As pessoas com deficiência possuem os mesmos direitos que as pessoas sem
deficiência dispõem. O artigo 5º, caput, da Constituição Federal de 198835 estabelece
que:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: […].
35 CÉSPEDE, Lívia (Col.); ROCHA, Fabiana Dias da. (Col.) Constituição da República Federativa do Brasil. 54ª ed. atual. e ampl. São Paulo: Obra coletiva de autoria da Editora Saraiva, 2017. p. 3 e 4.
Vemos, neste disposto, o princípio de isonomia o qual confere a igualdade plena às pessoas no que tange aos direitos e garantias fundamentais individuais ou coletivos.
O termo deficiência, pode ser definido, segundo o Dicionário inFormal36, como
“a ausência ou a disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica”. E, qualquer pessoa está sujeita a portar algum tipo de deficiência, considerando que as deficiências podem ser de ordem congênitas ou adquiridas.
No decorrer dos tempos as expressões utilizadas para se referir às pessoas com deficiências foram perdendo feições pejorativas, e atualmente ainda se discute sobre qual a melhor terminologia.
A CRFB de 1988, em vários artigos, adota a expressão pessoas portadoras de
deficiência, (Art. 7º, XXXI; 23, II; 24, XIV; 37, VIII; 203, IV e V; 227, § 2º; 224, caput).
A Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova York, em 13 de dezembro de 2006, adotou a resolução que estabeleceu a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência.
A referida Convenção além de legitimar a expressão pessoa com deficiência, a define em seu Art. 1º como:
[...] aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.37
Sidney Madruga38 pontua que a nova abordagem que hoje os dispositivos
infraconstitucionais emprestam às pessoas com deficiência empregam expressões de forma correta, mais adequadas e de maior aceitação.
Patrícia F. Attademo Ferreira e Gabriele A. de S. e Souza39 sobre o termo
deficiência nos ordenamentos jurídicos afirmam que:
36 Dicionário inFormal – termo pesquisado Deficiência. Disponível em:
https://www.dicionarioinformal.com.br/defici%C3%AAncia/ Acesso em: 29 de jan. 2019.
37 Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com deficiência – Art. 1. Disponível em:
http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/publicacoes/convencaopessoascomdeficienci a.pdf Acesso em: 02 de fev. 2019.
38 MADRUGA, Sidney. Pessoas com deficiência e direitos humanos: ótica da diferença e ações afirmativas. Saraiva. São Paulo, 2013. p. 37.
39 FERREIRA, Patrícia Fortes Attademo e SOUZA, Gabriele Aparecida de Souza. e. A pessoa com deficiência
segundo as constituições brasileiras de ontem e de hoje: políticas públicas, direitos e garantias fundamentais.
Revista Via Iures, número 20, enero – junio, 2016, p. 29-50. Disponível em:
[...] a princípio não importa seu caráter permanente ou transitório, eis que cada norma vai estabelecer ou remeter a um conceito específico de
deficiência para os fins por ela almejados, podendo ser de um tipo ou de
outro, sendo variado os critérios adotados.
Assim sendo, o termo deficiência pode alcançar um significado amplo e variado. O legislador busca tutelar interesses coletivos e difusos dessas pessoas, objetivando garantir inclusão e tratamento igualitário, assim como integrá-las consolidando normas de proteção às pessoas com deficiência leves, moderadas ou graves, temporárias ou permanentes.
Vera Lúcia M. F. Capellini40 em seu artigo O Direito da Pessoas com Deficiência:
breves considerações, cita, de forma apropriada, Paulo Afonso Garrido de Paula e
Liliana Mercadante Mortari:
[...] seus direitos fundamentais ligados à vida, saúde, educação, liberdade e locomoção, convivência familiar e comunitária, segurança, trabalho, lazer, respeito etc. devem ser disciplinados à luz dos obrigados (Família, Sociedade e Estado), de modo que a subordinação aos seus direitos não seja considerada concessão ou condescendência, mas imperativos de um Estado Democrático de Direito que percebe seus integrantes com as peculiaridades que lhe são próprias. Complementa tal ideia a necessidade de reconhecimento de direitos especiais, como a acessibilidade, inclusão, garantia ao trabalho, habilitação e reabilitação, profissionalização, atendimento educacional especializado, renda mínima, esportes e lazer adequados à sua condição, etc., de modo a eliminar ou reduzir os obstáculos que impeçam o exercício da própria cidadania.
