2.5 Cap 5 – Por uma teoria integradora para o entendimento da realidade
2.5.1 Aspectos principais da Teoria dos Sistemas
O modelo sistêmico representa uma nova forma de pensar científico, uma nova maneira de perceber o mundo e suas relações; um paradigma, que significa uma ruptura com as formas anteriores de fazer ciência. Nas palavras de Prigogine e Stengers: "trata-se de uma verdadeira ‘metamorfose’ da ciência" (Prigogine e Stengers, 1984). Engloba no que Kuhn (1975) descreveu como uma "revolução científica". Segundo Kuhn, quando os esquemas conhecidos já não são suficientes para explicar a complexidade do mundo e suas relações, surge a necessidade de novos paradigmas. Pineau (2005, p.107), a partir das proposições de Kuhn, afirma que “por paradigmas entendemos uma matriz disciplinar compreendendo o conjunto de elementos práticos (quem investiga o que?), ideológicos (por quê?) metodológicos e epistemológicos (como?) que estruturam e legitimam em um certo momento um campo científico”. Assim o paradigma sistêmico emerge no campo das ciências para tentar responder as necessidades de compreensão dos elementos complexos vindos à tona a partir das novas descobertas em várias disciplinas.
Um novo paradigma nasce quando, face a um problema a ser resolvido, o paradigma em curso não pode responder a ele plenamente. Assim, o novo paradigma tenta regrar uma anomalia do sistema anterior,
mas como proposição ele é impreciso, simples promessa de futuro a ser explorada e a ser desenvolvida pelas teorias, os modelos, com as aplicações permitindo resolver os enigmas em curso. (Paul, 2005, p.
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Encontramos vestígios do pensamento sistêmico na história da filosofia, da religião, da psicologia e das ciências em geral. Tomemos como exemplo os conceitos de "equilibração e acomodação" de Piaget (1976) - podemos dizer que tais conceitos têm um caráter essencialmente sistêmico, ainda que o autor não os tenha denominado como tal.
Todavia os aspectos específicos e os elementos concretos do pensamento sistêmico são resultados de investigações realizadas a partir de meados do século XX e postulados expressos nas últimas décadas. Atribui-se precisamente a Ludwig von Bertalanffy (1973), biólogo vienense, emigrado aos Estados Unidos no final da Segunda Guerra Mundial, o haver utilizado pela primeira vez, ao final da década de trinta a frase "Teoria Geral dos Sistemas".
A partir de então, estima-se que o enfoque sistêmico passou a afetar toda a produção científica, passando a ocupar o lugar das teorias baseadas na termodinâmica no campo da física e o lugar das teorias mecanicistas no campo da psicologia. Segundo Grzybowski (2005, p.89-90) “Diante do paradigma analítico, fragmentário, mecanicista e de causalidade linear das ciências clássicas baseadas na física de Newton e na filosofia de Descartes, o enfoque sistêmico implementou a necessidade da exploração científica de totalidades, de organização, de relações e das dimensões holísticas do mundo”. Para Bertalanffy (1973, p. 53) (...) “É necessário estudar não somente partes e processos isoladamente, mas também resolver os decisivos problemas encontrados na organização e na ordem que os unifica, resultante da interação dinâmica das partes, tornando o comportamento das partes diferente quando estudado isoladamente e quando tratado no todo”.
A partir de Bertalanffy, e às vezes de maneira simultânea a seu trabalho, surgiram outras pesquisas que enfocaram um novo entendimento do desenvolvimento científico. Uma das mais destacadas é o estudo da Cibernética, termo utilizado por Norbert Wiener em 1948, e que se desenvolveu na ciência que estuda os seres vivos e as máquinas nos processos de controle e transmissão de informação. A cibernética trouxe para a ciência moderna os conceitos de "retroalimentação" (feedback) e "auto-regulação". Estes conceitos asseguram que os sinais de saída de um sistema voltam a entrar no sistema modificando substancialmente os resultados. Questionou-se assim a convicção já arraigada das explicações da conduta humana em termos de causa-efeito ou estímulo-resposta e pesquisadores da conduta humana associada à comunicação como Gregory Bateson e Erving Hoffman lançaram mão destes conceitos para
a construção de uma teoria dos sistemas sobre a conduta humana. Para Watzlawick, Beavin e Jackson, (1996, pg. 28) “os sistemas auto-reguladores - sistemas com retroalimentação - requerem uma filosofia própria, na qual os conceitos de modelo e informação são tão essenciais quanto os de matéria e energia no começo do século atual”.
