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A forma de reorganizar os critérios de produção, maneira de pensar e agir da sociedade buscando preservar o ambiente natural e a busca pela utilização de elementos menos danosos ao meio ambiente é de recente construção.

Em meados da década de sessenta, precisamente 1962, a publicação do livro

Primavera Silenciosa (Silent Spring), da autoria da norte-americana Rachel Carson

(1907 -1964), bióloga marinha e escritora, foi o ponto de partida para uma mudança de pensamento da civilização moderna em prol do meio ambiente. O exemplar traz um estudo sobre o impacto do uso exacerbado de pesticidas na produção agrícola.

Bonzi85 em seu artigo sobre a obra afirma que, a revista New Yoker, publicou

três edições seguidas de trechos do livro, contudo, após a publicação do primeiro trecho, desencadeou, nos USA, um debate nacional sobre o uso de pesticidas químicos.

A indústria química reagiu imediatamente, combatendo duramente a obra e lançou uma campanha declarada para desacreditar a sua autora. Afirma, ainda que um livro que destoava tão fortemente do senso comum de uma época, conquistou legitimidade e transformou-se em um dos produtos culturais mais importantes da história recente.

84 MUNCK Luciano. Gestão da Sustentabilidade nas Organizações: um novo agir à lógica das competências. São Paulo: Cengage Learning, 2013. p. 10.

85 BONZI, Ramón Stock. Meio século de Primavera Silenciosa: um livro que mudou o mundo. Disponível em:

Tal obra obteve especial atenção, e hoje é considerada como o marco fundador do movimento ambientalista moderno, e tem merecido destaque nos estudos e relatórios sobre o tema. Podemos dizer que despertou a sociedade para a necessidade de melhor usufruir dos recursos naturais e revisar o consumo exagerado iniciado no século passado.

Há exatos 46 anos, em 1972, a Organização das Nações Unidas – ONU realizou a 1ª Conferência Internacional sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento em Estocolmo (Suécia), entre os dias 5 a 16 de junho daquele ano. Uma preocupação com os rumos que o desenvolvimento e na melhoria do meio ambiente propiciou a reunião com a participação de 113 países, incluindo o Brasil e 400 instituições governamentais e não governamentais. Havia uma necessidade principal, qual seja, a busca de um ponto de vista e de princípios comuns para inspirar e guiar os povos

do mundo na preservação e na melhoria do meio ambiente.86 Denotando uma inquietação da comunidade mundial sobre, até que ponto, os rumos que o desenvolvimento econômico, social, financeiro, populacional poderiam prejudicar o meio ambiente.

O resultado desse evento foi a publicação de um documento importante intitulado Declaração de Estocolmo Sobre o Meio Ambiente. Composto por 26 Princípios, os quais expressam temas como: mudanças climáticas; a qualidade da água; soluções para reduzir os desastres naturais; reduzir e encontrar soluções para a modificação da paisagem; discutir as bases do desenvolvimento sustentável; limitar a utilização de pesticidas na agricultura e reduzir a quantidade de metais pesados lançados na natureza.

E, como preceitua o Princípio 6:87 [...] devemos moldar nossas ações no mundo

inteiro com a maior prudência, em atenção às suas consequências ambientais. Esse Princípio objetiva despertar a consciência dos dirigentes das nações no sentido de promover políticas públicas, assim como despertar, na sociedade, mudanças de pensamento e atitudes em relação aos temas referentes ao ecossistema.

Passados onze anos da publicação da Declaração, houve a necessidade de verificar o quanto os países haviam, de fato, implementado os compromissos

86 Meio Ambiente Legal. VEMAQA, 1ª Edição. 2008. p. 09.

assinados naquele documento, como também em razão de uma preocupação com as regras de desenvolvimento adotada por países industrializados.

Assim, a ONU, constituiu uma Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento nomeando, para presidir a Comissão, a Primeira Ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland.

Nos três primeiros anos, essa Comissão se reuniu com líderes mundiais e representantes da sociedade civil para abordar as questões sobre o meio ambiente.

Além de temas sobre a preservação do ecossistema, foram inseridos, nos debates, diferentes temas globais, os quais de uma forma ou de outra diziam respeito ao desenvolvimento sustentável.