Determinados grupos da sociedade, dentre outros, os das pessoas com deficiência, necessitam, por suas características singulares, de proteção do Estado, da sociedade e da família para que possam desenvolver suas habilidades e participar de maneira integrada e equânime no meio em que convivem.
1.4.1 Inclusão Social das Pessoas com Deficiência
Considerando a trajetória quanto aos termos dispensados às pessoas com deficiência, verifica-se, que em algumas ocasiões, possuíam significados pejorativos e de menor valia, em razão disso, àquelas pessoas eram vistas com desprezo ou excluídas do convívio social.
40 CAPELLINI, Vera Messias Fialho. O Direito da Pessoa com Deficiência: breves considerações. Disponível em:
Num passado ainda recente, foram registradas as expressões tais como:
“pessoas portadora de deficiência” (Decreto n. 5.296/2004)41; “pessoas com
deficiência visual” (Decreto n. 5.904/2006)42. Hoje essas expressões e designações
são consideradas obsoletas.
Com o advento dos direitos humanos, da dignidade da pessoa humana, das campanhas nacionais de “não discriminação”, de “não ao preconceito” encampadas por vários segmentos da sociedade, levaram o Estado à implementação de políticas públicas visando a inclusão de pessoas com deficiência.
Para Romeu Kazumi Sassaki43, inclusão funciona como um paradigma de
sociedade, e a define como:
[...] o processo pelo qual os sistemas sociais comuns são tornados adequados para toda a diversidade humana - composta por etnia, raça, língua, nacionalidade, gênero, orientação sexual, deficiência e outros atributos - com a participação das próprias pessoas na formulação e execução dessas adequações.
A inclusão é um conjunto de providências a serem tomadas pelo setor público, setor privado, pelas organizações não governamentais, sociedade em geral, famílias, etc. objetivando gerar oportunidades para que as pessoas com deficiência tenham acesso irrestrito à educação formal e informal, ao mercado de trabalho, ao esporte, ao lazer, à vida em comunidade, a todas as áreas públicas da cidade, a viajar sozinhas dentro do território regional, nacional e internacional, enfim permitir que esse grupo de pessoas tenha possibilidades de viver de forma.
Consultando a doutrina pode-se perceber que existe uma diferença conceitual entre sociedade integrativa e sociedade inclusiva.
41 Decreto n. 5.296 de 02 de dezembro de 2004. Regulamenta a Lei n. 10.48, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e à Lei n. 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Decreto/D5296.htm Acesso em: 03 de fev. 2019.
42 Decreto n. 5.904 de 21 de setembro de 2006. Regulamenta a Lei n. 11.126, de 27 de junho de 2005, que dispõe sobre o direito da pessoa com deficiência visual de ingressar e permanecer em ambiente de uso coletivo acompanhada de cão-guia e dá outras providências. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2004-2006/2006/Decreto/D5904.htm Acesso em: 03 de fev. 2019.
43 SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: acessibilidade no lazer, trabalho e educação. Revista Nacional de Reabilitação (Reação), São Paulo, Ano XII, mar./abr. 2009, p. 10-16.
No dizer de Maria Ivone Fortunato Laraia:44
A sociedade integrativa seria aquela que proporciona oportunidades às pessoas excluídas que consigam efetivamente superar os obstáculos, através de uma política de igualdade de oportunidades apenas. A sociedade inclusiva, segundo Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, “constrói condições de acolhimento de todos, vindo na direção das demandas inerentes às diversidades. A remoção de barreiras arquitetônicas, a adequação de transporte público, as políticas de ação afirmativa estimulando contratações para o trabalho, as escolas inclusivas e, ainda, a inclusão nos esportes, turismo, lazer, recreação, nas artes, cultura e religião revelam um impulso social no sentido de acolhimento, como se a sociedade abraçasse a todos, agindo em favor de atrair eficazmente todos os grupos sociais, que abandonam, então, os ‘guetos institucionais’ e passam a conviver em todos os espaços públicos.