A segunda objeção feita aos modelos da Teoria da Informação, a do caráter linear dos esquemas, teve como reação os estudos desenvolvidos, sobretudo nos Estados Unidos, a partir dos anos cinqüenta, que propõem um modelo ‘circular para a comunicação’. Podem ser mencionados os trabalhos de G.
Bateson, E. Hall e E. Goffman, entre outros, e as noções de base como a de feedback ou de retroação e realimentação. Trocando em miúdos, a comunicação no quadro da teoria da ‘nova informação’, da sociologia da comunicação ou da análise da conversação não deve mais ser pensada como um fenômeno de mão única, do emissor para o receptor, mas como um sistema reversível e interacional. Dois pontos merecem destaque: em primeiro lugar deve-se mencionar que para esses estudiosos não importam apenas os efeitos da comunicação sobre o destinatário, mas também os efeitos que a reação do destinatário produz sobre o destinador.(BARROS, 2007, p. 29)
Outro trabalho essencial para o desenvolvimento do paradigma sistêmico foram os estudos sobre a Comunicação Humana, especialmente da pragmática da comunicação, ou seja, do efeito que a comunicação tem sobre a conduta, tanto do emissor como do receptor. Na relação dos seres vivos, não se transmite simplesmente energia, como postulava o paradigma cartesiano que fundamentava distintas concepções da pessoa humana – como, por exemplo, a psicanálise e o conceito de libido – mas se transmite essencialmente informação. O exemplo clássico, descrito por Gregory Bateson, ilustra este particular:
Se o pé de um homem bater, enquanto passeia, numa pedra, a energia é transferida do pé para a pedra;
esta será deslocada e, finalmente, voltará a parar numa posição que é totalmente determinada por fatores tais como o montante de energia transferida, o formato e o peso da pedra, a natureza da superfície em que ela rola. Se, por outro lado, o homem der um pontapé num cão, em vez de na pedra, o animal poderá saltar e mordê-lo. Neste caso, a relação entre o pontapé e a mordida é de uma ordem diferente. É óbvio que o cão recebe a energia, para a sua reação, do seu próprio metabolismo e não do pontapé.
Portanto, o que é transferido não é energia mas informação. Por outras palavras, o pontapé é um item de comportamento que comunica algo ao cão e este reage à comunicação com outro item de comportamento-comunicação. Eis aí, essencialmente, a diferença entre a psicodinâmica freudiana e a teoria da comunicação, como princípios explicativos do comportamento humano. Como se vê, eles pertencem a diferentes ordens de complexidade; o primeiro não pode abranger o segundo e nem o segundo pode ser derivado do primeiro: mantêm-se numa relação de descontinuidade conceitual (Watzlawick et. All, 1996, p. 26)
Da mesma forma a Filosofia Existencial, em sua insistência de que o ser humano é um ser-em-relação e que o "EU" se define sempre diante de um "TU" significativo, tem trazido sem dúvida, uma mudança paradigmática na compreensão das relações humanas. Nas palavras de Buber (1977, p.55) “(...) Não há EU em si, mas apenas o EU da palavra-princípio EU-TU e o eu da palavra-princípio EU-ISSO. Quando o homem diz EU, ele quer dizer um
dos dois. O EU ao qual ele se refere está presente quando ele diz EU. Do mesmo modo quando ele profere TU ou ISSO, o EU de uma ou outra palavra-pincípio está presente.”
O enfoque sistêmico tem seu corpo de conceitos que o identifica e explica. Faremos a seguir, uma breve descrição dos termos que são de maior relevância para o estudo do modelo sistêmico em base da didática descrição feita por Friesen e Grzybowski, 2006.
