os ídolos ganhavam maior importância à medida que se chocavam com o projeto catequético e que necessitavam ser compreendidos e eliminados. As discussões teológicas conciliares que antecederam a cristianização da América serviam de modelo ao frade para que ele compreendesse os costumes indígenas, mas não inspiravam-no a teorizar sobre o assunto, pelo menos na Historia de los indios. Isso pode ficar claro se pensarmos que a proposta de seu texto não é necessariamente ir a fundo na cosmologia ameríndia, mas sim cumprir um determinado papel político, o de garantir a legitimidade do projeto franciscano na América, conforme observamos nos dois capítulos anteriores.
Ao erro e à solução descritiva, soma-se o terceiro aspecto geral da concepção de Motolinía: a amplitude da idolatria na Historia de los indios. Se nos primeiros momentos o frade esteve preocupado com a descrição dos ídolos (esculturas, pinturas e livros) e com a adoração direcionada a esses objetos, com o passar do tempo e da narrativa, a concepção de idolatria do frade – antes limitada aos objetos feitos pelo homem – passa a incorporar outras manifestações cotidianas em seus limites. Ritos de passagem, casamentos, o tonalli, o calendário, o fogo, a caça, a pesca, os partos, as lutas contra a morte, as danças, as festas etc.: todos esses elementos passaram a ser lidos como manifestações idolátricas ou, pelo menos, ligados à idolatria76. São os “muchos ídolos” aos quais Motolinía se referia, também
em termos qualitativos. O conceito, restrito no começo, torna-se mais abrangente e permite ao frade compreender e explicar manifestações que, inicialmente, não constituíam a essência da idolatria. Em uma passagem singular, Motolinía expressou a tensão e densidade que envolve sua narrativa sobre esse conjunto de práticas: “pero a ellos les era gran fastídio oír la palabra de Dios, y no querían entender otra cosa sino
76 Como já vimos mais acima, essa associação de outros “vícios” à idolatria também tem matriz bíblica
en darse a vicios y pecados, dándose a sacrificios y fiestas, comiendo y bebiendo y embeodándose en ellas, y dando de comer a los ídolos de su propia sangre, la cual sacaban de sus propias orejas, lengua y brazos, y de otras partes del cuerpo, como adelante diré. Era esta tierra un traslado del infierno [...]” (MOTOLINÍA: 2001, p. 24). Essa percepção mais ampla da idolatria forçou, de algum modo, Motolinía reconhecer que em alguns lugares esse erro persistia. Muitos dos antigos ídolos tinham sido destruídos, porém outras formas de adoração dos falsos deuses tinham aparecido.
Alguns estudiosos atentaram para esse alargamento e analisaram a relação da idolatria com uma “visão de mundo”. Serge Gruzinski registrou que “sob esta forma, não resta dúvida de que a idolatria não apenas estava intimamente associada às atividades de produção e de trocas, como representava um saber ainda amplamente disseminado entre as populações indígenas” (GRUZINSKI: 2003, p. 232). Sonia Corcuera de Mancera também analisou esse sentido: “para Motolinía, embriaguez o beodera son sinónimos de idolatría y obra del demonio. No le preocupa tanto la bebida popular de naturaleza profana, sino la embriaguez ritual que, como vimos, era aceptada por la sociedad indígena tradicional por su significación religiosa. Se trata de una embriaguez pública, comunitaria y asociada a fechas y ceremonias festivas. Fray Toríbio la considera un mal de la gentilidad de los indios que, a pesar de la destrucción obsesiva de los ídolos que él lleva a cabo sin descanso, es muy difícil de erradicar” (CORCUERA DE MANCERA: 1991, p. 136). Quase no mesmo sentido, Días Cruz disse que “las prácticas idolátricas no se circunscribían al mero ejercicio del culto; estaban presentes en casi todas las actividades cotidianas de los infieles: en los campos, en los hogares, en las plazas públicas, en las relaciones conyugales, en los momentos lúdicos, en la lucha contra los cuerpos enfermos y en la memoria de los muertos” (DÍAS CRUZ: 2002, p. 223).
Ainda que de modo mais ponderado, Motolinía pareceu admitir essa concepção ampla da idolatria e as dificuldades que elas traziam à extirpação e à evangelização: “ya que pensaban los frailes que con estar quitada la idolatría de los templos del demonio y venir a la doctrina cristiana y al bautismo era todo hecho, hallaron lo más dificultoso y que más tiempo fue menester para destruir, y fue que de
noche se ayuntaban, y llamaban y hacían fiestas al demonio, con muchos y diversos ritos que tenían antiguos, en especial cuando sembraban el maíz, y cuando lo cogían, y de veinte en veinte dias, que tenían sus meses; y el postrero dia de aquellos veinte era fiesta general en toda la tierra” (MOTOLINÍA: 2001, p. 32).
Percorrida a obra, o conceito de idolatria de Motolinía tem os seguintes aspectos: é considerado um erro provocado pela ignorância dos indígenas que adoram objetos e realidades em vez de Deus; ele é delineado por um processo descritivo, menos do que teórico; ele abrange um conjunto amplo de práticas que, ao longo da obra, foi sendo incorporado ao que o frade, inicialmente, denominava idolatria. Isso posto, vamos, agora, observar as relações possíveis do conceito de idolatria com outras dimensões na obra de Motolinía.