A construção de uma sociedade inclusiva denota uma evolução no tocante ao tema pessoas com deficiência.
De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística45 (IBGE) referente ao Censo Demográfico realizado no Brasil em 2010,
45.606 milhões de brasileiros se declararam possuir algum tipo de deficiência (visual, auditiva, motora, mental ou intelectual). Distribuídas nos seguintes percentuais: Deficiência visual - 18,60%; Deficiência auditiva - 5,10%; Deficiência motora - 7% e Deficiência mental ou intelectual – 1,40%.
Diante dessa realidade, não se pode deixar de buscar na Constituição Brasileira, o artigo 3º, caput e incisos que trata dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, os quais serão elencados:
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – Construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II – Garantir o desenvolvimento nacional;
III - Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; e
IV – Promover do bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
44 LARAIA, Maria Ivone Fortunato. A pessoa com deficiência e o direito ao trabalho. Disponível em:
https://tede.pucsp.br/bitstream/handle/8878/1/Maria%20Ivone%20Fortunato%20Laraia.pdf Acesso em: 03 de
fev. 2019.
45 OLIVEIRA, Luiza Maria. Cartilha do Censo 2010 - Pessoa com deficiência. Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) / Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD) / Coordenação-Geral do Sistema de Informações sobre a Pessoa com Deficiência; Brasília: SDH-PR/SNPD, 2012. Disponível em:
Essa orientação fundamental estabelecida no Art. 3º, da CRFB/88, amparada nos verbos construir, garantir, erradicar e promover, reflete um caráter inclusivo, integrativo, positivo da ordem constitucional destinado àqueles menos favorecidos, aos discriminados, aos hipossuficientes, às pessoas com deficiência, à criança e ao adolescente, dentre outros.
O que está faltando são ações afirmativas como medidas de inclusão para as pessoas com deficiência. Nesse momento podemos listar algumas que fariam muita diferença na rotina daquelas pessoas, senão vejamos: a retirada de barreiras arquitetônicas nos logradouros públicos, assim como nos edifícios públicos e privados (órgãos públicos, universidades, escolas, aeroportos, rodoviárias, praças, museus...) disponibilizar sinalização universal visuais e táteis, sinais sonoros, etc.
A legislação infraconstitucional brasileira possui documentos inovadores e altamente democráticos, e que trazem em sua base uma série de direitos individuais, coletivos, sociais, ambientais, culturais, educacionais, à maternidade, à infância, às pessoas com deficiência, aos idosos...a reflexão, a ser exigida, diz respeito à aplicabilidade efetiva desses direitos prescritos.
Como aduz Madruga46, apud Paulo Benevides, “o desafio atual é concretizar o
texto [...], introduzi-lo na realidade nacional”. Ou seja, direitos já se encontram garantidos no ordenamento. Faltando, senão, a tarefa de aplicá-los em prol das categorias a quem a norma dispõe.
1.4.2 Instrumentais Jurídicos em favor das Pessoas com Deficiência
Para esse estudo deixaremos de abordar o contexto histórico que, com certeza, vitimou as pessoas com deficiência para abordar os instrumentos jurídicos que, atualmente, garantem os seus direitos.
Observamos que a legislação caminha atrás das mudanças de comportamentos,
pensamentos, padrões familiares, costumes, condutas sociais, culturais,
educacionais, enfim, a norma advém para dispor o que a sociedade já está vivenciando e ansiando por regulamentação.
46 MADRUGA, Sidney. Pessoas com deficiência e direitos humanos: ótica da diferença e ações afirmativas. Saraiva. São Paulo, 2013. p. 224.
A Lei n. 7.853 de 1989,47 representou na época de sua publicação um marco para o tema “pessoas com deficiência”. Foi a primeira legislação a regulamentar sobre direitos das pessoas com deficiência.
No contexto do mandamento legal, traz a expressão “pessoas portadoras de
deficiência”, expressão substituída, na legislação atual, por “pessoas com deficiência”.