A Presidente da Comissão, Primeira Ministra Gro Harlem Brundtland propõe88:

[...]estratégias am bientais de longo prazo p a r a o b t e r u m d e senvolvim ento sustentável por v o l t a do ano 2 0 0 0 , e a í e m d i a n t e ;

• recomendar maneiras para que a preocupação com o meio ambiente se traduza em maior cooperação entre os países em desenvolvim ento e entre países em estágios diferentes de d e s e n v o l v i mento econômico e s o c i a l e l e v e à consecução de objetivos com uns e interligados que considerem as inter-relações de p e s s o a s , recursos, meio ambiente e desenvolvimento

• considerar meios e maneiras pelos quais a comunidade internac i o n a l p o s s a l i d a r m a i s e f i c i e n t e m e n t e c o m a s p r e o c u p a ç õ e s de cunho ambiental

• ajudar a definir noções comuns relativas a questões ambientais de longo prazo e os esforços necessários para tratar com êxito os p r o b l e m a s da p r o t e ç ã o e da m e l h o r i a do m e i o a m b i e n t e , u m a a g e n d a de l o n g o p r a z o a ser p o s t a em p r á t i c a nos p r ó x i m o s d e c ê nios, e os objetivos a que a s p i r a a c o m u n i d a d e m u n d i a l .

As propostas da Comissão significaram mais uma tentativa, em nível mundial, de juntar esforços para o enfretamento das questões ambiental, desta vez com uma visão mais ampla, qual seja, do desenvolvimento sustentável.

As discussões geraram críticas do modelo de desenvolvimento adotado pelos países industrializados, apontou para a incompatibilidade entre desenvolvimento sustentável e os padrões de produção e consumo, enfatizou problemas ambientais, como o aquecimento global e a destruição da camada de ozônio (conceitos novos para a época), como também apresentou uma lista de ações a serem tomadas pelos

88 Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso Futuro Comum. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1991. p. 6. Disponível em:

Estados, tais como, metas para adoção da estratégia de desenvolvimento sustentável pelas organizações. Ou seja, a ideia defendida é a de desenvolver práticas organizacionais capazes de manter o desenvolvimento e o crescimento econômico sem comprometer a reserva ambiental necessária para a sobrevivência do ser humano no futuro.

Através do Relatório Brundtland, ficou clara a necessidade da introdução de políticas de limitação do crescimento populacional, garantia de alimentação em longo prazo, preservação da biodiversidade e dos ecossistemas, diminuição do consumo das Fonte de energia finitas e estímulo de produção de outras Fonte renováveis, além do controle da urbanização, com o incremento da utilização de tecnologias ecologicamente adaptadas.

Assim, ainda sobre o Relatório da Comissão Brundtland, permanece um pensamento que o define: “desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. Ou seja, a ideia é de desenvolver práticas organizacionais capazes de manter o desenvolvimento e a evolução sem comprometer a reserva ambiental necessária para a sobrevivência do ser humano no futuro.

A execução dessa proposta passa, necessariamente, pela prioridade da responsabilidade social, com atenção especial às populações carentes e à implementação de atividades capazes de propiciar de maneira positiva, o bem-estar e a qualidade de vida da população mundial.

Isso porque o sistema de desenvolvimento econômico implementado durante o século XX e atualmente em vigor gerou e vem gerando diversos desequilíbrios.

Na visão de Paulo Roberto de Almeida,89 doutor em Ciências Sociais e Diplomata

de carreira, a globalização capitalista revigorada do final do século XX trouxe,

provavelmente, mais riqueza material e progressos sociais do que jamais ocorreu em fases precedentes da economia mundial, mas ela dá nitidamente a impressão de estar associada ao crescimento das desigualdades dentro dos países e entre as regiões. A

89 ALMEIDA, Paulo Roberto de. A economia internacional no século XX: um ensaio de síntese. Revista Brasileira de Política Internacional. Vol. 44, n. 1. Brasília jan./jun. 2001. Disponível em:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-73292001000100008 Acesso em: 27 de out. 2018.

riqueza de poucos comparada à miséria de grande parte da população mundial poderá ser minimizada se prevalecer a ideia do desenvolvimento sustentável.