Sistemas e subsistemas. Um sistema é uma entidade com componentes que co-variam de maneira interdependente dentro de limites (semipermeáveis ou permeáveis) e que busca manter o equilíbrio. Como os sistemas possuem uma hierarquia entre si, um subsistema é um sistema menor, contido em um sistema hierarquicamente superior, mas que por sua vez também contém em si sistemas menores ou hierarquicamente inferiores.
Uma forma de exemplificar isto seria o corpo humano, que em si é um sistema vivente, composto de sistemas de órgãos (nervoso, circulatório, respiratório), que seriam subsistemas do corpo, mas que também são constituídos por órgãos (cérebro, medula, bulbo, pulmão, coração, e outros) os quais são constituídos por tecidos e assim consecutivamente.
Sistemas abertos ou fechados. Um sistema aberto caracteriza-se pela permeabilidade de seus limites, que além de semipermeáveis, são também seletivos. Por estes limites o sistema importa ou recebe entradas, denominadas de "inputs", em forma de energia, matéria e informação e exporta ou emite "outputs", também em forma de matéria, energia e informação.
Os sistemas abertos estão em constante interação com outros sistemas em seu ambiente e buscam permanentemente um equilíbrio com o meio através da promoção de mudanças no mesmo. O atributo de abertura do sistema perante o meio onde subsiste é algo que compete a três teorias: sistêmica, comunicacional e interacionista. O atributo de oclusão de um sistema não é compatível com os sistemas orgânicos nem sociais, antes, corresponde a determinados componentes químicos, os quais, por sua própria natureza, não realizam intercâmbios de nenhum tipo de elemento.
Conceito de globalidade (ou totalidade). É o oposto do conceito de somação.
Significa que toda e qualquer parte de um sistema está relacionada com as demais partes, de tal forma que uma mudança em uma pequena parte, provocará a mudança no sistema em todas as demais partes e no sistema como um todo, pois um sistema é um todo inseparável, uma "Gestalt". O contrário de globalidade é a somação, e esta é a soma das coisas, um amontoado. Um amontoado de maçãs, que somadas dão 1.000 maçãs, não forma um sistema.
O corpo humano não é um amontoado de órgãos, mas a interação, inter-relação e comunicação entre os mesmos. Entre os conceitos de globalidade e somação existe tanta
semelhança quanto entre um organismo vivo e um amontoado de maçãs. Todavia, se as partes de um sistema não estão relacionadas de forma somatória, no que se baseia sua unidade? Uma das respostas dadas no passado foi que a energia unificava o sistema. Com o advento da cibernética e seu conseqüente descobrimento da retroalimentação, o conceito de energia como elemento unificador do sistema mudou para a comunicação, veiculada pelos elementos de retroalimentação e da circulação da mesma. Estes dois princípios são os pilares da teoria sistêmica.
Retroalimentação (ou feedback). A retroalimentação é entendida como uma cadeia de eventos nos quais o último elemento conduz de volta ao primeiro e torna a cadeia de eventos circular e não mais linear. Especialmente a cibernética ocupou-se em demonstrar a circularidade dos eventos. Da mesma forma a teoria da comunicação utiliza-se da mesma explicação para entender como a comunicação se altera no curso de sua expressão. Sabe-se que a retroalimentação pode ser positiva ou negativa. Ela é positiva quando conduz a mudanças, à perda de estabilidade, enquanto a retroalimentação negativa produz o efeito exatamente de manutenção do sistema. Não devemos concluir precipitadamente que a retroalimentação negativa é desejável e a positiva deva ser evitada.
Homeostase. Termo que significa duas coisas:
a) Manter o "status quo", ou seja, uma constância frente à mudança, em cujo caso a homeostase é um fim.
b) Exercer retroalimentação negativa para manter o "status quo", em cujo caso a homeostase se converte em um meio.