A norma dispõe que o apoio às pessoas portadoras de deficiência e sua integração social estariam a cargo da Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa com Deficiência – Corde.
Como também, institui a tutela jurisdicional de interesse coletivo e difuso dessas pessoas, disciplina a atuação do Ministério Público, define crime e outras providências.
O disposto legal, ainda estabelece normas que asseguram o pleno exercício dos direitos individuais e sociais para aquelas pessoas visando sua integração social. Além de enunciar, um rol exemplificativo, de valores básicos a serem considerados na aplicação e interpretação da Lei, dentre alguns citamos: o respeito à dignidade da pessoa humana, o bem-estar, da igualdade de tratamento e oportunidade, etc.
Coube ao Poder Público e seus órgãos assegurar tratamento prioritário e adequado às pessoas com deficiência na área da educação, da saúde, na área da formação da formação profissional e do trabalho, de recursos humanos e das edificações, objetivando o pleno exercício dos direitos.
Ao longo nos anos, esta norma foi alterada, tendo em vista as mudanças de modelos e padrões a seguir em prol das pessoas com deficiência.
Regulamentou a Lei n. 7.853/1989, que dispõe sobre a Política Nacional para a
Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, reproduz o vocábulo “pessoa
portadora de deficiência”.
O disposto em análise surgiu para direcionar a implementação da política nacional para a integração da pessoa com deficiência, a qual se resume em um conjunto de orientações normativas que objetivam assegurar o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas com deficiência.
Define o que é deficiência e a diferencia de incapacidade para fins dos efeitos do Decreto. Aduz que deficiência é “toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou
função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o
47Lei n. 7.853, de 24 de outubro de 1989. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7889.htm Acesso em: 03 de fev. 2019.
desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano”48. E incapacidade conceitua como “uma redução efetiva e acentuada da
capacidade de integração social, necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida”.
Na atualidade, o conceito de deficiência está posto na Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, a qual abordaremos mais adiante.
Essa Política Nacional obedece aos princípios da integração entre as pessoas com deficiência no contexto socioeconômico e cultural. Incluindo mecanismos e instrumentos legais e operacionais que assegurem às pessoas, objeto desse Decreto, o pleno exercício de seus direitos básicos postos na Constituição. Para finalizar, não podemos esquecer o princípio da igualdade, no que diz respeito às oportunidades na sociedade, sem privilégios ou paternalismo.
Os objetivos trazidos no diploma legal primam pelo acesso, ingresso e a permanência da pessoa com deficiência em todos os serviços oferecidos à comunidade. Desenvolvimento de programas setoriais destinados ao atendimento do sujeito dessa norma, garantindo sua efetividade, atendimento especializado e inclusão social.
A Lei n. 10.098, de 08 de novembro de 2000, possui tão somente 27 artigos, mas de uma abrangência fundamental. Confere especial importância ao atendimento prioritário não só às pessoas com deficiência, mas a outras específicas, como o idoso, as gestantes, as lactantes, as pessoas com crianças de colo e os obesos.
Em cumprimento a esse preceito legal, as repartições públicas, empresas concessionárias de serviços de transporte coletivo, instituições financeiras, os logradouros e sanitários públicos, edifícios de uso público estão obrigados a dispensar prioridade de atendimento as categorias acima especificadas, sob pena de sofrerem penalidades previstas na legislação pertinente (Lei n. 4.595 de 31 de dezembro de 1964, Art. 44, incisos I, II e III), e, em caso de reincidência, o valor será elevado ao dobro.
48Lei n. 3.298, de 20 de dezembro de 1999. Disponível em:
Nesse esteio, foi publicada a Lei n. 10.098, de 19 de dezembro de 2000, a qual regulamenta as normas gerais e critérios básicos da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.
Essa ordem legal determina a “supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e espaços públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios e nos
meios de transportes e de comunicação” (Art. 1º)49 .
O direito à acessibilidade em logradouros públicos nos remete ao cumprimento de um dos direitos e garantias fundamentais, qual seja, a livre locomoção no território nacional [...] (Art. 5º, XV da CRFB).