Passados 5 anos, a Organização das Nações Unidas - ONU como entidade responsável por tornar mais forte os laços entre os países soberanos e a sempre presente preocupação com o meio ambiente, organizou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como ECO/92 ou RIO/92. Aconteceu na Cidade do Rio de Janeiro, entre os dias 3 a 14 de junho de 1992.

Essa Conferência teve como objetivo estabelecer uma nova parceria global e igualitária, por meio da criação de novos níveis de cooperação entre os Estado, setores fundamentais das sociedades e as populações.

Os trabalhos foram direcionados para acordos internacionais que diziam respeito aos interesses coletivos e que protegiam a integridade do sistema global do meio ambiente e do desenvolvimento.

Como resultado da Conferência Internacional foram elaboradas três Convenções. A Convenção sobre Diversidade Biológica tratando da proteção da biodiversidade, a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, dispondo sobre sua redução, e, por fim, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a mudança do clima, a qual aborda mudanças climáticas globais.

Também, como resultado, consolidou o conceito de desenvolvimento

sustentável e a previsão da Agenda 21, que consistiu num plano de ação para garantia

da sustentabilidade durante o Século XXI.

Paralelamente à Eco/92, foi realizado o Fórum Global, coordenado por Organizações Não Governamentais e que obteve como resultado do encontro a elaboração de um documento intitulado de Carta do Rio ou Carta da Terra sobre

desenvolvimento e meio ambiente, contendo 27 Princípios dentre os quais

destacamos:90

Princípio 5: Todos os Estados e pessoas devem colaborar no objetivo principal para erradicar a miséria, como condição indispensável para o desenvolvimento sustentável; afim de diminuir as disparidades dos níveis de vida e garantir o atendimento das necessidades da maioria da população do planeta.

Despertando nos Chefes de Estado, as Organizações Governamentais e Não Governamentais no sentido de que assumissem compromissos com a melhoria da qualidade e segurança de vida das pessoas e comunidades menos favorecidas, como

também com a preservação do planeta.

Apenas para ilustrar, durante a realização da ECO/92, o Presidente do Brasil, na época, Fernando Collor de Melo, transferiu a capital do Brasil para o Estado do Rio de

Janeiro com o objetivo de participar da Conferência e despachar91. Demonstrando

com esse ato a importância do evento e seu significado para o desenvolvimento sustentável do planeta.

Durante a Conferência da Rio/92 foi assinada por 179 países a Agenda 21, representando um importante compromisso entre os países assinantes de construir uma sociedade sustentável abordando temas como: meio ambiente, ecossistemas,

desflorestamento, desertificação, pobreza, consumo, saúde, educação,

biodiversidade, recursos naturais e conscientização. A Agenda 21, pode ser definida como:

[...] um instrumento de planejamento participativo de desenvolvimento

sustentável. Agenda 21 não é e nem pode ser um “programa” ou “projeto” dessa ou daquela prefeitura, ONG, OSCIP, empresa, etc., e muito menos uma agenda somente ambiental. Não se preocupa apenas com os efeitos dos problemas, sejam ambientais, sociais ou econômicos. A Agenda 21 procura as reais causas desses problemas e propõe um plano com metas de curto, médio e longo prazo visando agir na causa para solucionar o problema de forma definitiva, buscando o desenvolvimento sustentável (Instituto Soka – Cepeam).92

Importante salientar que a Agenda 21 possui uma conotação abrangente, pois trata-se de uma proposta em nível mundial para analisar e investir em padrões de desenvolvimento sustentável.

O Brasil possui sua Agenda 21 Brasileira. Segundo dados do Relatório do

Consórcio de Desenvolvimento Sustentável,93 a Agenda 21 é uma proposta de

planejamento estratégico destinada a subsidiar planos de Governo, e será adaptada às peculiaridades de cada país e ao sentimento de sua população. O processo de

91 O Rio de Janeiro na Rio-92 e a participação de ONGs em evento paralelo. Disponível em:

http://www.senado.gov.br/noticias/Jornal/emdiscussao/rio20/a-rio20/o-rio-de-janeiro-na-rio-92-e-a-participacao-de-ongs-em-evento-paralelo.aspx Acesso em: 27 de out. 2018.