Para tornar claro este conceito vejamos o exemplo que segue: um membro de uma família muda sua conduta e esta mudança desestabiliza (afeta) aos outros elementos do sistema familiar. Diante desta nova conduta, surgem as reações (retroalimentações) e algumas podem ser positivas, são as que no caso irão apoiar a nova conduta do membro mutante, e o sistema se desestabiliza ainda mais. Outras podem ser negativas, procurando opor-se à mudança, a fim de manter a estabilidade do sistema. A este último esforço, denomina-se homeostase como meio para manter o status quo. A este tipo de homeostase chamamos "pura"
e tem sido questionada se, apesar da retroalimentação negativa, produzem mudanças; e apesar das mudanças, a família não necessariamente perde a estabilidade - não se desintegra - como poderia supor-se. Desta forma o conceito de homeostase como um fim, isto é, manter a constância, o status, o equilíbrio das forças internas e externas, é o que continua em vigência.
Eqüifinalidade. Significa que os mesmos resultados podem brotar de diferentes origens, porque a natureza da organização é que é definida, ou seja, a alteração de um estado em um sistema aberto, não é tanto determinado pelas condições iniciais do sistema quanto pela natureza do processo ao qual ele foi submetido. Embora alguns pensadores sistêmicos afirmem que arrancar do todo o estado inicial não é uma postura sólida, porque equivale a um esvaziamento e que o conceito esgota-se somente na explicação da inter-relação presente, os defensores do conceito da eqüifinalidade explicam em termos de sistemas abertos, que por serem tais como são, não estão sujeitos às condições iniciais como os sistemas fechados. Uma adequada compreensão desta postura indica que não negam o efeito dos estados iniciais, mas que dão predomínio aos parâmetros do sistema sobre as condições iniciais. No fundo trata-se de um debate entre a postura genética e a histórica, por um lado e a sistêmica por outro.
Calibração. Este termo é utilizado para explicar o equilíbrio que alcançava uma família diante de retroalimentações positivas, negativas e outros mecanismos. O uso do termo homeostase com o sentido de meio e fim, levantou algumas dúvidas sobre a capacidade fundamental do ser humano para a mudança sem desequilibrar-se. Tal capacidade denomina-se calibração. Podemos fazer uma analogia com o termostato de uma geladeira. Suponhamos que o termostato de uma geladeira está calibrado para manter a geladeira funcionando normalmente (internamente) para um nível de 20ºC na temperatura ambiente. Ocorre então uma subida na temperatura externa. O termostato irá modificar sua calibração até colocar-se de acordo com o nível "regulado". O conflito aparece quando se necessita regulá-lo mais alto ou mais baixo que o grau de temperatura habitual. Ali se coloca à prova a capacidade calibradora do sistema. Este experimenta alterações; as retroalimentações continuam sendo as mesmas; existem razões que impossibilitam colocar de novo o termostato a 20ºC. Somente permanece a capacidade calibradora do sistema. Aqui entra em função um procedimento escalonado, dando passos progressivos de ajuste até obter o ajuste do sistema à nova regulação. Esta analogia serve para observar a família em um constante calibrar-se às novas regulações. O crescimento de um filho, o casamento de outro, entre outras coisas, são mudanças reais e inevitáveis. Uma calibração não escalonada, drástica, desequilibra o sistema.
Sistemas interacionais estáveis. São sistemas nos quais as variáveis que o compõe tendem a permanecer em limites definidos. Pelo contrário, se as variáveis mais representativas tendem a sair dos limites, qualifica-se o sistema como não-estável. Para fins de estudo da comunicação humana, o estudo de um sistema estável é relevante. A repetição de seqüências somente é possível ser percebida em um sistema estável, o que indica as necessárias
conseqüências em longo prazo. O critério de sistema estável leva a uma conseqüência lógica:
a relação estável. Esta relação estável, duradoura, poderá ser sã ou enferma, o que dará relevância para a psicologia e psiquiatria.
Ruptura do sistema estável. O sistema estável pode romper-se e, por conseguinte, existem rupturas nas relações estáveis. Embora esta área do enfoque sistêmico pertence já ao campo da psicopatologia da família, convêm fazer uma revisão sumaria das principais formas de rupturas. As principais formas de rupturas do sistema familiar são três:
a) A Coalizão, que significa a confrontação de um subsistema contra outro subsistema ou o sistema total. Lembremos que um subsistema pode ser formado de um ou vários membros familiares.
b) Coalescência significa um problema comum orienta a formação de um grupo, que atuará em coalizão. Por exemplo, agrupam-se os que pensam que são explorados pelos demais (coalescência) e confrontam (coalizão) os exploradores reclamando de tal discriminação.
c) A Coagulação significa que um subsistema, em relação ao sistema total, diante de uma ameaça comum, se estanca. Aparentemente ocorre uma integração, mas efetivamente o que acontece é uma postergação da ruptura ou conflito até que passe a emergência.