A acessibilidade permite às pessoas com deficiência utilizar, com autonomia e segurança os equipamentos urbanos, exercitar a cidadania, a liberdade de escolha, de aproveitar o que a cidade em termos de saúde, educação, lazer, diversão e cultura. Possibilita assumir responsabilidades no trabalho, na família, além de facilitar a socialização.
Romeu Kazumi Sassaki50, Consultor e autor de livros sobre inclusão, aduz que
há seis dimensões da acessibilidade:
[...] arquitetônica (sem barreiras físicas), comunicacional (sem barreiras na comunicação entre pessoas), metodológica (sem barreiras nos métodos e técnicas de lazer, trabalho, educação etc.), instrumental (sem barreiras instrumentos, ferramentas, utensílios etc.), programática (sem barreiras embutidas em políticas públicas, legislações, normas etc.) e atitudinal (sem preconceitos, estereótipos, estigmas e discriminações nos comportamentos da sociedade para pessoas que têm deficiência). Portanto, a acessibilidade é uma qualidade, uma facilidade que desejamos ver e ter em todos os contextos e aspectos da atividade humana. Se a acessibilidade for (ou tiver sido) projetada sob os princípios do desenho universal, ela beneficia todas as pessoas, tenham ou não qualquer tipo de deficiência. (grifos nossos). A acessibilidade não diz respeito tão somente a remoção de obstáculos físicos, seu significado é muito mais abrangente. Inclui compromisso de todos os segmentos, do Estado, da família, da sociedade e das instituições não governamentais no sentido de que cada um desenvolve um papel fundamental para que a pessoa com deficiência disponha na totalidade de seus direitos prescritos nas regras legais.
49Lei n. 10.098 de 19 de dezembro de 2000. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3298.htm Acesso em: 04 de fev. 2019.
50 SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: acessibilidade no lazer, trabalho e educação. Revista Nacional de Reabilitação (Reação), São Paulo,, m Ano XII, mar./abr. 2009, p. 10-16.
O Estado possui o dever de planejar e executar políticas públicas que possam integrar de maneira global as pessoas com deficiência. A família pode contribuir de maneira direta com o desenvolvimento pessoal, emocional, afetivo e intelectual de seu familiar com deficiência ou com mobilidade reduzida.
A sociedade é responsável pelas mudanças de pensamentos de exclusão e preconceitos por atitudes de integração e respeito.
O Decreto n. 5.296, de 2 de dezembro de 2004,51 surgiu com o objetivo de
regulamentar os dois dispositivos legais acima citados, quais sejam, a Lei n. 10.048, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e a Lei n. 10.098, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.
Esse Decreto definiu, com precisão, acessibilidade, e impões um atendimento prioritário às pessoas com deficiência pelos órgãos da administração pública direta, indireta e fundacional, as empresas prestadoras de serviços públicos e as instituições financeiras.
No contexto da imposição legal, atendimento prioritário, compreende tratamento diferenciado e imediato àquelas pessoas. O não cumprimento os coloca sujeitos às sanções previstas.
Além do que, estabelece a obrigatoriedade do cumprimento das normas técnicas de acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, e fixa o prazo de 30 meses, a partir da sua publicação, para promoção de adaptações, eliminações e supressões de barreiras arquitetônicas existentes nos edifícios de uso público, ou seja, aqueles administrados por entidades da administração pública, direta ou indireta, das empresas prestadoras de serviços públicos.
Baseada nesse regramento, o planejamento e a urbanização das vias, praças logradouros, parques e demais espaços públicos também estão sujeitos ao cumprimento das normas técnicas de acessibilidade da ABNT.
Esclareça-se, desde logo, que esse Decreto sofreu duas alterações. A primeira, através do Decreto n. 5.645 de 28 de dezembro de 2005, o qual alterou a redação do Art. 53, caput e § 3º, o qual diz respeito aos procedimentos a serem observados para implementação do plano de medidas técnicas.
51 Decreto n. 5.296, de 02 de dezembro de 2004. Disponível em:
A segunda alteração ocorreu recentemente, com a publicação do Decreto n. 9.404, de 11 de junho de 2018, para dispor sobre a reserva de espaços e assentos