92 Agenda 21. Instituto Soka – CEPEAM. Disponível em: http://cepeam.org.br/de/home/quem-somos/nossa-atuacao/ Acesso em: 27 de out. 2018.

93 CONSÓRCIO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Agenda 21 do Brasil: um projeto de Nação. Disponível em:

elaboração da Agenda 21 Brasileira, conduzido pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional - CPDS, visa redefinir o modelo de desenvolvimento do país, introduzindo o conceito de sustentabilidade e qualificando-o com os tons das potencialidades e das vulnerabilidades do Brasil no quadro internacional.

Primeiramente a CPDS reuniu com representantes de todas as Regiões do país. Foram realizados seis workshops e seminários sobre os seis temas com participação de mais de 800 representantes de diferentes segmentos da sociedade de todas as regiões do país. A CPDS analisou os seis documentos temáticos e produziu o

documento "Agenda 21 Brasileira – Bases para Discussão", visando redefinir o

modelo de desenvolvimento do país, introduzindo o conceito de sustentabilidade e

qualificando-o com os tons das potencialidades e das vulnerabilidades do Brasil no quadro internacional.94

A Agenda 21 – Brasileira denota um planejamento participativo de pequeno,

médio e longo prazo em razão da necessidade de construção de Agendas 21 (regionais, estatais, municipais e institucionais) para depois discutir questões globais.

Algumas premissas fazem parte da Agenda 21 Brasileira são elas: crescer sem destruir, indissociabilidade da problemática ambiental e social, ou seja, combinar dinâmicas de promoção social com as dinâmicas de redução dos impactos ambientais no espaço urbano, inovação e disseminação das boas práticas, fortalecimento da democracia, gestão integrada e participativa, dentre outras.

Visando ratificar o que havia sido acordado na Rio/92 e dá maior eficiência aos acordos e convenção internacionais assinados pelos países tratando sobre meio ambiente e desenvolvimento, a Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU, sugeriu a realização de uma nova cúpula, desta vez em Joanesburgo, uma cidade localizada na África do Sul.

Entre os dias 2 a 4 de setembro de 2002, reuniram-se em Joanesburgo representantes dos povos do mundo para reafirmarem os compromissos com o desenvolvimento sustentável. Esse encontro foi além das questões ambientais relacionadas às degradações, e considerou empenhar esforços para viabilizar a dignidade das populações que viviam nas linhas da miséria.

Como resultado desse encontro internacional foi publicado a Declaração de Joanesburgo sobre o Desenvolvimento Sustentável – Das Nossas Origem ao Futuro contendo 37 itens e fazendo uma leitura dos progressos significativos que foram alcançados desde a Conferência de Estocolmo em prol do meio ambiente até aquele momento.

É chegado o momento de lançar novas provocações dentre as quais

apresentamos o item 11 da Declaração:95

Reconhecemos que a erradicação da pobreza, a mudança dos padrões de consumo e produção e a proteção e manejo da base de recursos naturais para o desenvolvimento econômico e social são os principais objetivos e os requisitos essenciais do desenvolvimento sustentável.

Acredita-se que os Estados possuem meios e recursos para assumir esses desafios. Reconhecemos que não são fáceis, mas é preciso levá-los com consideração e se comprometer.

Por fim, após duas décadas da realização da Conferência das Nações Unidas em Estocolmo, a cidade do Rio de Janeiro volta a ser palco de outro acontecimento grandioso, a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, também conhecida como Rio+20.

Entre os dias 13 a 22 de junho de 2012, mais de 180 países, integrantes da ONU, Chefes de Estado, Chefes de Governo, representantes dos principais organismos internacionais com o objetivo de discutir temas sobre desenvolvimento sustentável, economia verde, inclusão social e pobreza.

Como resultado, diversos acordos e ações foram estabelecidas entre os países participantes de forma que os temas abordados geraram algumas ações efetivas, as quais se observa ao longo do tempo, dentre elas citamos: esforços de alguns países implantando nova tecnologia para a diminuição de gases poluentes e consequentemente evitar o aquecimento global, ações de inclusão social, etc.