Segundo Vasconcelos (1995), há ainda um grande problema de imprecisão conceptual no enfoque sistêmico, o que prejudica em muito a compreensão do mesmo. Termos tais como:
simetria e complementaridade; estrutura e organização; circularidade; homeostase e equilíbrio, entre outros, são usados por pensadores sistêmicos com distintas conotações e significados. A fim de evitar estas imprecisões, “chamaremos de circularidade o modo de leitura das interações onde cada um é, por vezes, a causa e o efeito, em oposição a uma leitura linear pela qual uma causa produz um efeito.” (Geberowickz, 1992, p. 3).
Outra crítica foi feita por Wittgenstein (1951), que afirma que só poderíamos saber algo a respeito da totalidade do mundo se pudéssemos ir a um lugar fora do mundo e o observarmos dali. Porém se houver este lugar fora do mundo, o mundo já não seria o todo a ser conhecido, de forma que os limites do conhecimento são os limites do mundo.
A Teoria Sistêmica hoje não se restringe somente ao campo das ciências humanas, mas tem pensadores nos campos das ciências exatas, das ciências biológicas e em todos os outros campos do saber humano, incluindo as artes e a filosofia. Esta incursão do pensar sistêmico nos diversos campos da ciência tem recebido o nome de “paradigmas”, mas que em
sua essência vislumbram uma concepção única, ou seja, a complexidade dos sistemas vivos e a necessidade da análise de suas totalidades e dos padrões que unificam esta totalidade.
Se quiséssemos apontar a disjunção, falaríamos de diversos “paradigmas”: diríamos que Morin, por exemplo, tem pensado o “paradigma da complexidade”; que Prigogine e seus colaboradores têm pensado o “paradigma da instabilidade” ou “paradigma da ordem a partir da flutuação”; que Von Glasersfeld e Pearce, entre outros, têm questionado a objetividade e pensado o “paradigma do construtivismo”, de uma realidade construída. E poderíamos também nos referir aos demais teóricos e especialistas contemporâneos, posicionando-os mais ou menos claramente em relação a estes “três paradigmas”. (Esteves de Vasconcelos, 1995, p.116-117)
Pode-se afirmar que o conceito central que abarca os distintos “paradigmas” é a idéia de circularidade, que rompe com o conceito linear e afirma a impossibilidade de, no caso dos sistemas viventes, determinar a uma parte uma influência causal sobre outra. Bateson (1978, p.53) afirma que um cérebro não pensa, o que pensa é um cérebro dentro de uma pessoa e que é parte de sistemas gerais que habitam, em equilíbrio, dentro de seu meio. Portanto não podemos traças uma linha divisória que indique que uma parte pensa e outra aproveita o pensamento, antes “o que pensa é um circuito total”.
Uma conseqüência direta desta forma de pensamento é o questionamento da possibilidade de se haver um conhecimento objetivo, embora a grande parte da pesquisa científica, acreditando ter um acesso privilegiado à realidade objetiva, atua acreditando que a dificuldade em se ser eficiente decorre da dificuldade de se encontrar uma representação mais verdadeira dessa realidade objetiva e independente. O modelo circular de pensamento leva à compreensão de que um objeto a ser pesquisado só tem sua existência concretizada quando em relação ao pesquisador ou, nas palavras de Esteves de Vasconcelos (1995, p. 65), “a realidade só existe a partir da pergunta do investigador sobre ela”. Esta idéia não nega que haja uma realidade numa existência independente do investigador científico, mas, antes, afirma que os objetos da pesquisa científica são conhecidos através do olhar do investigador e mantém com este uma relação íntima e circular de influência recíproca. O que por sua vez torna o campo da pesquisa científica altamente complexo. Detalhes do pensamento complexo serão desenvolvidos na seqüência.