CAPÍTULO 2: HISTÓRICO DA GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA NO ESTADO
2.1 ASPECTOS HISTÓRICOS DO ESTADO DE MATO GROSSO
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2020) o Estado de Mato Grosso, possuía uma população estimada para o ano de 2019 em torno de 3.484.466 de habitantes. Sua área territorial é de 903.206,997 km², ocupando a 3ª colocação no país. Com relação aos dados do trabalho e rendimento financeiro médio por pessoa, o IBGE aponta que o rendimento nominal mensal per capita é de R$ 1.403,00, sendo o 8º em nível nacional. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,725, sendo o 11º no país. O estado, apesar de possuir bons índices econômicos, não ocupa essa mesma colocação no campo da educação, como veremos mais adiante.
A história política institucional do Estado de Mato Grosso perpassa por vários momentos, conforme descritos abaixo:
A história de Mato Grosso, no período "colonial" é importantíssima, porque durante esses 9 governos o Brasil defendeu o seu perfil territorial e consolidou a sua propriedade e posse até os limites do rio Guaporé e Mamoré. Foram assim contidas as aspirações espanholas de domínio desse imenso território. Proclamada a nossa independência, os governos imperiais de D. Pedro I e das Regências (1º Império) nomearam para Mato Grosso cinco governantes e os fatos mais importantes ocorridos nesses anos (7/9/1822 a 23/7/1840) foram a oficialização da Capital da Província para Cuiabá (lei nº 19 de 28/8/1835) e a "Rusga" (movimento nativista de matança de portugueses, a 30/05/1834).
Proclamada a 23 de julho de 1840 a maioridade de Dom Pedro II, Mato Grosso foi governado por 28 presidentes nomeados pelo Imperador, até à Proclamação de República, ocorrida a 15/11/1889. Durante o Segundo Império (governo de Dom Pedro II), o fato mais importante que ocorreu foi a Guerra da Tríplice Aliança, movida pela República do Paraguai contra o Brasil, Argentina e Uruguai, iniciada a 27/12/1864 e terminada a 01/03/1870) com a morte do Presidente do Paraguai, Marechal Francisco Solano Lopez, em Cerro-Corá. [...]
Com a independência do Brasil em 1822, passou a ser a Província de Mato Grosso, e com a República em 1899, a denominação passou a Estado de Mato Grosso. [...] Em 1977, Mato Grosso é desmembrado em dois estados: Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. (MATO GROSSO, 2020)
Segundo Gomes (2001, p. 2), historicamente, o território que hoje se denomina Estado de Mato Grosso, no passado colonial, eram terras pertencentes à Espanha. A partir do Tratado de Tordesilhas, essas terras foram pouco exploradas pelos espanhóis que preferiram, durante os séculos XVI ao XVIII, se fixar no extremo Ocidente Sul-americano, onde encontraram grande quantidade de minérios.
Siqueira (2002), menciona que a ocupação do território mato-grossense foi iniciada principalmente no século XVIII, na porção sul do Estado, em virtude das descobertas e do desenvolvimento das atividades de mineração de ouro e diamante, que durante o século XIX instalou-se, preferencialmente, nas áreas do Pantanal Mato-grossense e nas Depressões do Alto Paraguai, baixada Cuiabana e Guaporé.
A primeira metade do século XX é marcada pelas descobertas de jazidas diamantíferas no sudeste do Estado. Várias expedições exploratórias e científicas, como a Roncador-Xingu e Expedição Rondon, que implantou a linha telegráfica induzindo a criação de diversos núcleos urbanos, inclusive a cidade de Pontal do Araguaia, na qual está localizada a Escola Estadual São Miguel, que faz parte desta pesquisa.
Mato Grosso é um estado que compõe o Centro-Oeste brasileiro, faz limite com Amazonas, Pará, Tocantins, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rondônia e com o país vizinho, a Bolívia. Possui, atualmente, 141 municípios, segundo dados do IBGE (2020). Em 1977, houve o desmembramento do Estado de Mato Grosso, que originou o Mato Grosso do Sul.
Imagem 1 - Mapa dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
Fonte: Google imagens, 2020
A partir da década de 1960, a Região Centro-Oeste sofre uma série de transformações que vai impactar sua estrutura produtiva com a vinda de imigrantes provenientes de diversas partes do Brasil, sobretudo, do Sul e Sudeste. Vários fatores se somaram a esse empreendimento, como a construção de Brasília, fundada em 1960, por Juscelino Kubitschek, que possibilitou a construção de diferentes estradas, entre elas, a construção da BR 364 ligando Mato Grosso a Rondônia, inaugurada em 1961, tornando viável a entrada de imigrantes em Rondônia e Mato Grosso, no sentido de preencher o chamado “vazio demográfico” da região.
Em 1970, foi criado pelo governo militar o Programa de Integração Nacional (PIN), tendo com lemas “integrar para não entregar” e “terra sem homens para homens sem terras”, com o objetivo de colonizar a Amazônia. Entre suas diretrizes estava a abertura de duas rodovias na Amazônia: a rodovia Transamazônica (ligando o Nordeste e Belém-Brasília à - Amazônia ocidental – Rondônia e Acre) e a rodovia Cuiabá-Santarém, ligando o Estado de Mato Grosso à Transamazônica e ao porto de Santarém, no rio Amazonas (OLIVEIRA, 2005,
apud SANTANA, 2009, p. 3). A Transamazônica cortou o território de vários grupos
indígenas, dentre estes, alguns ainda não tinham contato com a sociedade nacional. O PIN, segundo Santana (2009, p. 3), “foi considerado um marco da ação mais ostensiva do Governo Federal sobre a região Amazônica”.
Os incentivos governamentais, na década de 1970, contribuíram para a ocupação do Centro-Oeste, fortalecendo os movimentos migratórios e os grandes empreendimentos agropecuários na região. O governo do estado de Mato Grosso, na época, vendeu grandes extensões de terra a preços simbólicos, a proprietários do sul do país, o que gerou conflitos pela posse da terra que permanecem até os dias atuais. Mato Grosso é o campeão da produção agrícola para o exterior, mas isso teve e tem um preço muito grande, pois milhares de famílias foram expulsas de suas terras, bem como povos indígenas que tiveram suas terras invadidas e sofrem até os dias atuais para recuperarem suas áreas originais. Essas mudanças se deram principalmente com a implantação do agronegócio, subsidiado pelo governo federal no final do século XX e nessas duas décadas do XXI.
Após estas informações históricas sobre o estado do Mato Grosso, passaremos a abordar as questões educacionais, com foco na gestão democrática e na sua implementação e aplicabilidade nas escolas de educação básica públicas, tendo como exemplo a Escola Estadual São Miguel, de Pontal do Araguaia/MT.