Podemos dizer que todo esforço ao longo dessas quatro últimas décadas em realizar as conferências e os relatórios internacionais do Meio Ambiente, entre elas a Declaração de Estocolmo, o Relatório Brundtland, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco 92), a Declaração de Johanesburgo e

95 Declaração de Joanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável - das origens ao futuro. Disponível em: www.mma.gov.br/estruturas/ai/arquivos/decpol.doc Acesso em: 12 de out 2018.

a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), contribuíram significativamente para a promoção e difusão dos debates internacionais acerca da sustentabilidade e ensejaram medidas viabilizadoras em prol do meio ambiente.

CAPÍTULO 3

3.1 OS MEIOS DE ACESSIBILIDADE EM FAVOR DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA OU MOBILIDADE REDUZIDA

A abordagem do tema acessibilidade em favor das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida nos leva a pensar em políticas públicas que podem ser desenvolvidas para esse grupo de pessoas, assim como as organizações não governamentais que optam por investir em temas específicos.

Em âmbito federal, a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa

com Deficiência96 é um órgão integrante da Secretaria de Direitos Humanos da

Presidência da República, e atua na articulação e coordenação das políticas públicas voltadas para as pessoas com deficiência.

Dentre outras competências, esta Secretaria é responsável por exercer ações governamentais de prevenção e eliminação de todas as formas de discriminação contra a pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida e propiciar sua plena inclusão à sociedade.

Para tanto, conta com as diretrizes do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – CONADE. Este Conselho, antes ligado ao Ministério da Justiça, é responsável por organizar e fomentar programas de capacitação de recursos humanos para defesa dos direitos das pessoas com deficiência, além de apoiar estudos e pesquisas relativos às pessoas com deficiência.

Luiz Alberto David Araújo97 indaga:

Qual o significado do direito à inclusão social das pessoas com deficiência? Qual o conteúdo desse direito? Estaria ele limitado ao direito à igualdade ou o conteúdo estaria compreendido noutros? A resposta passa obrigatoriamente pelo direito à saúde, pelo direito ao trabalho —protegido ou não —direito à vida familiar, direito à eliminação das barreiras arquitetônicas (ou o direito à acessibilidade) e, inegavelmente, pelo direito à igualdade.

A implementação de políticas públicas de inclusão e a supervisão de programas que contemplem a promoção a proteção e a defesa dos direitos da pessoa com

96 Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoas com Deficiência – Sobre a Secretaria. Disponível em:

https://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sobre-a-secretaria Acesso em: 03 de fev. 2019.

97 ARAUJO, Luiz Alberto David. A Proteção Constitucional das Pessoas com Deficiência. 4ª edição. Revista, Ampliada e Atualizada. Impresso do Brasil. Brasília 2011. p. 49.

deficiência são ações estruturadas que muito contribuem para a melhoria da vida das pessoas com deficiência.

Como exemplo, pode-se apresentar o Programa de Benefício Continuado na escola - BPC na escola, onde o objetivo maior é propiciar, aos estudantes até 18 anos, a acessibilidade e a permanência do estudante com deficiência matriculado na escola e usufruir dos benefícios do aprendizado, assim como das ações articuladas nas áreas de saúde, assistência social e direitos humanos.

Este benefício, efetivamente, se encontra estendido para as oportunidades no trabalho. Verificando editais dos concursos públicos, pode-se perceber que um percentual do número de vagas é destinado para pessoas com deficiência. Isso demonstra uma conquista efetiva para aquele grupo de pessoas.

Em nível estadual, os direitos das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida estão sob a coordenação da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa

com Deficiência – SEPED, órgão que integra a Administração Direta do Poder

Executivo deste Estado do Amazonas, e tem por finalidade a articulação e implementação de ações, programas e propósitos que visem melhorar a qualidade de vidas das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida e de suas famílias.

As Organizações Não Governamentais, que no Brasil são inúmeras e com propósitos específicos, também são responsáveis por propiciar a inclusão social. Agem de maneira exaustiva na luta pelos direitos das pessoas com deficiência, englobando a área sociais, educacional, de saúde, transporte, acesso, dentre outras. No Estado do Amazonas, as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida contam com a Associação de Deficientes Visuais do Amazonas (ADVAM);

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